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Capa do romance Sua Obsessão, a Segunda Vida Dela

Sua Obsessão, a Segunda Vida Dela

Ricardo, meu noivo e amor de infância, tornou-se agressivo após um acidente. Enquanto eu tentava salvá-lo, a terapeuta Cristina o manipulou contra mim. Fui usada como escudo em um ataque e sofri humilhações cruéis até ser assassinada por eles em uma cilada. Contudo, despertei misteriosamente um ano antes da minha morte. Com as memórias da traição e da violência que sofri, agora possuo a chance de mudar meu destino e executar um plano de vingança.
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Capítulo 2

Na cozinha, executei os movimentos para fazer o chá. Minhas mãos estavam firmes enquanto eu cortava o limão e media o mel, mas meu coração batia um ritmo frenético contra minhas costelas.

Meu celular, guardado no bolso, vibrou silenciosamente. Olhei de volta para a sala de estar. Eles estavam conversando, suas vozes um murmúrio baixo. Tirei o celular e vi a mensagem de um número desconhecido.

O plano está em andamento. Sete dias. Um carro estará esperando.

Era do assistente de Heitor. A esperança, feroz e brilhante, surgiu dentro de mim. Sete dias. Eu só precisava sobreviver por mais sete dias.

Deletei rapidamente a mensagem e guardei o celular de volta no bolso, bem no momento em que Ricardo entrou na cozinha.

— Quem era? — ele perguntou, a voz casual, mas seus olhos eram afiados, desconfiados.

Eu enrijeci, de costas para ele. Minha mente correu, procurando uma mentira plausível.

— Era o buffet da festa de noivado — eu disse, virando-me para encará-lo com uma expressão plácida. — Confirmando as mudanças no cardápio.

Seus ombros relaxaram. A desconfiança em seus olhos desapareceu, substituída por um olhar suave e possessivo que antes me fazia sentir querida e agora só me dava arrepios.

— Ótimo — disse ele, aproximando-se e envolvendo meus braços em volta da minha cintura por trás. Ele apoiou o queixo no meu ombro, sua respiração quente contra meu pescoço. — Não quero que nada dê errado. Tem que ser perfeito.

Ele pressionou um beijo na minha têmpora.

— Fiquei preocupado por um segundo — ele murmurou. — Pensei que... não sei. Não suporto a ideia de você me deixar, Helena. Você sabe disso. Eu desmoronaria.

Tive que lutar contra o impulso de me afastar de seu toque. Olhei para nosso reflexo no aço polido da geladeira. Ele parecia um amante devotado abraçando sua noiva. Era uma bela mentira.

Ele era tão arrogante, tão certo do meu amor e lealdade. Ele usou esse amor para me acorrentar a ele, para desculpar sua crueldade, para me tornar cúmplice do meu próprio sofrimento.

Não mais. Desta vez, eu sabia a verdade. O "amor" dele era uma doença, uma necessidade egoísta de possuir, e eu não seria mais a sua cura.

— Devo levar isso para a Cristina — eu disse, minha voz cuidadosamente neutra enquanto me livrava gentilmente de seu aperto. Foi um pequeno ato de desafio, uma representação física da distância que eu estava colocando entre nós.

Ele me soltou, uma carranca tocando brevemente seus lábios antes que ele sorrisse novamente.

— Claro. Não a deixe esperando.

Levei a bandeja para a sala de estar. Cristina estava esparramada no sofá, parecendo perfeitamente à vontade. Ela me observou aproximar com uma expressão indecifrável.

Coloquei a xícara de chá na mesinha de centro à sua frente.

— Seu chá, Dra. Ferraz.

Ela pegou, tomou um gole delicado e depois fez uma careta.

— Está um pouco doce demais, Helena. Poderia adicionar mais limão?

Seu tom era paternalista, como se falasse com uma criança ou uma empregada. Era uma provocação deliberada, um teste.

Na minha primeira vida, era aqui que a briga teria começado. Mas agora, eu apenas assenti em silêncio.

— Minhas desculpas.

Levei a xícara de volta para a cozinha, espremi mais suco de limão e voltei. Coloquei-a de volta na frente dela sem uma palavra.

Ela tomou outro gole.

— Agora está azedo demais. — Ela suspirou dramaticamente, colocando a xícara na mesa com um baque. — Minha garganta é muito sensível. Suponho que seja pedir demais uma simples xícara de chá.

Eu podia sentir os olhos de Ricardo em mim, esperando minha reação. Podia sentir a raiva, quente e familiar, subindo no meu peito. Eu queria jogar o chá escaldante em seu rosto presunçoso.

Em vez disso, respirei fundo. Peguei o açucareiro na bandeja, peguei uma colher limpa e uma pequena quantidade de açúcar. Ofereci a ela.

— Você pode adicionar o quanto quiser, Dra. Ferraz — eu disse, minha voz neutra. — Assim, ficará perfeito para você.

Foi um pequeno ato passivo-agressivo, mas foi o suficiente.

Os olhos de Cristina se arregalaram, primeiro de surpresa, depois de fúria. Ela se virou para Ricardo, seu rosto instantaneamente se contorcendo em uma máscara de mágoa e traição.

— Ricardo! — ela gritou, a voz trêmula. — Você viu isso? Ela está sendo grosseira comigo. Depois de tudo que eu fiz por você!

Ela se levantou, as mãos cerradas em punhos.

— Não posso ficar aqui! Eu me esforço tanto para te ajudar, para controlar sua condição, e sua noiva me trata assim! Se ela vai ficar aqui, então eu vou embora! Você pode encontrar outra terapeuta!

Eu quase ri. Era sua jogada favorita. A ameaça de ir embora. Sempre funcionava. Ricardo tinha pavor de ser abandonado, pavor de sua própria mente sem ela para "gerenciá-la".

Abri a boca para me defender, para apontar o absurdo de sua queixa.

— Ricardo, foi ela quem...

— Já chega, Helena! — A voz de Ricardo foi afiada, me cortando.

Ele se colocou entre nós, de costas para mim, de frente para Cristina. Toda a sua postura era protetora.

Ele virou a cabeça, seu olhar frio e duro.

— Peça desculpas para a Cristina.

As palavras me atingiram como um golpe físico. Eu o encarei, incrédula. Ele não podia estar falando sério. Ele tinha visto tudo. Ele sabia que ela estava mentindo, me provocando.

— O quê? — sussurrei.

— Eu preciso dela, Helena — ele disse, sua voz baixando, assumindo um tom suplicante que ele usava quando queria me manipular. — Você sabe que preciso. Minha recuperação depende dela. Apenas... por mim. Por favor. Peça desculpas e podemos superar isso.

Ele estava me pedindo para engolir meu orgulho, para validar uma mentirosa, tudo por suas próprias necessidades egoístas. Era sempre sobre as necessidades dele.

Lembrei-me de uma vez, anos atrás, antes do acidente. Alguém em uma festa fez um comentário grosseiro sobre meu vestido. Ricardo ouviu. Ele calmamente se aproximou, repreendeu o homem com algumas palavras quietas e cortantes, e depois me levou embora, seu braço um círculo quente e protetor ao meu redor. Ele tinha sido meu cavaleiro de armadura brilhante.

Agora, aquele cavaleiro exigia que eu me curvasse ao dragão.

O que restava do amor que eu sentia pelo homem que ele foi um dia... se desfez em cinzas naquele exato momento. Desmoronou e foi levado pelo vento, não deixando nada além de uma determinação fria e dura.

Ele não me amava. Ele nem mesmo me respeitava. Eu era apenas uma posse, um conforto familiar que ele estava disposto a sacrificar por um novo, mais útil.

Tudo bem. Eu interpretaria o papel. Por mais sete dias.

— Você está certo — eu disse, minha voz desprovida de emoção. Olhei por cima dele, para o rosto triunfante de Cristina. — Me desculpe, Dra. Ferraz. Foi um erro meu.

As palavras pareciam veneno na minha boca.

Eu não aguentava mais ficar naquela sala por nem mais um segundo.

— Estou me sentindo cansada — eu disse, virando-me. — Vou me deitar.

Saí da sala, sem esperar por uma resposta, e fugi escada acima, o som da voz suave e apaziguadora de Ricardo acalmando sua preciosa terapeuta me seguindo por todo o caminho.

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