
Traída Por Um Falso Herdeiro: A Saída da Esposa
Capítulo 3
Acordei com o cheiro forte de antisséptico sobreposto ao aroma pesado de colônia cara.
Dante estava sentado ao lado da cama.
Suas sobrancelhas estavam franzidas, uma máscara de preocupação gravada em seus belos traços.
Ele interpretava o papel do marido devoto tão bem que quase acreditei nele.
"Você estava com 40 de febre", disse ele, estendendo a mão para a minha. "Por que não me ligou?"
Puxei minha mão antes que seu calor pudesse me enganar novamente.
"Você estava ocupado lendo", murmurei com a voz rouca.
Ele se encolheu.
"Eu estava acalmando-a. Foi um alarme falso."
Claro que foi.
Sempre era um alarme falso.
"Preciso de ar fresco", eu disse, minha voz frágil.
Tentei me sentar, mas o quarto inclinou perigosamente.
"Vou te levar para cavalgar", disse ele de repente. "Você ama os cavalos. Seremos só nós. Podemos conversar. Consertar isso."
Consertar isso.
Como se nosso casamento fosse uma torneira vazando e não um prédio demolido.
Mas olhando para a determinação em seus olhos, eu não tinha energia para discutir.
Fomos para a hípica.
O ar estava fresco, cortando minha pele sensível pela febre.
Selei Luna, minha égua gentil, meus movimentos lentos e deliberados.
Dante estava preparando seu garanhão, uma enorme besta negra que combinava com sua alma.
Então ouvi o barulho de cascalho.
Mia entrou no estábulo, usando um traje de montaria que parecia novo em folha, o couro ainda rígido.
"O médico disse que exercícios leves são bons", ela chilreou, sua voz enjoativamente doce. "Posso ir junto?"
Dante hesitou.
Por um segundo, vi o conflito em seus olhos.
Ele me havia prometido "nós".
Mas então Mia colocou a mão na barriga e suspirou, uma exibição calculada de fragilidade.
"Por favor, Dante? Não quero ficar sozinha naquela casa enorme."
"Tudo bem", disse ele, sua determinação desmoronando. "Mas fique perto de mim."
Ele a levantou e a colocou em um cavalo.
Ele verificou seus estribos.
Ele verificou suas rédeas.
Ele verificou seu capacete.
Eu montei em Luna sozinha, cerrando os dentes contra a dor aguda no meu quadril.
Cavalgamos em direção às trilhas.
Dante cavalgava ao lado de Mia, sua mão repousando no pescoço do cavalo dela para firmá-lo.
Eu cavalgava atrás deles.
A vela no meu próprio casamento.
O telefone de Dante tocou.
Ele atendeu, distraído, falando de negócios com seu subchefe.
Mia diminuiu a velocidade até ficar ao meu lado.
Ela sorriu.
Não era um sorriso agradável; era o sorriso de um predador.
"Ele nunca vai me deixar ir, sabe", ela sussurrou. "Ele ama a ideia do bebê mais do que ama você."
Eu olhei para frente, recusando-me a dar a ela a satisfação de uma reação.
"Olha só", disse ela.
Ela chutou seu cavalo com força nas costelas.
O cavalo disparou.
Ele se chocou de lado contra Luna.
Luna entrou em pânico.
Ela empinou, seus cascos agitando-se no ar.
Eu perdi o controle.
"Dante!", eu gritei.
Ele se virou.
Ele viu tudo.
Ele viu Luna empinando.
Ele viu o cavalo de Mia dançando nervosamente, embora Mia estivesse perfeitamente segura na sela, fingindo um grito.
Ele tinha uma escolha.
Uma fração de segundo.
Eu ou ela.
Ele se lançou.
Em direção a ela.
Ele agarrou as rédeas de Mia, firmando o cavalo dela, puxando-a para seus braços para protegê-la de um perigo que não existia.
Eu caí no chão.
O impacto me deixou sem ar com uma força brutal.
Um estalo agudo ecoou no meu peito.
Uma costela.
Talvez duas.
O casco de Luna desceu a centímetros da minha cabeça, jogando terra nos meus olhos.
Fiquei ali, ofegante, incapaz de me mover.
Observei através da poeira enquanto Dante verificava Mia em busca de arranhões.
"O bebê está bem?", ele perguntou freneticamente.
"Acho que sim", ela soluçou, enterrando o rosto no casaco dele. "A Serena... ela assustou meu cavalo."
Ele olhou para mim então.
Deitada na terra.
Quebrada.
Ele não correu para mim.
Ele me fuzilou com o olhar.
"Fique aí", ele ordenou, sua voz desprovida de calor. "Tenho que levá-la de volta para casa. Vou mandar alguém te buscar."
Ele virou seu cavalo e galopou para longe, embalando sua amante contra o peito.
Fiquei deitada na terra, olhando para o céu cinzento.
E finalmente parei de chorar.
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