Capa do romance Tudo Que A Tempestade Levou

Tudo Que A Tempestade Levou

8.3 / 10.0
Em Tudo Que A Tempestade Levou, Isabelle busca refúgio após um furacão na Louisiana. Ao encontrar Callum, um engenheiro rígido, ela enfrenta o desafio de reconstruir sua vida. Este romance traz uma história de superação ideal para quem busca ler livros online grátis e fiction books.
Resumo de Tudo Que A Tempestade Levou
Isabelle Laurent busca refúgio em uma base humanitária após um furacão destruir sua cidade e seu casamento. No colapso emocional, ela conhece Callum Fraser, um rígido engenheiro civil escocês que esconde traumas sob sua postura rude. Enquanto trabalham na reconstrução física do lugar, ambos enfrentam seus próprios fantasmas internos. Entre escombros e cicatrizes, descobrem que o amor pode surgir do caos, provando que é possível recomeçar mesmo quando tudo parece perdido.
Ler Mais

Tudo Que A Tempestade Levou Capítulo 1

"Meu nome é Isabelle. Eu sei o que você está pensando - mais uma coitada procurando salvação entre escombros. Mas eu não vim salvar ninguém. Eu vim porque minha casa virou lama. Porque o silêncio em Belle Rive começou a me gritar. E porque... não sobrou nenhum lugar meu pra voltar."

A van parou com um solavanco seco, e eu senti que, se mais alguma coisa sacudisse dentro de mim, talvez não sobrasse nada em pé.

Do lado de fora, o calor da Louisiana me acertou como um tapa: úmido, denso, impossível de ignorar. Respirei fundo - ou pelo menos tentei. O ar cheirava a desinfetante barato, café requentado e alguma coisa azeda que eu preferia não identificar.

"Saint Martine Community Relief Base," dizia a faixa presa com fita no portão. Letras tortas, manchadas de chuva. Ninguém ali estava preocupado com estética. Só com sobrevivência.

A mulher da van - cujo nome eu já tinha esquecido - me entregou minha mochila e desejou boa sorte. Sorte. Sorri com a educação de quem cresceu para agradar e fechei o zíper até esmagar o tecido de uma blusa dentro. Tarde demais.

Atravessar aquele portão foi como entrar num mundo paralelo. Gente indo e vindo com pranchetas, galões de água, caixas de suprimentos. Crianças brincando perto de um gerador barulhento. Homens suados montando uma barraca que parecia grande demais para a pressa em que estavam. Ninguém notou minha chegada - e isso, de algum modo, foi um alívio.

Eu não queria ser vista. Só queria não sumir.

Fiquei parada alguns segundos, observando, até que um rapaz com colete laranja apontou para um prédio ao fundo.

"Alojam as mulheres naquele ginásio ali, senhora."

"Obrigada," murmurei, mesmo sem saber se ele ouviu. Minhas pernas começaram a andar antes que minha cabeça decidisse se era mesmo pra lá que eu queria ir.

No caminho, passei por uma fila de doações, por um par de olhos curiosos de uma adolescente que usava um vestido amassado e chinelos com corações. Ela sorriu pra mim. Eu não soube sorrir de volta.

O ginásio era abafado. Um teto alto, ventiladores presos em suportes improvisados, colchões no chão separados por cortinas improvisadas com lençóis e varais de metal. Mulheres sentadas, algumas conversando em espanhol, outras só encarando o nada. Uma criança dormia com uma boneca encardida no colo. Um rádio tocava música gospel muito baixo, como se tivesse medo de incomodar.

Deixei minha mochila num canto vazio e me sentei. E ali fiquei.

Por um tempo que não sei medir, só fiquei ali.

Talvez uma hora. Talvez dez minutos. Talvez desde Belle Rive.

Meu ex-marido dizia que eu dramatizava tudo.

"Você é intensa demais, Isabelle. Vê tragédia até onde não tem."

Ele nunca viu uma casa virar lama.

Não literalmente, pelo menos. Quando o furacão passou, a cidade virou uma pintura borrada. Belle Rive deixou de ser Belle. O telhado caiu. As paredes cederam. A água levou o que restava do nosso armário de casamento, e por algum motivo bizarro, meu vestido de noiva sobreviveu. Encharcado, embolorado, mas ainda lá. Como se fosse a única coisa que se recusasse a partir.

Eu fui embora dois dias depois. Não porque não tinha mais casa, mas porque não tinha mais silêncio.

Quando tudo desmorona por fora, as pessoas finalmente olham pra você com empatia. Mas quando desmorona por dentro? Você vira exagerada. Amarga. Ingrata. Escolhi a base em Saint Martine porque era longe o bastante pra não ouvir ninguém dizer "pelo menos você tá viva".

Às vezes, esse "pelo menos" dói mais que a perda.

Alguém me ofereceu uma garrafa d'água. A garrafa estava quente. A água também. Mesmo assim, bebi. Sentia areia na garganta desde Belle Rive.

"Você tá chegando hoje?"

A voz vinha de trás de uma cortina improvisada. Virei devagar. Uma mulher, talvez na casa dos trinta, cabelos ruivos presos num coque desleixado. Não era hostil. Nem simpática. Só... real.

Assenti.

"Boa sorte com os mosquitos," ela disse, antes de desaparecer outra vez.

Suspirei. Não era hostil. Mas ainda era cedo pra confiar em alguém que parecia saber exatamente como aquilo tudo funcionava. E eu não sabia se queria me misturar. Talvez preferisse, por enquanto, ser só a estranha. A mulher sem história.

Mais tarde, depois de uma refeição que mal lembro o gosto, alguém me chamou pra ajudar com mantimentos. Eu disse sim porque não sabia como dizer não. Puxei caixas, suei, tropecei. Um dos caras me mandou levantar com as pernas, não com as costas. Agradeci. Ele não ouviu.

Foi quando eu vi ele.

De costas, empilhando sacos de cimento com a facilidade de quem não pensa no próprio peso. Camisa suada colada nas costas, braços marcados por sol e esforço. Silencioso. Rígido. Preciso. O tipo de homem que parece sempre medir o mundo em centímetros e falhas.

Ele virou o rosto um instante. E por um segundo, nossos olhos se cruzaram.

Não foi um momento mágico. Não teve música de fundo. Eu nem saberia descrever a cor dos olhos dele depois.

Mas algo nele... doeu.

Não como dor boa. Nem como lembrança. Doeu como uma intuição antiga. Como se meu corpo soubesse reconhecer outro corpo quebrado.

Abaixei o olhar antes que virasse pergunta.

Voltei pro ginásio com cheiro de suor e cimento nas mãos. As luzes estavam mais fracas. A noite havia caído e o rádio agora tocava uma música que minha avó cantava baixinho quando lavava roupa: uma canção triste em francês, que falava de amor e de guerra e de perdas que não se curavam.

Me enrolei num cobertor doado, que cheirava a lavanda e outras pessoas.

E pensei:

Eu não vim aqui pra me curar.

Nem pra recomeçar.

Vim pra fugir.

Só que até onde sei... não existe lugar do mundo onde a gente consiga fugir da gente mesma.

Continue Lendo

Tudo Que A Tempestade Levou de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Escolha Dele: O Preço da Indiferença
8.6
No oitavo mês de gravidez, um incêndio me encurralou. Liguei para Tiago, meu marido paramédico, mas ele me abandonou no prédio em chamas para socorrer uma crise de pânico da amiga Sofia. Perdi meu bebê e recebi apenas frieza e ameaças financeiras da família dele. Determinada a buscar justiça, descobri com uma advogada que ele nem estava de plantão naquele dia. A negligência foi uma mentira deliberada. Agora, a verdade será minha única e implacável vingança.
Capa do romance A Rainha da Máfia "O retorno de Camile"
8.3
Após a morte de Piero Rizzo, o mafioso mais influente do sul da Venezuela, sua viúva Camile Almendares jura vingança diante de seu túmulo. Determinada a punir os culpados, ela se muda para Milão, onde conquista um poder imenso no submundo do crime. Um ano depois, Camile retorna à sua terra natal para reivindicar o título de Rainha da Máfia na América do Sul. Sua missão é clara: aniquilar todos os inimigos que cruzarem seu caminho e honrar o legado de seu marido.
Capa do romance A Última Chance - Livro 3
8.3
Proferir as palavras 'minha esposa' traz um sentido único à minha vida. Se ela acredita que pode fugir sem que eu a persiga para retomar seu lugar ao meu lado, está muito enganada. Uma nova realidade a aguarda, pois não medirei esforços nem jogarei limpo para garantir que fiquemos juntos. Lutarei com todas as minhas forças para dar a ela o final feliz que tanto merece, provando que nosso vínculo é inquebrável e que ela jamais escapará do meu amor.
Capa do romance Meu melhor parceiro de vingança
8.6
Após ser envenenada pela melhor amiga e traída pelo marido, uma mulher retorna ao passado através de um anel misterioso. Determinada a se vingar, ela encontra um aliado inesperado em Klaus, um homem influente que decide ajudá-la apenas por diversão. Apesar da desconfiança inicial, uma atração intensa surge entre os dois. O que começou como um pacto sombrio de retaliação transforma-se em uma jornada de descobertas, paixão e uma chance real de felicidade.
Capa do romance O Looping  do amor
8.8
Ela vive um ciclo eterno onde envelhecer é impossível e o tempo retrocede sem seu consentimento. Forçada a reviver sua história, ela se torna o centro de uma disputa entre homens bilionários e influentes. Cada vez que o botão vermelho é acionado, sua realidade é reiniciada, lançando-a em uma nova aventura repleta de luxo e perigos. Presa nesse looping temporal, ela enfrenta os desafios de amores intensos que a obrigam a recomeçar o passado repetidamente.
Capa do romance O Segredo do Sabor e o Amor
9.2
Isabela era uma chef confeiteira brilhante até ser traída por sua irmã, Sofia. Acusada injustamente e jogada na miséria com seu filho, ela morreu em desonra. Contudo, o destino lhe concede uma nova chance ao fazê-la despertar no passado, no dia da seleção de aprendizes. Agora, armada com memórias da traição e o domínio sobre o lendário sabor primordial, Isabela buscará justiça e protegerá seu filho contra todos que planejaram sua queda.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar