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Capa do romance Tatsuya - A Rainha Dragão

Tatsuya - A Rainha Dragão

Após perder a mãe para uma enfermidade, Tatsuya vê seu pai sucumbir à tristeza e partir em uma busca desesperada pelas pedras elementais para ressuscitá-la. Contudo, ele acaba morto em combate contra os Elfos da Lua. Agora, Tatsuya se vê forçada a herdar o trono e assumir a perigosa missão de concluir o objetivo paterno. Ela enfrentará desafios épicos para honrar seu legado e restaurar sua família em uma jornada repleta de ação e perigos mortais.
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Capítulo 3

Assim que cheguei ao acampamento comecei a colocar as coisas em ordem.

Mandei fazerem mais armadilhas em volta de todo o lugar e aumentarem as vigias, pois passaríamos a noite ali.

Nossos inimigos, os elfos de gelo, eram mais fortes à noite, por isso precisávamos esperar o amanhecer antes de ir atacá-los, e estávamos próximos demais de seu território para sermos descuidados.

A terra dos elfos ficava à beira do mar, mas não era tão distante do vulcão, onde se encontrava o meu castelo e o reino dos homens.

Eu precisava surpreender os elfos com um ataque forte e direto, acabando com eles de uma vez só e invadindo seu castelo. Era o único jeito de completar a missão de meu pai.

Eu era uma guerreira nata e nasci com a guerra em minhas veias, porém não gostava de derramar sangue em vão. Meu plano era manter o reino dos elfos intacto, desde que eles me entregassem o que eu queria.

O general Ulrick se aproximou de mim e se pôs de joelhos.

— Majestade... — ele cumprimentou — Não a esperava tão cedo.

— E o quê eu tenho a esperar? — perguntei — Se recuarmos agora não conseguiremos vencer.

Ele assentiu e então se levantou.

— Gostaria que eu lhe mostrasse as suas instalações?

Seu braço se estendeu para mim e eu o segurei, seguindo-o até uma enorme barraca no centro do acampamento.

— Aqui está. — ele disse ao estender a mão em direção à barraca.

— Vai entrar comigo? —perguntei.

— Achei que estaria de luto, majestade.

— É exatamente por isso que quero a companhia do meu noivo. — eu respondi pegando-o pela mão.

Ulrick, como sempre, não questionou e apenas me seguiu para dentro, onde eu o agarrei pela nuca e o beijei com desejo.

Não nos víamos desde que aquela batalha havia começado, quando ele viajou junto com meu pai para comandar os soldados. Eu havia sentido a falta dele, mesmo que a nossa relação não fosse a mais romântica e amorosa do mundo, afinal havíamos sido prometidos um ao outro contra nossa própria vontade, quando ainda éramos crianças.

— Tire as roupas. — eu ordenei.

Ele me obedeceu sem hesitar e então eu o empurrei sobre a cama, deixando-o apenas a me observar enquanto eu tirava minha própria armadura, sem nenhuma pressa.

Pouco tempo depois eu estava sobre ele, com nossos corpos unidos mais uma vez, num frenesi descontrolável, seguindo o ritmo do nosso próprio desejo. 

Por um momento eu me senti um pouco mais viva e um pouco melhor.

...

Ao nascer do sol nós começamos a nossa marcha em direção a terra dos elfos.

Eu preferia fazer o trajeto montada em meu dragão, mas eu precisava acompanhar o exército de perto, então fui caminhando juntamente com eles.

Aos poucos o ar começou a ficar mais gelado, nos avisando de que estávamos chegando.

Montamos um novo acampamento ali mesmo, nos armamos e nos preparamos.

Quando o sol estava prestes a alcançar seu pico foi quando iniciamos o ataque.

Os soldados inimigos estavam acampados aos arredores do vilarejo e ao nos avistar vieram em nossa direção.

Estávamos todos prontos para a luta, com nossas armas em punho e determinação estampada no rosto, mas então uma onda de flechas veio em nossa direção e eu percebi que havíamos caído em uma armadilha.

Elfos arqueiros estavam escondidos entre as árvores e nos alvejavam, mas eu também tinha uma carta na manga.

Ergui meu escudo para me defender das flechas e me concentrei por um momento. Logo uma grande sombra surgiu sobre nós e eu ergui minha mão.

— Parados! — eu gritei a ordem para o meu exercito.

Nesse momento uma labareda de fogo surgiu, vinda de Vuur, meu amado dragão.

Sorri ao ouvir os gritos de dor dos elfos, enquanto nós sentíamos apenas o calor da distância em que estávamos. Porém meu sorriso aos poucos se desmanchou quando, ao invés de arderem em chamas e se tornarem cinzas, muitos elfos ainda permaneceram intactos, cobertos por uma camada de gelo que parecia, de alguma forma, resistir ao fogo.

Suspirei e então segurei minha espada com mais firmeza.

— Atacaaaar! — gritei com toda a força e corri.

Teríamos que enfrentá-los cara a cara e era exatamente isso o que eu queria.

Nossos exércitos se encontraram, chocando-se uns contra os outros.

Vuur sobrevoava a batalha, mas não lançou mais as suas chamas, seria arriscado demais, pois somente eu era imune ao seu fogo.

Assim que avistei o primeiro elfo de gelo movi minha espada com rapidez e agilidade, cortando fora a sua cabeça antes que pudesse reagir. Outro elfo tentou me atacar do lado esquerdo e eu então usei minha outra mão para lançar sobre ele uma rajada de fogo, usando pela primeira vez a magia que herdei de meu pai.

Mais elfos vieram em minha direção. Havia muitos deles e, ao contrario dos meus soldados, eles possuíam magia de gelo e estavam nos massacrando.

Tínhamos que ser rápidos, pois quando o sol se fosse eu ficaria mais fraca e os elfos mais fortes.

Avancei atacando com a espada e com fogo, tentando matar aqueles malditos elfos, mas eles eram resistentes, rápidos e poderosos. Muitos conseguiam resistir aos meus ataques e me contra-atacavam com gelo, quase conseguindo me acertar.

A batalha estava indo muito mal e eu comecei a cogitar a ideia de recuar, porem minha teimosia me fez prosseguir. Não havia como voltar agora que estávamos ali, no meio de uma batalha intensa. Eu ainda estava viva e continuaria lutando.

De repente, no meio de todo aquele caos, eu percebi algo interessante. Bem mais a frente os soldados elfos formavam um circulo em volta de alguém, um rapaz alto, magro, branco como a neve, de cabelos também brancos, curtos e penteados para trás. Por sua roupa e pelo enfeite em forma de cervo sobre sua cabeça eu soube que ele era da realeza.

O tal príncipe estava de pé ali, com seus olhos fechados, e eu percebi uma áurea emanando dele. Ele estava usando magia para controlar aquela batalha de alguma forma.

Puxei o ar com força e fui em sua direção.

Imediatamente vários elfos se posicionaram em meu caminho, me atacando ferozmente.

— Me deem cobertura! — eu gritei para os soldados mais próximos, que logo vieram para perto de mim e me ajudaram a abrir caminho.

Fui avançando em linha reta, sem tirar os olhos do meu alvo, derrubando um a um os elfos que se colocavam a minha frente.

Faltava apenas mais um, um único elfo me separava do príncipe de gelo.

Com toda a minha força eu o ataquei, jogando uma rajada de fogo em seu rosto e depois o golpeando no peito. Quando este caiu eu voltei meu olhar para o alvo mais uma vez e foi quando ele abriu os olhos.

Por um momento seu olhar encontrou o meu e então tudo parou. O mundo a minha volta parecia não mais se mover, todos estavam como se fossem estatuas e eu não consegui desviar meu olhar daqueles olhos cinzas e brilhantes que mais pareciam duas bolas de gelo. O frio me invadiu por completo e então veio a dor, uma dor tão profunda que me tirou o ar e me fez desejar a morte.

Mil espinhos de gelo pareciam estar me perfurando de dentro para fora e meu coração parecia estar sendo esmagado.

Quis gritar, mas não houve som algum, apenas o desespero mais profundo e esmagador que eu já havia sentido na vida.

Caí de joelhos e então finalmente pude gritar, um som alto e assustador que nem parecia estar saindo de mim.

Tudo parecia estar perdido naquele momento e eu tive certeza da minha morte, mas surpreendentemente a dor sumiu e então eu vi meu dragão, lançando fogo sobre o meu opositor, fazendo com que sua atenção se desviasse de mim.

Logo estávamos os dois cobertos pelas chamas, mas eu era totalmente imune a elas, queimando apenas meus cabelos, que ainda estavam curtos desde a ultima vez que os queimei.

Prendi a respiração e me acalmei. Toda e qualquer chama poderia ser controlada por mim.

Contive o fogo e o direcionei para o príncipe elfo, na intenção de queimá-lo totalmente e transformá-lo em cinzas, descontando nele toda a raiva que sentia, mas nesse momento Ulrick se aproximou de mim e colocou sua mão sobre o meu ombro.

— Espere. — ele pediu — Não o mate ainda.

Dissipei o fogo por um momento e olhei confusa para o meu noivo.

— Ele é o príncipe e deve saber onde a pedra está. — ele explicou.

Olhei de volta para o príncipe e para a minha surpresa ele ainda estava vivo e não estava queimado.

O elfo estava de joelhos, com os olhos fechados e com um escudo de gelo em volta de si. Ele parecia exausto e caiu de cara no chão, desfazendo a proteção de gelo e com o corpo saindo fumaça. Mesmo não tendo se queimado, ele havia se superaquecido.

— Use isso. — Ulrick disse me entregando algemas de contenção.

Acenei com a cabeça e fui colocar as algemas no príncipe, enquanto os outros elfos aos poucos paravam de lutar e se entregavam, percebendo que perderam seu líder.

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