
Um Amor Renovado
Capítulo 2
Os gritos tristes de Neil ecoaram por toda a casa e deixaram os Griffins extremamente irritados.
"Quando aquele pirralho vai parar de chorar?", perguntou Tracy Griffin, claramente impaciente. "Ele é um lixo inútil, como a mãe morta dele. Isso é muito irritante."
Melanie franziu a testa e retrucou: "Mãe, não se lembra de que Neil é filho de Lyla? O que ele teria a ver com Ximena? Aquela mulher era desprezível!"
Tracy arregalou os olhos e cobriu a boca ao perceber o erro. Ela olhou ao redor e e se sentiu aliviada ao ver que, felizmente, não havia mais ninguém ali. "Quando Ramon vai chegar para buscar você e o pirralho?"
"Ele já está a caminho, mas Neil não quer ir", respondeu Melanie.
Tracy disse com os dentes cerrados: "Bem, ele não para de chorar, então acho que você deveria levá-lo para fora do quarto e dar uma surra nele para que aprenda a se comportar."
"De jeito nenhum! Se alguém me vir espancando uma criança assim, quem sabe o que pode acontecer? Mesmo que Ramon não goste de Ximena, Neil é filho dele."
Apesar de Melanie não gostar de Neil, ela entendia que ele era o único filho de Ramon e a família dela contava com o menino para conseguir se beneficiar da família Mitchell. Se quisesse ficar com Ramon, ela precisava usar Neil como isca. Sendo assim, ela tinha que poupar o menino por enquanto. Se ele não se comportasse bem na festa de aniversário, ela teria que lidar com ele mais tarde.
Enquanto Melanie e Tracy conversavam, Neil conseguiu sair pela janela do quarto, que ficava no andar superior...
De repente, todos na casa ouviram um estrondo e se espantaram.
"Que barulho foi esse?", Melanie perguntou ansiosamente.
De repente, os seguranças do lado de fora começaram a gritar, dizendo: "Neil caiu do andar de cima!"
Melanie empalideceu. "O quê? Neil caiu lá de cima?!"
Ela saiu correndo e a primeira coisa que chamou sua atenção do lado de fora da casa foi um menino caído em uma poça de sangue. Neil tinha mesmo caído do andar superior!
"Ramon está chegando para buscá-lo! O que faço agora?!", Melanie gritou em pânico.
Nesse momento, faróis brilhantes surgiram à distância. Era o comboio da família Mitchell se aproximando da residência dos Griffins.
Todos olharam para Neil, que estava caído na poça de seu próprio sangue. Era uma situação assustadora e ninguém sabia o que fazer.
Melanie podia sentir o suor frio escorrendo de sua testa e suas mãos tremiam. Mesmo assim, ela juntou coragem para avançar e entrar na frente do comboio para pará-lo.
"Ramon, aconteceu um acidente! Neil caiu da janela do andar superior!"
Todos ficaram em pânico, e lágrimas surgiram nos olhos de Melanie enquanto ela observava a reação de Ramon.
"Não sei como isso aconteceu. Ele insistiu em se trancar no quarto, mas eu não esperava que ele fosse tão descuidado a ponto de cair da janela. Sinto muito, Ramon. Isso foi minha culpa, pois não cuidei bem dele e..."
"Onde o menino está?", perguntou Ramon, interrompendo Melanie, sem nem mesmo dar a chance de ela terminar a explicação. Seu tom de voz demonstrava pura raiva.
Com as mãos ainda trêmulas, Melanie apontou para Neil, que estava coberto de sangue e imóvel.
Quando viu aquela cena, Ramon a agarrou pelo colarinho com os olhos vermelhos e gritou: "Se alguma coisa acontecer com o garoto, você vai pagar caro!"
Ela ficou em choque e tão assustada que as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto.
Ramon ignorou a reação dela e levou Neil às pressas para o hospital. O diretor da instituição se certificou de que Ramon levasse o filho para o atendimento imediatamente. Afinal, Neil estava gravemente ferido e precisava de uma cirurgia de emergência.
Felizmente, muitos médicos estavam de plantão esta noite. Porém, por influência da família Mitchell, o diretor decidiu que uma médica renomada realizasse pessoalmente a cirurgia do menino. Essa profissional tinha sido contratada do exterior por um valor muito alto.
"Doutora Griffin, seu paciente hoje é um menino de três anos. Ele é o único filho do senhor Mitchell, então você precisa dar uma atenção muito especial a esse procedimento cirúrgico. Não importa o que aconteça, é preciso dar tudo certo", falou o diretor. "Se o menino não sobreviver, o hospital vai sofrer grandes problemas."
Ximena amarrou o cabelo com indiferença antes de olhar as imagens do raio-X. "É claro que farei o meu melhor, pois sempre tento salvar todos os pacientes, independentemente de quem sejam. Mas espere... você disse senhor Mitchell? Qual deles?"
"Ramon Mitchell, o homem mais poderoso de Fairedge. Você conhece a família Mitchell, certo?"
Ela instintivamente cerrou os punhos e, embora estivesse usando uma máscara, dava para notar uma expressão de espanto bem evidente em seu rosto. Ela não esperava se encontrar com Ramon assim que começasse a trabalhar neste hospital. O mais interessante dessa situação era entender como ele poderia ter um filho.
"Ramon tem um filho?", Ximena perguntou com um tom de surpresa.
"Sim. É um menino de três anos", respondeu o diretor. "Não acabei de passar as informações sobre a criança?"
"A ex-esposa de Ramon faleceu, então de onde veio essa criança?", perguntou Ximena, erguendo uma sobrancelha. "Se o menino fosse dela, ele já deveria ter quatro anos."
"O menino é filho de Lyla Griffin. Pouco tempo depois do falecimento da esposa, há quatro anos, Lyla recuperou a consciência. Um ano depois, ela deu à luz um filho, Neil Mitchell. O menino acabou de completar três anos."
Ximena sentiu uma dor aguda no peito e o brilho dos seus olhos desapareceu no instante em que ela ouviu que o menino era filho de Lyla. Nesse momento, ela largou a bata cirúrgica e olhou para o diretor. "Senhor, sinto muito, mas não posso realizar essa cirurgia."
Ele arregalou os olhos e falou: "Por que não? Você disse agora há pouco que daria o seu melhor! O que fez você mudar de ideia?"
"Acabei de chegar do exterior e não me sinto bem. Você pode pedir ao doutor Young para realizar a cirurgia", respondeu Ximena, tentando se acalmar. Ela poderia realizar cirurgias em qualquer pessoa, desde que não fosse alguém relacionado com Lyla, porque ela não era uma pessoa tolerante.
Em seguida, ela se virou e saiu, mas o diretor foi atrás dela.
Enquanto isso, Ramon esperava o médico ansiosamente do lado de fora da sala de cirurgia. Sua raiva atingiu o limite pela demora.
Instantes depois, ele soube que a cirurgiã chefe queria desistir de ser responsável pelo procedimento e não conseguiu mais se conter. Então, ele ordenou que os seguranças o seguissem para confrontar a médica.
Ximena estava imóvel em um corredor silencioso enquanto a tensão pairava no ar. De repente, ela sentiu o olhar frio de alguém atrás dela, apunhalando-a como se fosse uma lâmina afiada. Ela tinha a impressão de que o homem atrás dela não hesitaria em puni-la se ela fosse embora naquele momento.
Mas e daí? Quatro anos atrás, ela havia ligado várias vezes para Ramon, mas ele se recusou a falar com ela pela última vez. Agora, ele queria que ela salvasse o filho dele? Mesmo depois de tudo o que aconteceu?
Que ridículo!
O corpo de Ximena tremeu ligeiramente, pois ela fervia de raiva. Por fim, ela se virou e se deparou com o olhar feroz de Ramon. Ele ainda era exatamente o mesmo: altivo e insensível. Ela já tinha se esquecido do quanto amava esse homem. Nesse momento, tudo o que ela sentia por ele era puro ódio.
"Senhor Mitchell, não estou me sentindo bem hoje, então não posso fazer a cirurgia do seu filho. Mas não se preocupe porque o doutor Young é um cirurgião muito experiente. Vou procurá-lo agora mesmo", ela falou com frieza.
O coração de Ramon quase parou. Uma pitada de surpresa transpareceu de uma forma bem evidente em seus olhos enquanto ele caminhava lentamente em direção àquela mulher sem hesitar. Ela estava usando uma máscara que cobria quase todo o rosto. Apesar do cheiro de desinfetante flutuando no ar, dava para sentir um aroma leve e familiar vindo dela.
"E se eu insistir para que você faça a cirurgia hoje?", Ramon perguntou. "O que vai fazer?"
Nesse momento, os seguranças dele cercaram Ximena.
A respiração de Ximena ficou mais rápida, então, ela franziu a testa e cerrou os punhos, dizendo: "Não farei a cirurgia, não importa o que você diga. Pode até me matar, pois não fará diferença."
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