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Capa do romance Traição Viral: A Agonia de uma Esposa

Traição Viral: A Agonia de uma Esposa

Grávida e sozinha, vi meu marido Guilherme viralizar ao invadir o casamento de sua ex, Daniela. Mesmo após perdermos um filho no passado pela mesma obsessão, ele me abandonou no pré-natal para salvá-la. Ao retornar implorando perdão, encontrou apenas meu desprezo. O amor que eu sentia morreu diante de sua traição pública. Sem emoção, revelei que interrompi a gestação e exigi o divórcio imediato. O ciclo de mentiras terminou; agora, resta apenas o vazio.
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Capítulo 2

A porta da frente se fechou com um clique, o som ecoando pela casa silenciosa. Eram quase três da manhã. Eu estava sentada no sofá, o tablet na mesa de centro ainda passando o vídeo viral em loop, os gritos frenéticos de Guilherme preenchendo o silêncio opressor. Meus olhos ardiam, não de lágrimas, mas da pura exaustão de esperar.

Guilherme entrou na sala, seu olhar encontrando o meu. Por um longo momento, nenhum de nós falou. O ar estava pesado com acusações não ditas, com o gosto amargo da traição. Ele parecia desgrenhado, seu terno caro amassado, o cabelo uma bagunça.

Seus olhos caíram sobre o tablet, seu próprio rosto gritando na tela. Ele avançou, o braço estendido, e bateu a palma da mão no botão de desligar. A tela ficou preta, mergulhando a sala em um silêncio ainda mais profundo.

Ele se virou para mim, os ombros caindo. Lentamente, quase teatralmente, ele se ajoelhou.

Ele parecia lastimável. Um homem adulto, CEO de uma promissora startup de tecnologia, de joelhos no meu tapete persa, implorando por misericórdia. Era patético e absurdo. Quantas vezes eu já tinha visto essa postura? Essa exibição cuidadosamente construída de remorso?

"Carol", ele engasgou, a voz rouca, "eu sei. Não há nada que eu possa dizer. É tarde demais, não é?"

Ele estava certo. Era tarde demais. Mas ele ainda tentou.

"Eu prometo, Carol, esta é a última vez. Eu juro. Eu só estava tentando ajudá-la. O pai dela, ele está doente. Precisa de dinheiro para uma cirurgia urgente. Ela estava desesperada."

Ele estendeu a mão, como se fosse tocar a minha. Eu recuei.

"Ela me ligou, Carol, implorando. Eu tentei ignorá-la. Juro que tentei. Mas ela disse que estava tão desesperada, tão completamente sozinha, que ia se casar com aquele homem por estabilidade, mesmo sem amá-lo. Ela ia jogar a vida dela fora." Sua voz falhou. "Eu só... eu senti tanta pena dela."

Aí estava. Pena. A palavra que tinha sido a ruína do meu casamento, o veneno na minha vida perfeita.

Eu sabia, com uma clareza assustadora, que toda vez que Guilherme dizia sentir "pena" de alguém, era eu quem pagava o preço. Toda vez que ele bancava o herói, eu me tornava a vítima.

"Você sentiu pena dela", repeti, minha voz neutra, desprovida de calor. "Assim como você sentiu pena dela três anos atrás, quando ela não conseguia pagar o aluguel. Você sentiu pena dela quando ela estava lutando para abrir o negócio dela. Você sentiu tanta pena dela que abriu um bar para ela, não foi? Você sentiu tanta pena dela que quase foi preso para protegê-la quando ela se meteu naquela briga de bar."

Ele se encolheu a cada lembrança, a cabeça baixando ainda mais.

"E agora", continuei, um tom frio e duro entrando na minha voz, "você sente pena o suficiente para invadir o casamento dela? Para humilhar o noivo dela, a si mesmo e a todos os outros envolvidos? Para se colocar no centro das atenções de novo, tudo pelo 'bem' dela? Impedir que ela se case também é uma forma de 'pena' no seu dicionário, Guilherme?"

Minhas palavras, afiadas e precisas, pareceram perfurar sua fachada cuidadosamente construída de vítima. Sua cabeça se ergueu de repente, os olhos arregalados com um lampejo de indignação.

"Não é assim, Carol!", ele protestou, tentando se levantar. "Você está distorcendo tudo! Minha compaixão, minha empatia-"

"Ah, sua compaixão", eu o interrompi, uma risada amarga escapando dos meus lábios. "Sua compaixão ilimitada e transbordante por toda donzela em perigo, exceto pela mulher com quem você se casou. Não é mesmo, Guilherme?"

Meu sarcasmo atingiu o alvo. Ele estremeceu, baixando o olhar para o chão. Vergonha, talvez até humilhação, cruzou seu rosto. Ele se levantou, devagar, hesitante, e deu um passo em minha direção, de braços abertos. Ele queria me abraçar, me envolver, de alguma forma absorver minha raiva em seu peito.

Eu o empurrei. Com força. Minha mão bateu em seu peito, e ele tropeçou para trás, pego de surpresa.

Ele me encarou, e então, lenta e agonizantemente, voltou a se ajoelhar. Seus olhos, agora vermelhos, procuravam os meus desesperadamente.

"Carol", ele sussurrou, a voz embargada, "você... você vai mesmo me abandonar de novo?"

A pergunta pairou no ar, pesada com a história do nosso passado compartilhado. Mas as palavras que saíram da minha boca foram frias, firmes e absolutas.

"Quem abandona primeiro, Guilherme, não tem o direito de pedir para ser salvo."

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