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Capa do romance Suas Belas Mentiras, Meu Mundo Destroçado

Suas Belas Mentiras, Meu Mundo Destroçado

Gabriel era o marido ideal até eu descobrir sua traição. Ele roubava minhas composições para transformar minha irmã, Lia, em uma estrela. O golpe final veio ao vê-lo socorrer Lia com um desespero que nunca teve por mim. Percebi que eu era apenas uma ferramenta para o sucesso deles. No meu aniversário, planejei um passeio de iate sob o pretexto de romance. Ele não imagina que o mar será o cenário do meu sumiço e o estopim de sua destruição total.
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Capítulo 1

Por cinco anos, meu marido Gabriel foi o homem perfeito. Ele era um produtor carinhoso e gentil que via a magia em mim, a compositora discreta que vivia nos bastidores. Todos diziam que o jeito como ele me olhava era pura adoração. E eu acreditei neles.

Mas o amor dele não era para mim. Era um escudo para proteger seu verdadeiro projeto: minha irmã mais nova, a estrela pop Lia. Ele estava roubando minhas músicas e minha arte, entregando minha alma a ela para que ela pudesse brilhar enquanto eu permanecia na sombra.

A prova final veio em uma festa para celebrar o último triunfo roubado dela. Quando Lia fingiu uma queda, o som do meu marido gritando o nome dela estava carregado de um amor cru e desesperado que eu nunca tinha ouvido em todo o nosso casamento. Era um amor reservado apenas para ela.

Ele então se virou para mim, com os olhos gélidos, e sibilou:

— O que você fez?

Naquele único instante, a mulher que o amava morreu. Meu mundo inteiro, construído sobre suas lindas mentiras, se estilhaçou por completo. Eu não era sua esposa; eu era apenas a galinha dos ovos de ouro, e meu coração era simplesmente um dano colateral.

Então, quando ele perguntou o que eu queria para o meu trigésimo aniversário, eu lhe dei um sorriso pequeno e vazio.

— Eu quero sair no iate. Só nós dois. Podemos ver o nascer do sol.

Ele pensou que era uma escapada romântica. Mal sabia ele que aquele era o palco para o meu desaparecimento e o começo da sua ruína.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Clara

Em setenta e duas horas, no meu trigésimo aniversário, eu ia desaparecer da face da terra. Era o único presente que eu realmente desejava.

Desliguei o telefone com o contato da logística, o último detalhe da minha partida meticulosamente planejada se encaixando como a tampa de um caixão. A confirmação silenciosa, "Está tudo pronto, Sra. Ávila", ecoou no silêncio estéril do meu estúdio em casa. Era uma promessa. Uma fuga.

O cheiro de gardênias, denso e enjoativo, vinha do corredor. Era o perfume característico de Lia, aquele que Gabriel havia comprado para ela no último Natal. Ele mantinha um frasco na cômoda dele, alegando que o lembrava do jardim da nossa mãe. Era uma mentira linda, uma das muitas que mantinham nosso casamento de cinco anos de pé.

— Aí está você.

A voz de Gabriel, suave como o uísque que ele preferia, me envolveu. Eu não me virei. Apenas observei seu reflexo se materializar no vidro escuro da janela da cabine de som. Ele era lindo daquele jeito devastador e sem esforço, com o cabelo escuro artisticamente bagunçado, seu sorriso projetado para desarmar. Ele deslizou os braços pela minha cintura por trás, o queixo apoiado no meu ombro.

— Quem era no telefone, meu amor? — ele murmurou, seu hálito quente no meu pescoço.

— Apenas o pessoal do buffet para a festa de aniversário — eu disse. A mentira saiu fácil, praticada. Eu havia me tornado uma mentirosa especialista nos últimos três meses.

Ele deu um beijo no meu cabelo. Era um gesto que ele fazia com frequência, uma demonstração de afeto para o público que os fotógrafos adoravam. Costumava fazer meu coração disparar. Agora, apenas me dava arrepios.

— Você está trabalhando demais. Deixe que eu cuido disso — disse ele, a voz tingida com aquela ternura familiar e condescendente. — Você parece pálida. Deixa eu te fazer uma sopa.

Por cinco anos, Gabriel Bastos foi o marido perfeito. Ele era carinhoso, gentil e infalivelmente solidário. Todos diziam isso. Nossos amigos, nossa família, as revistas de celebridades que estampavam nosso perfil de "casal poderoso". "O jeito como ele olha para você", eles se derretiam, "é pura adoração."

Eu também costumava acreditar. Eu me aquecia no calor do seu amor, acreditando ser a mulher mais sortuda do mundo. Eu era a compositora quieta dos bastidores, e ele era o produtor carismático que via a magia em mim.

Mas eu aprendi, da maneira mais brutal possível, que o amor dele não era para mim. Era um escudo. Seu cuidado gentil, sua vigilância constante sobre minha saúde e bem-estar, não era para me proteger. Era para proteger a galinha dos ovos de ouro. Era para proteger seu verdadeiro projeto, seu verdadeiro amor: minha irmã mais nova, a estrela pop Lia Ávila.

— Não se esqueça — disse ele, as mãos ainda na minha cintura —, o vernissage da Lia é hoje à noite. A família toda estará lá para comemorar.

Ele estava falando da festa para celebrar o último suposto triunfo de Lia. A pintura dela havia sido selecionada como finalista em uma prestigiosa competição nacional, e ela estava radiante e recém-grávida.

— Você não deveria ir — ele acrescentou rapidamente, como se sentisse o pensamento se formando em minha mente. — Você tem andado tão cansada ultimamente. Precisa descansar.

Ele acariciou minha barriga suavemente, um gesto que deveria ser cheio de um desejo compartilhado.

— Precisamos cuidar de você, especialmente se quisermos levar a sério a ideia de começar nossa própria família em breve.

As palavras foram um golpe físico, tirando o ar dos meus pulmões. Mantive minha expressão serena, meu corpo imóvel. Ele não queria um filho comigo. Ele havia dito isso a Lia, em um telefonema sussurrado tarde da noite que eu não deveria ter ouvido. Um bebê complicaria as coisas. O amarraria a mim de uma forma inconveniente para o grande plano deles.

Ele não me queria naquela festa porque tinha medo que minha presença roubasse o brilho de Lia. Ele não queria a irmã compositora brilhante perto da artista fabricada. Meu talento era uma ameaça à sua imagem cuidadosamente construída.

Ele beijou minha testa, alheio à tempestade que se formava dentro de mim. O toque parecia gelo.

— Tenho uma surpresa para você, para o seu aniversário — ele sussurrou, a voz cheia de uma empolgação fabricada. — Algo especial.

Forcei-me a encontrar seus olhos no reflexo.

— Outra surpresa?

— A melhor de todas — ele prometeu.

Virei-me em seus braços, meu rosto uma máscara de calma aceitação. Coloquei a mão em sua bochecha.

— Na verdade, eu estava pensando em algo simples para o meu aniversário este ano.

— Qualquer coisa — disse ele, seus olhos se enrugando daquele jeito que costumava me derreter. — O que você quiser.

Eu lhe dei um sorriso pequeno e vazio.

— Eu quero sair no iate. Só nós dois. Podemos ver o nascer do sol.

Ele sorriu radiante, o alívio tomando conta de suas feições. Era um pedido simples, que me mantinha isolada e longe de olhos curiosos. Era perfeito para ele.

— Claro, meu amor. O que você quiser.

Meu sorriso se alargou, mas não alcançou meus olhos. Por dentro, uma satisfação amarga e fria se enraizou. Ele me daria o que eu quisesse. Ótimo. Porque o que eu queria era queimar o mundo inteiro dele até as cinzas.

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