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Capa do romance Tarde Demais Para Arrependimento, Meu Amor

Tarde Demais Para Arrependimento, Meu Amor

Beto e eu fundamos uma empresa de design, mas tudo ruiu quando ele contratou Gilda. Enquanto eu viajava, ela me substituiu e o manipulou. Ao ver meu gato maltratado, confrontei-os, mas Beto me humilhou, ignorando que eu esperava um filho. O estresse me fez perder o bebê em segredo. Abandonei tudo, levei meu animal e reconstruí minha vida longe dele. Três anos depois, reencontrei-o arruinado em uma gala. Ele implorou perdão, mas meu triunfo era minha resposta.
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Capítulo 1

Meu noivo, Beto, e eu estávamos construindo um império do design. Quando ele quebrou a perna, contratou uma diarista temporária, Gilda, enquanto eu viajava a trabalho. Eu achei que ela estava lá para ajudar; não percebi que estava lá para me substituir.

Ela sistematicamente tomou conta da minha casa, virando Beto contra mim, pedaço por pedaço. A gota d'água foi encontrar meu gato, Apolo, trancado numa gaiola, machucado e faminto.

Quando os confrontei, Beto a defendeu. Ele me chamou de monstro e mandou eu me livrar do meu gato, tudo pelo bem do bebê que eu carregava em segredo.

O choque da traição dele foi um golpe brutal. Tão brutal que perdi o bebê naquela mesma noite.

Ele nunca soube. Apenas gritou que eu era uma vadia fria e calculista e que Gilda era uma "mulher de verdade", que o amava de verdade.

Então eu fui embora. Peguei meu gato, liquidei minha metade da nossa empresa e desapareci. Três anos depois, entrei em uma festa de gala do setor e o vi do outro lado do salão: um homem quebrado. Ele me olhou com um arrependimento desesperado, mas eu apenas sorri. Minha vingança não seria barulhenta; seria o meu sucesso.

Capítulo 1

Eu soube no momento em que Gilda Souza passou pela nossa porta que ela era problema. O que eu não sabia na época era que ela não apenas partiria meu coração; ela desmontaria minha vida inteira, pedaço por pedaço agonizante. Mas naquele tempo, eu estava ocupada demais construindo um império para ver a podridão silenciosa e insidiosa começando em casa.

Tudo começou com a perna do Beto. Um jogo de basquete, uma queda desajeitada e, de repente, meu noivo e sócio, o "rosto" carismático da Almeida-Moraes Design, estava confinado à nossa casa meticulosamente projetada. Nossa governanta, Maria, estava conosco há anos, era praticamente da família. Mas a doença repentina de sua irmã na Bahia significou que Maria teve que partir imediatamente, sem aviso. Foi uma saída caótica e inesperada.

Beto, sempre bom de papo, me tranquilizou.

"Não se preocupa, Alina. Já achei alguém. A prima da Maria, Gilda. Ela precisa do trabalho, e a Maria garantiu que ela é ótima. Disse que é um anjo."

Eu já estava com um pé fora de casa, minha mente consumida pelo projeto do arranha-céu em Brasília. Uma fase crítica, horas intermináveis, sem tempo para drama doméstico.

"Temporária, certo?", perguntei, minha voz tensa com uma mistura de preocupação pelo Beto e o estresse de sempre de lançar um novo projeto.

"Claro, temporária", Beto disse, me mandando um beijo. "Só até eu me recuperar."

Duas semanas depois, o lançamento em Brasília foi um sucesso retumbante. Exausta, mas eufórica, peguei o primeiro voo para casa. Meu celular, geralmente um zumbido constante de e-mails de trabalho, estava cheio de mensagens do Beto. Ele não parava de elogiar a Gilda.

"Ela é incrível, Alina! Tão atenciosa. A comida que ela faz é espetacular. Você não vai acreditar como estou me sentindo melhor."

Minha sobrancelha se ergueu. Melhor que a comida da Maria? Maria, que aperfeiçoou os pratos favoritos dele ao longo de anos? Mesmo assim, um alívio me invadiu. Pelo menos ele estava sendo bem cuidado. Imaginei alguém mais velha, talvez um pouco simples, gentil e eficiente. Um tipo maternal. Alguém que se misturaria ao fundo, uma peça temporária até a vida voltar ao normal.

No momento em que meu carro entrou na garagem, Apolo, meu gato ruivo, estava na janela, uma sentinela peluda. Ele piscou lentamente para mim, um bem-vindo silencioso. Senti uma saudade imensa dele. A casa parecia quente, uma luz suave emanando da sala de estar. Cheirava a algo saboroso cozinhando lentamente.

Abri a porta da frente, minhas malas rolando atrás de mim. Meus saltos estalaram no piso de madeira polida. Não havia ninguém na sala, mas ouvi vozes baixas vindas da cozinha. A risada distinta do Beto, um pouco alta demais, depois uma risadinha feminina, mais suave.

"Olá?", chamei, minha voz ecoando um pouco na casa silenciosa.

Uma mulher saiu da cozinha. Ela não era o que eu esperava. Nem velha, nem simples. Tinha seus trinta e poucos anos, com cabelos escuros e brilhantes presos em um coque arrumado, traços suaves e olhos que eram um tom espertos demais para alguém que deveria ser uma ajuda temporária. Seu uniforme, um simples avental sobre roupas discretas, de alguma forma conseguia destacar suas curvas em vez de escondê-las. Ela se portava com uma confiança silenciosa que beirava a compostura.

"Você deve ser a Alina", disse ela, sua voz surpreendentemente calma, quase serena. Nenhum sorriso de boas-vindas, nenhuma saudação efusiva como a de Maria teria sido. Apenas uma avaliação fria. Ela não se ofereceu para ajudar com minhas malas.

"Sou eu", respondi, um leve tremor de desconforto começando no meu estômago. "E você é a Gilda."

"Sim. Bem-vinda de volta." Ela não parecia particularmente acolhedora.

Ofereci um sorriso educado, engolindo a sensação estranha.

"Obrigada. Escuta, eu trouxe uma coisa pra você."

Peguei na minha bagagem de mão e tirei uma pequena caixa elegantemente embrulhada. Era um lenço de grife que comprei em Brasília, algo que eu sempre fazia para a Maria ou outros funcionários como um pequeno gesto de apreço. Meu jeito. Minha maneira de mostrar que os valorizava.

Gilda olhou para a caixa, depois de volta para mim, sua expressão indecifrável.

"Ah, não precisava."

"É só uma coisinha para agradecer por cuidar do Beto enquanto eu estava fora. Eu sempre trago pequenos presentes para quem ajuda aqui em casa."

Minhas palavras deveriam ser graciosas, mas soaram forçadas no silêncio súbito e estranho.

Ela balançou a cabeça, um movimento suave, quase imperceptível.

"Não, obrigada. Estou apenas fazendo meu trabalho."

Eu pisquei. Ela estava recusando? Maria teria ficado emocionada, uma enxurrada de agradecimentos.

"Não é um pagamento, Gilda. É um presente de boas-vindas. Uma pequena lembrança."

"Prefiro não aceitar presentes fora do meu salário combinado, Sra. Moraes. Isso complica as coisas."

Sua voz era suave, mas havia uma rigidez inflexível nela. Um limite, firmemente traçado. Mas pareceu menos profissionalismo e mais uma rejeição.

"Que alvoroço é esse aí fora?", a voz do Beto soou do escritório. Ele mancou para fora, apoiando-se pesadamente em uma muleta, sua perna envolta em um gesso desajeitado. Seu rosto se iluminou quando me viu. "Alina! Você voltou!"

Instintivamente, dei um passo à frente, minha mão se estendendo para firmá-lo, uma vida inteira de cuidado com ele entrando em ação. Mas Gilda foi mais rápida. Ela se moveu com um movimento rápido e fluido, deslizando sob o braço dele antes que minha mão se estendesse completamente. Ela o estava apoiando, seu corpo próximo ao dele. Minha mão caiu inutilmente ao meu lado.

Beto se apoiou nela, quase casualmente.

"Gilda, meu amor, o que foi?"

Ele a chamou assim antes? Minha mente deve ter se enganado.

"A Sra. Moraes estava tentando me dar um presente", disse Gilda, sua voz baixando para um sussurro teatral, como se eu fosse um eco distante e incômodo. "Eu disse a ela que não era necessário."

Beto franziu a testa, depois seu rosto se clareou. Ele olhou para o lenço na minha mão.

"Ah, Alina, você sempre escolhe as melhores coisas! Gilda, querida, é a Alina. Ela é atenciosa. É uma coisa boa. Aceite."

Ele pegou a caixa dos meus dedos dormentes e a pressionou na mão de Gilda.

A expressão de Gilda suavizou, um sorriso pequeno, quase tímido, enfeitando seus lábios.

"Se o senhor insiste, Sr. Almeida", ela murmurou, seus olhos se voltando para os meus por uma fração de segundo. Um brilho de triunfo. "Obrigada a ambos."

"Ah, é só a Gilda sendo humilde", disse Beto, dando um tapinha no ombro dela. "Ela é tão dedicada. Sabe, ela também é uma cozinheira incrível. Você vai amar a comida dela. Ela fez meu famoso risoto de cogumelos hoje à noite! Eu contei tudo sobre suas preferências, então não se preocupe."

Meu peito se apertou, uma sensação estranha de estar presente e invisível ao mesmo tempo.

"Que bom", consegui dizer, minha voz um pouco rouca. "Estou faminta."

Um momento depois, enquanto eu ia para o meu quarto para me refrescar, Gilda chamou:

"O jantar estará pronto em dez minutos, Sra. Moraes."

Eu assenti, grata pelo aviso. Maria sempre fazia isso. Era uma cortesia profissional. Abri a porta do meu quarto, sem me dar ao trabalho de bater na minha própria porta. Eu tinha alguns minutos para mim antes do jantar. Só queria trocar de roupa e jogar uma água no rosto.

A porta se abriu com um rangido, revelando meu santuário interior. Meu espaço privado. Era onde eu trabalhava, onde eu relaxava. Eu estava no meio de desabotoar minha camisa, de costas para a porta, quando ouvi uma tosse suave.

Eu congelei. Meu coração pulou para a garganta. Virei-me, agarrando a camisa contra o peito.

Gilda estava parada na porta, a cabeça levemente inclinada, um sorriso fraco, quase imperceptível, brincando em seus lábios. Ela não estava batendo. Ela nem estava esperando por uma resposta. Ela estava apenas... parada ali.

"Ah", disse ela, seus olhos percorrendo meu corpo, demorando-se por um momento a mais. "Eu só vim dizer que o jantar está na mesa."

Meu rosto queimou. Não. Não era assim que as coisas funcionavam. Maria nunca...

"Gilda", eu disse, minha voz perigosamente baixa. "Você não bate antes de entrar no quarto de alguém?"

Seus olhos se arregalaram, fingindo inocência.

"Ah, o Sr. Almeida bate? Ele simplesmente entra."

Minha respiração falhou. Beto? Entrando no meu quarto sem bater? Isso não acontecia há anos, se é que já aconteceu. Nosso relacionamento era construído com base no respeito mútuo, em limites.

"Saia", eu disse, minha voz tremendo. "Agora. E bata da próxima vez."

A cabeça do Beto apareceu atrás de Gilda, uma carranca confusa em seu rosto.

"Alina? O que há de errado?"

"Nada", eu disse entredentes, meus olhos fixos nos de Gilda. "Apenas um mal-entendido sobre espaço pessoal."

Beto, abençoado seja seu coração que evita conflitos, pareceu perceber a tensão.

"Gilda, por que você não vai garantir que o jantar continue quente?", ele sugeriu gentilmente, um empurrão sutil.

Gilda me deu um último olhar demorado antes de se virar.

"Claro, Sr. Almeida."

Ela desapareceu, me deixando sozinha com as consequências.

Bati a porta, encostando-me nela, meu peito arfando. O ar no meu próprio quarto parecia contaminado. Fechei os olhos, respirando fundo e tremendo. Isso não foi um mal-entendido. Foi uma violação. E era apenas o começo.

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