Capa do romance Um arrependimento tardio

Um arrependimento tardio

8.6 / 10.0
Após dar à luz gêmeos, Raina viveu um horror: Alexander exigiu o divórcio e tomou a guarda do filho Liam. Ela fugiu com a pequena Ava, reconstruindo sua vida sob um novo sobrenome até se tornar poderosa. Anos depois, Liam adoece, forçando o homem que a descartou a implorar por ajuda. Agora, Raina não é mais a sombra do passado. Resta saber se ela salvará o filho que lhe foi tirado ou se Alexander enfrentará o preço de seu desprezo eterno.

Um arrependimento tardio Capítulo 1

RAINA

Meu corpo doía de uma forma indescritível, em lugares que eu nem sabia que existiam. Enquanto minha pele estava pegajosa de suor, meus músculos tremiam após horas em trabalho de parto.

A sensação de ser mãe era tão surreal que eu mal conseguia acreditar. Na verdade, mesmo tendo tido nove longos meses para me preparar psicologicamente, nada poderia ter me preparado para essa sensação.

"Agora sou mãe", pensei, mas meu coração ainda doía enquanto eu estava deitada na cama do hospital, olhando para o que talvez fosse minha maior realização como mulher:

meus gêmeos recém-nascidos.

Ao observá-los — meu lindo menino e menina enrolados ao meu lado —, fui tomada por uma alegria e orgulho, mas essa sensação foi quase completamente eclipsada por um sentimento de inquietação que me corroía, algo com o qual eu já estava bastante familiarizada ao longo dos anos.

Mesmo com o ar-condicionado ligado, o quarto estéril parecia... abafado.

Mas a presença mais gélida pairava sobre mim com seus ombros largos e seu rosto bonito e cruel, sem qualquer emoção.

Meu marido.

Ele ficou ali, me olhando como se eu fosse algo descartável. Talvez eu fosse mesmo. Afinal, eu acabara de dar à luz nossos bebês, nosso futuro, e ele não foi capaz nem de esboçar um sorriso. Nenhuma palavra de conforto.

Nem mesmo um "estou orgulhoso de você".

Como eu queria ouvir pelo menos isso...

Prendi a respiração, esperando que algo pudesse quebrar o silêncio, mas o que veio a seguir foi a última coisa que eu poderia esperar.

Quando ele se moveu, não foi para pegar nossos filhos no colo ou acariciar meu cabelo. Em vez disso, ele atirou uma pilha de papéis no meu colo sem dizer uma palavra.

"Assine", ele ordenou, num tom frio e distante.

Levei um momento para assimilar suas palavras.

Pisquei, com os olhos ainda embaçados pela exaustão de ter colocado dois pequenos seres no mundo. Assinar o quê? Confusa, olhei para os papéis, depois para ele. "Desculpe, o que..."

"Os papéis do divórcio", ele interrompeu bruscamente, como se fosse óbvio.

Ao ouvir isso, meu coração se apertou e meu estômago se revirou dolorosamente.

O quê?

"Aqui", ele disse num tom ríspido enquanto me atirou uma caneta. Seus movimentos eram tão impacientes que dava a impressão de que tudo isso era um incômodo para ele, e não de alguém que acabara de ter a esposa em trabalho de parto.

"O quê..." Minha respiração falhou enquanto eu olhava para os papéis, incrédula. O que estava acontecendo? Eu acabara de dar à luz aos filhos dele, ele não podia estar falando sério.

Um divórcio?

"Eu... não estou entendendo. Acabei de dar à luz...", minha voz se quebrou.

"E sorte sua que esses filhos são meus!", ele exclamou num tom carregado de veneno. "Pedi aos médicos para fazerem um teste de DNA assim que eles nasceram." Minha boca se abriu em choque. "Se os resultados tivessem mostrado o contrário... acredite, eu teria tornado a vida sua e do seu amante um inferno."

Recuei em choque, com uma sensação tão intensa que me deixou tonta. Ele fez o quê? Meu o quê? A acusação me atingiu como um golpe. Minha mente lutava para processar suas palavras enquanto eu lutava para respirar, com meu coração batendo forte nos meus ouvidos.

"Alex, o que...", comecei, com a voz embargada. "Que amante?" Ele achava que eu o havia traído? Depois de eu ter passado cada segundo da minha vida lhe mostrando o quanto ele era importante para mim? "Do que está falando?"

"Você não está enganando ninguém, Raina", ele cuspiu, se aproximando. "Agora, assine."

Lágrimas marejaram meus olhos.

"Isso é algum tipo de piada? Só pode ser! Não sei o que..."

"Ah, poupe-nos do seu teatrinho, Raina! Todos nós sabemos o que está acontecendo. Então nos faça um favor e pare de... porra... fingir!", Vanessa, irmã dele, rosnou de um canto do quarto, se aproximando. Eu nem tinha notado que ela estava lá.

Minha mente estava a mil. Isso não estava acontecendo. Não, não podia estar acontecendo. Será que eu estava em coma e vivendo meu pior pesadelo?

"Não estou...", comecei, mas ela atirou uma pilha de fotos em mim, fazendo com que algumas caíssem na cama e outras no chão.

Com as mãos trêmulas, me sentei e peguei uma das fotos, me encolhendo de dor. Era difícil enxergar algo em meio às lágrimas. Minha respiração estava ofegante, rápida e superficial. "A-Alexander, me ouça..."

"Já chega!", ele gritou furiosamente, antes mesmo que eu tivesse a chance de ver as fotos. "Pare de perder meu tempo e assine os malditos papéis, sua vadia!"

Vadia? Eu, a esposa dele?

De onde veio isso? O que estava acontecendo?

Suas palavras me perfuraram como uma agulha se cravando dolorosamente no meu peito.

Meu Deus, ele estava falando sério sobre... acabar com isso? Acabar com a gente?

Tomada pelo pânico, comecei a hiperventilar, com meu corpo tremendo incontrolavelmente enquanto o quarto começava a girar.

Em meio às minhas lágrimas, procurei no rosto de Alexander por algum vislumbre de emoção, por menor que fosse.

Compaixão, preocupação, amor.

Não havia nada.

Tudo o que encontrei foi a frieza estampada nos seus traços rígidos.

"Será que amei o homem errado?" Esse pensamento me destruiu.

Por anos, ignorei os sinais.

A família dele me odiava desde o início, achando que eu não era boa o suficiente para ele e que não merecia o prestígio deles.

Suportei os insultos e as humilhações constantes deles. Várias vezes, a mãe dele me ofereceu dinheiro para eu desaparecer antes do casamento, mas eu recusei, pois meu amor por ele era simplesmente isso: amor. Puro e verdadeiro. Eu não queria dinheiro.

Sempre que eles falavam mal de mim e eu contava a Alexander, ele apenas dava de ombros e dizia:

"Eles são assim mesmo, Raina. Eles vão mudar."

Mas eles nunca mudaram. E ele nunca me defendeu.

Nem quando sua irmã me chamou de interesseira durante nosso noivado. Nem quando seu pai sugeriu que ele anulasse o casamento após nosso primeiro ano.

Apesar do desprezo da família dele, dos subornos e das agressões verbais, eu permaneci ao seu lado, o amando cada vez mais e arranjando desculpas para o silêncio dele.

Mas agora, ele havia se transformado completamente.

Ou talvez ele nunca tivesse sido meu.

Eu estava me forçando a ele o tempo todo.

Nesse momento, ficou terrivelmente claro que ele nunca me amou, pelo menos não da forma como eu o amava.

"Que tola eu fui", pensei, enquanto a escuridão me consumia.

"Agora, pare de enrolar e assine os papéis. Tenho compromissos."

"Alex", sussurrei, me virando para ele. "Por favor, podemos conversar a sós? Eu... tenho certeza de que tudo isso é um mal-entendido." O desespero sufocava minhas palavras. "Só me ouça."

"Não", ele respondeu, olhando para o relógio com desdém. "Não há necessidade. Já sei tudo o que preciso saber. Conversaremos quando nossos advogados estiverem envolvidos, então guarde suas mentiras para depois."

"Alex... você me conhece. Sabe que eu não faria nada disso. Sempre te amei, só você. Nunca fui infiel."

Mas ele não se importava. Sem sequer olhar para mim, ele disse: "Assine os papéis. Acabou."

"Alex...", sufocada, eu disse, com a voz embargada e os lábios trêmulos, implorando com os olhos para que ele me ouvisse.

No entanto, ele apenas me encarava fixamente, impassível, sem coração e inabalável.

"Por favor, não me faça repetir", ele disse entre dentes, parecendo estar se contendo para não cuspir em mim.

Lágrimas embaçaram minha visão enquanto eu pegava a caneta com as mãos tão trêmulas que mal conseguia rabiscar meu nome, mas eu o fiz. Que opção eu tinha? Ao terminar, olhei para meus gêmeos recém-nascidos, encontrando consolo no fato de que eu ainda os teria, pelo menos.

Mas então, numa cruel reviravolta do destino, a mãe dele, que eu não havia visto porque estava ao meu lado, atrás das máquinas, se aproximou e apontou para meus bebês:

"Pegue ele e vamos embora."

Minha cabeça se ergueu em alerta. "O quê?"

"Leia os papéis", Alexander disse friamente. "Você abriu mão dos seus direitos parentais sobre meu filho."

Meu sangue gelou. "Alex, não...", não consegui respirar. "E-ele é só um bebê, você não pode tirá-lo de mim! Você não pode...!"

"Ele é meu herdeiro!", ele exclamou, cerrando o maxilar. Então, se inclinando para frente, ele continuou com um tom letal: "A menina... você pode ficar com ela. É um favor. Eu poderia ficar com os dois, mas assim não terei que me preocupar com ela se tornando uma vadia como a mãe."

Ofegando, recuei. "Alex! Como pode dizer isso da nossa filha, de mim?!"

"Sua filha. Só sua, a partir de agora", ele disse categoricamente. "O médico disse que ela não está saudável e pode não sobreviver por muito tempo. Não preciso de um fardo, especialmente um que pode se tornar igual a você." Com isso, ele me deu as costas, assim como a tudo o que tínhamos juntos, e saiu com nosso filho nos braços.

Gritei atrás dele, chorando incontrolavelmente, fraca demais para sequer conseguir sair da cama. "Alex! Alex, por favor! Alex, não o leve!... Por favor!"

Mas ele não olhou para trás.

Me desabei, abraçando minha filha contra o peito enquanto os soluços sacudiam meu corpo, com o peso da traição me esmagando.

Rejeitada e abandonada, eu estava sozinha.

Completamente e totalmente sozinha.

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