Capa do romance Submeta-me

Submeta-me

8.8 / 10.0
Insatisfeita com a frieza de seu relacionamento atual, Amala busca refúgio em uma paixão platônica que parece ser a cura para sua solidão. Ela se entrega a esse sentimento na esperança de finalmente encontrar a felicidade, mas seus anseios colidem com uma realidade cruel. O que começou como um sonho de preenchimento emocional termina de forma devastadora, quando uma tragédia terrível destrói suas expectativas e muda o rumo de sua vida para sempre.

Submeta-me Capítulo 1

De mulher exemplar a suspeita de um crime, nada seria como antes. Ela estava apavorada, mas não tinha para onde fugir, ninguém mais acreditava em sua inocência, nem mesmo aqueles que juraram estar sempre ao seu lado. O preço que estava pagando por uma simples aventura era muito alto, jamais poderia ter imaginado esse desfecho.

Suas mãos estavam manchadas de sangue, no corpo gelado havia suas impressões digitais, todas as evidências a apontavam como culpada, mas seus lábios se declaravam inocentes. E aquilo que começou como uma simples diversão, se tornou uma situação extremamente complicada, as luzes e o som da polícia tomaram o lugar quando todas as provas a indicavam como culpada.

Dois anos antes...

Amala Banks sorria educadamente para os convidados do evento de negócios, enquanto segurava a mão de seu marido, Abel. Ela era quase perfeita, boa esposa, boa mãe e bonita, seus cabelos negros ondulados em conjunto com seus olhos âmbar eram destaque em sua pele alva. Ela parecia ter tudo o que uma mulher poderia desejar, mas por dentro ela se sentia vazia e infeliz.

Abel era um renomado advogado. Seus olhos azuis cobalto em contraste com o cabelo dourado volumoso, nariz reto, mandíbula bem delineada e lábios rosados, lhe davam uma essência um tanto angelical. De frente para todos ele era um homem incrível, bom marido e bom pai, mas na realidade ele nem mesmo enxergava Amala. Eles tinham um casamento gelado, sem amor e sem paixão. Abel estava mais interessado em seu trabalho e em sua reputação do que em sua esposa e em sua filha, Lila.

Amala se sentia sozinha e carente, mas não tinha coragem de se separar de Abel. Ela temia perder a guarda de Lila, a única pessoa que lhe dava alegria e sentido à sua vida. Ela também temia o julgamento da sociedade, que esperava que ela fosse uma esposa submissa e fiel.

Ela tentava se convencer de que era feliz, de que tinha sorte de ter um marido rico e bem-sucedido, de que não precisava de mais nada. Mas no fundo, ela sabia que estava mentindo para si mesma. Ela queria mais, ela queria viver, ela queria sentir.

A noite estava fria e escura, mas o salão do hotel brilhava com as luzes e os sorrisos dos convidados do evento de negócios. Amala estava, vestindo um elegante vestido vermelho que realçava sua beleza. Ela sorria educadamente para as pessoas que se aproximavam, mas por dentro ela se sentia vazia e infeliz.

— Querida, você está linda hoje. Eu sou um homem de sorte por ter você ao meu lado — ele disse, abraçando-a de lado, com uma voz carinhosa e falsa.

— Obrigada, meu amor — sorrindo sem jeito. — Você também está muito elegante — ela respondeu, olhando para homem que lhe segurava.

— Como fazem para manter essa harmonia? — perguntou um senhor de terno e gravata, admirado com a aparência deles.

— Ah, nós nos amamos muito. Nós nos respeitamos, nos apoiamos, nos comunicamos. Nós somos parceiros em tudo. — ele mentiu, sem hesitar, olhando nos olhos do convidado.

“Mentira. Ele só diz isso para impressionar os outros. Ele não me ama, ele não me respeita, ele não me apoia, ele não me escuta. Ele só se importa com ele mesmo” ela pensou, com amargura, olhando para o chão.

— Vamos, querida. Precisamos ir embora. Tenho um compromisso importante amanhã cedo — arrastando-a para longe dos convidados, comunicou, com uma voz autoritária e impaciente.

— Mas já? Nós acabamos de chegar. Eu queria ficar mais um pouco, conversar com as pessoas, me divertir — protestou, com uma voz fraca e desanimada.

— Não seja egoísta, Amala. Você sabe que eu trabalho duro para sustentar essa família. Você deveria ser grata por tudo o que eu faço por você. Você não tem do que reclamar. Você tem uma vida de luxo, uma casa confortável, uma filha saudável. O que mais você quer? — repreendeu, com uma voz dura e arrogante.

— Desculpe, Abel. Você tem razão. Eu não quero te atrapalhar. Vamos embora — cedeu, com uma voz triste e resignada.

— Isso mesmo, querida. Seja uma boa esposa e me obedeça — beijou-a na testa. — Você sabe que eu só quero o seu bem. 

Eles saíram do salão, deixando para trás as luzes e os sorrisos. Entraram no carro, em silêncio. Seguiram para casa, sem se olhar. Chegaram ao quarto, sem se tocar. Amala tirou suas roupas e Abel a abraçou por trás, ela se deixou tocar com a mirada vazia.

O homem esfregava as mãos pelos seios e abdômen da mulher sussurrando sacanagens em seu ouvido, com a destra desce até sua vagina onde acaricia com movimentos circulares. Amala boceja, completamente entediada. 

Enquanto beijava os ombros e a curvatura do pescoço de sua esposa, ela não se sentia muito animado, pois sabia que seria mais do mesmo. Com delicadeza, Abel virou-a para encará-lo e juntou seus lábios, enquanto Amala mantinha as mãos longe dele.

Abel estava excitado, então a empurra suavemente para a cama e ela se senta lá. Então começou a desabotoar a calça enquanto ela observava a decoração do quarto. O vaso de flores não parecia estar onde o deixara, e o relógio de parede parecia ter acabado a bateria.

Enquanto o ar condicionado ecoa mais alto do que o habitual, o marido afasta as pernas dela e começa a penetrá-la sem esperar que esteja pronta. De longe, o cachorro da vizinha latia sem parar. Ela estava cansada e com dores nas pernas por causa da posição desconfortável em que estava.

Estava pensativa porque se esqueceu de cancelar a manicure, e havia uma reunião na escola de Lila. Talvez fosse melhor mandar uma mensagem ou já era tarde demais?

— Você aprecia quando te fodo assim, não é, safada? 

Com a voz arrastada e ofegante, Abel invade seus pensamentos e ela o encara por um momento, murmurando apenas: "uhum". Enquanto seu corpo continuava sendo invadido, ela não conseguia parar de desejar poder dormir logo, quase sentindo alívio quando ele finalmente atingiu o orgasmo.

O sol começava a iluminar o céu, anunciando um novo dia. Amala abriu os olhos, sentindo-se cansada e desanimada. Ela olhou para o lado, vendo seu marido, dormindo profundamente. Ela suspirou, sabendo que ele não iria lhe dar um bom dia, nem um beijo, nem um abraço. Ele nem mesmo iria notar que ela estava ali.

Preguiçosamente se levantou, pegando seu roupão e saindo do quarto. Então passou pelo quarto de sua filha, que ainda dormia. A mulher sorriu, sentindo um amor imenso pela menina de seis anos, que era sua razão de viver. Por último, entrou na cozinha, colocando a cafeteira para funcionar. 

Ela pegou o celular de Abel, que estava em cima da mesa, sem intenção de bisbilhotar, apenas para ver as horas. E viu que havia uma notificação na tela e não reconhecia o nome, nem o número. A morena sentiu uma pontada de curiosidade, e resolveu abrir a mensagem: "Oi, Abel. Estou com saudades de você. Quando vamos nos ver de novo? Estou sem clientes hoje. Não aguento mais esperar. Preciso de você. Me liga. Beijos. Dani.” 

Amala sentiu seu coração parar por um instante. Mal podia acreditar no que estava vendo. Seu marido estava tendo um caso? Estava sentindo um misto de choque, raiva, tristeza e medo. Seus olhos se encherem de lágrimas, que escorreram pelo seu rosto. Não sabia o que fazer, o que pensar, o que sentir.

Foi quando ouviu passos se aproximando da cozinha e acabou se assustando, tentou limpar as lágrimas. Era Abel, que acabara de acordar. Ele entrou na cozinha, e viu Amala segurando seu celular. Franziu a testa, e perguntou, com uma voz irritada:

— O que você está fazendo com o meu celular, Amala?

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