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Capa do romance Traficada

Traficada

Christian, um policial dedicado ao combate ao tráfico humano, vive assombrado pelo passado de sua avó. Quando sua noiva, Agnes, é sequestrada e vendida como objeto sexual, ele mergulha em um submundo cruel e sádico para resgatá-la. Entre traições familiares e segredos obscuros, Christian e seus irmãos enfrentam uma corrida desesperada contra o tempo. Em meio à perversão e ao perigo, ele testará sua coragem para salvar seu amor e derrotar aqueles que lucram com a dor.
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Capítulo 3

CAPÍTULO 3

O JANTAR

Narrado por Clare

“Você está onde você se coloca”

— Menino James! — uma voz super simpática me faz olhar na direção do corredor.

— Beth, que saudades!

Eles dão um abraço carinhoso.

—Tem saudades porque nunca aqui vem! — ela diz triste.

— Mas que exagero, Beth. — Ele ri — Venho quando posso, a vida de um professor é muito difícil.

Ela olha para mim e me presenteia com um sorriso bonito.

— A menina deve ser a Clare.

— Sou eu sim, muito prazer em conhecê-la.

Ela vem ter comigo e me dá um abraço também, me deixando surpresa, mas gostei dela, muito mesmo.

Ela nos encaminha para a “sala de chá “, foi mesmo esse nome que ela disse.

Parecia até que estava na casa da rainha de Inglaterra, kkk.

Nos colocou à vontade e disse que a senhora descia já.

Supus que a senhora, será a mãe do James.

Mas tanta pompa nesta casa.

A Beth sai da “sala de chá “ nos deixando à vontade.

— Nunca imaginei que tivesses nascido e crescido num berço carregado de ouro! — brinco com o James.

Ele encolhe os ombros.

— Sabes que não dou muita importância a isso. Sou uma pessoa simples por natureza. A minha mãe é que sempre gostou desta vida, não fazer nada é o seu passatempo preferido. — Ele sorri e abaixa a voz — Ela detesta que eu seja professor, preferia que eu fosse um advogado ou um CEO de qualquer besteira.

Eu não tenho tempo de responder, porque a porta da “sala de chá “ é aberta.

Na porta está uma mulher muito bonita, tem a volta de 50 anos, mas eu não lhe daria mais de 40 anos, mas percebo perfeitamente que é a mãe do James, a cor dos olhos são iguais, verdes escuros e têm traços muito parecidos.

Ela sorri.

— Muito boa noite, meus queridos.

James levanta-se e vai abraçar a mãe e dar-lhe um beijo.

A seguir nos apresenta.

— Mas que bonita que a Clare é. — ela me elogia.

— A senhora é muito simpática. — Digo apenas envergonhada.

O jantar corre bem, a senhora Camile é muito simpática durante todo o jantar e me deixa super à vontade.

— Vou ver se a Beth precisa de ajuda lá dentro.

A mãe faz um ar de aborrecida.

— Ai, James, tu e a tua mania de ajudar a criadagem.

Ele encolhe os ombros e diz.

— Deixo as mulheres a falar a sós um pouco. — diz visivelmente feliz — Não assustes a minha namorada, mãe.

Ele diz aquilo a brincar e sai da sala nos deixando sozinhas.

O olhar que a mãe dele me deita, não é nada igual de quando o James estava presente e fico de imediato desconfortável.

O sorriso desapareceu e deu lugar a uma cara de chateada.

— Quais as tuas verdadeiras intenções para com o meu filho? — Ela pergunta com uma superioridade incrível.

— As minhas intenções? Desculpe, senhora Camile, mas não sei se estou a entender bem a sua pergunta! Eu namoro com o James e as minhas intenções é ser feliz e o fazer feliz.

Ela ergue uma sobrancelha.

— Feliz?? — Ela diz desdenhosa — Não pode haver felicidade se não existir amor.

— Mas eu amo o seu filho, muito mesmo.

— Amas o meu filho, ou amas o que ele te pode proporcionar?? Sim, porque uma vida ao lado do meu filho seria uma vida de luxo. — Olha ao seu redor, como a lembrar-me da enorme riqueza que a família tem — E eu não quero uma oportunista na vida do meu menino.

— Para começo de conversa, eu nem sabia que o James era assim tão rico.

— Ohh, mas sabias que ele tinha dinheiro, certo? Só por si já seria uma coisa boa. — Ela sorri maldosa.

Mas que merda de conversa e de mudança drástica da sua personalidade?? Será bipolar o raio da mulher?

Era só o que me faltava, uma sogra louca.

— E outra coisa, — ela continua — não me agrada nada o tipo de família que tu tens!

Fico bem admirada com o que ela acaba de falar.

— Tipo de família que eu tenho? Como assim? Não entendo o que a senhora está a querer insinuar!

— Ora menina, deixa de se fazer de anta. É completamente imoral ter uma família como a tua. Dois pais e uma mãe?? Que indecente.

Eu fico de queixo caído, porque nesta altura do campeonato já se vê montes de casais assim, fora dos parâmetros ditos normais.

— A senhora só pode estar de brincadeira! O tipo de relacionamento que os meus pais têm, já não é nada de novo, vê-se muitos casais assim, por isso não entendo qual o seu choque!

— O meu choque é que aos olhos de Deus, isso é um dos maiores pecados do universo. Uma porcaria, e eu não quero o meu menino junto com essa gente.

Olha para ela cada vez mais incrédula.

— O seu menino é um homem feito, e sabe pensar pela sua própria cabeça.

—Não, não sabe, ele nunca fez escolhas de jeito, basta olhar para a escolha de ser professor universitário! É horrível, ele tem um enorme património, podia ser tudo o que quisesse, mas foi escolher uma profissão sem jeito nenhum. — ela fdala aquilo com nojo.

Eu não posso acreditar no que os meus ouvidos ouvem.

Ouvimos o James a falar no corredor. Com certeza está quase aqui a entrar na sala.

Ela baixa a voz e olha para mim ameaçadoramente.

— Espero que esta conversa fique apenas entre nós. Acho que no mínimo não deves aborrecer o James com coisas fúteis.

Ele entra na sala seguido da Beth, com um sorriso enorme.

— Então, as duas mulheres mais importantes da minha vida já conversaram tudo!

O semblante da mãe dele volta a mudar e a ficar como estava de início, cheia de sorrisos e super simpática comigo e com a vida.

Eu tento ao máximo disfarçar o quanto eu estou incomodada e louca para fugir desta casa a sete pés, mas me contive.

Mas dez minutos depois já não aguentava mais, estava prestes a vomitar o jantar para cima da hipócrita da mãe dele.

— James, eu preciso de ir, tenho ainda umas provas para ir corrigir, para entregar amanhã aos meus alunos.

— Oh, claro. — diz já a levantar-se — Mãe, vamos ter que ir então.

— Claro meu amor, vão lá então, mas prometem que voltam brevemente para um chá. Quem sabe no próximo fim de semana, vai estar bom tempo, até podem desfrutar da piscina, se quiserem.

James olha para mim como a espera da minha resposta. Ele sorri, feliz por ver que a mãe dele gosta de mim. Eu olho para ela e ela me dá um sorriso de filha da puta de cínica.

— Depois logo vejo, amor, os meus pais disseram qualquer coisa sobre este fim de semana, mas não tomei atenção, deixa-me perguntar melhor. — olho para ela para a provocar — Talvez eles queiram que vamos lá almoçar.

Vejo ela fodida da vida.

Paciência, ela não quer guerra! Então vamos ver como esta guerra vai acabar.

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