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Capa do romance Um Amor de Chefe

Um Amor de Chefe

Júlio e Natália formariam o par ideal, mas a teimosia dela e o desconhecimento dele impedem essa união. Após conflitos antigos, o destino os reúne quando ela aceita um emprego temporário sob o comando dele. Entre obrigações, Natália nota virtudes inesperadas no chefe e um desejo latente. Embora tente priorizar a amizade para evitar complicações, a atração fala mais alto. O envolvimento muda seus destinos, culminando em uma grande e inesperada revelação.
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Capítulo 2

Parte 2...

Tinha dezessete anos quando ficou órfã, mas tinha sua tia Célia que era maravilhosa, uma verdadeira tia como os filmes. Graças a ela conseguiu seguir adiante e ter uma vida normal, não se prendendo em depressão e tudo mais.

A casa que morava com os pais era muito boa, mas decidiu se mudar para o apartamento da tia. Afinal eram só as duas e alugou a casa, o que lhe dava um bom dinheiro extra do aluguel.

Juntou isso e abriu sua própria loja. Virou uma microempresária do ramo de alimentos. Na parte de doces, na realidade, que era o que mais gostava de fazer desde pequena na cozinha de sua mãe e era muito boa mesmo.

Passava horas inventando receitas e depois fazia os pais e vizinhos provarem, o que lhe deu um nome bom como doceira. Ainda pequena já vendia suas receitas para conhecidos que espalhavam de boca em boca.

Medo ou preguiça de trabalho ela nunca teve, então quando esse episódio ruim aconteceu em sua vida, ela decidiu seguir em frente e mudou tudo.

— Não estou te pedindo pra ir para a guerra - deu de ombro — Só que ajude a uma pessoa conhecida.

— Ah tá, só isso? - cruzou os braços.

— Até parece que vai morrer se fizer um trabalho de secretária substituta por poucos dias.

Natália torceu o nariz.

— Morrer não, mas sabe que não gosto mais desse tipo de trabalho. Além disso minha confeitaria precisa de mim.

— Ah, precisa nada - abanou a mão — Você já tinha tirado um mês de folga mesmo, então não enrole.

— E quem seria? Por que ainda não disse?

— Bem, é o Júlio - gesticulou.

— O Júlio? - se espantou — Ah não tia, logo ele?

— E o que tem demais? - se fez de boba.

— Júlio Morales? Esse Júlio?

— Ele mesmo.

— Nem pensar tia.

Voltar a um escritório e ainda mais para trabalhar com Júlio não era algo que queria. Mas do jeito que Célia era, já podia ver os seus dias de folga se esvaindo.

— Vai ficar parada?

— E o que tem? Eu sempre trabalhei muito, de repente aproveito e fico em casa morgando na cama.

— Até parece que vai fazer isso - riu — Você não para quieta garota.

— Tia, ele é muito chato - revirou os olhos.

— Não é nada - riu balançando a cabeça — Você era muito novinha e ele se divertia implicando com você sua boba. É um bom rapaz. E no fundo você sabe disso, só é implicante com ele.

Júlio aparecia quase toda semana para visitar os parentes que moravam no apartamento ao lado do delas. Marina era sua amiga e prima dele. Toda vez que ele aparecia ia encher sua paciência. Ela já gostava de ficar na casa da tia desde pequena, muito antes de seus pais morrerem e logo fez amizade com Marina.

As duas brincavam muito, de tudo o que desse vontade e ficaram adolescentes assim, unidas.

Célia gostava muito dele e o enchia de agrados como se ele fosse alguém importante, uma celebridade e isso a irritava porque ele ficava se achando o tal.

Como andava muito com Marina, elas estavam sempre juntas na casa dela ou no apartamento de Célia e lá vinha ele se meter no assunto delas. Adorava pegar em seu pé sobre seu jeito.

— Ele está precisando muito de uma secretária.

— Então ele que contrate uma, ué, eu não sou mais secretária. Agora sou dona de confeitaria - disse enchendo o peito.

— Eu sei, eu sei... Mas minha linda, nós somos amigos há tanto tempo da família dele, não custa dar uma ajudinha não é?

— Isso depende - ela fez um som com a boca de modo irônico — Quem vai trabalhar sou eu.

— São só duas semanas, Natália.

— Afe... E que diabos ele é afinal?

— Advogado. E dos bons, segundo Ana Maria.

— Ela é tia dele, vivia paparicando ele quando aparecia...Igual à você - inclinou a cabeça.

— Natália, não seja exagerada.

— Exagerada? Aposto como já deve ter umas dez ex-mulheres, um punhado de filho chato como ele e deve estar gordo e careca.

— Jesus...

— Eu nunca mais o vi, graças a Deus. Desde que os pais da Marina se mudaram ele nunca mais apareceu por aqui - fez uma careta — Viu só?

— Ele é muito ocupado.

— Sei...

— Admita que você está curiosa.

— Me diz então o que ele anda fazendo.

— Ele é separado, não tem filhos e como eu disse, é um advogado de sucesso.

— Ai que bom - fez uma careta irônica.

— Parece que a ex-mulher dele era dessas malucas por trabalho e também exagerava nas futilidades.

— De acordo com quem? - ergueu a sobrancelha.

— Mas como você implica com ele.

— Porque eu me lembro como era chato.

Ela nunca mais o vira, mas passar por uma separação é algo que é bem desagradável. Não sabia porque nunca havia se casado, mas ainda assim entendia.

Estava com vinte e oito anos e nada de chegar perto de uma igreja. Teve dois namoros sérios, mas acabaram muito antes desse passo ser pensado à sério.

— Tia, ele já deve ter alguém a essa hora. E ele nunca foi com minha cara de verdade.

— Não seja boba. Você era criança.

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