
UM AMOR SEM LEMBRANÇAS
Capítulo 3
Quando retornei a "meu quarto", ele estava cheio, havia flores ursos, e caixas que pareciam ser de chocolate, e um comitê de boas vindas, composto por pessoas que eu não sabia quem eram, mas pareciam muito felizes em me ver, um casal de meia idade que eu pensava ser os pais de Rafael, isso por causa da semelhança física, um casal mais jovem que também pareciam ser da família dele, pois a mulher era a versão dele feminina, parecia que todos da quela família eram bonitos, o que me fez pensar em como eu estava agora entre eles.
Mas eu avistei minha família, um território seguro naquele momento, lá estavam Liene minha irmã caçula, Barbara minha irmã mais velha com sua filha Amanda, minha amada sobrinha, minhas tias Marta e Dora também estavam lá, mas minha mãe não estava, isso era tão estranho, minha mãe e uma mãe tipo " mãe coruja" será que ela tinha ficado tão emocionada com minha volta que possou mal?
- cadê a minha mãe?
Ninguém me respondeu nada, mas as lágrimas mudaram de rota, e os rostos ficaram mais tristes, e minha sobrinha Amanda começou a chorar, dessa vez não era de felicidade, era tristeza, então eu chorei também, por que aquilo não era nada feliz, eu queria minha mãe naquele momento louco, para me dizer que nada daquilo era importante, o que importante era eu está viva...Viva minha mãe...
Olhei desesperada para Liene, ela chorou e balançou a cabeça de forma triste e veio até a cadeira de rodas onde eu estava, foi uma dor muito cortante, meu peito rasgou ao meio, eu desejei ter morrido nesse maldito acidente, mas será que tinha sido isso? Minha mãe morreu nesse acidente que eu estava? Até aquele momento eu só sabia isso, tinha sido um acidente, será que eu matei minha mãe?.
- Minha mãe morreu no acidente? Eu matei ela Liene?
Eu perguntei mais não queria a reposta, não queria viver com aquele peso, como algum vive com a morte de sua mãe nas costas, seria por isso que minha cabeça deletou todos aqueles anos? Meu cérebro criou uma fuga.
- Claro que não Nina, a mamãe morreu a dois anos atrás, ela foi diagnosticada com câncer de mamã, e foi uma morte rápida e sem dor para ela, todas nós ficamos com ela, e demos a ela bons momentos, todos os dias em que ela viveu depois do diagnóstico foram de boas memórias para ela e para nós, fomos muito unidas, como sempre fomos, e ela partiu com todas a sua volta.
Choramos abraçadas como fui parar ali já não importava mais, eu sentia muito por fazer minhas irmãs reviverem aquele momento, não queria vê-las sofrendo outra vez, não daquela forma, mas para mim aquela dor era de algo recente, doeu muito, cada pedacinho de mim doeu, eu queria apagar toda minha memória naquele momento, e não só cinco anos da minha vida.
- Como foi que eu cheguei aqui, que acidente foi esse?
Minhas irmãs não respondeu, mas todas olharam para Rafael, ele também estava chorando, seus braços estavam cruzados, com uma das mãos no queixo, ele tinha um misto de sentimentos no rosto que eu não sabia dizer quais eram, mas ele disse.
- Nos dois discutimos, você ficou brava comigo, você pegou o carro, estava chovendo eu disse para você não ir...você perdeu a direção a pista estava muito molhada, você se chocou contra um caminhão, e o resto você já sabe.
- Por que nós brigamos.
- Por que todo casal briga Nina.
Aquela resposta não me convenceu, mas por hora estava bom, já tinha vivido muitas emoções naquele poucas horas do dia, emoções e dores o suficiente.
- Oi Nina eu me chamo Leda sou sua sogra e estamos muito felizes que você está com a gente outra vez.
- E eu sou o Roberto seu sogro.
O casal de meia idade se apresentou e eles pareciam realmente felizes em me vê, acho que eu tenho uma boa relação com meus sogros afinal de contas, talvez uma relação melhor do que com o meu recém descoberto marido.
- Nina eu sou a Sarah sua cunhada, e eu estou muito, muito feliz de te vêr e essa aqui no forno e sua sobrinha Lis, e ela também está feliz em ouvir sua voz novamente.
- Oi Nina bem vinda de volta eu sou o Toni seu concunhado.
Meu Deus, era muita informação, minha cabeça começou a rodar e a doer, eu queria ficar sozinha, eu precisava de espaço, mas como pedir aquilo naquele momento, se minhas tias começassem a falar aí sim eu iria ter uma enorme dor de cabeça, eu olhei para o médico pedindo socorro, e graças a Deus ele entendeu.
- Bem acho que ela já viveu grandes emoções hoje, então que tal todos vocês deixarem ela descansar um pouco?
Todos concordam, com excessão do meu pseudo marido, eu vi um por um saindo e me desejando melhoras, e no último a sai ele fechou a porta e olhou para mim, seu olhar era intenso, tinha tantas coisas que eu queria perguntar a ele, havia tantas lacunas abertas na minha cabeça, meu olhar para ele era de curiosidade, raiva por talvez ter sido ele o causador do meu infortúnio.
- Eu sei, o que está passando por esse linda cabecinha, eu sei que você quer respostas Nina, eu vou te contar tudo o que você precisa saber, eu prometo, só descansa tá.
Me peguei concordado com ele, afinal de contas o que mais eu poderia fazer?
Ele veio até a mim e me ajudou a sair da cadeira e ir para cama, dessa fez não recuei, embora tenha me sentido muito desconfortada, me deitei, ele me cobriu e foi para a poutrona que estava quando eu acordei, os olhos dele estava em mim, fechei meus olhos e fiquei ali pensando em como Noah e eu terminamos, e como eu me casei com aquele desconhecido ali na minha frente.
Tá que meu namoro com o Noah era marcado por idas e voltas, mas como foi o finitivo entre nós, se eu o visse será que todo o sentimento que eu tinha por ele voltariam? E o que será que ele estava fazendo da vida?
Me senti culpada por pensar em Noah enquanto meu marido estava ali, sentado diante de mim, como aquilo era possível, eu estava casa, eu até dirigia e até quase me matei fazendo isso, era uma loucura atrás da outra, e minha mãe, eu tinha perdido minha mãe duas vezes, meu coração viveu sua morte por duas vezes.
Minhas lágrimas viram soluços altos então Rafael veio até a mim, e me abraçou, e aquilo foi um conforto naquele momento, eu estava perdida, toda minha vida estava bagunçada e confusa, e aquele desconhecido era a única coisa sólida que existia alí, então eu o abracei como se minha vida dependesse daquele abraço, e chorei todo a minha dor.
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