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Capa do romance Traído Pelo Sangue: A Vingança do Verdadeiro Herdeiro

Traído Pelo Sangue: A Vingança do Verdadeiro Herdeiro

Após oito anos em cativeiro, o resgate de uma jovem torna-se um novo tormento. Seu pai, Darek Magalhães, a rejeita como fruto de um crime, tratando-a como serva enquanto a enteada reina. Mesmo após salvar a vida dele com uma doação de sangue vital, ela é descartada pela família. Tarde demais, um exame de DNA prova que ela era a herdeira legítima. Anos depois, quando eles imploram por perdão, a resposta dela não é o afeto, mas uma implacável vingança.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Elisa Magalhães

Na manhã seguinte, a convocação chegou. Darek me queria em seu escritório.

O ar lá dentro era pesado com o cheiro masculino de pergaminho envelhecido, couro rico e o toque metálico e afiado de óleo de arma.

Eu estava de pé diante de sua enorme mesa de mogno, apertando minhas mãos trêmulas para esconder o tremor.

Ele não me ofereceu um assento.

Em vez disso, ele apertou um botão em um controle remoto que estava sobre o mata-borrão.

Uma grande tela montada na parede ganhou vida.

Era uma transmissão ao vivo.

A câmera mostrava uma sala à prova de som com paredes frias de concreto. No centro, havia uma pesada cadeira de aço.

Beto estava amarrado a ela.

Ele parecia irreconhecível. Seu rosto era uma ruína inchada e roxa, e seus dedos estavam dobrados em ângulos não naturais.

Um homem usando uma balaclava estava trabalhando nele com um par de alicates enferrujados.

Meu estômago revirou e eu recuei.

"Assista", Darek ordenou, sua voz desprovida de calor.

"Eu não quero", sussurrei, a bile subindo pela minha garganta.

"Assista!" Ele bateu a palma da mão na mesa, o som estalando como um tiro.

Forcei meus olhos a se abrirem, tremendo enquanto fixava meu olhar na tela.

"Isso é o que acontece com as pessoas que pegam o que é meu", disse Darek, seu tom caindo para um rosnado baixo e perigoso. "Ele tocou na minha esposa. Ele roubou oito anos da minha vida. Ele está pagando por cada segundo roubado com sangue."

Ele fez uma pausa, seus olhos escuros perfurando os meus.

"Você é o recibo desse roubo."

Com um clique, a tela ficou preta.

"Eu não posso te matar", disse ele, parecendo genuinamente arrependido. "A lei sabe que você está aqui. A imprensa sabe que você foi 'resgatada'. Mas não se engane, Elisa. Você é um fantasma."

Ele se inclinou para frente, o couro de sua cadeira rangendo.

"Se você assombrar minha esposa, se o seu rosto desencadear sequer um momento do trauma dela, eu vou te exorcizar. Você entende?"

"Sim", consegui dizer. Minha voz soou oca, como se pertencesse a outra pessoa.

"Saia."

Fui relegada ao porão permanentemente.

Era mobiliado, mas mal — uma cama de campanha, um vaso sanitário, uma pequena pia. Na verdade, não era muito melhor do que a prisão em que Beto estava apodrecendo.

Semanas se transformaram em uma névoa cinzenta e silenciosa.

Eu evitava todo mundo, movendo-me pelas sombras, tentando ser o fantasma que ele queria.

Mas Kaila não me deixava desaparecer.

Ela me encontrou tirando o pó do corredor uma tarde, uma tarefa que Dione havia designado especificamente para me manter ocupada.

"Ops", disse Kaila, sua voz pingando falsa inocência.

Ela empurrou um vaso de cristal da mesa lateral.

Ele atingiu o chão e se estilhaçou em um milhão de diamantes brilhantes.

"Mãe!", Kaila gritou, sua voz perfurando a casa silenciosa. "A Elisa quebrou o vaso! Aquele que a vovó te deu!"

Eleonora saiu correndo de seu quarto, com os olhos arregalados.

Ela olhou para os cacos espalhados pelo tapete. Então, lentamente, ela olhou para mim.

"Eu não—" comecei, com as mãos levantadas em rendição.

Eleonora cobriu os ouvidos, seu rosto se contorcendo. "Pare com isso! Pare de mentir!"

Ela me olhou com terror absoluto. Mas ela não via uma garota de doze anos. Ela via o porão. Ela via seus captores.

"Tire-a de perto de mim!", Eleonora gritou, recuando como se eu fosse um monstro.

Kaila sorriu por trás das costas de sua mãe, um brilho cruel e satisfeito em seus olhos.

"Eu cuido disso, mãe", disse Kaila suavemente.

Ela agarrou meu braço, suas unhas cravando, e me arrastou em direção à porta dos fundos.

"Você precisa ser punida", Kaila sussurrou perto do meu ouvido.

Ela me empurrou para o gramado, a luz do sol forte me cegando por um momento.

"Zeus!", ela chamou. "Pega!"

O comando foi afiado, praticado.

O Doberman estava descansando na sombra do pátio. Ele se levantou instantaneamente.

Ele me viu correndo.

O instinto tomou conta.

Ele era uma arma biológica, e eu era o alvo.

Não consegui chegar à segurança da árvore.

Zeus me atingiu por trás como um trem de carga.

Cinquenta quilos de músculo me jogaram na grama bem cuidada, tirando o ar dos meus pulmões.

As mandíbulas se fecharam na minha panturrilha.

Eu gritei.

A dor era branca e quente, cegante, consumindo meu mundo inteiro.

Dentes rasgaram músculos e rasparam contra o osso.

Eu me debati, soluçando, tentando chutá-lo para longe, mas ele era imovível.

"Zeus, solta!" Uma voz profunda ecoou pelo gramado.

Não era Kaila.

O cachorro me soltou instantaneamente, choramingando enquanto abaixava a cabeça em submissão.

Eu me encolhi em uma bola, agarrando minha perna sangrando. A grama verde impecável estava rapidamente se manchando de carmesim.

Olhei para cima através de um véu de lágrimas.

Dom Hélio Magalhães estava no pátio. O Patriarca. O *Capo dei Capi*.

Ele era um homem velho, mas estava ereto como uma barra de aço. Ele se apoiava levemente em uma bengala com a cabeça de um leão de prata.

Ele olhou para Kaila.

"Nós não matamos crianças no gramado da frente, Kaila", disse ele. Sua voz era calma, terrivelmente firme. "Isso estraga a grama."

Ele não perguntou se eu estava bem.

Ele simplesmente olhou para minha perna mutilada com desinteresse.

"Chame o veterinário", ele disse a um guarda próximo. "Costure-a."

Então ele olhou para a varanda.

Eleonora estava lá. Ela tinha assistido a tudo.

Ela encontrou meus olhos.

Eu estava sangrando. Eu estava quebrada.

Ela se virou e voltou para dentro, fechando as pesadas cortinas contra a minha visão.

Esse foi o momento em que a última brasa de esperança em meu peito finalmente morreu.

O veterinário me costurou sem anestesia. Ele estava acostumado a tratar cavalos, não meninas.

Eu não chorei. Eu não tinha mais lágrimas para derramar.

Mais tarde naquela noite, a casa explodiu em caos.

Telefones tocavam incessantemente. Guardas gritavam ordens uns para os outros.

Eu manqüei até o topo da escada, agarrando-me ao corrimão.

Abreu estava passando correndo, sua compostura habitual desaparecida.

"O que aconteceu?", perguntei.

Ele parou, seu rosto pálido e suado.

"É o Sr. Darek", ele ofegou. "Houve um atentado. O carro dele... ele está em estado crítico."

Darek estava morrendo.

E pela primeira vez desde que cheguei, a enorme casa parecia verdadeiramente, terrivelmente vazia.

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