
Traída, Vingada: Minha Realeza Digital
Capítulo 3
O silêncio no escritório de seu pai era pesado. O magnata da tecnologia, um homem que construiu um império do nada, olhava para a filha como se a visse pela primeira vez.
"O quê? Você disse Thiago Silva?", ele finalmente perguntou, a incredulidade em sua voz.
"Sim, pai. Thiago Silva", Sofia repetiu, a voz firme como aço.
Seu pai se levantou, andando de um lado para o outro.
"Sofia, você enlouqueceu? Esse homem é... perigoso. A reputação dele é terrível! Dizem que ele é implacável, que destruiu concorrentes sem piedade. Ninguém sabe nada sobre seu passado, ele surgiu do nada e dominou o mercado. Casar com ele?"
Ele parou e a encarou, a preocupação gravada em seu rosto.
"Isso está fora de questão. Ele vai te devorar viva."
Sofia não se abalou. Ela esperava essa reação.
"Pai, você não entende", ela disse calmamente, mas com uma intensidade que seu pai raramente via. "Gabriel e os outros não me traíram sozinhos. Eles não têm inteligência para um ataque dessa magnitude. Alguém poderoso está por trás deles, alguém que quer destruir não só a mim, mas você e tudo o que construímos."
Ela se aproximou da mesa dele, apoiando as mãos na madeira polida.
"Minha reputação está em frangalhos. Nossos investidores estão em pânico. Precisamos de um aliado, e não qualquer aliado. Precisamos do mais forte, do mais inatacável. Precisamos de Thiago Silva."
Seu pai balançou a cabeça, ainda resistente.
"Mas um casamento... é a sua vida, Sofia!"
"E qual vida eu tenho agora?", ela retrucou, a dor finalmente transparecendo em sua voz por um instante. "A vida que eu achava que tinha era uma mentira. Amor, amizade... acabou. Agora é sobre sobrevivência e poder. Gabriel quer o seu império. Eu não vou deixar que ele consiga."
Ela se endireitou, a postura de uma estrategista, não de uma filha de coração partido.
"Um casamento com Thiago Silva solidifica nossa posição. Une os dois maiores nomes da tecnologia no Brasil. Ninguém ousaria nos atacar com ele do nosso lado. É um movimento de xadrez, pai. O único que pode nos salvar."
Seu pai a estudou, vendo a determinação de ferro em seus olhos. A ingenuidade tinha desaparecido, substituída por uma frieza calculista que o assustava e, ao mesmo tempo, o enchia de um estranho orgulho.
"E se ele não aceitar?", ele perguntou, mais como um teste do que como uma pergunta real.
"Ele vai aceitar", disse Sofia com certeza. "A empresa dele, apesar de inovadora, precisa da infraestrutura e do capital que nós temos. É uma fusão benéfica para ambos os lados. Ele ganha acesso ao nosso legado, e nós ganhamos a proteção do poder dele."
Ela fez uma pausa, então acrescentou a parte mais difícil.
"E quanto a mim... não importa. Eu farei o que for preciso."
Ela olhou para o pai, sua voz suavizando um pouco.
"Eu não vou impor nenhuma condição sobre nossa vida pessoal. Se ele quiser ter outras mulheres, que tenha. Se não quisermos ter filhos, não teremos. Este não é um casamento de amor. É um contrato, uma aliança de guerra. Eu sou o preço da nossa segurança."
A honestidade brutal de suas palavras atingiu seu pai com força. Ele viu o tamanho do sacrifício que ela estava disposta a fazer. A vulnerabilidade que ela escondia sob aquela fachada de força o partiu por dentro.
Ele suspirou, a luta em seu rosto finalmente se dissipando. Ele confiava no instinto de sua filha, mesmo que a ideia o aterrorizasse.
"Tudo bem", ele disse, a voz rouca. "Se é isso que você quer, se você tem certeza..."
"Eu tenho", ela confirmou.
Ele assentiu, pegando o telefone. Com as mãos trêmulas, ele discou o número de seu principal assessor.
"Prepare um comunicado oficial", ele ordenou, sua voz recuperando a autoridade de sempre. "Anuncie a proposta de casamento entre minha filha, Sofia, e o senhor Thiago Silva, CEO da Silva Tech. Trate isso como um decreto, uma fusão de impérios."
Ele desligou e olhou para Sofia. O decreto estava feito. O caminho estava traçado.
Enquanto seu pai dava as ordens, Sofia se permitiu um breve momento de fraqueza. Ela se lembrou de como costumava rir com Gabriel, de como ele a olhava com o que ela pensava ser admiração. Lembrou-se de ter ajudado Sofia Mendes a escolher um apartamento, de ter lhe dado um aumento generoso no mês passado.
Como ela pôde ser tão cega? Como pôde ter confundido a ganância com amizade e a inveja com lealdade?
A dor da lembrança foi rapidamente substituída por uma resolução fria. Ela não cometeria o mesmo erro duas vezes. De agora em diante, ela não confiaria em ninguém além de si mesma. E usaria o poder, não o coração, para guiar seus passos.
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