Capa do romance Tarde Demais Para o Seu Grande Remorso

Tarde Demais Para o Seu Grande Remorso

9.4 / 10.0
Após dez anos de dedicação total ao marido, Heitor, vejo meu casamento ruir ao descobrir seu envolvimento com a estagiária Kaila. A traição se torna fatal quando ele defende o agressor de minha irmã, Aline, levando-a ao suicídio. Após Kaila profanar as cinzas de Aline, Heitor finalmente percebe a crueldade da amante e implora pelo meu perdão com um pedido público. Porém, o sangue e a dor não se apagam; diante de seu remorso tardio, minha resposta é um firme não.

Tarde Demais Para o Seu Grande Remorso Capítulo 1

Por quase uma década, fui a esposa perfeita de Heitor Bastos, sacrificando meus próprios sonhos para apoiar sua ascensão meteórica. Mas quando vi uma foto dele na festa de gala da empresa com sua jovem estagiária, Kaila, a mão dele nas costas dela e um sorriso que eu não via há anos, soube que meu casamento tinha acabado.

Meu mundo desmoronou ainda mais quando minha irmã mais nova, Aline, foi agredida por seu chefe. Implorei a Heitor, um advogado de ponta, que a ajudasse. Ele recusou friamente, alegando que sua agenda estava lotada, apenas para mais tarde aparecer no tribunal como o advogado de defesa do agressor da minha irmã — que acabou sendo o irmão de Kaila.

A traição foi absoluta. Alimentada pela campanha online cruel de Kaila, Aline foi levada ao suicídio, pulando do telhado do fórum enquanto Heitor e eu assistíamos. O golpe final e repugnante veio quando Kaila profanou o túmulo de Aline, misturando suas cinzas na terra de um jazigo que ela queria para seu cachorrinho morto.

Heitor, finalmente vendo a natureza monstruosa de Kaila, puniu brutalmente ela e seu irmão. Ele voltou para mim, quebrado e implorando por perdão, até mesmo encenando um grande pedido de casamento público.

Ele achou que seu remorso poderia apagar o sangue em suas mãos e as cinzas no chão.

Eu olhei para o homem que havia destruído minha vida e lhe ofereci uma única palavra.

"Não."

Capítulo 1

Ponto de Vista de Cora

Meu estômago se revirou, um pavor gelado me dominando enquanto eu rolava pelo feed infinito de fotos. Heitor não estava apenas ausente ao meu lado na tão esperada festa de gala da empresa, aquela sobre a qual conversamos por semanas. Ele estava lá. Com ela. Kaila. Sua jovem e adoradora estagiária.

Minha respiração falhou. A imagem estava estampada nas redes sociais do escritório, uma foto espontânea da mão de Heitor repousando levemente na parte inferior das costas de Kaila, sua cabeça inclinada na direção dela, um sorriso que eu não via há anos enfeitando seus lábios. Os olhos dela, grandes e inocentes, olhavam para ele. Ela parecia pertencer àquele lugar. Bem ao lado dele.

Ele me disse que teve uma emergência de última hora, uma reunião crítica com um cliente que não podia ser remarcada. Ele beijou minha testa, um gesto apressado e distraído, e então se foi. Eu acreditei nele. Tolamente.

A bile subiu pela minha garganta. Corri para o banheiro, o elegante vestido que eu havia escolhido para a noite parecendo uma mortalha. Agarrei a porcelana fria, esvaziando meu estômago até não sobrar nada além de ânsias secas e um arrependimento ardente.

Por quase uma década, eu fui a Sra. Heitor Bastos. Sua esposa. Sua parceira. Sua âncora. Eu havia sacrificado minhas próprias ambições, meus próprios sonhos, para apoiar sua ascensão meteórica. Eu fui a força silenciosa por trás do carismático advogado corporativo, a mulher que administrava sua casa, sua agenda social, todas as suas necessidades. Mas naquele momento, vendo aquela foto, eu soube que era apenas um fantasma em sua vida. Uma conveniência.

A decisão não veio de repente. Foi um sangramento lento e agonizante, cada gota de traição uma confirmação. Aquela foto foi apenas a ferida final e aberta. Deitei no chão frio do banheiro, a seda cara do meu vestido amontoada ao meu redor, e encarei o teto. O teto da luxuosa cobertura na Avenida Paulista que eu o ajudei a construir. A casa que agora parecia uma gaiola dourada.

Quando o sol finalmente entrou pela janela, pintando o quarto em tons de ouro pálido, minha mente estava clara. A dor ainda estava lá, uma pontada surda no meu peito, mas por baixo dela, algo novo havia se solidificado. Uma determinação dura como aço.

Levantei-me, tomei banho e vesti roupas simples. Minhas mãos não tremeram quando peguei os documentos legais que eu havia preparado secretamente meses atrás. Papéis do divórcio. Assinados por mim, datados, prontos.

Heitor entrou mais tarde naquela noite, sua pasta de couro em uma mão, a gravata já afrouxada. Ele parecia cansado, mas também... feliz. Satisfeito. O tipo de satisfação que eu costumava lhe trazer. Agora, eu sabia, vinha de outro lugar.

"Cora? O que há de errado?" ele perguntou, sua voz tingida com aquela preocupação paternalista que ele reservava para quando eu parecia "frágil".

Eu não respondi. Simplesmente caminhei até a mesa de centro e coloquei a pilha de papéis na frente dele. O som foi suave, mas na sala silenciosa, foi ensurdecedor.

Ele olhou para baixo, seus olhos percorrendo as letras em negrito: PETIÇÃO DE DISSOLUÇÃO DE CASAMENTO. Uma risada sem humor escapou de seus lábios.

"O que é isso, Cora? Algum tipo de piada?" ele zombou, largando a pasta com um baque.

"Não, Heitor," eu disse, minha voz firme, surpreendendo até a mim mesma. "Não é uma piada."

Ele pegou os papéis, folheando-os rapidamente. Sua testa se franziu, um lampejo de surpresa genuína em seus olhos, rapidamente substituído por um divertimento desdenhoso.

"Isso é sobre a festa?" ele perguntou, seu tom zombeteiro. "Você está se divorciando de mim porque eu levei a Kaila a um evento da empresa? Sério, Cora? É a isso que você se reduziu?"

Eu não o corrigi. Deixe-o pensar que era algo tão trivial. Combinava com sua narrativa. Significava que ele não precisava encarar os anos de negligência lenta e dolorosa.

Ele jogou os papéis de volta na mesa. "Tudo bem," ele disse, um sorriso presunçoso brincando em seus lábios. "Se você quer sair, Cora, fique à vontade. Mas não venha chorando quando perceber o que abriu mão." Seus olhos se estreitaram. "Você é muito dependente de mim. Sempre foi. Você não vai durar um mês sozinha."

"Eu não vou me arrepender," eu disse, encontrando seu olhar diretamente. Minha voz estava calma, firme.

Seu sorriso vacilou um pouco. Ele pegou uma caneta da mesa. "Você tem muita coragem, me trazendo isso já preenchido. Tentando me encurralar?" Ele assinou seu nome com um floreio, seu olhar fixo no meu. "Pronto. Feliz agora? Vá em frente, Cora. Vá encontrar sua liberdade. Só não diga que eu não avisei quando você voltar rastejando."

Bem quando eu estava prestes a responder, meu celular, virado para baixo na mesa, vibrou violentamente. O celular de Heitor. Ele o pegou, sua expressão suavizando instantaneamente. "Kaila? O que houve, querida?"

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Tarde Demais Para o Seu Grande Remorso de Conteúdos

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