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Capa do romance Tentação Proibida

Tentação Proibida

Em Tentação Proibida, Katherine Lane, herdeira de uma linhagem política influente, choca sua família ao lecionar literatura em um presídio. Lá, ela conhece Carter, um detento astuto e magnético que abala suas convicções. O que parecia ser um gesto altruísta logo se revela uma conexão perigosa. Entre o dever e o desejo, Kat enfrenta uma paixão avassaladora por um homem proibido, mergulhando em uma jornada de redenção onde dois mundos opostos colidem intensamente.
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Capítulo 3

Na manhã seguinte, Kat entrou em seu carro, estacionado do lado de fora do

seu prédio no SoHo. Os pesadelos sempre a deixavam triste e tensa, pensando em

por que diabos tinha aceitado um emprego para dar aulas em uma prisão.

Quando começara a dar essas aulas, havia pouco mais de um mês, os

pesadelos voltaram e os conflitos com sua mãe se acirraram. O relacionamento

delas sempre teve altos e baixos, mas, quando Kat ligou para contar que ia

trabalhar em Arthur Kill, a discussão que se seguiu foi a mais terrível que já

tiveram. Eva Lane era uma mulher complicada e teimosa e jamais entenderia a

necessidade de Kat de aceitar aquele emprego.

Kat compreendia as preocupações da mãe e de alguns amigos. Apesar de

não haver assassinos entre os que estavam lá, os crimes cometidos por eles eram

bastante preocupantes: vandalismo, roubo de carro, uso e posse de drogas.

Contudo, tinha certeza de que era isso que queria fazer.

Porque, lá no fundo, uma promessa feita ao pai ecoava em sua alma.

Uma promessa que tinha estado lá desde que seu pai morrera. Estava lá no

dia em que ela terminara o ensino médio e no dia da formatura da faculdade de

Literatura Inglesa. Dar aulas era o que Kat queria fazer desde criança, e ela

havia amado cada segundo.

Ela tivera a sorte de viajar para Londres e para a China, lecionando em

escolas particulares que a fizeram se apaixonar ainda mais pela profissão. Fez

amigos, vivenciou outras culturas e construiu relacionamentos enriquecedores

que nunca acabariam. Apesar disso, no fundo ela sabia que trabalhar em escolas

que lhe pagavam 50 mil por ano não significava cumprir a promessa que tinha

feito.

Crianças talentosas e empenhadas não eram exatamente aquelas que ela

deveria ajudar.

– Nós temos que retribuir, Katherine – dissera seu pai na noite em que

morreu.

Ela havia considerado trabalhar em uma escola no centro histórico da cidade,

mas essa opção também não aliviara o sentimento de dever. Trabalhar em um

presídio, sim.

Precisava ficar perto de seus temores, perto de homens que não se

importavam muito em burlar a lei, em virar a vida das outras pessoas de cabeça

para baixo sem nunca considerar as consequências.

Precisava se aproximar para entender o que tornava uma pessoa capaz de tal

comportamento. Ela odiava o próprio medo; odiava a raiz dele e sabia que tinha

que encará-lo – mesmo estando apavorada.

Sua terapeuta tinha ficado bastante preocupada com a decisão e perguntava

constantemente se Kat estava feliz com a escolha, se achava que aquilo era

mesmo o certo a fazer e por quê. Chegara a usar as preocupações de sua mãe

para tentar dissuadi-la.

Mas aquela era uma escolha de Kat – e de mais ninguém. E uma vez que a

decisão foi tomada, não havia volta. O que quer que acontecesse, o que quer que

sua mãe dissesse, ela arcaria com as consequências, pois sabia o que aquilo

significaria para seu pai.

O prédio da Arthur Kill, em Staten Island, parecia ter saído diretamente de

um episódio da série Prison Break. Guardas com cães enormes e raivosos

patrulhavam torres de observação altas protegidas por cruéis cercas de arame

farpado.

Kat foi até os portões do estacionamento e esperou pelo policial que estava de

serviço. Depois de pegar a identidade dela, ele desapareceu na sala de controle e

logo retornou, direcionando-a para o edifício sombrio onde ela trabalhava.

Após estacionar, Kat deu uma olhada para a esquerda e viu um grupo grande

de detentos jogando basquete atrás de uma cerca enorme de metal. Com os

macacões verdes amarrados na cintura, seus peitos cobertos de suor brilhavam

sob o sol quente do verão. A caminhada do carro até o edifício parecia de

quilômetros, ainda mais ao som dos assobios e as cantadas que vinham da quadra

de basquete.

Ela apressou o passo e agarrou a maçaneta da porta gigantesca como se fosse

uma tábua de salvação. Lá dentro, foi recepcionada por um risinho baixo. Kat

ergueu os olhos e viu Anthony Ward, o narcisista diretor da penitenciária.

Ward tinha seus 30 e tantos anos e um rosto redondo e jovial. Os cabelos

estavam penteados com tanto gel que devia estar sufocando os fios. Ele fitou Kat

com seus olhos cinza-escuros e um sorriso rápido que revelou uma covinha funda

em sua bochecha esquerda.

– Srta. Lane – disse ele, estendendo a mão.

Kat a ignorou e tentou se recompor passando a mão pela saia grafite na altura

dos joelhos.

– Sr. Ward.

Retirando a mão com um aceno de rosto envergonhado, ele ficou muito

ereto, na tentativa de parecer mais alto. Kat percebeu que ele fazia isso com

frequência, principalmente perto dos detentos.

Não funcionava. O pobre homem tinha nascido atarracado.

– Então – começou ele. – Como está? Se adaptando bem?

Kat sorriu.

– Sim. Acho que sim.

As aulas dela tinham sido bem tranquilas até então. E seus alunos haviam

parado de usar palavrões como se fossem vírgulas ao falar com ela.

Ward ajustou a gravata.

– Ótimo. Bem, não se esqueça de que vou assistir à sua aula esta manhã. E, se

precisar de alguma coisa, é só vir falar comigo.

– Farei isso. Obrigada.

Ela passou por ele, ignorando a maneira como seus olhos se fixaram em seus

seios. As tendências lascivas e a inabilidade de Ward de enxergar os detentos

como qualquer outra coisa que não lixo a irritavam. Ele não acreditava que os

presos pudessem se aprimorar enquanto estavam encarcerados, e isso fazia com

que a função de Kat ali parecesse inútil. Como resultado, ela o evitava o máximo

que podia.

Quando Kat entrou na sala de aula, ficou agradecida pela brisa gelada do arcondicionado. O

restante do presídio parecia uma sauna. Prendendo os cabelos num coque, ela

se virou quando sua assistente, Rachel, entrou, parecendo ansiosa.

Ela bufou por entre os lábios manchados de vermelho-cereja.

– Jesus, está quente como o inferno hoje – reclamou Rachel, puxando e

soltando a camiseta em uma tentativa inútil de se refrescar.

Rachel tinha sido sua salvadora desde o começo. Especializada em dar

assistência aos detentos com dificuldades de aprendizado, ela ajudara Kat a

conhecer seus alunos rapidamente – em especial Riley Moore, um grandalhão de

personalidade excêntrica que sofria de uma dislexia terrível. Não que isso o

tivesse impedido de se formar em Administração pela Universidade de Nova

York.

Riley era um de seus alunos preferidos. Preso por vender peças de

automóveis roubados, sua estatura de 1,90 metro e os ombros largos botariam

Atlas no chinelo. Ele era engraçado e flertava descaradamente com as duas

jovens. Ao contrário de Ward, contudo, Riley era charmoso e proferia cada

palavra com certa ironia. Era difícil não se encantar com as insinuações

implacáveis, porém inofensivas, que vinham do dono daqueles alegres olhos cor

de mel e rosto barbudo angelical.

Havia outros quatro alunos na sala; todos se mostravam muito empenhados e

tentavam se manter na linha. Kat tinha bastante orgulho de como havia

conseguido discipliná-los. O progresso deles era fantástico.

Dois minutos depois das nove, a voz estrondosa de Riley quebrou o silêncio.

Kat sorriu quando se virou para olhar para ele, acompanhado por um guarda e

seguido dos outros alunos.

– Srta. L! – gritou ele, erguendo a mão para bater na dela. – Bom fim de

semana?

– Foi ótimo, Riley. Obrigada. E o seu?

– Ah, você sabe. – Ele deu de ombros. – Causando confusão aqui e ali,

fazendo os cabelos do Ward caírem mais a cada dia.

Kat reprimiu o riso enquanto Ward entrava na sala com os outros alunos:

Sam, Jason, Shaun e Corey. Jason sorriu meigamente por debaixo dos cabelos

castanhos desgrenhados, enquanto Corey e Shaun ergueram o queixo como

forma de cumprimento. Sam correu até sua carteira e se sentou sem lhe fazer

nenhum gesto. No começo, isso deixava Kat chateada, mas agora ela aceitava

aquilo como parte da rotina que eles tinham construído. Uma rotina que, como

Rachel havia explicado, era de extrema importância para os homens da Arthur

Kill. Para muitos deles, uma programação era tudo o que tinham para se manter

sãos. Ignorando Ward no fundo da sala, Kat deu início à aula, revisando a anterior

e pedindo aos homens que descrevessem seus lugares favoritos usando metáforas

e personificações. Eles começaram a escrever em silêncio.

– Muito bem – disse ela, chamando a atenção da classe de volta para si. –

Quem é o corajoso que vai ler a redação em voz al...

A porta da sala foi aberta com tanta força que esmurrou a parede. Um

guarda irritado, ofegante, olhou para Ward, que se levantou na hora.

– Desculpe interromper, senhor – arfou o guarda. – Mas temos uma situação

na sala seis.

– Quem? – ralhou Ward, atravessando a sala furioso.

– Carter, senhor.

Os olhos de Ward se estreitaram e sua boca se comprimiu em uma linha fina.

Quando a porta bateu atrás dele e do guarda, Kat deu uma olhada em torno da

sala.

– Carter? – perguntou ela.

Riley riu alto, imediatamente eliminando a tensão que Ward sempre deixava

em seu rastro.

– Carter. Caramba. Esse menino não muda nem fodendo.

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