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Capa do romance Traída, Mas Não Destruída

Traída, Mas Não Destruída

Abandonada em uma emergência médica por Pedro, seu noivo, Sofia enfrenta a crueldade do homem que amava. Além de negar socorro, ele a humilha publicamente na internet, expondo sua dor. No hospital, a sogra a insulta, reforçando o preconceito contra sua origem humilde. Diante da traição e do desdém da elite, Sofia decide que não será mais silenciada. O sofrimento físico torna-se o estopim para uma transformação em busca de justiça e dignidade.
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Capítulo 2

A dor aguda me rasgou por dentro no meio da noite, um espasmo violento que me fez dobrar sobre mim mesma na cama.

Ofeguei, tentando respirar, mas o ar não vinha.

Era como se uma faca estivesse sendo torcida nas minhas entranhas.

Ao meu lado, Pedro resmungou, virando-se para o outro lado, irritado por eu ter me mexido.

"Sofia, fica quieta. Estou tentando dormir."

"Pedro..." , consegui sussurrar, a voz fraca e trêmula. "Acho que tem algo muito errado. Preciso ir para o hospital."

Ele finalmente se virou, mas seus olhos não tinham preocupação, apenas aborrecimento. Ele acendeu o abajur, e a luz fraca iluminou seu rosto bonito, agora contorcido em uma careta de impaciência.

Ele olhou para mim, encolhida de dor, e bufou.

"De novo com esse drama, Sofia? O que foi agora? Cólica? Você sabe que eu tenho uma reunião importante amanhã cedo."

"Não é cólica" , eu disse, com os dentes cerrados. "É diferente. É uma dor horrível."

Eu tentei me levantar, mas outra onda de agonia me atingiu, e eu caí de volta nos lençóis, um gemido escapando dos meus lábios. O suor frio brotava na minha testa.

Pedro se levantou da cama, não para me ajudar, mas para pegar suas calças do chão. Sua indiferença era mais dolorosa do que a pontada no meu abdômen.

"Olha, eu não tenho tempo pra isso. Toma um remédio e vai dormir. Você sempre exagera tudo."

A frieza em sua voz me chocou. Nós tínhamos acabado de ter um momento íntimo, e agora ele me tratava como um incômodo.

"Eu não estou exagerando, Pedro! Eu preciso de ajuda! Por favor, me leva pro hospital."

Ele se vestiu completamente e caminhou até a porta do quarto. Ele me olhou com desprezo.

"Eu não vou a lugar nenhum. Se você está tão mal assim, chama um Uber. Eu não vou passar a noite em um corredor de hospital por causa de mais uma das suas crises."

Aquelas palavras me atingiram. Ele estava me abandonando. Naquele momento, a ficha caiu. O noivo amoroso, o homem com quem eu planejava construir uma vida, não existia. Só existia aquele estranho egoísta na minha frente.

Ele pegou a carteira e as chaves da cômoda.

"E quer saber? Já estou de saco cheio. Cheio da sua origem humilde, da sua família sem classe, de você tentando se agarrar a mim como se eu fosse sua única salvação."

A dor física se misturou com uma dor emocional tão intensa que quase me sufocou.

Ele caminhou até mim. Por um segundo, pensei que ele tinha mudado de ideia, que ia me ajudar.

Mas ele apenas agarrou meu braço com força, seus dedos cravando na minha pele.

"Você vai ficar aqui quieta. Não me faça passar vergonha."

"Me solta!" , gritei, usando a pouca força que me restava para empurrá-lo.

A surpresa em seu rosto foi substituída por raiva. Ele me soltou com um empurrão que me fez bater a cabeça na cabeceira da cama.

"Fim" , eu disse, a voz rouca, mas cheia de uma nova e terrível clareza.

"O quê?" , ele perguntou, confuso.

"Acabou, Pedro. Nosso noivado, tudo. Acabou."

A dor era um fogo dentro de mim, mas minha determinação era gelo. Eu não ia mais implorar por sua ajuda. Eu não ia mais aceitar suas migalhas de afeto.

Ele riu, uma risada cruel e vazia.

"Ótimo. Faz um favor pra mim e pra minha família. A gente nunca te quis mesmo."

Ele se virou e saiu do quarto, batendo a porta com tanta força que o quadro na parede tremeu.

Eu o ouvi sair do apartamento, o som da porta da frente batendo foi final.

Sozinha.

Eu estava sozinha e com uma dor excruciante.

Com um esforço sobre-humano, me arrastei para fora da cama. Cada movimento era uma tortura. Peguei meu celular da mesa de cabeceira, minhas mãos tremendo tanto que mal conseguia segurá-lo.

Ignorei a lista de contatos. Ignorei a família dele, a minha família. Eu precisava resolver isso sozinha.

Abri o aplicativo de transporte e, com os dedos trêmulos, pedi um carro para o hospital mais próximo.

Enquanto esperava, vesti a primeira roupa que encontrei, um moletom largo e calças de ginástica. A dor era tão intensa que eu mal conseguia ficar de pé.

Quando o aplicativo notificou que o carro havia chegado, eu me agarrei às paredes para caminhar até a porta, deixando para trás o anel de noivado na mesa de centro.

Um símbolo de uma promessa vazia.

O caminho até o hospital foi um borrão de dor e lágrimas silenciosas. Não lágrimas de tristeza pela perda de Pedro, mas de raiva e humilhação por ter sido tão cega.

No pronto-socorro, eu mal conseguia falar. A enfermeira viu meu estado e me levou para dentro imediatamente.

Horas depois, após exames e uma ultrassonografia de emergência, o médico veio falar comigo.

"Sofia, você teve um rompimento de um cisto de corpo lúteo hemorrágico. Houve uma hemorragia interna significativa. Precisamos te levar para a cirurgia agora mesmo."

Eu apenas assenti, exausta demais para sentir medo.

Tudo que eu conseguia pensar era que eu tinha chegado lá sozinha. E que, de alguma forma, isso me tornava mais forte.

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