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Capa do romance Temperos da Paixão - O  charmoso cozinheiro da Chef Isabella

Temperos da Paixão - O charmoso cozinheiro da Chef Isabella

Buscando novos ares, a talentosa chef Isabella Dempsey troca Miami pelo Alasca para visitar os amigos Zachary e Gwendolyn. No entanto, ela se vê desafiada a organizar o Natal ideal em meio ao Polo Norte. Nessa jornada culinária, ela conta com a ajuda de Gustaf Bergqvist, o atraente cozinheiro local. Sob a aurora boreal e dias curtos, o espírito natalino e a convivência forçada prometem curar feridas antigas e despertar um novo amor inesperado.
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Capítulo 3

Isabella

— Obrigada.

Em alguns minutos nós dois estávamos na estrada, eu não queria perder tempo para tentar conhecê-lo melhor, então, assim que deixamos a área do aeroporto, eu puxei assunto.

— Então, Gustaf… Você conhece os Monaghan há muito tempo?

— Eu os conheci logo que se mudaram — ele me lançou um rápido olhar.

— Bom, eu poderia dizer que ouvi falar muito sobre você, mas estaria mentindo. Meus amigos nunca citaram seu nome, e acho que isso foi um erro imperdoável — eu lhe ofereci meu melhor sorriso.

— Eu ouvi falar muito sobre você.

— Mesmo? Eu acho difícil acreditar.

— Isabella Dempsey, Izzy para os íntimos, vinte e oito anos, chef de cozinha em um restaurante francês chique e faz a melhor codorna do mundo — ele começou — ahh, e é a melhor tia do universo depois de comprar uma bateria para o pequeno Danny no último aniversário.

Uau, eles falam tanto assim de mim? Por que nunca me falaram sobre ele?

— Tudo bem, essa sou eu, mas não muda o fato de que eu não sei nada sobre você.

— Faça sua pergunta, Isabella Dempsey.

Por qual pergunta eu deveria começar? 

— Onde você conseguiu esse sotaque? — Eu decidi satisfazer a primeira curiosidade.

— Suécia. Próxima pergunta — Ele deu um pequeno sorriso.

Meu olhar percorreu sua mão em busca de um sinal claro de compromisso.

— Você não tem uma aliança —  acabei soltando sem pensar.

— Isso não foi uma pergunta — ele achou graça.

— Você é solteiro ou apenas não chegou ao ponto de colocar uma aliança no dedo? 

Gustaf riu, voltando sua atenção para a estrada.

— Você é bem direta.

— Eu só tenho três semanas de férias, não quero perder meu tempo com uma furada — eu apoiei o braço na janela fechada antes de tentar uma pose sensual, tendo certeza de falhar.

— Eu odiaria se você perdesse seu tempo.

— Então você…

Eu franzi o cenho, me endireitando ao ver uma placa avisando que estávamos saindo de Fairbanks.

Meu coração começou a acelerar ao me dar conta que eu estava em um carro com um completo desconhecido em uma cidade estranha. Eu nem liguei pra Gwen para confirmar a história que ele contou!

— O que você está fazendo? — eu ergui um pouco a voz, surpreendendo o homem.

Ele alternou o olhar entre mim e a estrada parecendo alarmado pela minha súbita reação.

— O que? O que eu fiz? 

— Nós acabamos de sair de Fairbanks! Para onde estamos indo? — eu estava prestes a acerta-lo com a minha bolsa, o que provavelmente seria uma péssima ideia, já que ele estava dirigindo.

O olhar de Gustaf se tornou ainda mais confuso.

— Eu estou te levando para a pousada dos Monaghan!

— Que fica em Fairbanks! — eu ergui a voz.

— Não, a The Little Snowman fica na cidade vizinha e não em Fairbanks. Eu não estou te sequestrando — ele me corrigiu, parecendo relaxar um pouco ao compreender o motivo da minha explosão.

Outra cidade? Mas por que eles nunca me contaram que não viviam em Fairbanks?

— Eu tenho certeza que sempre me falaram que moravam em Fairbanks!  

— O Polo norte fica apenas a 15 milhas de distância, tenho certeza que apenas citaram Fairbanks por ser mais conhecida.

 Gustaf tentou me tranquilizar, mas em minha mente uma única informação dançava.

— Espera, você disse "Polo norte"?

— Sim, é para onde estamos indo — ele confirmou.

— Polo Norte, como O Polo norte?

— Sim — ele franziu o cenho.

— Você está me falando que a minha amiga mudou para a casa do papai Noel. Esse Polo Norte? — eu o encarei descrente.

— Não, Elliot Jones é a única pessoa que vive na casa do Papai Noel. E por que você está repetindo "Polo Norte" toda hora? 

— Quem é Elliot Jones? — minha voz subiu algumas oitavas.

— O Papai Noel — Gustaf me lançou um olhar divertido.

Ótimo, eu provavelmente sofri um acidente e estou em coma em algum hospital. Por que não existe outra explicação para o que está acontecendo!

— Só falta você me falar que o Danny é um duende do Papai Noel — eu murmurei.

— Claro que sim, todas as crianças da cidade são — ele garantiu.

Eu arregalei os olhos, o encarando com uma expressão assombrada!

— Você tá brincando comigo! 

— É claro que estou! — ele riu da minha reação.

Eu mesma não pude evitar rir por ter caído naquela história absurda.

— Que susto, por um momento eu acreditei que meus amigos haviam se mudado para a terra do natal — eu acertei um leve soco no braço do rapaz.

— Eu falei sério sobre o Polo Norte, estava brincando sobre o Danny ser um duende — ele explicou.

Aquela expressão descrente voltou a tomar conta do meu rosto, o sol havia nascido, nos banhando e uma luz dourada, eu olhei para fora a tempo de ver a placa de entrada da cidade.

" Bem vindo ao Polo Norte. A cidade onde o espírito natalino vive o ano inteiro"

— Então é verdade…

— Qual é o seu problema com o natal? — Gustaf perguntou.

— Eu não tenho problema com o natal, apenas não é uma data que Gwen, Zachary ou eu comemoramos — decidi explicar.

Ele me observou por um momento, antes de voltar sua atenção para a estrada.

Aquele lugar era inacreditável, os postes de luz eram em forma de bengala doce, a arquitetura era quase infantil com o tanto de enfeites e os nomes das ruas... 

Rua floquinho de neve, avenida Papai Noel… 

Meu Deus, onde eu vim parar!?

— Vocês tem um Papai Noel gigante na praça da cidade — eu gemi, escondendo o rosto com as mãos.

— Esse é o problema? Você tem medo do Papai Noel? — Gustaf me provocou.

— Eu não tenho medo do Papai Noel.

— Não é o que parece, e isso explica a sua reação.

Eu revirei os olhos, já irritada por estar presa naquela loucura.

— Eu não tenho medo do Papai Noel — eu pontuei.

— Então, se eu parar na casa do Papai Noel agora, você vai tirar uma foto com ele?

— Gustaf, se eu quisesse sentar no colo de um velho barrigudo e barbudo, era só eu visitar qualquer moto clube de Miami, não precisava vir ao Alasca! 

Minha pequena explosão arrancou uma gargalhada do rapaz, que parecia estar se divertindo com toda aquela situação.

— Não precisa se envergonhar, é normal ter medo. Conheci muitas pessoas que tinham medo do Papai Noel.

Eu me limitei a lançar um olhar cansado em sua direção.

— Na verdade, eram bebês, eu nunca vi um adulto com medo do Papai Noel, mas não precisa ter vergonha — ele continuou.

— Falta muito pra chegar? — eu murmurei, decidindo ignorá-lo.

Gustaf indicou um grande sobrado que tinha a forma de uma cabana. Aquele lugar estava longe de ser um grande hotel, mas tinha espaço para no mínimo cinco quartos. Não era algo grande, mas para uma pousada no polo norte, devia ser o suficiente!

Polo Norte. Que loucura!

— Eles estão começando a enfeitar hoje — Gustaf apontou uma rena solitária na frente do hotel — quando cheguei estavam tirando todas as caixas do sótão.

— Eu pensei que aqui fosse natal o ano inteiro — eu franzi o cenho quando ele estacionou em frente a pousada.

— Não é bem assim, nós mantemos o espírito natalino durante o ano, mas fazemos algo especial para dezembro. Principalmente os Monaghan.

Aquilo era difícil de acreditar. Quantos natais nós simplesmente ignoramos enquanto vivíamos em Montana?

— Eu te ajudo a descer — ele desligou o carro, logo saltando para fora.

Eu abri a porta depressa, descendo antes que ele me alcançasse.

— Não precisa, eu…

Ao pisar no chão congelado eu senti minha bota escorregar. Eu gostaria de ser romântica e dizer que Gustaf foi rápido o suficiente para me segurar e impedir minha queda, mas não foi o que aconteceu. Nem mesmo a quantidade de roupa que eu vestia amorteceu o impacto, por um segundo eu senti meu mundo girar quando bati a cabeça no chão ao cair de costas.

O sol brilhava com força no meu rosto, apesar de não ser quente, e eu pude ouvir Gustaf se aproximar apressado.

— Isabella, você está bem? — Ele se abaixou ao meu lado.

— O que você acha? Eu apostava que cairia na saída do aeroporto e não aqui— Eu gemi tentando me sentar.

— Vem, eu te carrego.

Gustaf tentou passar os braços por baixo de mim, mas eu logo me afastei, me livrando dele.

— Não precisa!

— Você pode ter se machucado, deixa eu te ajudar — ele Insistiu.

Eu me esforcei, me colocando em pé em seguida. Então, sem nenhum aviso, ele se inclinou, me pegando no colo com facilidade, passando a caminhar em direção a casa.

— O que você está fazendo? — eu reclamei.

— Você pode ter se machucado — ele repetiu.

— Eu posso andar! 

Mas sabia que meus protestos eram em vão, principalmente porque já estávamos chegando na porta da cabana.

— Por que você é tão teimosa? Não precisa ter medo, eu não sou um papai Noel! — Gustaf gracejou ainda me carregando.

— Pela última vez, você pode esquecer essa história de…

Antes que eu terminasse a frase, a porta da frente se abriu, revelando Gwen.

— Papai Noel — eu terminei a frase com um fiapo de voz.

— Izzy, Gustaf? o que aconteceu? — Gwen alternou o olhar entre nós parecendo confusa.

Dentro do hall de recepção do hotel estava um casal que eu não conhecia, Danny e outro garotinho da sua idade brincavam entre tantas caixas espalhadas.

— Eu sabia! Sabia que depois da última ligação da Alva exigindo bisnetos você se casaria com a primeira que encontrasse — O rapaz, que tinha olhos extremamente verdes, provocou Gustaf.

Quem é Alva? Eu virei o rosto para observar sua reação.

— Por que ao invés de falar besteira você não abre espaço no sofá, Dixgard? — Gustaf murmurou, parecendo constrangido pela insinuação.

— O que aconteceu? — Gwen Insistiu.

— Ela caiu quando desceu do carro, e…

— Eu estou bem, eu disse que você me carregar para dentro seria um exagero — eu me levantei assim que Gustaf me colocou no sofá.

Gwen veio e me obrigou a me sentar, assumindo o lugar ao meu lado.

— Tia Izzyeeeee — Danny correu em minha direção, me escalando com agilidade antes de me abraçar.

— Hey, meu pimentinha. Como você está? — eu o abracei esperando uma resposta. 

Então, sem o menor aviso, ele pulou para o chão e começou a correr de um lado para o outro, gritando a plenos pulmões. Eu encarei a cena boquiaberta, principalmente pelo fato de todos ignorarem o menino, prosseguindo em seus afazeres.

— Izzy, eu posso falar com você um pouco? — Gwen indicou uma porta atrás do balcão de recepção com a cabeça.

Nós nos levantamos, deixando aquela bagunça para trás. Gwen entrou na sala, fechando a porta atrás de si enquanto eu observava  um escritório simples.

— Ele está bem?

— Não se preocupe, Danny descobriu a capacidade pulmonar dele e tem explorado bastante. É bem irritante, mas a gente descobriu que se ignorar, ele se cansa depressa — ela sorriu, mas algo em sua expressão me preocupou.

Aquela estava longe de ser a recepção que eu esperava, principalmente levando em conta que não nos víamos há dois anos. Sem nenhum aviso, Gwen se lançou em minha direção, me envolvendo em um abraço apertado.

— Que bom que você está aqui, é tão bom te ver — ela respirou fundo.

Aquilo estava longe de ser normal.

— Aconteceu alguma coisa? Onde está o Zach? — Eu me afastei para olhar em seu rosto.

Minha amiga suspirou, confirmando minhas suspeitas. Alguma coisa estava acontecendo e não era bom.

— Seiko ligou agora a pouco.

Eu a encarei sem saber o que dizer por alguns segundos. Aquilo era péssimo, como que ela os encontrou?

— Por que ela tem o seu telefone?

— Kate passou para ela!

A indignação começou a crescer em mim com aquela informação. De todas as pessoas, Kate era a última que deveria ter feito isso!

— Ela mais do que ninguém sabe o que fizeram com ele, como ela pode? — eu ergui um pouco a voz recebendo um olhar cansado da minha amiga.

— Elijah está no hospital.

Aquilo era para me comover? Porque eu não dava a mínima para o estado de saúde daquele monstro!

— Grande coisa, quantas vezes ele mandou o Zach pro hospital? 

— Seiko disse que os médicos já o desenganaram, ele quer ver o Zach uma última vez — ela fez uma careta.

Ótimo, agora que está morrendo teve uma crise de consciência.

— O Zach está arrumando a mala agora — Gwen suspirou.

— Você não vai deixar ele fazer isso sozinho, certo? 

— Bom, isso que eu queria falar com você. Você pode cuidar do Danny e do hotel por alguns dias? Eu sei que você veio para descansar, mas eu não vou levar o Danny para Minneapolis, e a temporada da cabana do Papai Noel começa em alguns dias — ela suplicou.

Bom, isso estava longe de ser as férias que eu esperava, mas eu não poderia negar esse favor a ela, principalmente com tudo o que estava acontecendo. 

— Você pode ir sem se preocupar, Gwen. Eu cuido de tudo.

E eu faria o melhor para ajudar meus amigos naquela situação.

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