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Capa do romance Submissa do Chefe

Submissa do Chefe

Victoria River vivia sem preocupações até conhecer Peter Lucchese, o Don da máfia americana, no Quartel das Sombras. Após salvar a vida do líder criminoso, ela recebe a promessa de um favor futuro. Quando se vê grávida e desamparada, Victoria busca abrigo no perigoso mundo de Peter. Enquanto se aprofunda na criminalidade e no poder, ela descobre que suas noções sobre o amor seriam transformadas pelo homem que jurou protegê-la em seu momento de maior necessidade.
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Capítulo 1

— E os seus pais nem falaram nada sobre você estar indo para uma festa no Quartel das Sombras? — indagou Suzan, dando uma gargalhada tão alta que eu tive de afastar o celular do ouvido. — Amiga, eu não entendo como é que você pode reclamar tanto dos seus pais. Eles simplesmente deixam com que você faça tudo! Isso é um sonho de vida.

— Ah, não exagera, Su — falei em tom desdenhoso, mas, enquanto eu rolava na enorme cama de colchas rosas, eu me sentia como uma verdadeira rainha em seu trono. Encarei o teto da cama de dossel, observando o forro do mesmo tom de rosa das cobertas. — Eles não me deixaram realmente ir para a festa. Eu disse que precisava terminar um trabalho na sua casa, e eles não perguntaram exatamente em que parte do seu bairro eu faria o dever de casa.

— Safada — xingou Suzan, ainda rindo. Ela suspirou baixinho. Imediatamente notei que o tom da conversa mudaria para algo menos desagradável. Eu me endireitei na cama. — Amiga, você não acha que deveria contar a verdade para o Gustavo?

— Não tenho nada para contar, Su — falei num tom mais ríspido do que eu pretendia. E me observei diante do espelho que se localizava diante da minha cama e cobria uma parede inteira do meu quarto. Os meus cabelos loiros e levemente cacheados nas pontas estavam inteiramente amassados pela tarde ociosa em que passei apenas deitada e mexendo em meu celular. Eu afaguei as mechas delicadamente, admirando-me no reflexo. — Gustavo e eu não vamos ter problemas para lidar com essa coisa... Mas, eu só vou contar para ele quando terminarmos este semestre da escola, não quero que ele fique surtado antes da formatura.

Do outro lado da linha, escutei o que imaginei ser um som de fogos, mas o suspiro de Suzan me deixou entender que na verdade deveria ser tiros. Eu dei uma risadinha. Não que eu fosse uma maluca que achasse engraçado a situação dentro de um dos bairros mais perigosos de Nova Iorque, onde os mafiosos se encontravam, mas era bizarro o quanto as coisas podiam desandar com uma facilidade impressionante.

Mas aquela não era a razão para eu gostar de me envolver com as pessoas do local. Eu gostava da maneira com que elas enxergavam a vida. Todos os dias havia uma festa, bailes como daqueles que só ainda víamos em filmes, um banquete completo, uma festa com toda pompa. O Quartel sempre deu de dez a zero no quesito animação. E a minha vida dentro daquele condomínio chique era mais do que tediosa.

Eu me considerava uma garota que precisava de aventuras. Todas as vezes em que fui ao Quartel, principalmente para ficar na casa de Suzan e fingir que fazíamos algum trabalho de escola para usar maconha e nos entupir de álcool, eu voltava sem um arranhão no corpo.

Os meus pais nunca aprovaram aquela amizade. Não havia nada que causasse mais vergonha no mais bem sucedido e importante casal de magnatas do que ver a sua filha caçula se metendo entre as vielas e os becos do Quartel das Sombras, mas eu gostava do lugar. Eu tinha me familiarizado com as pessoas de lá.

Os próprios mafiosos de cargos menores eram os mais gentis que eu conhecia, e só resolviam problemas na base da violência quando um bom diálogo não adiantava. Era errado admirar aquilo. Eu via apenas uma vitrine do que realmente era a vida real na máfia, mas eu amava aquilo. Daria tudo para ter uma vida comum e nada cheia de pompa e obrigações como a minha era.

E, para piorar ainda mais a vergonha dos meus pais, eu tinha um teste de gravidez em positivo escondido no fundo da minha gaveta de calcinhas. Eu tinha apenas dezoito anos, faltava alguns poucos meses para dezenove, só que minha faculdade já estava paga. Eu tinha um cargo futuro na empresa Imobiliária dos meus pais, e passava alguns períodos da minha tarde aprendendo o que eles esperavam que eu fosse começar a fazer dentro de alguns meses.

Eu tinha um futuro brilhante. Só que uma burrice que começou numa noite em que bebi demais na casa de Gustavo, e que durara por meses até aquele momento, me deixou grávida. Ainda era recente. Três semanas. Eu nem sabia que tamanho teria um bebê de três semanas. Só que a coragem de contar a verdade para o meu namorado e os meus pais, sumia sempre que eu pensava em fazer.

Gustavo era tão jovem quanto eu. Loiro, alto, olhos claros. Nós teríamos filhos lindos. Éramos iguais em nossas características físicas. Éramos iguais em nosso caráter e índole. E ele me amava profundamente. A minha virgindade — tanto da boca quanto de outras áreas — fora perdida com ele. E, contra tudo o que minhas amigas diziam sobre os garotos nunca mais repetirem uma transa, nós já estávamos transando há semanas.

Em alguma dessas, eu devo ter engravidado, mas jamais usados preservativos. Gustavo não gostava da sensação, e eu não entendia muito bem a necessidade, já que pensava que toda vez que ele tirava ao gozar, nada teria entrado. Eu era ingênua demais nestes quesitos. Ou safada demais para me ater aos detalhes.

— Amiga, eu só estou dizendo... A barriga vai crescer em algum momento... E, se ele não assumir a criança, você vai ter que dar conta de tudo sozinha. E tem o fato dos seus pais serem chatos.

— Ah, mas eles não são chatos, Su. Eles eram. Principalmente quanto a questão de que eu e minha irmã deveríamos ser um exemplo de bons modos e boa criação para toda a sociedade. Eu não conseguia imaginar a reação dos meus pais ao descobrir a gravidez. Nada do que eu pensasse chegaria perto da realidade. Eu tentava evitar pensar no assunto, porque a minha vida era perfeita demais para que um bebê indesejado pudesse atrapalhar. Eu só tinha de terminar meus estudos, começar a faculdade, e então me mudar. Eu poderia contar para Gustavo quando estivéssemos morando juntos, ele nem saberia diferenciar as datas.

Tudo correria bem. A minha vida era perfeita. Eu era uma pessoa perfeita. Nada nunca estragaria aquilo.

— Quantas horas eu devo te esperar no ponto? — perguntou Suzan, referindo-se ao ponto de ônibus na entrada do Quartel.

Eu dirigia o carro do meu pai escondido, principalmente nos dias em que ele estava jantando fora com minha mãe, como naquela noite. A casa de Suzan ficava numa das áreas mais agastado do Quartel, então tínhamos de cumprir uma verdadeira penitência para poder chegar.

Eu me arrumava de maneira sóbria quando ainda estava em minha casa; calça jeans, camisa escura e tênis. E tomava mais um banho na casa de Suzan, para poder vestir meu vestido tubinho rosa berrante e minhas sandálias altas. O pai dela nunca se preocupava com o fato de eu sempre gastar mais do que deveria da sua água, embora a situação deles não fosse nada abastada.

Eu podia muito bem evitar suar tanto para cruzar o Quartel se fosse com o carro do meu pai. Mas, por alguma razão, minha intuição me pediu para não arriscar entrar com um carro importado na favela aquela noite. Não que eu já não tivesse feito aquilo antes.

— Ah, me espera em meia hora. — Pedi para Suzan, observando-me de costas no espelho. O meu corpo ainda não havia mudado pela gravidez. — Eu vou pedir carona para a minha irmã.

— Certo, nos vemos daqui a pouco.

Eu murmurei palavras de despedida e Suzan desligou. Joguei meu celular na cama e me aproximei do espelho, testando passos que me davam a postura de mulher poderosa e independente. Eu era apenas uma garota muito jovem e com uma mentalidade muito fútil.

A vida no Quartel não era fácil, com todo aquele medo dos mafiosos surtarem ou a polícia decidir agir contra os reis do crime. A minha vida chique e abastada não era chata. Eu apenas via tudo como se olhasse o mundo de uma vitrine. Para mim, a vida era chata, mas os presentes caros, as roupas de grife, os celulares de última geração e o privilégio de ter um quarto do tamanho de um apartamento comum, não era uma coisa tão desagradável assim.

Eu apenas me prendia naquele mundo cor de rosa, pensando que a vida lá fora poderia ser da mesma maneira. Que eu teria o mesmo tipo de felicidade com poucos bens materiais. Infelizmente, há certas coisas que você só aprende quando passa pelo pior, e eu aprendi.

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