Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Sua Vontade

Sua Vontade

Lucy Miller, uma bancária que atua como espiã, é resgatada pelo agente secreto Bryan Elliot. Conhecido como Casanova, o sofisticado bilionário a leva para sua residência em Manhattan para protegê-la. Com uma nova identidade e visual, Lucy assume o papel de sua namorada. No entanto, enquanto vivem essa farsa em um ambiente de luxo, a linha entre o dever e o desejo real se torna cada vez mais tênue. Será que a forte química entre eles é apenas parte da missão?
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

Lucy mal podia acreditar no que tinha acabado de ouvir. Não tivera a intenção de fuxicar, mas tinha ido até a cozinha e não pôde deixar de ouvir a conversa de Bryan com a prima.

Bryan voltou-se para ela e percebeu o que havia acontecido.

— Acho que temos de falar sobre isso, não é? Sin¬to muito, mas não havia outra maneira de explicar a sua presença aqui. Minha família não sabe que sou um agente do governo, nem pode saber. Você com¬preende, não é?

— Sim, mas...

— Você já demonstrou que sabe agir sob pressão. Só precisa seguir as minhas orientações, certo?

Lucy não via problema algum naquilo. Na verda¬de, achava a idéia até muito excitante. Só uma coisa a incomodava.

— Você acha que alguém vai acreditar que sou a sua namorada?

— E por que não?

— Porque não passo de uma bancária desenxabida, enquanto você é...

— Sou proprietário de um restaurante. Essa é a versão que todo mundo conhece.

O interfone tocou e Bryan foi atendê-lo. Ela não pôde deixar de notar que ele não havia feito qualquer objeção à maneira como ela havia se referido a si mesma. Pelo jeito, ele também a achava desenxabida.

— É o nosso jantar. Volto já.

Lucy tentou se acostumar com a idéia de que era namorada de Bryan. Ela já tinha acreditado uma vez que poderia ser uma mulher fatal e acabou atraindo Cruz Tabor, o baterista da In Tight, um dos homens mais atraentes do país, de acordo com os tablóides. Decidira manter uma relação estritamente profissional com o pessoal da banda, mas Cruz come¬çou a flertar com ela, e ela se perdeu. Ele havia lhe dito que ela era maravilhosa, sexy e atraente e a leva¬ra nas turnês, além de enchê-la de presentes caros.

Mais tarde, ela descobriu que ele dizia e fazia tudo isso com todas as mulheres com quem dormia, e não oram poucas. Tinha sido muita ingenuidade de sua parte acreditar que era realmente especial para ele.

A situação atual era bem diferente. Não tinha qual¬quer ilusão em relação a Bryan, nem conseguia ima¬ginar como alguém poderia acreditar que ela o tives¬se conquistado.

Ele era muito bonito e poderia ter a mulher que bem entendesse. Seu restaurante sofisticado atraía di¬versas celebridades. Será que já tinha dormido com alguma delas? Como ela competiria com esse tipo de coisa? Encontrou dois pratos no armário da cozinha e pôs a mesa sobre o balcão de granito. Um maravilhoso aroma invadiu o ambiente quando Bryan surgiu no elevador com duas enormes sacolas brancas.

— O que é isso?

— Camarão grelhado com verduras à moda da Polinésia. Não é muito temperado, e você pode tirar qualquer coisa de que não gostar.

— E o molho francês?

—Essa é a idéia do Une Nuit. A fusão da culinária asiática com a francesa.

Ele colocou as bolsas no balcão e olhou rapida¬mente para ela. Lucy estava usando apenas a parte de cima do pijama. Como era verão e a peça batia em seus joelhos, ela achou que poderia dispensar as cal¬ças do conjunto, mas estava arrependida.

— Belo modelito — disse ele, piscando para ela.

Bryan desempacotou a comida e serviu uma por¬ção generosa em cada um dos pratos. Havia trazido também uma garrafa de vinho branco gelado.

— Você gosta de vinho?

— Eu não... Gosto.

O álcool era uma das coisas das quais ela se afas¬tara quando tomou a decisão de mudar de vida e parar de se comportar como uma adolescente irresponsá¬vel. Nunca realmente abusara do álcool, mas seu con¬sumo desenfreado era bastante característico das pes¬soas e do modo de vida que ela queria deixar para trás. Uma taça de vinho Chardonnay depois de um dia como hoje, porém, pareceu-lhe uma ótima idéia.

Bryan serviu duas taças de cristal e lhe estendeu uma delas.

— Um brinde à sua nova vida como Lindsay Morgan. À Lindsay.

Aquilo tudo parecia um sonho. Ela se sentou num dos bancos e experimentou a comida.

—Nossa, isto está delicioso. Não é de admirar que o restaurante faça tanto sucesso. A idéia foi sua ou você já comprou o restaurante em funcionamento?

— Isto aqui era um bistrô francês. A idéia de inte¬grar a culinária asiática ao cardápio nasceu de uma brincadeira, certa noite, quando eu, o gerente e o che¬fe de cozinha bebemos um pouco além da conta. Co¬meçamos a fazer experiências e o restaurante acabou caindo no gosto do público.

— Dá para entender por quê.

A mistura sutil de temperos exóticos, com diver¬sas texturas, formas, cores e aromas, era um deleite para todos os sentidos. Se aquilo era uma amostra de como seria a sua alimentação dali para a frente, era melhor ela pensar seriamente em começar a se exer¬citar.

O interfone tocou, anunciando a chegada de Scarlet. Bryan desceu para recebê-la e ajudá-la a carregar as coisas, enquanto Lucy terminava de lavar a louça.

Ela estava nervosa com a perspectiva de conhecer a prima de Bryan. Já fazia muito tempo que não lida¬va com a família de algum namorado. Repetiu deze¬nas de vezes para si mesma que a opinião de Scarlet sobre ela não faria a menor diferença, já que ela e Bryan não eram namorados de verdade e aquela si¬tuação era apenas temporária, mas não adiantou. Queria que Scarlet gostasse dela, mas temia que a achasse extremamente desinteressante. A mulher era editora assistente de moda de uma das maiores revis¬tas femininas do país. Estava acostumada com mode¬los e estrelas, não bancárias desajeitadas.

Bryan subiu carregando um monte de roupas nas mãos. Atrás dele vinha uma das criaturas mais boni¬tas e exóticas que Lucy já vira. Era quase tão alta quanto Bryan, esbelta e com um belo cabelo castanho-claro que caía em abundantes e brilhantes ondas sobre os ombros e as costas. Ela estava vestindo uma blusa verde-clara levemente transparente que deixa¬va seus ombros à mostra e calças justas, numa estam¬pa coordenada; tudo combinando com seus atentos olhos verde-claros, focados em Lucy.

— Então você é a minha vítima — ela disse sorrin¬do, pousando a própria braçada de roupas, uma saco¬la de compras e uma maleta repleta de maquiagens. — Oi, eu sou a Scarlet — disse ela, estendendo a mão. — Você deve ser Lindsay.

Lucy tentou parecer natural, mas estava tremendo por dentro. No que é que ela estava se metendo? Es¬tava começando a viver uma mentira naquele exato momento. E se não conseguisse sustentar aquilo? Bryan fora muito claro a respeito da importância do sigilo sobre sua verdadeira atividade. Ela jamais se perdoaria se colocasse tudo a perder.

— Levante-se — disse Scarlet. — Quero dar uma olhadinha em você.

Bryan apoiou um cotovelo sobre o balcão e ficou observando de longe. Lucy sentiu o rosto enrubescer novamente. Aquilo já seria suficientemente embaraçoso, ainda mais na presença dele.

Scarlet pareceu perceber o desconforto de Lucy, virou-se para Bryan e disse:

—Você não tem nada para fazer? Um restaurante para tocar, por exemplo?

— Quero ver o que você vai fazer com ela.

— Nada disso — ela disse com firmeza. — A transformação de Lindsay diz respeito apenas a ela e não às suas fantasias quanto à mulher perfeita. Ago¬ra, vá embora e não volte antes da meia-noite.

Bryan resmungou mas obedeceu. Antes de chegar ao elevador, porém, virou-se abruptamente e foi até Lucy.

— Divirta-se. Vejo você daqui a pouco — disse ele, acariciando-lhe a bochecha e puxando suave¬mente o rosto dela para beijar levemente seus lábios.

O beijo durou menos de um segundo, mas abalou Lucy tão fortemente que ela teve de se agarrar a um dos bancos para não correr o risco de cair.

Ela sabia que aquilo era apenas representação, e que fazer de conta que eles eram namorados era algo tão natural para Bryan quanto respirar, mas não para ela. A possessividade casual com que ele a havia tra¬tado parecera-lhe extremamente real.

Aparentemente alheia a tudo isso, Scarlet estava avaliando o peso e a textura do cabelo ainda úmido de Lucy.

— Seu cabelo é maravilhoso. Grosso e saudável. Você pode fazer o que quiser com ele. Suponho que não queira mexer muito no comprimento, mas nós po...

— Não, quero cortá-lo bem curtinho e pintá-lo de louro. Quero ficar o mais diferente possível.

— Você quer fazer luzes?

— Não, quero ficar radicalmente loura.

Scarlet sorriu.

— Fico feliz em ouvir você dizer isso. Eu estava tentando ir devagar, mas já que confia em mim, vou botar pra quebrar e te deixar prontinha para uma capa da revista Charisma.

Lucy riu com ironia.

— Como se isso fosse possível.

— Que não? Você tem uma excelente estrutura ós¬sea, dentes saudáveis, traços bonitos. Mas esses ócu¬los vão ter de cair fora.

— Quero passar a usar lentes de contato — disse Lucy, lembrando-se das instruções de Bryan. — Ver¬des. Só não sei se você vai conseguir fazer muita coi¬sa pela minha "comissão de frente".

— Pois saiba que a maior parte das nossas mode¬los tem seios menores que os seus. Você ficaria sur¬presa com o que uma boa lingerie pode fazer por uma mulher. Ajude-me a carregar isso tudo para o quarto, para que possamos pôr mãos à obra.

— Eu estou... — ela quase estragou tudo nos pri¬meiros minutos! Não poderia estar no quarto de hós¬pedes sendo namorada de Bryan. — Estou quase sem roupa — consertou rapidamente. — Vou precisar de absolutamente tudo novo.

— O que foi que aconteceu com as suas roupas? — quis saber Scarlet, sentindo o cheiro de uma história interessante. — Não se preocupe. Não me choco fa¬cilmente. Minha irmã gêmea é casada com um astro do rock.

— É mesmo? Quem?

Por favor, Deus, não permita que seja alguém que eu conheça. Tudo, menos alguém ligado à In Tight.

— Zeke Woodlow.

Lucy respirou aliviada, mas só até se dar conta do que Scarlet tinha dito. Ela havia lido sobre o casa¬mento de Zeke na Buz.

— Você é irmã de Summer Elliot. Você pertence à família Elliot, dona daquele império editorial.

Scarlet estava atônita.

— Você não sabia disso?

Talvez fosse melhor ela calar a boca de uma vez.

— É que eu não tinha ligado o nome à pessoa, sabe como é? Nós não estamos juntos há muito tempo — acrescentou ela, torcendo para que isso justificasse sua ignorância. — Quanto às minhas roupas, eu... eu as queimei. Estava em busca de um recomeço.

— Queimou? Onde?

Foi então que ela lembrou, tarde demais, de que era proibido por lei queimar qualquer coisa em Nova York.

— Em casa.

— Onde fica a sua casa?

— No Kansas, numa fazenda.

Pelo menos isso era verdade.

—Seus pais ainda mo¬ravam lá.

— E o que é que Bryan estava fazendo no Kansas? Achei que ele estivesse na Europa.

— E estava. Nós nos conhecemos em Paris.

— Quer dizer que você o conheceu em Paris, vol¬tou para sua casa no Kansas, queimou todas as suas roupas e veio para cá, nua?

Lucy sorriu como se não estivesse tentando con¬vencê-la da veracidade da história mais ridícula de todos os tempos.

— Isso mesmo.

— Garota, você tem estilo.

Bryan ainda estava tentando se recuperar daquele beijo. Ele sabia que tinha de fazer tudo direitinho para convencer sua família de que Lucy era realmen¬te sua namorada. Ele nunca tivera um relacionamento sério antes. Bem, já havia tentado uma vez, mas des¬cobriu rapidamente que isso não era compatível com os seus desaparecimentos esporádicos, por isso pas¬sou a ter apenas encontros ocasionais. Raramente tra¬zia uma mulher para casa. Teria de parecer completa¬mente embevecido para justificar a súbita presença de Lindsay em sua casa, e isso significava bancar o namorado apaixonado, com demonstrações públicas de afeto, olhares de desejo e tudo o mais.

Ele deveria ter preparado Lucy melhor para o pa¬pel que ela representaria. Eles sequer tinham combi¬nado uma história comum, mas Lucy parecia sufi-cientemente esperta para improvisar. Bastaria que ela lhe passasse os detalhes do que tinha dito à Scarlet.

Ela linha reagido àquele beijo como a perfeita na¬morada apaixonada. Bryan quis surpreendê-la, mas acabou surpreendendo a si mesmo também. Aquilo não tinha sido mais que um beijo inocente, um mero roçar de lábios, mas o havia abalado profundamente.

Os funcionários cumprimentaram-no alegremente ao vê-lo chegar.

Kim Chim, o cozinheiro que comandava a cozinha como um militar, desviou os olhos de sua panela e grunhiu um cumprimento.

— Já estava na hora.

Ele estava em falta com o restaurante. O caso da Alliance Trust havia ocupado todo o seu tempo dis¬ponível nos últimos dias. Lucy tinha entrado no caso recentemente, mas ele já estava rastreando as pes¬soas que recebiam os fundos fraudados havia muito tempo.

— Onde está Stash? — perguntou ele a Kim.

— Aquele francês miserável deve estar flertando com os fregueses lá fora.

Aquilo era pura implicância. Stash praticamente vivia no restaurante, pagando as contas, preparando a folha de pagamento e tratando das centenas de deta¬lhes que mantinham o Une Nuit no topo da lista dos melhores restaurantes da cidade.

— Bryan, você voltou!

Stash cumprimentou-o com um caloroso abraço. Obstinado e otimista, ele era o gerente perfeito para trabalhar com um proprietário que se ausentava com tanta freqüência.

— Por que você passou tanto tempo fora desta vez? Isto aqui poderia ter virado uma carrocinha de cachorro-quente nesse meio-tempo.

Bryan tinha preparado uma longa história para jus¬tificar as suas aventuras na Europa, mas, em vez dis¬so, disse apenas:

— Conheci uma pessoa.

Ele não tinha muita dificuldade em mentir por cau¬sa dos anos de prática, mas o mais assustador é que não teve de fazer qualquer esforço para alterar o tom de voz ao falar sobre Lucy para parecer convincente.

Scarlet finalmente permitiu que ela se olhasse no espelho. Lucy teve de olhar duas vezes para a ima¬gem refletida. Sua própria mãe não seria capaz de re¬conhecê-la, o que efetivamente era a intenção.

Havia madeixas de cabelo castanho espalhadas por todo o chão. Scarlet o havia cortado até a altura do queixo, além de clarear o tom até chegar ao louro-claro. A escova o havia deixado liso, fazendo com que ele caísse numa franja brilhante que balançava a cada movimento. Ela havia feito as sobrancelhas de Lucy e mudado o seu formato, e os cosméticos artisticamente aplicados haviam esculpido e redefinido a li uma de sua boca. Ela agora tinha maçãs do rosto.

Depois vieram as roupas. Scarlet decidira que Lucy precisava de um visual personalizado e esco¬lheu uma série de roupas justas de cores suaves — verde-musgo, ameixa, melão e bronze. Ela estava vestindo uma calça de cintura-baixa e uma camiseta lisa sem mangas, colada no corpo, ambos na cor verde. Sobre a camiseta havia ainda uma camisa de mangas curtas com um zíper frontal num tom mais claro de verde. Sandálias de salto alto e algumas pou¬cas jóias completavam o visual.

O mais surpreendente de tudo, porém, é que agora ela tinha busto. Scarlet lhe conseguira um sutiã mila¬groso, que erguia e juntava os seus seios, fazendo-os parecer dois números maiores.

Lucy punha os óculos para se olhar de longe e en¬tão os tirava, para avaliar seu rosto de perto. Mal po¬dia acreditar no que estava vendo. Estava realmente parecendo alguém que poderia ser a namorada de Bryan.

— Isso é surpreendente — disse ela, pela terceira vez.

— As modelos que você vê nas revistas não têm nada que nós não tenhamos — disse Scarlet. — Bons cabeleireiros, grandes maquiadores, uma boa luz e um fotógrafo talentoso podem transformar qualquer mulher numa diva.

Lucy estava convencida disso. Só não estava bem convicta de que a Lucy Miller de dentro combinava com a nova Lucy de fora. Mulheres bonitas como Scarlet tinham autoconfiança, uma maneira de falar e de se mover que ela não tinha.

— E se eu não conseguir agir de acordo com este visual? — perguntou ela, num fio de voz.

— Você vai conseguir. Bryan não teria se apaixo¬nado se você não fosse muito, muito especial. Pense nisso.

O que Scarlet não sabia é que Bryan não havia se apaixonado por ela. Ela, na verdade, havia caído no seu colo, e ele agora tinha de lidar com esse pro¬blema.

— Você e Bryan são próximos? — perguntou Lucy, achando que aquela seria uma boa oportuni¬dade de descobrir um pouco mais sobre seu suposto namorado.

— Todos os primos Elliot são muito próximos uns dos outros. Suba na cama e deixe-me fazer a bainha dessa calça.

— Há muitos de vocês trabalhando nas revistas? — perguntou Lucy, tentando não pensar no fato de que estava de pé na cama de Bryan, tentando não pensar nele dormindo ali. Ou fazendo qualquer outra coisa.

— Todos nós trabalhamos na Editora Elliot de uma forma ou de outra. Exceto Bryan. Ele foi o único que escapou desse destino.

— Por quê?

— Acho que o problema cardíaco o manteve um pouco afastado dos outros primos. Antes da cirurgia, ele não podia correr nem brincar conosco, e nós éra¬mos um bando extremamente ativo. Vire-se.

Lucy obedeceu, com a mente em turbilhão.

—Um problema cardíaco?

—Ele começou a investir pesado no esporte de¬pois da cirurgia para compensar o tempo perdido, e já tinha grande interesse por culinária nessa época. Acho que as revistas não tinham qualquer ape¬lo especial para ele. Ele estudou Administração de Empresas com o intuito de trabalhar na editora, mas o projeto acabou não vingando. Ele queria ter o pró¬prio negócio. Talvez ele tenha sido o mais inteligente de todos nós.

— Por que está dizendo isso? Deve ser um sonho trabalhar na Charisma.

— Normalmente é mesmo. Mas com essa com¬petição... Bryan não deve ter lhe falado sobre isso, não é?

Lucy ficou intrigada.

— Que competição?

— Meu avô decidiu se aposentar e nomear um de seus filhos para presidente da editora. Cada um está à frente de uma de nossas revistas — Pulse, Snap, Buzz, Charisma. Aquele que demonstrar maior lucro no final do ano ganha a posta. Não é preciso dizer que todos estão em pé de guerra. Tia Fin, a minha chefe, está praticamente morando na editora. Ela está obcecada com a vitória. Já o tio Michael... Bem, sua prioridade no momento é cuidar da mulher, que está se recuperando de um câncer de mama.

Scarlet deteve-se de repente.

— Bryan vai me matar se souber que andei lavan¬do a roupa suja da família com a sua nova namorada.

— Não vou dizer nada a ele — assegurou-lhe Lucy.

O que será que ele estava fazendo? Certamente não estava nada ansioso para voltar para casa e reen¬contrá-la.

— Eu odeio ter de desfazer todo o seu trabalho, mas acho que vou tirar toda essa maquiagem e me; deitar — disse Lucy. — Foi um dia longo. Muito obrigada, Scarlet. Foi realmente muita gentileza sua passar a noite comigo.

— O prazer foi todo meu, pode acreditar. Elas se abraçaram. Lucy sentiu um misto de afeto e gratidão pela prima de Bryan. Ela não tinha nenhu¬ma amiga íntima em Washington. Algumas colegas de trabalho a haviam convidado para sair, mas ela sempre se manteve distante de todos. Tentou se con¬vencer de que queria manter o foco em seu trabalho e não desviar a atenção de sua carreira, mas agora com¬preendia que, na verdade, estava se punindo. A diver¬são havia lhe causado muitos problemas no passado, por isso decidira eliminar esse quesito de sua vida.

Scarlet, por sua vez., deveria ter muitas amigas. Lucy provavelmente não teria muito tempo para uma vida social. Ela tinha de estudar todos os dados que conseguira baixar do banco e descobrir a identidade do fraudador.

Ela ajudou Scarlet a empacotar as coisas e a acom¬panhou até o elevador.

— Eu a acompanharia até o carro e a ajudaria a co¬locar as coisas na mala, mas não sei como entrar no¬vamente.

Scarlet revirou os olhos.

—Esse maldito elevador de Bryan. Sei que ele tem algumas obras de arte valiosas em casa, mas acho quer exagerou um pouco na segurança.

Elas se despediram e Lucy se apressou para arru¬mar tudo antes que Bryan voltasse, mas não conse¬guiu fazê-lo a tempo.

— Lucy? — chamou ele, enquanto caminhava em direção à sala. — Oh, aí está você. Demorei mais do que o previsto para... — ele parou no meio do cami¬nho e ficou olhando para ela. — O que foi que você fez com seu cabelo?

— Você não gostou?

Scarlet a havia advertido de que os homens gosta¬vam de mulheres de cabelo comprido, mas como a idéia era ficar completamente diferente e não exata¬mente agradá-lo, Lucy foi em frente. Agora, porém, percebia o quanto queria que ele gostasse da nova Lucy. Ou melhor, de Lindsay.

—E que você está tão... Largue essas roupas em algum lugar e deixe-me olhar direito para você.

Lucy fez o que ele pediu e ficou esperando, impaciente, enquanto ele a avaliava meticulosamente.

Ele se aproximou dela e tocou-lhe o rosto. Ela tentou não reagir quando ele tirou seus óculos e estudou-lhe os traços.

— Scarlet me deu o nome de um oftalmologista que pode me fornecer lentes de contato verdes. Posso resolver isso amanhã mesmo.

— Certo — disse ele, sem lhe devolver os óculos, enfiando-os no bolso da camisa.

— Bem? — perguntou ela. — Acha que isso pode funcionar ou estou simplesmente ridícula?

Um sorriso insinuou-se lentamente no rosto de Bryan.

— Lucy, você está parecendo uma estrela de ci¬nema.

Seu olhar parecia uma lâmpada quente focada nela. Ou talvez o calor viesse de dentro dela. Não es¬tava conseguindo enxergar muito bem, portanto, era bem provável que o interesse no olhar dele não pas¬sasse de imaginação da sua parte.

De repente, ela não conseguiu mais pensar em ou¬tra coisa a não ser no modo como ele a havia beijado, horas atrás. Ele fizera a coisa toda parecer muito ca¬sual, mas ela quase se desmanchou ali mesmo. Aqui¬lo não passava de um jogo para ele, mas, ela ainda não estava acostumada a ser tão convincente.

— Não acha melhor passar a me chamar de Lindsay o tempo todo? Seria bom também que você me desse algum tipo de sinal quando fosse me beijar no¬vamente daquele jeito.

— Mas nós temos de parecer apaixonados. Você deve estar disponível para que eu a beije a qualquer momento,

— Certo.

— Você não me pareceu muito segura — ele a pe¬nou pelos braços e olhou no fundo dos seus olhos. — Acha que pode dar conta disso? Caso contrário, tere¬mos de pensar em algo diferente. Minha família não pode suspeitar de nada. Seria um desastre.

Lucy ficou perturbada frente à possibilidade de ele mudar de idéia e levá-la para outro lugar. Já havia se acostumado à idéia de que bancaria a namorada de Bryan.

— Eu posso dar conta — disse ela. — Talvez fosse bom ensaiarmos um pouco, quero dizer, checar as versões que contamos aos outros, de modo que eu saiba o que esperar...

Ele estava olhando para a sua boca. Ela se deteve, insegura.

— O que foi? Eu me sujei de batom?

— Não, minha querida, você está linda. Só acho que você não pode parecer uma gatinha alarmada cada vez que eu tocar ou beijar você.

—Acho que tem razão.

—Precisamos ensaiar.-Dizendo isso, colou os lábios nos dela e a beijou profundamente.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance A Morte da Rainha
9.1
Sophia Hayes entra para a unidade antinarcóticos do FBI após a morte do pai, o agente Carlos. Com uma mensagem misteriosa como única pista, ela se torna responsabilidade de Harrison Hendrix. O veterano, recém-retornado de uma suspensão injusta, precisa lidar com a novata atraente enquanto enfrenta tiroteios e acidentes suspeitos. Entre mentiras e omissões dolorosas, a dupla mergulha em um passado obscuro onde a verdade pode ser o perigo mais letal de todos.
Capa do romance A Segunda Chance da Luna Traída
8.9
Eliza Carter, filha de Alfa, foi humilhada e expulsa de sua alcateia após a traição do marido. Decidida a recuperar seu legado, ela planeja uma vingança implacável contra aqueles que a destruíram. No entanto, ao romper seu antigo laço, o destino intervém: ela conhece um poderoso príncipe licano que se revela seu verdadeiro companheiro. Agora, Eliza precisa decidir entre focar em sua retaliação ou se entregar a um novo amor que pode salvá-la ou destruí-la.
Capa do romance Algos
9.3
Inspirada em Cavaleiros do Zodíaco, esta fantasia explora o peso do existir e a dor que permeia o tempo. Entre o passado e o futuro, o anseio pela liberdade guia seres que questionam se a cura é necessária. Em um mundo de conexões profundas, onde a razão desafia a loucura, personagens lutam e amam em meio a temas sensíveis. É uma jornada de ação e autodescoberta que indaga o sentido da vida, revelando que viver, mesmo com dor, é o único caminho para ser livre.
Capa do romance Amor De Lobo
9.7
No terceiro livro, Sara busca recomeçar longe das decepções e da traição que destruíram sua crença no amor. Ao mudar de cidade, ela conhece Rafael, um homem atraente que esconde sua natureza de lobisomem. Contudo, o passado de Rafael ressurge através de Gaspar, um lobo vingativo que planeja sua queda há dez anos. Ao descobrir que Sara é sua companheira predestinada, Rafael lutará contra esse inimigo implacável para proteger a mulher que o destino lhe entregou.
Capa do romance Dangerous Connectiion
8.6
Andrew quer dominar o crime no Canadá, enquanto Victoria busca vingar a morte do pai. Unidos pelo ódio ao mesmo inimigo, ela se infiltra no território dele sob um disfarce. O que Andrew via como um encontro casual vira uma caçada quando ele descobre um rival americano em suas terras. Presos em uma armadilha, a hostilidade cede à aliança. Contudo, Andrew ignora que a mulher em sua cama e o mafioso que ele persegue são, na verdade, a mesma pessoa.
Capa do romance Destino fechado
9.4
Alicia foi capturada durante sua infância e passou anos sob domínio alheio. Determinada a não aceitar esse destino cruel, ela finalmente encontra a coragem necessária para buscar socorro e planejar seu retorno ao lar. Durante essa perigosa jornada de fuga e redescoberta, a jovem enfrentará desafios intensos, mas também encontrará um amor inesperado que mudará sua vida para sempre. Uma história emocionante de superação, ação e romance.