
Tudo o que eu te pedi foi: SALVE-ME!
Capítulo 3
- Quero todas as informações sobre ela.
Fred diz à Tárcio por uma ligação.
- "E se o que ela disse não for verdade?" - Questionou Tárcio já tendo uma certeza de que aquilo era tudo mentira.
- Então a farei se arrepender por ter me feito perder tempo.
- "Estou indo agora mesmo".
- Estarei na empresa, então, informe a Carla sobre as minhas reuniões. E, trate esse assunto de forma particular.
- "Como quiser".
Fred pensou em Laura. Seria ela capaz de fazer tudo aquilo com segundas intenções? Ela realmente iria morrer ou só estava fingindo. Bem, agora isso não importava tanto. Tárcio logo descobriria, e ele tomaria as decisões depois.
...
Laura ouve batidas na porta e abre para ver quem era. Se depara com um homem de aparência jovem e de cabelos claros devidamente cortados.
- Bom dia! - Diz ela ainda com um pouco de dificuldade.
- Bom dia! Fred me pediu que trouxessem algumas coisas para você- Ele exibe as sacolas que carregava.
Laura se deu conta de que aquele era o assistente do qual o homem que lhe salvou falava.
- Bem, entre. Fique a vontade. - Laura abre mais a porta e espera ele entrar.
- Onde devo deixar? - Pergunta ele olhando em algumas direções.
- Pode deixar aqui. - Ela aponta para um criado-mudo.
Assim Tárcio o fez.
- Bem, eu já ia esquecendo, eu preciso resolver a questão da sua estadia aqui, então, preciso de seus dados. Seria possível?
- Eu sei os números de cor, mas não tenho nenhum documento em mãos. Acho que à essa altura todos já foram pro lixo.
- Acredito que isso é o suficiente. - Seu tom ainda era amigável.
Tárcio anotou assim que ela o disse. E antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele se adiantou.
- Ah, e não se preocupe. Você pode ficar o tempo que achar necessário. Apenas esperamos que melhore!
Laura sorriu agradecida. Nunca pensou em ser ajudada de tal forma.
- muito obrigada, muito obrigada mesmo!
Tárcio apenas assentiu.
- Tenha um bom dia! -Diz ele assim que saiu do quarto.
Laura estava demasiadamente agradecida por tudo. Mas ela não ficaria parada apenas recebendo ajudas. Ela tinha em mente pedir um emprego de faxineira para Marcos. Se ele não pudesse, tudo bem, ela tentaria em outro lugar. Mas, jamais voltaria para o lugar de onde saiu.
Tárcio tinha os dados completo de Laura, e isso era tudo que ele precisava para descobrir sobre sua vida. Ele achou ela simples demais para articular todo aquele plano. Mas tinha a certeza de que pessoas podem fingir muito bem.
Ele leu e releu a ficha em suas mãos. Como uma pessoa de 28 anos sobrevivia daquela forma? Ela só estudou até o ensino médio, e desde então, lutava para sobreviver trabalhando de todas as formas possíveis.
Tudo o que ela havia dito era verdade. Ela não tinha nada mesmo. Havia sido despejada, e estava morando onde trabalhava de garçonete, um pequeno bar que lhe dava alguns trocados.
Tárcio imaginou o quão difícil era para aquela mulher sobreviver. Talvez por isso ela se jogou da ponte. Agora tudo fazia sentido. Quer dizer, parecia fazer sentido, apesar de Tárcio não acreditar nessa parte.
Uma pessoa como ela não parecia tão frágil à esse ponto.
...
- Conseguiu? - Perguntou Fred diretamente.
- Sempre consigo. - Tárcio exibe seu Tablet de forma vitoriosa.
Fred pega sem mostrar nenhuma reação. Ele sabia que Tárcio gostava de se exibir.
- Qual é, eu dei o meu melhor! - Murmura Tárcio se sentando de maneira desajeitada na em uma cadeira.
Fred lhe lança um olhar preocupado. Ele já não sabia o que fazer com aquele homem. Apenas gesticula sua desaprovação com a cabeça.
- Ela tem 28 anos?- Fred diz para si mesmo mas alto o suficiente para Tárcio ouvir. Logo ele lança um olhar para o assistente, e o mesmo se cala.
Fred analisa minuciosamente os dados de Laura, seu cenho estava levemente franzido. Ela realmente estava num estado deplorável, mas ele já tinha problemas demais, não queria mais um.
Ele colocou o Tablet de lado. Pegou um lápis e começou a rabiscar num papel.
- você precisa ajudá-la. - Diz Tárcio num tom baixo.
Fred nem sequer se deu o trabalho de olhá-lo.
- As coisas não são assim tão fáceis. Não estamos falando de um cachorro.
Ele abandonou o lápis, e se levantou. Olhava para o horizonte na sua frente.
- Ela não tem nenhuma experiência de trabalho em empresas. - E eu não sou dono de... bar.
Tárcio sabia que ele estava certo. Eles não podiam contratar por pena, e infelizmente Laura não tinha experiência na área.
- O que faremos então? - Pergunta ele de maneira preocupada.
- O que podemos fazer além do que já fizemos? Demos roupas, comida e disponibilizamos um teto até ela dar o jeito dela.
- Se ao menos Marcos pudesse dar um trabalho...- Falou Tárcio de maneira sugestiva, na esperança de que Fred pedisse por ela.
Fred lhe lançou um olhar gélido. Ele entendeu o que Tárcio estava sugerindo, e isso estava longe de acontecer. Laura deveria de virar sozinha, isso não era problema para ele, sua parte ele havia feito.
- Temos muito trabalho para fazer. Deixe que cada um cuide da sua vida. - Ele voltou para a poltrona e começou mexer em seu laptop.
Tárcio assentiu e saiu. Ele tinha certeza de que Fred não faria aquilo, mas ao menos tentou. Se bem que, conhecendo seu amigo de infância, ele já havia feito muito por Laura.
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