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Capa do romance Submissa do Chefe

Submissa do Chefe

Victoria River vivia sem preocupações até conhecer Peter Lucchese, o Don da máfia americana, no Quartel das Sombras. Após salvar a vida do líder criminoso, ela recebe a promessa de um favor futuro. Quando se vê grávida e desamparada, Victoria busca abrigo no perigoso mundo de Peter. Enquanto se aprofunda na criminalidade e no poder, ela descobre que suas noções sobre o amor seriam transformadas pelo homem que jurou protegê-la em seu momento de maior necessidade.
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Capítulo 3

— Olá, galega. Caprichou, hein? — admirou o homem que chamavam de Be, um dos seguranças da máfia mais conhecidos do bairro. Os homens atrás dele eram carregados de arma e munição até os dentes. Não que eles estivessem mostrando tudo isso naquele momento, eu só sabia porque uma das maiores recomendações de Suzan foi não dar muita brecha para os colegas de Bey, porque ninguém do alto escalão era flor que se cheirasse. Eu nem correspondi ao olhar dos homens, embora estivesse ciente do modo com que olhavam para minha roupa. Bey deu uma olhada em Suzan, o suficiente para deixá-la sem graça, então se virou para mim. — O aviso geral é o seguinte, moças, sem confusões hoje, hein? O padrão está na área, e ninguém aqui quer causar problema e ser “interrogado” por besteira, hein? Eu fiz uma expressão de quem se sentia ofendida, até coloquei uma mão no peito de modo teatral.

— Eu? Causar problemas? Por favor, Bey. Só quero dançar um pouquinho.

— E você sempre faz merda quando vem dançar um pouquinho — disse o bandido, cruzando os braços. Ele usava uma regata longa, que deixava seus braços fortes muito expostos, e quando ele os cruzou, o tamanho aumentou de modo sugestivo. Eu nem precisei olhar para Suzan para saber que ela estaria se derretendo por dentro. Ela havia me confessado uma vez o seu tipo ideal de bandido, eu apenas dava risada, porque, apesar de gostar muito do clima no Quartel, jamais me senti atraída pelos homens de lá. Eu sabia que eles eram barra pesada demais para o meu estilo de vida. — Não está lembrada não da vez que você quase apanhou das outras meninas do bairro? Se não fosse a proteção dos amigos seguranças você já estaria careca, galega.

Quando ele falava daquele jeito até dava medo de verdade, mas a história nem foi tão preocupante assim. Eu não fiz nada para que as mulheres que traficavam dentro do bairro me notassem. Elas simplesmente não concordavam com o que chamavam de “Burguesa de Quartel”, e estavam sempre na entrada do bairro para saber quando eu chegaria. E tudo não passava de provocações.

Suzan sempre deixou bem claro que eu não devia falar, ou olhar, ou fazer qualquer gesto estranho para ninguém além dela. Eu nem mesmo pagava diretamente aos traficantes quando precisava das minhas maconhas, era tudo feito através do intermédio de Suzan. Porque ela dizia que qualquer merda que eu dissesse atrairia a atenção do chefe do crime.

  Só que, um belo dia, aquelas mulheres resolveram que não só falariam sobre mim pelas costas. Elas realmente tentaram tocar em mim e em Suzan, mas Bey apareceu, e as levou para o “interrogatório”, que Suzan resumiu como sendo um tribunal do alto escalão e algo que eu jamais deveria ter a curiosidade de ser levada.

Eu só sabia que, depois daquele julgamento  que as tais mulheres levaram, elas nunca mais apareceram na minha frente ou de Suzan. Mas, todo cuidado era pouco dentro do Quartel, nada garantia que elas não estavam esperando uma outra oportunidade para realmente me pegar. Eu só não entendia o motivo.

Eu só era bonita demais, gostosa, rica, não fazia mal para ninguém. Infelizmente, nem toda a sociedade estava preparada para lidar com uma pessoa tão interessante quanto eu.

— Certo, eu prometo que não vou terminar a noite sem os meus cabelos — garanti para Bey. — Mas, é sempre bom contar com a sua ajuda e dos seus amigos, para o caso de as coisas saírem do controle.

— Você não tem juízo, Galega — disse ele, dando uma risada. Ele observou Suzan com mais um olhar penetrante. — Cuide da  amiga para ela não ficar chapada e fazer merda de novo.

— Pode deixar — disse Suzan, sem saber se sorria ou se mantinha a expressão séria.

Bey e os homens em suas costas seguiram caminho, deixando-nos sozinhas no meio da noite fria. Eu tive que pegar Suzan pelo braço para continuar subindo, porque ela ficou em choque de ter se encontrado com o homem. Não era segredo para ninguém que a única coisa que a impedia de avançar os sinais vermelhos de perigo sobre aquele homem era justamente o fato dele não ser a melhor pessoa do mundo para se envolver.

Bey era o único homem meramente importante que eu conhecia no bairro, o restante eram apenas os aviõezinhos — que na maioria eram apenas adolescentes —, e eu conhecia todos os alertas de Suzan para me manter bem longe de todos.

Embora ela nem precisasse ficar falando, ninguém ali conseguia me garantir algum futuro tão bom quanto estar com meu rico e esnobe namorado adolescente, eu só estava ali para me divertir.

— Você viu como ele reparou nos meus cabelos? — perguntou Suzan, quando finalmente alcançamos o quarteirão em que o baile se encontrava.

As pessoas estavam espalhadas por ali, porque o espaço não era nada pequeno, e as ruas largas estavam cheias com os carros e as motos. A música estava em pleno vapor, misturada em dois tipos de sons, em que cada porta-malas de um carro exibia uma verdadeira máquina com sons alto falantes e que provocava um grave suficiente para tremer o chão.

Eu amava aquilo. Fiquei sorrindo de orelha a orelha enquanto arrastava Suzan comigo para o foco de toda a muvuca. O Quartel das Sombras levava aquele nome por se localizar num dos pontos da cidade atrás do parque central, cujas árvores se erguiam contra algumas casas e faziam sombras em cada rua.

Chamava-se de quartel por ser, de fato, um condomínio menos sofisticado ao qual eu estava habituada, e com pessoas que comercializavam produtos ilícitos sem a menor preocupação de disfarçar, bem protegidos dos olhos da polícia. Ali havia música, festivais, dança, comidas servidas em barracas. Parecia um mundo paralelo.  As pessoas podiam cometer crimes sem atrapalhar a vida das outras. Tudo sempre passando pela autorização do chefe daquela região cheia de mafiosos e bandidos menores.  

— Ah, seria tão mais fácil se ele não fosse tão complicado. — Suzan suspirava ao pé do meu ouvido. — Deve ser horrível ser o segurança do patrão. Imagina quais tipos de coisa ele tem que treinar para saber o que fazer? Ah, Victoria, você nem está me ouvindo.

Eu estava muito mais concentrada em aceitar a garrafa de cerveja que uma das meninas que vimos subindo cruzando obairro me oferecia. Minha mãe sempre me orientou para não beber nada que estranhos me dessem. Ela disse que eu nunca deveria estar bêbada e num lugar onde a polícia não tinha voz.

Só que, considerando tudo o que Suzan me dizia sobre o as cinco famílias que comandavam o crime naquela área, eu deveria estar mais segura ali do que no meio dos meus colegas de escola que pensavam que o dinheiro cobria qualquer crime.

Eu tomei a cerveja quase que pela metade, nem reparando que eu estava com tanta sede assim. Suzan ficou horrorizada enquanto eu me afastava dela e começava a dançar com as outras meninas.

O Reggaeton era meu estilo de música favorito. Mas eu fingia gostar de Jazz quando estava com meus pais; eu odiava Jazz.

— Amiga, o único lugar para onde ele não olhou foram os seus cabelos — falei aos gritos para Suzan, porque eu fiquei parada bem ao lado de um carro alto, em que nem existia mais uma caçamba como porta-malas, só havia o aparelho de som que provocava reverberações até na bebida dentro da minha garrafa. Eu dei risada quando duas meninas me incentivaram a descer até o chão ao som de uma canção latina.

A música não era nada elogiosa, mas o grave que ela produzia no som era contagiante. Só Suzan permanecia parada, porque todo mundo estava se entregando ao som. Eu a puxei pelo braço.

— Amiga, vem, dança.

— Estou desabafando sobre os meus sentimentos — insistiu ela, amarrando a cara.

— Desabafe enquanto dança  — falei em tom de risada.

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