
Um amor de mentiras
Capítulo 3
Luna conduziu Stella ao departamento de relações públicas e a apresentou aos demais funcionários. "Atenção, pessoal! Esta é Stella Anderson, sua nova colega."
Com um sorriso gentil, Stella se apresentou: "Muito prazer em conhecer vocês. Será uma honra fazer parte deste departamento. Espero que possamos nos dar bem."
Os demais ficaram surpresos com a súbita chegada de Stella, o que os levou a cochichar entre si:
"Ela é a assessora de relações públicas que foi transferida para cá para trabalhar diretamente com o senhor Clark? Ela é muito bonita. Será que ela é uma beldade inteligente ou só uma cabeça oca?"
"Qual é. Você sabe muito bem que o senhor Clark tem um bom olho para os melhores talentos. Aposto que ela é boa no que faz."
"Estou morrendo de inveja dela. Ela vai trabalhar com o senhor Clark. Que garota de sorte!"
Stella ouviu tudo isso, mas seu sorriso não se alterou, sem dizer nada.
Enquanto isso, o rosto de Luna ficou ligeiramente vermelho, e ela franziu a testa para Stella.
Esses comentários só atiçaram ainda mais sua insatisfação.
Era de conhecimento geral que Matthew submetia os possíveis funcionários a um rigoroso processo seletivo, mas naquele dia ela havia presenciado o quão brando ele foi com Stella.
Luna a olhou da cabeça aos pés, convencida de que a novata não passava de uma incompetente.
Por puro rancor, ela prometeu que a faria sofrer.
No instante seguinte, a mente maliciosa de Luna começou a funcionar, e decidiu dar a Stella a tarefa mais difícil que havia.
"Aqui está. Esta é sua primeira tarefa, solicitada pelo senhor Clark. No momento, todos estão quase concluindo os projetos em que estão trabalhando. A única tarefa que resta é sobre a escolha da música de fundo para a festa de aniversário que está por vir da empresa." Enquanto segurava o documento com as informações necessárias, Luna disse num tom natural: "Sua tarefa é se comunicar com a outra parte e garantir que a música de fundo seja confirmada o quanto antes."
Com a testa franzida, Stella perguntou: "Há mais alguma coisa que eu precise saber?"
A escolha da música de fundo era um dos aspectos mais simples de uma preparação de um banquete. Por isso, era estranho que isso ainda não tivesse sido feito.
Como Luna estava determinada a fazer Stella sofrer, então nem se deu ao trabalho de explicar nada, só jogou o documento para ela e disse: "O cliente virá mais tarde. Você saberá de tudo quando se encontrarem."
Após dizer isso, ela foi para sua mesa.
Ao invés de fazer mais perguntas, Stella deu de ombros.
Para ter um pouco de paz e tranquilidade, ela foi para a sala de reuniões e começou a folhear o documento.
Assim que a porta foi fechada, uma discussão começou novamente no escritório.
"Essa novata está condenada. Henry não é uma pessoa fácil de se trabalhar. Além de ser exigente, ele também é um pervertido. Fico arrepiada só de pensar no que ele poderia fazer com ela."
"Você não é a única. De qualquer forma, desejo boa sorte a ela."
***
Enquanto isso, na sala de reuniões, Stella analisou tudo o que precisava saber sobre a tarefa e o cliente que iria se encontrar.
O cliente era um pianista chamado Henry Scott.
A gerência da empresa estava interessada em usar sua peça de piano na festa de trinta anos, que estava prestes a acontecer. Por alguma razão desconhecida, eles ainda não haviam chegado a um acordo.
Quando ela terminou de ler a última página do documento, a porta da sala de reuniões foi aberta, e um homem vestindo uma calça jeans e uma camisa casual com as mangas arregaçadas entrou.
Imediatamente, Stella se levantou e sorriu. "Olá, senhor Scott. Obrigada por ter vindo. Sou Stella Anderson e serei responsável por discutir a cooperação referente ao uso da sua peça para o próximo banquete de aniversário. Por favor, sente-se."
"Tudo bem," respondeu Henry, puxando a cadeira ao lado de Stella.
Com os braços cruzados sobre o peito, ele se recostou na cadeira e a encarou.
Stella evitou o olhar dele e, ao se sentar, afastou um pouco a cadeira. Então, ela começou num tom profissional: "Você ainda não chegou a um acordo conosco para o uso da sua peça de piano. Há algum motivo para isso? Se tiver alguma objeção, por favor, diga. Garanto que vamos te satisfazer, desde que esteja ao nosso alcance."
Henry permaneceu em silêncio enquanto seus olhos percorriam o corpo dela.
Nesse momento, um arrepio gélido percorreu a espinha de Stella. Ela se sentiu desconfortável sob o olhar dele, mas manteve o sorriso. "Sei que você está se preparando para fazer uma turnê nacional em breve. Prometo que isso não afetará seus preparativos. Pelo contrário, reservaremos um tempo para divulgar sua turnê no banquete como forma de agradecimento. O que acha?"
Henry esfregou o queixo por um tempo antes de dizer: "Tenho que admitir que você fez uma oferta bastante atraente." Após dizer isso, ele lhe lançou um olhar de relance e sorriu.
Stella estendeu o contrato preparado. "Por favor, leia o contrato. Se tiver algum problema com alguma das cláusulas, posso pedir para alterá-lo imediatamente."
Sem pegar o documento, Henry se recostou e colocou as mãos atrás da cabeça. "Ler é um trabalho árduo. Pior ainda, o contrato parece tão volumoso. Não quero ter que lê-lo."
Ao ouvir isso, Stella ficou num dilema.
"Que tal você se aproximar e ler para mim?" perguntou Henry, seus olhos brilhando de interesse enquanto a olhava.
Stella franziu os lábios e respirou fundo.
Tendo trabalhado no setor de relações públicas por muitos anos, ela já havia se deparado com todos os tipos de clientes que pediam coisas estranhas.
Ler um contrato em voz alta não parecia ser um grande problema.
Com isso em mente, Stella se aproximou um pouco, mas ainda mantendo uma distância segura dele. Então, ela limpou a garganta e começou a ler.
Seus olhos estavam no documento, mas ela podia sentir o olhar ardente dele percorrendo todo o seu corpo, o que a deixou com calafrios.
Mesmo assim, Stella se endireitou e tentou se concentrar no que estava lendo.
De repente, Henry se inclinou bruscamente, fazendo Stella se esquivar por instinto.
Com um sorriso presunçoso, ele se inclinou ainda mais.
"Que colar lindo você tem. Ele combina bem com sua pele radiante."
Enquanto falava, ele estendeu a mão com a intenção de tocar o pescoço dela.
Foi preciso muita contenção para Stella não dar um tapa na mão dele. Ao invés disso, ela se recostou ainda mais e o encarou, seu desgosto aumentando cada vez mais.
"Se você gostou do colar, posso te ajudar a encomendar um e enviá-lo para sua empresa após a reunião. Podemos voltar à pauta agora?"
A mão de Henry congelou no ar e ele zombou: "Achei que o Grupo Prosperity quisesse trabalhar comigo, mas pelo visto eu estava errado. Sou um homem muito ocupado, então não devo perder meu precioso tempo conversando com pessoas insinceras."
Após dizer isso, ele arqueou as sobrancelhas e a olhou com uma pontada de ameaça.
De repente, a porta foi aberta.
"A cooperação está cancelada!"
Com uma expressão impassível, Matthew entrou, parando na frente de Stella e encarando Henry.
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