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Capa do romance Traição em Jogo Alto, A Mão Vencedora

Traição em Jogo Alto, A Mão Vencedora

Horas antes do noivado, Heitor casou-se com minha melhor amiga, Dominique, em Las Vegas. Alegando um erro de embriaguez, eles me humilharam em um jogo de pôquer, onde perdi a herança da minha avó sob o descaso dele. Eles acreditam que sou vulnerável, mas ignoram meu passado no submundo das apostas. O que começou como uma piada cruel se tornará a ruína deles, pois sou uma tubarão pronta para retomar tudo e destruir quem me traiu com desdém.
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Capítulo 2

(Ponto de Vista de Abigaíl)

Um silêncio chocado caiu sobre a mesa. O único som era o leve tilintar de copos vindo do bar. Heitor olhou para a pulseira da minha avó, seus olhos arregalados. Ele sabia exatamente o que significava para mim.

Dominique, no entanto, bateu palmas, um brilho triunfante em seus olhos. "Oh, Abigaíl ousada! Eu sabia que você tinha essa coragem!" Ela piscou para mim. "Não se preocupe, querida, serei gentil."

Darlan pigarreou, quebrando a tensão. "Certo, pessoal. As regras são simples. Pôquer de cinco cartas. A mão mais alta ganha. O perdedor toma uma dose, e seu último item apostado vai para o pote. Se você desistir, está fora. Se perder todos os seus itens, está fora. O último de pé leva tudo." Ele olhou ao redor da mesa. "Entendido?"

Eu apenas assenti, meu rosto impassível. Meu coração batia um ritmo frenético contra minhas costelas, mas minhas mãos estavam firmes.

O dealer, um profissional contratado para o evento, começou a embaralhar as cartas com facilidade praticada. O som nítido das cartas era o único ruído. Ele distribuiu cinco cartas viradas para baixo para cada jogador.

Dominique abriu suas cartas em leque, um leve sorriso brincando em seus lábios. Ela já tinha jogado pôquer antes, eu sabia. Ela era boa. Ou pelo menos, ela achava que era.

Heitor continuava me olhando. Seu olhar era pesado, uma mistura de confusão e algo mais que eu não conseguia decifrar. Culpa, talvez? Ou apenas irritação.

Encontrei seu olhar por um segundo, depois desviei. Seus olhos ainda pareciam uma pressão indesejada.

Minhas próprias mãos pareceram surpreendentemente desajeitadas quando peguei minhas cartas. Eu as atrapalhei um pouco, traindo um nervosismo que eu não sentia de verdade.

Ouvi um murmúrio baixo dos outros convidados. "Ela parece completamente perdida." "Pobre Abigaíl, ela nunca joga." "Heitor parece furioso."

Meu rosto parecia tenso. Eu podia sentir o sangue drenando dele, deixando-o pálido e austero. Eu interpretei o papel. A noiva frágil, chocada e sobrecarregada.

Dominique me pegou no olhar. Ela se inclinou para frente, sua voz um sussurro teatral. "Precisa de ajuda, docinho? Posso te ensinar o básico." Seu sorriso era condescendente.

Eu a ignorei. Foquei nas cartas em minha mão. Eram apenas cartas. Mas elas continham um poder imenso esta noite.

A primeira rodada começou. Minha mão era terrível. Um par de dois. Desisti rapidamente, certificando-me de parecer resignada.

"Ah, que pena!" Dominique arrulhou. "Hora da sua primeira dose, Abigaíl!"

Um garçom imediatamente trouxe uma bandeja com um copo de shot cheio de um líquido escuro. Cheirava forte.

Darlan parecia desconfortável. "Domi, talvez uma água em vez disso?"

A voz de Heitor foi ríspida. "Apenas beba, Abigaíl. Não faça uma cena."

Dominique parecia exultante. Ela praticamente pulava em sua cadeira. "E o que vai ser, Abigaíl? Seu lindo colar? Ou aquele relógio maravilhoso que Heitor te deu?"

Meu estômago revirou. O colar era sentimental, um presente da minha avó pela minha formatura. O relógio era um presente significativo de Heitor, mas não era a pulseira de herança.

Minha mente foi para minha avó. Como ela usava aquela pulseira todos os dias. Como ela me contava histórias sobre cada pequeno pingente. O livrinho para seu primeiro romance, a câmera por sua paixão pela fotografia, o aviãozinho por suas viagens. Era a vida dela, em miniatura. E agora estava nesta mesa para eles pegarem.

Forcei um sorriso irônico. Um gosto amargo encheu minha boca.

"O colar", eu disse, minha voz baixa. Empurrei a delicada corrente de ouro com seu pequeno e intrincado medalhão pela mesa. Ela deslizou sobre a madeira polida.

"Excelente escolha", disse Dominique, pegando-o. Ela o balançou, admirando como o ouro capturava a luz. "Que coisinha linda."

Ela nem estava olhando para mim. Estava olhando para o colar. Como se já fosse dela.

O rosto de Heitor estava sombrio. Ele não disse uma palavra.

"Próxima rodada, então!" alguém gritou, ansioso para mudar o foco.

O dealer distribuiu novamente. O jogo continuou.

Desta vez, Dominique conseguiu uma mão moderadamente boa. Uma sequência. Ela ganhou a rodada.

Heitor, surpreendentemente, conseguiu a melhor mão. Um full house. Ele recolheu o pote, que agora incluía o colar de diamantes e as chaves do carro esportivo.

Dominique gritou de alegria, jogando os braços ao redor de Heitor. "Você é o melhor, querido! Meu amuleto da sorte!"

Os outros convidados ofereceram aplausos educados. Eles estavam gostando do show, mesmo que fosse um desastre.

"Heitor está com tudo!" "Quem diria que ele era um jogador tão bom?"

"Esta noite pede algo especial", anunciou o dealer, olhando para Heitor que havia ganhado a mão mais alta. "O jogador com a mão mais alta pode escolher um item de qualquer um dos outros jogadores, diretamente de sua pessoa."

Um suspiro coletivo percorreu a sala. Esta era uma nova regra. Uma cruel.

Heitor olhou para Dominique. Ela olhou para ele, seus olhos arregalados com uma fome predatória.

"Oh, Heitor", ela ronronou. "Você sabe o que eu quero. Não sabe?"

Seus olhos pousaram no meu pulso. Na pulseira de prata simples e despretensiosa. Aquela com a vida da minha avó gravada em seus pingentes. Aquela que eu tinha colocado no pote geral, mas ela ainda queria reivindicá-la diretamente.

Meu sangue gelou. Ela sabe. Ela tinha que saber. A maneira como ela olhou para ela mais cedo, a maneira como estava olhando agora. Foi deliberado.

Heitor olhou de Dominique para mim. Seu rosto era indecifrável.

O silêncio retornou, mais pesado desta vez.

"Heitor?" Dominique insistiu, sua voz com um toque de impaciência.

Meu peito apertou. Eu podia sentir as lágrimas brotando, mas me recusei a deixá-las cair. Não aqui. Não agora.

"Abigaíl, você vai mesmo fazer um escândalo por causa de uma pulseirinha boba?" Dominique perguntou, sua voz escorrendo falsa preocupação. "É só um jogo, querida. Não seja uma má perdedora."

Heitor finalmente falou. Sua voz era vazia. "Abigaíl. Apenas tire."

As palavras me cortaram, mais afiadas que qualquer faca. Meu mundo inclinou.

Senti uma súbita e feroz onda de raiva. Um fogo ardente e purificador.

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