Capa do romance TORCENDO POR NÓS

TORCENDO POR NÓS

9.2 / 10.0
Antony Sillve, astro do futebol, retorna à sua cidade e reencontra Sarah Carter. A química é imediata, mas Sarah guarda mágoas escolares e enfrenta crises financeiras após trancar a faculdade. Decidido, Antony luta para vencer a resistência dela. O romance encara o assédio da mídia e a distância, até que um grave acidente abala a carreira do jogador. Sarah se torna seu alicerce, provando que o amor pode superar traumas e vencer o maior jogo da vida de Antony.

TORCENDO POR NÓS Capítulo 1

Sarah olhou em seu relógio de pulso e viu que passava das nove, estava aflita desejando que aquele ensaio infernal de casamento terminasse logo. Havia trabalhado a madrugada inteira no bufê da senhorita Rose Marrie em pé servindo mesas. Por isso estava tão exausta. 

Aquele era o ensaio de casamento de sua melhor amiga, Maryene, e Sarah era uma das madrinhas. Havia aceitado apenas pelo fato de serem muito unidas, quase irmãs, mas sempre soube que sua amiga não pouparia requinte e luxo, e para isso ela havia contratado como cerimonialista, Eva Beneth, a mais requisitada pela alta sociedade.

Desde o início, Sarah não conseguia se sair nada bem com a senhora Beneth. Ela até se esforçava para fazer tudo certinho, mas tinha dificuldades, pois delicadeza, não era muito o seu forte, além de não estar acostumada com todas aquelas regras de etiqueta, o que despertava uma certa implicância da parte de Eva, que nunca estava satisfeita com o seu desempenho e não poupava esforços para demonstrar sua antipatia, como neste exato momento:

— Postura Sarah! Postura! — falou com seu tom de voz autoritário que sempre usava.

Sarah relatava sobre as provocações de Eva, entretanto, Mary acreditava que fosse coisa da imaginação de sua amiga.

Sarah respirou fundo a fim de aliviar a tensão que lhe consumia, abaixou a cabeça e bufou enquanto reclamava baixinho para que a senhora Eva não lhe ouvisse ou diria que reclamar também não é nada delicado. Então, ajeitou sua postura ao lado de Charles, o avô de Mary, apenar de ser um senhor idoso era bastante forte para sua idade e bastante simpático.

— Casamentos são bem cansativos — reclamou Charles soltando o ar.

— Eu só queria tomar um banho e deitar na minha cama.

— Falta pouco, espero, pois minha artrose não vai suportar mais ficar tanto tempo em pé.

Ela olhou para ele preocupada.

— O senhor está se sentindo bem?

Ele levou a mão na região da lombar.

— Estou. Só preciso que isso acabe logo.

Então Sarah bufou concordando. Ela Amava sua amiga, mas desejava mais do que tudo não ser madrinha neste casamento. Seu orçamento estava apertado, e encomendar um vestido importado como todas as outras madrinhas também não cabia em suas finanças.

A pior parte de tudo isso era ter que aceitar ficar no altar ao lado de Antony Sillve, o padrinho escolhido por Breno. Sarah o conhecia dos tempos do colégio, haviam cursado o ensino médio juntos. Foram tempos terríveis do qual Sarah não gostava de se recordar.

Flashback

Dez anos atrás…

Antony Sillve, o garoto mais popular da escola, sempre rodeado pelas garotas mais lindas e os rapazes do time de futebol, como agora, a jovem loira de olhos verdes e usando seu uniforme dobrado na altura do estômago mostrando seu piercing de brilhante no umbigo.

— Oi Antony… parabéns pelo jogo…

O rapaz parou sorridente e deixou uma piscadela para a jovem que abriu um largo sorriso. Rapidamente outras duas moças tão antipáticas quanto a primeira se uniram a ele para enaltecê-lo, logo mais três rapazes tão populares quanto, aparecem deixando alguns comentários sobre o jogo.

Sarah estava no canto encostada na parede, naquele tempo ainda usava seus aparelhos e óculos, vaidade não era seu forte. 

Ela observou a cena se sentindo irritada, odiava pessoas como eles, cheios de si, que se achavam os melhores em tudo e esfelregavam na cara dos outros o quanto zero esquerda eram.

Mary e Breno surgiram vindo do pátio principal da escola, eles que já se paqueravam, chegaram próximo do grupinho popular e Breno ainda cumprimentou o craque do time, seu primo, num toque de antebraços e cotovelos parabenizando Antony.

Sarah ainda revirou os olhos se virando de costas, logo ouviu Mary a chamar pelo nome."

Não podia negar que Antony sempre jogou muito bem, ele até foi descoberto por um "olheiro", desses que procuram prodígios para investir em suas carreiras. Por isso ele se mudou com a família para o sul, pois havia sido contratado para jogar em um time Júnior profissional. 

Sarah nunca mais o viu. Mas seus amigos sempre traziam notícias,  e toda a cidade enaltecida o jogador que estavas fazendo carreira pelo país a fora. Agora ele joga para um time profissional adulto, as vezes Sarah vê alguma notícia sobre ele nas redes sociais, a mais recente delas era de que ele e Lara Bitencourt eram affer, mas Breno negava. Aliás se Sarah fizesse algum comentário negativo, seus amigos saiam logo em defesa do jogador, até chegavam a dizer que Sarah tinha mesmo era ciúmes, e isso a deixava mais irritada.

Semanas atrás…

—  O Jogador Antony Sillve foi visto em uma festa particular no iate de Daniel Martins. Convidados como a atriz Camila Ferreira e a modelo Lara Bitencourt também foram vistos…— Sarah leu a notícia postada por um perfil especializado em fofocas.

Ela estava em um almoço com Breno e Mary para decidirem o cardápio do casamento.

— E o que tem de mal nisso,ele só estava se divertindo — Breno se apressou em defender o primo.

Sarah revirou os olhos.

— Nada, eu não esperava menos do espetacular jogador, afinal caras como ele levam vidas promíscuas e devassa.

— Sarah, não seja injusta. O coitado leva a vida se dedicando ao trabalho, merece alguns minutos de diversão… e aí não diz nada sobre orgia se é isso que você está pensando.

— Coitadinho…— Sarah soltou irônica.

As outras madrinhas eram todas finas e elegantes. A família de Mary pertencia à elite social da cidade. Sarah era a mais simples de todas naquele momento. Ela não havia conseguido passar em casa para se trocar. Por isso se destacava com sua calça jeans, que lhe atrapalhava bastante nos movimentos, e seu AllStar predileto preto. As outras usavam roupas caras e provavelmente haviam passado horas no salão de beleza. 

Após o ensaio de treino da entrada dos padrinhos, todos partiram para segunda etapa. A senhora Eva Beneth dava as instruções para que cada um se posicionasse em seu devido lugar no altar.

Mais uma vez ela destacou sobre as posições dos padrinho num tom resistente:

— O lado direito pertence ao padrinho do noivo, e o esquerdo reservado aos da noiva! Por favor não confundam isso! — disse, dando uma olhada nada discreta para Sarah, deixando claro que o recado era para ela.

Sara percebeu que estava do lado errado e foi inevitável não sentir vergonha, já que era o centro das atenções, pôde ouvir alguns cochichos sob os olhares esnobes das amigas de Mary. Então respirou fundo, não se sentia confortável com todas aquelas regras inúteis. Mas também que diferença faria estar à direita ou esquerda? Pensou baixinho, completamente enfadonha de tudo aquilo.

Mas o fato era que sempre se atrapalhava sendo alvo daqueles olhares. Sua maior vontade naquele momento era de sair correndo daquele lugar. Se afastar daquelas pessoas. Mas ficaria por sua amiga, que não merecia que ela fizesse o que desejava.

Enfim senhora Eva anunciou o término do ensaio. Ela dispensou a todos agradecendo pela dedicação, afinal este era o último encontro de preparação, pois o casamento seria no próximo sábado:

— Pessoal, sábado será o grande dia em que nossos queridos Breno e Maryene enfim subirão ao altar. Então não se esqueçam do que viram durante os ensaios.

Eva Beneth era aplaudida e ovacionada por todos, afinal diziam que fosse a melhor cerimonialista.

Quando os aplausos cessaram ela continuou:

— Muito obrigada a todos pela dedicação, alguns muito e outros pouco é claro! — ela dizia olhando Sarah por cima dos ombros.

Em resposta revirou os olhos mais uma vez, já estava cansada daquilo tudo.

— O que essa mulher tem contra mim? — Sarah perguntou baixinho para Mary.

Sua amiga esboçou um leve sorriso em resposta, era nítido que achava aquilo uma paranóia de Sarah.

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