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Capa do romance Um amor para o BILIONÁRIO

Um amor para o BILIONÁRIO

Seria possível amar quem você nunca viu? Samantha, marcada pelo abandono, não se sente digna de afeto. Já o bilionário Joseph Morson, ferido por uma traição, jurou jamais amar de novo. Para mudar o destino deles, seus amigos planejam um experimento às cegas. Separados por uma parede, os dois criam uma conexão profunda sem conhecerem suas identidades. Agora, o desafio é convencê-los a aceitar esse teste que busca unir almas através de laços verdadeiros.
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Capítulo 2

Não se estresse! Não se estresse! Não mate ele na frente de todo mundo!

Mesmo repetindo o meu mantra de vida, que adquiri depois que fui contratada pela Arme Technology, Sebastian Smith estava, mais uma vez, tentando me rebaixar a nada só por ser mulher.

Um parêntese nisso: eu era a única mulher neste setor. Havia muitos engenheiros nessa empresa e apenas algumas mulheres escapavam do navio machista existente. Diziam e repetiam que não davam prioridade a um sexo ali, e que a questão era que poucas mulheres haviam se formado nesse ramo. Uma grande mentira.

Minha entrada na empresa foi graças ao Rodolfo, o antigo chefe do setor de desenvolvimentos. Eu sempre fui a garota que estudava, estudava... e pensava nos estudos, só que meu amor pela engenharia mecânica veio somente depois que entrei na faculdade.

Não sabia o quanto seria difícil me manter em paz, porém valia o esforço, já que eu era a melhor entre cinco homens arrogantes e idiotas.

— Acha mesmo que isso vai melhorar a eficiência e a aerodinâmica? — indagou o meu arqui-inimigo e concorrente.

Ele sabia que sim, no entanto adorava pôr em questão as minhas habilidades, na frente dos caras de ternos. Assim era como eu chamava os chefes que determinavam para onde e quem iriam os projetos feitos pela Arme Technology.

— Isso diminui a temperatura do motor e aumenta a capacidade e velocidade. Sebastian, sabe disso melhor que ninguém. — respondi com minha mais falsa educação e um sorriso amarelo.

Muitas vezes sonhei com ele, mas não de um jeito sensual ou erótico. Eu podia até me excitar. Um soco faria um grande estrago no seu rosto convencido.

— Senhorita Still, ficamos muito felizes com o seu projeto e com a descoberta de torná-lo mais eficiente. — disse o homem de quase sessenta anos, com um olhar meigo.

Entre todos com quem já havia tido algum tipo de interação, ele era o mais educado e simpático. Pelo menos não me olhava como uma estranha quando falava dos meus projetos e ideias.

— Espero que conversemos mais sobre isso, em outro momento. Sei que estou alongando a nossa conversa. É que fiquei curioso.

— Não tem nada demais, senhor. — Mantive um belo sorriso no rosto. — Posso tirar todas as suas dúvidas.

Dava para sentir o olhar de Sebastian em mim enquanto a fúria crescia em meu peito.

Assim que Rodolfo nos deixou a sós, despejei toda a raiva em cima do idiota intrometido.

— Parabéns, colega! — debochou.

— Olhe aqui, Sebastian! — Aproximei-me dele, tendo que me controlar para não lhe bater com a pasta que estava em minha mão. — Acha que não sei o que tentou fazer?

— Não tentei fazer nada, assim como...

— Não teste a minha inteligência! — Quando estendi a pasta em sua direção, ele levantou os braços e abriu um sorriso irônico. — Se fizer isso outra vez, vou atingi-lo onde mais dói, e não vai gostar muito.

— Está me ameaçando, docinho?

— Por que não procura se envolver nos seus projetos e me esquecer?

Já tinha passado por muito disso antes e durante o meu período ali, para saber que homens como ele não se importavam com palavras doces ou pedidos simples, do tipo “me deixe em paz”. Contudo, era sempre bom reforçar, para que não acabassem fazendo merda.

— Não se surpreenda quando eu conseguir um cargo maior, e você não, já que só serve de bode expiatório e provocador.

Ele iria dizer algo, no entanto eu já estava de saco cheio e tinha que chegar logo em casa. Hoper parecia bem preocupada e nós tínhamos planejado um jantar, que, no caso, seria pizza e refrigerante.

Era bom morar com minha melhor e única amiga, pois muito do que eu passava no trabalho, despejava quando chegava em casa. Muitas vezes seu conselho era: “Você não merece passar por isso. Sabe que pode arranjar coisa melhor”. Era verdade, todavia eu gostava de morar em Nova York e estar ao lado dela. Minha vida solitária era triste demais para voltar para ela, então aguentava tudo e esperava encontrar uma forma de mostrar meu valor ou talvez outro emprego.

Aquela história com o idiota do Sebastian me deixou tão irritada, que o segurança nem falou comigo. Ele era sempre simpático e dizia que eu parecia com sua filha. Era bom alguém falar de mim em um bom sentido, já que nunca havia tido algo parecido na minha vida. Na verdade, eu achava que ela me odiava ou que eu tinha nascido com má sorte.

Desde muito pequena tive que aprender a me cuidar e a não depender de outras pessoas. Minha família? Não existia. Só tinha uma integrante: eu mesma. Triste e solitária: essas foram as definições que dei a mim.

Eu poderia entender se meus parentes tivessem morrido ou vivessem em uma péssima situação financeira, só que não foi isso que aconteceu, apesar de nunca termos tido dinheiro o suficiente para um estilo de vida como as pessoas adoram. E minha mãe — ou melhor, progenitora. Mães não fazem o que ela fez comigo — achou melhor para si mesma se livrar de mim como se eu fosse um bichinho de pelúcia que foi jogado no lixo, mesmo que eu tivesse um trabalho que poderia nos sustentar até a minha adolescência.

Lembrar-me disso doía... Doía mais do que uma ferida. E ela não foi a única que abriu um buraco no meu peito. Como eu disse, não nasci com sorte alguma.

Parei em um orfanato e, mesmo sendo uma menina notável, não consegui aquela coisa que as pessoas chamam de família. Para falar a verdade, fui levada para três casas diferentes, com casais que desejavam uma filha. Todavia, após ambos conviverem comigo só por algumas semanas, mandaram-me de volta para o orfanato.

“Não sei como lidar com alguém como ela. Samantha tem uma inteligência fora do comum, e não sei o que fazer. Sinto muito querida, mas não.”

Não! Não! Não!

Essa palavra era mais minha amiga do que a solidão e estava constantemente voltando para mim, quando eu pensava estar em casa e ao entrar na escola e na universidade. Sabia que ela voltaria muitas vezes.

Parei em frente ao meu carro estacionado em uma vaga na rua. Meu reflexo no vidro estampava a tristeza que era me lembrar disso. Não importava o quanto eu me esforçava, porque esse “não” me perseguia. Foi por isso que decidi nunca mais esperar por algo bom ou por um “sim”.

Respirei fundo, abri a porta do automóvel e me sentei no banco do motorista.

Pelo menos tenho para onde ir agora. — pensei.

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