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Capa do romance Tarde demais para o seu arrependimento vão

Tarde demais para o seu arrependimento vão

Aurora acreditava viver um conto de fadas com Heitor, seu herói de infância e marido ideal. Contudo, a perfeição ruiu após provas de traição revelarem um monstro que desprezava seu corpo pós-parto. Heitor não apenas a humilhou, mas destruiu sua família, deixando seu pai na UTI e Aurora fisicamente incapacitada. Diante de tanta crueldade e desprezo, o amor morreu. Agora, ela busca vingança ao contatar Jackson, um antigo aliado, pronta para cobrar uma proposta do passado.
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Capítulo 1

Meu marido, Heitor, era meu herói de infância, o homem perfeito que me prometeu a eternidade. Depois que nosso filho nasceu, ele parecia o pai perfeito também.

Então, uma mensagem anônima apareceu no meu celular: Heitor Bastos está te traindo. Eu tenho provas.

Mas o homem que descobri não era apenas um traidor. Ele era um monstro que zombava do meu corpo pós-parto com a amante dele.

"Todo aquele trauma do parto... É demais", ele disse, enojado.

Ele me humilhou publicamente, causou um acidente que me deixou com a perna inutilizada e levou a empresa da minha família à falência, colocando meu pai na UTI.

Este era o mesmo homem que uma vez quebrou a própria mão para me proteger, o garoto que jurou que me amaria para sempre.

Como ele pôde se tornar esse estranho cruel que me olhava com nada além de nojo?

Enquanto ele me deixava em pedaços e me culpava por tudo, o amor que eu sentia por ele finalmente morreu.

Peguei meu celular e liguei para um número que não discava há anos.

"Jackson", eu disse, minha voz fria como gelo. "É a Aurora. Preciso da sua ajuda. Lembra da sua proposta?"

Capítulo 1

Aurora POV:

O celular vibrou no travesseiro de seda ao meu lado. Era uma mensagem anônima no Instagram. *Heitor Bastos está te traindo. Eu tenho provas.* Minha respiração ficou presa na garganta. Eu não conseguia respirar, não com aquela frase me encarando.

Heitor estava na cozinha, cantarolando baixinho enquanto limpava as bancadas de mármore. O cheiro de café e seu perfume familiar entraram no quarto. Ele parecia tão perfeito, tão doméstico. Ele sempre fazia questão de limpar tudo depois de seu treino na academia de manhã.

Ele entrou, um sorriso gentil no rosto, um copo de suco de laranja espremido na hora na mão. "Bom dia, meu amor", ele disse, sua voz uma carícia quente. Ele se inclinou, depositando um beijo suave na minha testa. "Dormiu bem?"

Eu assenti, minha mente gritando. Este era Heitor. Meu Heitor. O homem que havia conquistado um lugar no meu coração desde que éramos crianças. Ele não podia estar me traindo. Não era possível. A ideia era uma piada cruel.

Lembrei-me do dia em que ele me disse que me amava pela primeira vez. Tínhamos dez anos, brincando na enorme casa de veraneio de sua família em Angra dos Reis, e ele jurou que se casaria comigo, seus olhos cheios de uma promessa sincera.

Quando éramos adolescentes, ele deu um soco num cara do terceiro ano que tentou me encurralar depois de uma festa da escola, quebrando a própria mão só para me manter segura. Ele não se importou com a dor. Ele só se importou que eu estava chorando. Ele me olhou, com os olhos machucados, mas ainda conseguiu dar um sorriso torto.

Nossa festa de noivado, sob um dossel de luzes pisca-pisca no Parque Ibirapuera, parecia um sonho. Ele me girou, sua risada ecoando, dizendo a todos que podiam ouvir que eu era a única mulher que ele amaria para sempre.

Ele era quem sempre me trazia sopa quando eu estava doente, quem se lembrava das minhas flores favoritas, quem segurava minha mão em cada medo e em cada triunfo. Ele estava lá quando me formei, quando comecei meu primeiro emprego, quando compramos nossa primeira casa. Ele era a única constante na minha vida.

Ele foi o homem que escolheu minhas roupas de grávida com tanto cuidado, que passou noites acordado lendo livros sobre bebês, que apertou minha mão em cada contração, seu rosto uma máscara de preocupação e adoração. Ele era o marido perfeito, o pai perfeito.

Não. Isso era um erro. Uma piada cruel e doentia. Alguém estava tentando brincar com a gente.

O celular vibrou novamente. Meu estômago revirou. *Verifique a mala da academia dele. Você vai encontrar a prova.*

Meu coração martelava contra minhas costelas. Um pavor frio percorreu meu corpo. Olhei para a mensagem, um tremor passando pelas minhas mãos. Não. Eu não faria isso. Eu não podia.

Mas meus pés já estavam se movendo. Caminhei até o closet, meus movimentos rígidos, robóticos. A mala da academia dele estava no chão, esquecida após o treino matinal. Meus dedos desajeitados abriram o zíper.

E lá estavam elas. Escondidas sob uma camiseta suada. Duas camisinhas usadas. Minha visão ficou turva. O mundo girou. O cheiro do perfume de Heitor, antes reconfortante, agora se tornou enjoativo. Era um cheiro de traição.

Eu tropecei para trás, meus joelhos cedendo. Caí no tapete macio, as mensagens anônimas piscando em minha mente. A verdade me atingiu como um golpe físico. Ele fez isso. Ele me traiu.

Meus dedos, ainda tremendo, tocaram no perfil do Instagram. Era privado. Cliquei em "Seguir". Um segundo depois, a solicitação foi aceita. Outra mensagem apareceu. *Vá ao Clandestino Jardins hoje à noite. 21h. Ele está lá com ela.* Era um endereço, um bar exclusivo e sofisticado no Itaim Bibi.

Senti uma necessidade desesperada e primitiva de ver, de confirmar este pesadelo. Eu precisava ver com meus próprios olhos.

O bar era mal iluminado, uma névoa de perfume caro e conversas sussurradas. Encontrei um canto isolado, meu coração batendo forte, meus olhos varrendo o salão. Então eu o vi. Heitor. Ele estava rindo, a cabeça jogada para trás, com uma mulher que eu reconheci. Kátia Jordão, sua analista júnior ambiciosa.

Meu sangue gelou enquanto eu os observava. A mão dela repousava no braço dele, seus olhos brilhando com uma intimidade que fez meu estômago revirar. Eu os observei, minha respiração presa na garganta, enquanto ele se inclinava, seus lábios encontrando os dela. Um beijo lento e apaixonado. Um beijo que roubou meu fôlego e estilhaçou meu mundo.

Era ela. Kátia. A mulher que sempre me enviava mensagens educadas e amigáveis sobre as "longas horas" de Heitor no escritório. A mulher que havia elogiado meu brilho pós-parto apenas algumas semanas atrás. O engano era um gosto amargo na minha boca.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, quentes e silenciosas. Pressionei a mão contra a boca, tentando abafar os soluços que ameaçavam escapar. Eu não podia fazer barulho. Não podia deixá-lo saber que eu estava ali.

Eles se afastaram, sorrindo. Seus amigos na mesa aplaudiram, brindando com as taças. Heitor levantou a mão, silenciando-os. Ele se aproximou de Kátia, sua voz baixando, mas eu ainda podia ouvir. Cada palavra era um golpe de martelo no meu peito.

"Ela simplesmente... não é mais a mesma, sabe?", ele riu, me descartando com um aceno de mão. "Corpo de pós-parto. Todo aquele trauma do parto. É demais." Ele estremeceu dramaticamente, puxando Kátia para mais perto. "Você é tão compreensiva, Kátia. Sem filhos. Nunca. É disso que eu preciso."

Ele a beijou novamente, um beijo possessivo e faminto. Meu corpo parecia estar se dissolvendo. O homem que eu amava, o homem que me prometeu a eternidade, estava enojado de mim. Do meu corpo, do milagre que criamos. Do nosso filho.

Saí cambaleando do bar, o mundo girando ao meu redor. Não sei como cheguei em casa. Apenas me vi ajoelhada ao lado do berço do meu filho, seu pequeno peito subindo e descendo em um sono tranquilo.

Meu filho. A criança que Heitor dizia adorar. A criança que ele havia planejado, com a qual havia sonhado. Ele o chamava de sua maior bênção. Era tudo mentira. Tudo. Ele era um mentiroso. Ele estava mentindo para mim há meses. Talvez anos.

Meu filho se mexeu, sua pequena mão se estendendo. Ele envolveu seus dedos em volta do meu polegar, seu aperto surpreendentemente forte. Um choque percorreu meu corpo. Meu filho. Meu lindo filho. Ele era tudo o que me restava. Olhando para ele, uma determinação feroz se solidificou dentro de mim.

Peguei meu celular. Digitei o número de Kátia. Meus dedos pairaram sobre o botão de enviar. Não. Ainda não. Eu tinha que ser inteligente. Eu tinha que ser forte.

Olhei para meu filho novamente, seu rosto inocente iluminado pelo brilho suave da luz noturna. Meu amor por Heitor havia morrido esta noite, sufocado por sua crueldade e traição. Mas uma nova emoção estava criando raízes. Uma determinação fria e dura.

Pressionei 'Apagar' no contato de Kátia. Então, escrevi uma mensagem para a conta anônima do Instagram: *Preciso da sua ajuda.*

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