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Capa do romance Troca De Mundos

Troca De Mundos

Albert Williams, herdeiro de um império de joias, troca de lugar com Conrad, um jovem humilde e fisicamente idêntico, para fugir de sua rotina sufocante. Enquanto ambos experimentam realidades opostas entre romances e intrigas, a farsa os leva a investigar furtos na empresa da família Williams. O mistério se aprofunda quando segredos de vinte anos emergem, revelando conexões ocultas entre suas origens que ameaçam destruir o poder e o legado de toda a linhagem.
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Capítulo 3

A voz aguda e fofa da sua irmãzinha de 8 anos o acordou, Anne tinha subido na beliche dele e estava o sacudindo para que ele acordasse logo.

— Hey, calma mocinha. Já tô acordado. – Ele avisou ainda com voz embargada de sono.

— Vem logo, Connie, a mamãe já vai sair pro trabalho. – Ele deu um beijo no rosto dela e ela saiu correndo de lá logo depois indo provavelmente pra cozinha onde a mãe deles estaria.

Conrad coçou os olhos e bocejou, caçou o seu celular debaixo do travesseiro e viu as horas, ainda era quase de madrugada, ele queria poder dormir um pouco mais, mas tinha coisas importantes pra tratar. Então trazendo forças do além se levantou e foi até o banheiro, já que era muito cedo, ninguém ainda estaria lá visto que aquele era o único banheiro da casa, então ele preferia ser a primeira pessoa a usar do que ter que esperar a fila pra ter que usar as pressas.

Assim que ligou o chuveiro a água que o atingiu foi gelada o fazendo ranger os dentes e xingar naquela manhã fria de outono, por um momento ele tinha esquecido que o aquecedor tinha pifado a meses e desde então eles tomavam banho frio mesmo sem ter uma brecha nas contas pra poder pagar por um aquecedor novo. Foi logo apressando seu banho, assim que terminou, foi parar em frente do pequeno espelho pra lavar os dentes, limpou o espelho que estava abafado e imundo e olhou seu rosto por alguns segundos. Seus lábios pareciam ressecados e seu cabelo quebradiço, suspirou, ele estava frustrado e desapontado consigo mesmo, sentia que tinha falhado miseravelmente. Ele costumava ser um garoto sonhador, quando era pequeno queria ser bombeiro, mas quando foi crescendo logo percebeu que seus sonhos nunca se cumprir, não na realidade miserável que ele estava vivendo. Ele não tinha conseguido ir além do que terminar o ensino médio nos seus estudos. Começou a trabalhar cedo, com 15 anos, para ajudar nas despesas de sua família que só aumentavam, começou a assumir responsabilidades cedo demais e hoje era o maior provedor da família. Ele não estava bem, mas continuaria mentindo que estava para que não deixasse sua família mais em apuros do que já estavam. Então voltou pro quarto pra se vestir, hoje ele teria um dia agitado.

— Sam, acorda. – Ele chamou o seu irmão que dormia na beliche de baixo enquanto se vestia. Algum tempo atrás Conrad por ser mais velho costumava dormir num quarto só pra ele mas agora que Tom tinha se casado, ele tinha que abrir mão do quarto dele pra entregar aos recém casados já que a casa só tinha três quartos e um deles era o quarto dos pais deles. – Não se esqueça que você tá adiando suas tarefas a dias.

— Af, me deixa dormir pelo amor. – Samuel relutou e voltou a se cobrir, ele era um adolescente que ainda estava passando aquela fase de rebeldia.

— Só não se esqueça. – Conrad terminou enquanto punha as botas, depois pegou na sua mochila e saiu pela porta indo pelo corredor da casa até o quarto dos pais, bateu levemente a porta e entrou. O pai dele ainda dormia. Ele se sentou perto. – Pai... – O homem mais velho abriu os olhos com certa dificuldade.

— Filho...

— Como está se sentindo hoje?

— Melhor, acho... Não se preocupa, eu fico bem. – Ele acenou. Há dois anos pra cá o pai dele lutava com dores constantes na coluna vertebral, aquilo o impossibilitou de continuar a trabalhar, então Conrad teve que o substituir trabalhando ele mesmo na fábrica no lugar do pai, afinal aquele era o maior provimento da família. Ele queria tanto poder pagar um plano de saúde digno pro pai pra eles poderem fazer os devidos exames nele, Conrad estava economizando... Com um pouco mais de sorte e tempo ele podia pagar os exames do pai, agora não havia muita coisa a se fazer. Apenas tocou a mão do homem mais velho com ternura sem dizer mais nada e ambos ficaram assim, depois de ficar um tempo lá se retirou saindo daquele quarto indo pra cozinha onde sua mãe estava.

– Mãe, bom dia. – Ele foi dar um beijo na mulher que estava ajeitando o café da manhã enquanto ficava de olho no netinho dela, o bebê Johnny que estava sentado na cadeirinha dele fazendo gemidos de bebê enquanto tinha os olhos focados na pequena televisão da sala que passava desenho animado.

— Bom dia... Eu tenho que sair, o seu pai não está se sentindo bem e... A gente tem muitas contas para pagar.

— Mãe, a senhora pode ir. Não se preocupe com nada. – Conrad falou. A dona Mary sorriu e tirou o avental, ela tinha uma expressão cansada, parecia mais velha do que era, o cabelo dela preso num coque desfeito, usava roupas simples, ela tinha olhos claros, ela e Conrad eram únicos na casa com olhos claros.

— Obrigada, filho. – Ela pegou na bolsa dela e depois de dar um breve abraço nele, se foi. Conrad ficou terminando de preparar o café.

— Opa, Anne já está pronta. – Kyle, uma garota de 17 anos que era mãe do Johnny, se aproximou com uma Anne toda afoita.

— Connie, Connie, É sério que as baleias são gigantes? – Anne perguntou enquanto Conrad apontava pra ela sentar pra tomar o café da manhã. Kyle se sentou cuidando do bebê que já chorava.

— Sim, são gigantérrimas. Agora come seu bacon. – Ele falou servindo e se sentando também. – Cadê o Tom? – Ele perguntou a Kyle, Tom era o marido dela.

— Ah, ele tá lá fora atrás da casa. – Ela respondeu despreocupada.

— Certo...

Assim que terminou de tomar o café, ele foi se encontrar com Tom. Tom era mais novo que ele, Conrad tinha 25 anos e Tom, 19. Porém Tom tinha engravidado Kyle ainda bem novos então foi obrigado a se unir a ela, Kyle veio morar na casa deles e hoje eles viviam maritalmente.

— Tom? – Achou o irmão acocorado na parede fumando algo impróprio, assim que notou Conrad, ele jogou fora e fingiu que não estava fazendo nada estúpido, o mais velho ali revirou os olhos. – Você disse que ia largar.

— Ah, qual é. Essas coisas não se esquecem de um dia pro outro.

— Se você quiser mesmo, pode até procurar ajuda...

— Não começa, eu tô bem. – Ele coçou a cabeça. – O que quer?

— Ontem você me disse que ia arrumar trabalho, a situação aqui em casa não tá boa. A mamãe e eu temos tentado dar nosso máximo para a família agora que o pai não tá podendo ajudar nas despesas. Ter a sua ajuda também seria importante. – Ele suspirou dramático, Tom sempre era demitido quando arrumava trabalho, ele nem demorava tanto tempo no trabalho e já era demitido por vários motivos, não estava estudando embora Conrad ter o insetivando dizendo que pagaria um curso pra ele, aquilo deixava o jovem frustrado, ele queria que Tom fosse mais responsável ainda mais agora que ele estava formando uma família.

— Ah, Connie. Eu entendo, sei que prometi a você mas está muito difícil arrumar um emprego hoje em dia nessa cidade. Manhattan é capitalista, só se dá bem quem tem. – Aquela sempre era a desculpa dele, Conrad queria falar mais, mas desistiu.

— Tudo bem... Eu tenho que ir. – Se virou para se retirar.

— Hey irmão. Você não tem uns dólares aí pra mim? Você sabe, Johnny tá precisando de um remédio, sabe. – Conrad tirou o dinheiro que o irmão pediu e o entregou.

— Você é um máximo! – Tom elogiou feliz com seu dinheiro em mãos, Conrad deu um sorriso amarelo e saiu de lá.

— Anne, vamos logo. – Ele chamou a irmãzinha dele que veio pulando, logo mais, eles saíram da pequena casa onde moravam e começaram a caminhar pelas ruas que eles conheciam bem. Ele ia deixar a Anne na escola dela depois partiria pro trabalho.

— Tá que as baleias são mais grandes, mas eu gosto de golfinhos, eles são fofos e engraçados. – Anne estava falando enquanto eles estavam a caminho da escola dela. – Connie, quando você vai me levar pro parque aquático pra eu poder ver um golfinho? – Conrad tinha prometido aquilo a ela, mas o bilhete pra entrar no parque aquático era caro demais então ele tinha que economizar bastante, aquilo era mais umas das coisas que Conrad não estava podendo pagar no momento, o que o deixava frustrado.

— Assim que eu arrumar tempo no trabalho a gente vai, anjinho. – Mentiu pra irmã dizendo que o motivo era por que ele não tinha tempo livre.

— Aff, tá bom. Vou ficar esperando. – Ela continuou ainda tagarelando alegre sobre baleias e golfinhos.

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