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Capa do romance Tarde Demais: A Filha Preterida Foge Dele

Tarde Demais: A Filha Preterida Foge Dele

Traída por Giovanni Vitale, o Dom da máfia, Seraphina morre para salvar a irmã. Contudo, ela acorda um ano antes do crime. Com o coração gélido, aceita o exílio em Lisboa, ocultando que salvou Dante Moretti, o noivo de sua irmã. Isabella roubou seus méritos, mas Seraphina não lutará mais. Fingindo sua própria morte, ela planeja uma vingança silenciosa das sombras. Deixando de ser vítima, a filha preterida ressurgirá como uma rainha das cinzas para destruir o império paterno.
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Capítulo 3

Acordei com a ardência estéril do antisséptico e o peso opressivo do silêncio.

Não havia flores para alegrar o quarto cinzento.

Não há cartões de melhoras enfileirados no parapeito da janela.

Só se ouvia o bip constante e rítmico do monitor cardíaco, contando os segundos do meu isolamento.

Minha perna esquerda estava engessada e elevada por uma tipoia. Meu ombro latejava sob as grossas bandagens.

Apertei o botão de chamada, com os dedos tremendo levemente.

Um instante depois, uma enfermeira entrou apressada. Parecia exausta, com o uniforme amarrotado.

"Onde está minha família?", perguntei, com a voz rouca devido à minha garganta seca.

Seus olhos desviaram-se, evitando os meus.

"O Sr. Moretti e sua irmã estão na suíte VIP no final do corredor", disse ela, alisando os lençóis desnecessariamente. "A Srta. Vitiello foi atendida por estar em estado de choque."

Choque.

Uma risada amarga surgiu em meu peito, mas a reprimi enquanto uma dor lancinante se alastrava por minhas costelas machucadas.

Eu tinha ossos quebrados. Ela estava em estado de choque.

E eles estavam com ela.

"Preciso de analgésico", murmurei com a voz rouca.

"O médico ainda não aprovou a nova dose", disse ela, em tom de desculpas. "Ele está com sua irmã agora."

Claro que sim.

Esperei uma hora. A dor na minha perna transformou-se de uma dor surda numa dor latejante e lancinante que corroía a minha sanidade.

Finalmente, a pesada porta se abriu.

Não foi o médico.

Era Dante.

Ele entrou a passos largos, seus ombros largos fazendo com que o pequeno quarto de hospital parecesse claustrofóbico instantaneamente. Ele não parecia preocupado; parecia irritado.

"Isabella está muito chateada", disse ele sem rodeios, com a voz embargada.

Encarei-o fixamente, incapaz de assimilar tamanha insensibilidade.

"A placa quase a matou", continuou ele, caminhando até o pé da cama. "Ela está traumatizada."

"A culpa recaiu sobre mim, Dante", sussurrei, com a injustiça ardendo mais forte do que meus ferimentos.

Ele lançou um olhar rápido para minha perna levantada, com uma expressão indecifrável.

"Você tem uma fratura. Vai sarar. Isabella é delicada. Os rins dela... o estresse é um veneno para ela."

Ele caminhou até a mesa de cabeceira e deixou cair um recipiente de plástico de comida para viagem sobre a superfície metálica com um estrondo alto.

"Mamãe quer que você coma", disse ele. "Pedimos comida do restaurante de frutos do mar que a Isabella gosta. Ela não queria camarão ao alho e óleo, então disse que você podia comer."

Fiquei olhando para a condensação na tampa.

Camarão.

"Sou alérgica a frutos do mar", eu disse, voltando meu olhar rapidamente para o dele.

Dante franziu a testa, uma ruga aparecendo entre as sobrancelhas.

"Pare de mentir, Seraphina. Isabella disse que você adora. Ela me disse que você só está sendo difícil porque quer chamar a atenção."

"Sou alérgica", repeti, com o pânico crescendo em meu peito. "Minha garganta fecha. Não consigo respirar."

Dante inclinou-se sobre a cama, invadindo meu espaço pessoal. Suas mãos agarraram a grade de metal com força descomunal.

"Isabella está tentando ser gentil com você depois de você ter arruinado a noite dela. Você vai ter que engolir as consequências. Considere isso uma punição pela sua atitude."

Ele abriu a tampa. O aroma pungente de alho e frutos do mar invadiu o ar, revirando meu estômago.

"Coma", ordenou ele.

Olhei em seus olhos — escuros, exigentes e totalmente desprovidos de misericórdia.

Os olhos do homem que eu havia salvado.

Ele era um monstro.

Percebendo que lutar contra ele só me custaria energia, que eu não tinha, fiz um cálculo. Peguei o garfo de plástico.

Dei uma mordida.

Engoli em seco, sentindo-o deslizar pela minha garganta como uma pedra.

Dante me observou por um instante, satisfeito por ter imposto sua vontade.

"Ótimo", disse ele, ajeitando o paletó. "Chega de drama."

Ele deu meia-volta e saiu.

Assim que a porta se fechou com um clique, eu me arrastrei para ficar de pé.

Ignorando a dor lancinante na minha perna, fui pulando em um pé só até o banheiro apertado.

Enfiei meus dedos na minha garganta.

Tive ânsia de vômito até meu estômago ficar completamente vazio, até que eu estivesse apenas vomitando bile amarga e saliva.

Minhas mãos tremiam violentamente enquanto eu agarrava a pia de porcelana.

Joguei água fria no rosto, ofegante.

Eu precisava sair. Estava sufocando.

Encontrei uma cadeira de rodas dobrada no corredor e consegui me jogar nela, saindo daquele cômodo me arrastando.

Dirigi-me ao pátio do hospital.

Estava deserto. Uma fonte de pedra borbulhava no centro, a água parecendo negra ao luar.

Sentei-me ali, tremendo de frio com meu fino avental hospitalar de costas abertas, tentando estabilizar minha respiração.

"Ora, vejam só quem está aqui."

Levantei a cabeça num sobressalto.

Isabella estava ali parada. Vestia um luxuoso robe de seda e parecia perfeitamente, irritantemente, saudável.

Ela caminhou tranquilamente até mim.

"O Dante é tão protetor, não é?", refletiu ela, passando os dedos com unhas bem cuidadas pela água da fonte.

"Ele acha que foi você quem o salvou", eu disse baixinho, com a voz oca.

Isabella sorriu. Era uma expressão fria e cortante que não chegava aos seus olhos.

"Eu sei", disse ela.

Ela se inclinou para perto, seu perfume enjoativo.

"Eu sei sobre a casa segura, Seraphina. Eu sei sobre as velas de baunilha que você acendeu para ele. Eu sei sobre as orações que você sussurrou."

Prendi a respiração. Ela sabia de tudo.

"Mas ele prefere a bela mentira", sussurrou ela, com a voz como seda venenosa. "Ele não quer uma salvadora que se pareça com você. Ele quer uma rainha."

Ela olhou para trás, em direção às portas de vidro do hospital.

Então ela olhou para mim, com os olhos brilhando de malícia.

"Você realmente deveria ter mais cuidado", disse ela.

Ela deu um passo para trás.

Então ela atacou.

Ela não me pressionou.

Ela agarrou meu braço machucado e me puxou para a frente.

Perdi o equilíbrio. A cadeira de rodas tombou violentamente.

Bati com força no paralelepípedo. Meu gesso pesado me puxou para baixo, me prendendo ao chão enquanto uma dor lancinante explodia no meu ombro.

Isabella gritou.

Foi uma performance — um grito de terror penetrante e arrepiante.

"Socorro! Dante! Socorro!"

Ela se atirou para trás na água rasa da fonte.

Ela chapinhava descontroladamente, debatendo-se como se estivesse se afogando em sessenta centímetros de água.

As portas do hospital se abriram de repente.

Dante correu para o pátio, com o rosto tomado pelo pânico.

Ele me viu no chão.

Ele viu Isabella debatendo-se na água.

Ele não fez perguntas.

Ele viu exatamente o que esperava ver.

A irmã instável e ciumenta atacando sua frágil noiva.

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