
Te Compro, Amor
Capítulo 2
- Mas que brincadeira mais sem graça, Dona Lourdes! Só porque eu falei que nem com a morte de alguém... Olha, se isso for... - Chris olhava as lágrimas escorrendo do olho dela e seu completo congelamento. Transtornado, olhou para a "virgem" e ela parecia aterrorizada. - Não, o velho Bill é invencível... Nada derruba aqui homem! Estava bem, com saúde de ferro! Seguro, nunca ninguém chega perto dele! - Tentava buscar alguma justificativa que fizesse sentido para aquela notícia que, para ele, era inaceitável.
- Infarto fulminante. Mesmo sendo atendido prontamente, tentaram fazer massagem na hora mas...
- NÃO! - Chris cortou a explicação de Lourdes com um grito ensurdecedor. - Não é verdade!
Ele começou a andar pelo quarto, trajando apenas a espécie de sunga que ele usava. Tempestivamente, começou a derrubar o que encontrava pela frente, a quebrar tudo, chutar, socar.
A garota, que ainda estava na cama, mas já vestida, levantou com medo, correu e por pouco não foi atingida por um de seus golpes ensandecidos.
- Sai daqui! Sai agora! - Ele gritou e as duas o deixaram, fechando a porta.
Sua fúria foi tamanha que ele praticamente desmontou o quarto por completo, não deixando nada intacto. Seus braços, seu peito, suas pernas, ficaram marcados, arranhados, com alguns pequenos cortes. Sangue escorria de seus dedos, vítimas dos murros que aplicou.
- Seu desgraçado! Por que tinha que fazer isso? Você me prometeu! Prometeu que não iria cedo! - Do grito da primeira pergunta, ele caiu de joelhos, murmurando o resto da frase, aos prantos.
Mas, no enterro, toda lágrima já estava contida, apesar do evidente sofrimento que se demonstrava para todos. Cara inchada, olhos vermelhos, mãos machucadas. Ainda assim, fazia o que o homem dentro daquele caixão havia mais lhe ensinado: nunca deixe que vejam sinais de sua fraqueza. A quantidade de pessoas que o cumprimentavam, oferecendo condolências, era infindável. Ele detestava isso, detestava pessoas. Para ele, toda a raça humana era desprezível. Não havia no mundo alguém que fizesse qualquer coisa que não fosse por interesse próprio. Seu sofrimento, ele sabia, não era pelo pai, mas por ele mesmo. A dor era por sua perda, pela ausência que ele teria, daquela figura, que mesmo dentro de seus defeitos, era todo o alicerce que ele tinha, tudo que mantinha a vida dele como era. E todas aquelas pessoas queriam apenas ser lembradas. Queria que seus rostos ficassem em sua memória, na hora que precisassem fazer qualquer coisa que fosse do interesse deles e dependesse do dinheiro das empresas de seu pai. Empresas que agora seriam dele, único herdeiro.
Na verdade, a palavra certa seria Império! E o príncipe teria que ser o novo Rei. O que ele faria?
Centralizador, seu pai nunca abriu capital para investidores. Nunca deixou pessoas assumirem suas funções de liderança, cuidava de todo com mãos de ferro. E o filho nunca tinha chegado na hora certa de aprender, na opinião dele.
Agora, teria que ser na marra.
Mensagens não paravam de chegar.
Algo que o deixou impressionado foi a quantidade de ex-namoradas, ex-ficantes, até mesmo mulheres que ele nem sabia o nome, que mandaram textos e mais textos. A maioria deles tinha a frase: "independente de qualquer coisa... pode contar comigo para tudo que precisar".
Ele devia ter magoado muito mais garotas do que imaginava. Talvez por isso, também, tivesse ficado mais cético diante da possibilidade de relacionamentos. Mesmo, Simone, a última oficial, aquela que ele tinha realmente feito de gato e sapato, que tinha todos os motivos do mundo para nunca mais olhar na sua cara. Mesmo ela, mandou mensagem, deixando claro que estava disponível para o novo bilionário, não importava de que forma.
Essa mistura de pensamentos e sentimentos o atormentava.
Quando estava já pronto para ir embora, uma mulher, que mesmo naquela situação, toda de preto, como todos ali, conseguia se destacar de forma deslumbrante, vinha em sua direção. Seu vestido, colado ao seu corpo, ressaltava seu corpo que parecia ter sido milimetricamente esculpido por Deus, por um incrível personal, por um ótimo cirurgião plástico ou por todos juntos.
Com seu salto alto, chegava quase a altura de Chris e seu andar era hipnotizante. Cabelos lisos, escuros feito a noite, bem compridos. Rosto angelical, de tal forma que fazia Chris imaginar se era mesmo um anjo bom ou maligno, pronta para todo tipo de devassidão por baixo daquela imagem.
- Meus sentimentos, Sr. Christopher! - Sua voz, para completar, doce e suave e ao mesmo tempo firme.
- Te agradeço, mas me desculpe, não estou com clima para me aproximar de alguém, sério, tanta gente já veio me procurar hoje... Mas confesso que você se destaca muito! Me procure em outro momento, tá bem? - Chris já tirou suas conclusões e se antecipou. Ela sorriu, o encarou por mais alguns segundos e só então ele percebeu que ela carregava um envelope.
- Imagino que se tornar um novo bilionário possa atrair muita gente, mas apesar de ser exatamente esse o motivo de eu estar aqui, não é da forma que você está imaginando. Eu sou a Dra. Melanie, eu represento um outro tipo de pessoas que está atrás do seu dinheiro. Sinto ter que fazer isso agora, não é o momento mais oportuno, mas as coisas acontecem muito rapidamente. Esse documento é um contrato de acordo de corpo de diretores de suas empresas. São condições para manutenção de hierarquia de nova gestão antes da possibilidade de ajuizamento, no caso de você pensar de outra forma.
- Você está me dizendo que os diretores da empresa de meu pai te mandaram aqui, no enterro dele, para me intimidar com algo que eu ainda nem sei o que é, para assumirem o comando? Eu ainda não os conheço, não faço a mínima ideia do que irá acontecer, mas diga a eles que eu não sou nem meu pai, nem o moleque que eles devem imaginar que eu seja. Que se eles acham que podem me manipular agindo assim, eles estão muito enganados, pois ao invés do meu apoio, eles conseguiram uma reação oposta da minha parte! - Chris respondeu de forma indignada.
- Admiro sua reação, mas sugiro que leia primeiro o documento, avalie. Seria interessante procurar um advogado também - ela disse, já virando-se para ir, com um charme que claramente balançou todas as estruturas dele.
- O que acha de ser você? - Perguntou, ainda.
- Eu já defendo a parte contrária - ela respondeu.
- Pago o dobro! - Insistiu.
Melanie voltou, chegou bem perto dele, olhou em seus olhos e respondeu:
- Procuro entrar em causas nas quais eu acredito. Sua proposta claramente desmonta qualquer possibilidade, que já não existia, que me pudesse fazer pensar em mudar de lado - Falou pausadamente, num tom baixo que fez Chris desejar ter aquela mulher por completo, em todos os sentidos.
- Você se tornou meu novo desafio, Dra. Melanie! - Ele ainda disse, enquanto ela se distanciava.
Você pode gostar





