
Um amor que não é cego
Capítulo 2
Meia hora depois, na casa suburbana.
Sebastian colocou um prato fumegante de macarrão em cima da mesa, com a voz carregada de frustração. "Aquele desgraçado do Landen... Se não fosse por você ter cuidado dele todos esses anos, ele já teria morrido há muito tempo! Mas, ao invés de demonstrar gratidão, ele te traiu. Ele é só um..."
"Já chega", Kaelyn interrompeu, num tom neutro, mas firme. Enquanto massageava as têmporas, sua exaustão era evidente. "Não quero mais falar dele."
Ao ver o cansaço dela, Sebastian se acalmou, e sua raiva se transformou em preocupação. "Está bem, está bem. Vamos mudar de assunto." Após um momento de pausa, ele acrescentou, com os olhos brilhando de interesse: "A propósito, durante os três anos em que você esteve longe da área da saúde, as pessoas estavam praticamente enlouquecendo tentando te encontrar para serem tratadas. Agora que você se divorciou de Landen, pretende voltar à ativa?"
Kaelyn se recostou, com um olhar pensativo. Após um momento de reflexão, ela respondeu: "Divulgue a notícia. É hora de a renomada curandeira, Egret, voltar."
O rosto de Sebastian se iluminou de entusiasmo, e sua voz quase embargada. "Finalmente! Essa é a melhor notícia que ouvi em anos!"
Ele não pôde deixar de sorrir diante da ironia da situação. Nos últimos tempos, o Grupo Barnett estava se desdobrando por qualquer informação sobre Egret, desesperados pelas suas habilidades.
No entanto, Landen, casado com ela há três anos, foi cego demais para perceber quem ela realmente era.
...
Na manhã seguinte, Kaelyn estava dormindo profundamente quando o toque estridente do seu celular a tirou abruptamente dos seus sonhos. Sonolenta e desorientada, ela pegou o aparelho e atendeu com um suspiro.
Do outro lado da linha, a voz aguda e repreendedora da mãe de Landen, Kathy Barnett, ecoou: "Sua ingrata, onde você se meteu dessa vez? Volte para casa e faça o serviço de casa!"
No passado, Kaelyn teria se desculpado imediatamente, mansa e submissa diante da ira de Kathy. Mas hoje era diferente, as coisas haviam mudado.
Com uma voz fria e sem emoção, ela respondeu: "Landen e eu decidimos nos divorciar. Não tenho mais a obrigação de fazer nada pela sua família."
"O quê? Divórcio?" O tom incisivo de Kathy ecoou do outro lado da linha, seguido por uma risada zombeteira, como se ela tivesse acabado de ouvir uma piada absurda. "Aposto que isso foi só uma decisão sua. Kaelyn, não se esqueça do seu lugar! Você não tem o direito de fazer birra comigo! Volte para casa em meia hora, ou jogarei todas as suas coisas fora!"
A ligação foi encerrada com o desligamento decisivo de Kathy.
Kaelyn ficou imóvel por um momento, com os lábios cerrados.
Então, com uma calma deliberada, ela se levantou da cama e se vestiu. Ainda havia alguns pertences importantes no seu quarto naquela casa, e esse dia parecia perfeito para recuperá-los, rompendo de uma vez por todas os laços com a família Barnett.
Um táxi a deixou na mansão dos Barnett. Assim que Kaelyn entrou, uma voz estridente a cumprimentou da sala de estar: "Ora, ora, vejam só quem se atreveu a aparecer! Não voltou para casa a noite toda? Deve ter aprontado alguma coisa suspeita!"
O olhar de Kaelyn se desviou para o sofá, onde Kathy e sua filha Verena Barnett estavam sentadas lado a lado, elegantemente vestidas, mas exalando a arrogância mesquinha de verdadeiras megeras.
A expressão de Kaelyn se enrijeceu ao encontrar seus olhares desdenhosos. "Ah, realmente suspeito", respondeu ela num tom incisivo. "Afinal, Landen foi pego me traindo com Claire no nosso aniversário de casamento, bem diante dos meus olhos. Se isso for divulgado, a reputação da família Barnett estará arruinada!"
"O quê? Claire voltou?" Os olhos de Kathy se arregalaram em choque, mas sua surpresa logo se transformou num sorriso de desprezo. "Bom, o que mais você poderia esperar? Você sempre foi inútil. Três anos fazendo parte desta família e nem um sinal de filho. Achou mesmo que Landen ficaria de braços cruzados e deixaria a linhagem da família se extinguir?"
Verena acrescentou com veneno: "Exatamente! Se não fosse pelo acidente de Landen e pelo último desejo da vovó, você acha mesmo que uma órfã como você teria a chance de se casar com alguém da família Barnett? Comparado a Claire, seu histórico e talentos são ridículos! Uma mulher estéril como você merece ser ignorada por Landen."
Kaelyn quase caiu na gargalhada com a descarada falta de vergonha da mãe e da filha. A audácia das palavras delas a enfureceu e divertiu ao mesmo tempo.
Sem dizer uma palavra, ela enfiou a mão na bolsa e pegou um antigo relatório médico que Landen havia lhe entregado anos atrás. Com um movimento do pulso, ela o jogou no colo de Verena. "Landen nunca teve intimidade comigo, nem uma única vez. Não posso ter um filho sozinha!"
Verena, que estava prestes a lançar mais insultos, congelou quando seu olhar pousou no relatório. Seus olhos se arregalaram e seu rosto empalideceu quando a palavra em negrito "impotente" a encarou. "Como... como isso é possível?"
Suas mãos tremiam enquanto ela segurava o papel, sua descrença evidente.
Ao ver o relatório, Kathy arqueou uma sobrancelha. Mas ela estava mais composta do que Verena, e sua expressão se alterou brevemente antes de ela recuperar o controle rapidamente.
"Bom, se Landen pode ter intimidade com Claire, isso prova claramente que não há nada de errado com ele. Foi seu fracasso que o levou a mentir sobre ser impotente ao invés de te tocar", declarou Kathy, sua voz incisiva.
"É mesmo?", disse Kaelyn, seus lábios se curvando num sorriso frio e seus olhos brilhando com escárnio. "Você se esqueceu de quem ficou ao lado de Landen, estabilizando o caos no Grupo Barnett quando ele sofreu o acidente e quando Claire fugiu para o exterior?"
O maxilar de Kathy se contraiu, seu olhar fixo em Kaelyn. Por um momento, ela ficou sem palavras, mas logo sua expressão se enrijeceu. "Não pense que não sei que você planejou tudo isso! Você estava de olho em se casar com alguém da família Barnett desde o início! Você não é diferente de Claire, ambas cobiçando nossa riqueza!"
Verena, que sempre teve uma forte amizade com Claire, ficou tensa com a comparação da mãe.
Se arrepiando, ela se defendeu rapidamente: "Mãe, não coloque Claire no mesmo patamar dessa mulher! Ela foi para o exterior naquela época para encontrar médicos para Landen, não porque estava fugindo. Ela não é nada como Kaelyn!"
Se virando para Kaelyn com um olhar de superioridade, Verena cuspiu: "Se você não tivesse se intrometido e se casado com Landen, Claire não teria ficado com o coração partido ou permanecido no exterior todos esses anos! Ela voltou porque ainda se importa com ele. Kaelyn, você deve isso a Claire. A outra aqui é você!"
Kaelyn soltou uma risada abafada, balançando a cabeça como se tivesse chegado ao limite da sua paciência. Sem dizer mais nada, ela pegou a petição de divórcio na bolsa e a mostrou às duas mulheres. "Estão vendo isso?", disse ela friamente, seu tom carregado de finalidade. "Estou decidida a me divorciar dele. Digam a Landen que se prepare para isso também e vá ao tribunal comigo. Assim, ele ficará livre, e esse casal sem vergonha poderá fazer o que quiser."
Sem se dar ao trabalho de continuar discutindo, Kaelyn se virou e subiu as escadas, deixando a dupla atônita para trás.
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