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Capa do romance Sua Mentira Perfeita, Meu Mundo Estilhaçado

Sua Mentira Perfeita, Meu Mundo Estilhaçado

Casada com o magnata Emerson Gonçalves, acreditei viver um sonho até descobrir que era apenas o substituto de sua prima em coma. Grávida e usada como incubadora, fui descartada quando Gisele acordou. Após sofrer agressões brutais e perder meu filho e as cinzas de minha mãe pelas mãos dela, sob o olhar frio de Emerson, fugi para Lisboa. Quando ele reaparece implorando por uma família, resta apenas confrontá-lo com a dura realidade do que ele destruiu.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Aline Campos:

Coisas quebradas não podem ser consertadas. Nem com dinheiro, nem com promessas vazias. Eu sabia disso agora.

Virei-me para ir embora, para ir a qualquer lugar que não fosse aqui, mas a mão de Gisele disparou e agarrou meu pulso. Seu aperto era surpreendentemente forte.

"Espere", disse ela, suas lágrimas milagrosamente desaparecidas. "Emerson, querido, por que não vamos todos às compras? Você prometeu redecorar meu estúdio. Podemos comprar algo para a Aline então. Como uma... oferta de paz." As palavras eram um insulto envolto em seda.

Emerson, sempre atento aos caprichos dela, concordou imediatamente. "É uma ótima ideia. Aline, você deveria vir conosco. Tomar um pouco de ar fresco."

"Não", eu disse, meus pés já se movendo em direção à porta. "Eu tenho algo que preciso fazer."

Hoje era o dia. O dia da minha consulta.

"Não seja difícil, Aline", disse Emerson, sua voz adquirindo um tom duro. Ele se aproximou e pegou meu braço, seu aperto firme. Não era um pedido. "Você está grávida. Não quero que saia sozinha."

Meus planos. Minha fuga. Tudo estava prestes a desmoronar. Para evitar suspeitas, para garantir que eu pudesse fugir de vez em algumas semanas, eu não tinha escolha.

"Tudo bem", eu disse com dificuldade, a palavra com gosto de cinzas.

Observei-o levantar Gisele para o banco da frente de seu Porsche, seus movimentos cheios de uma ternura que ele não me mostrava há semanas. Deslizei para o banco de trás, uma passageira indesejada em minha própria vida. Durante todo o trajeto, eles relembraram a infância, suas piadas internas e memórias compartilhadas formando uma parede impenetrável ao redor deles, deixando-me no silêncio frio do banco de trás. Eu era um acessório, uma coisa que ele era obrigado a transportar.

"Então, onde é essa coisa importante que você tinha que fazer?", Emerson perguntou de repente, seus olhos encontrando os meus no espelho retrovisor.

Meus dedos ficaram brancos enquanto eu agarrava minha bolsa. Meu coração martelava contra minhas costelas. "Apenas... uma livraria na zona leste."

Antes que ele pudesse me questionar mais, Gisele interrompeu, sua voz um guincho agudo e excitado. "Oh, Emerson, olhe! É aquela boutique que amamos! Eles estão com uma promoção de um dia. Temos que ir agora, ou vamos perder tudo!"

Emerson hesitou, olhando de mim para ela. "Mas a Aline precisa..."

"Fica a apenas alguns quarteirões daqui", disse ele, virando-se para mim, sua decisão já tomada. "Você não se importa de andar, não é? Nos encontramos de volta no carro em uma hora."

O ar que eu estava segurando saiu de mim em uma onda de alívio, tão aguda que foi quase dolorosa. Foi seguida por uma risada amarga e autodepreciativa que morreu na minha garganta. Ele nem se importava. Ele não se importava para onde eu estava indo, o que eu estava fazendo. Tudo o que importava era manter Gisele feliz.

"Não me importo", eu disse, minha voz plana.

Abri a porta e saí para a calçada sem olhar para trás.

O procedimento foi rápido, clínico e impessoal. Saí da clínica sentindo-me esvaziada, um fantasma caminhando por um mundo que de repente perdeu toda a sua cor. Ao sair para a tarde cinzenta, meu celular tocou. Era ele.

"Ei", disse ele, sua voz tingida daquele tom irritantemente gentil que ele usava quando fingia se importar. "Onde você está? Já terminou suas compras?"

Um nó se formou na minha garganta. Lembrei-me de um tempo em que aquela voz teria sido minha âncora, meu lar. Um tempo em que ele teria movido montanhas se eu apenas espirrasse, muito menos saísse sozinha enquanto carregava seu filho.

Engoli em seco, forçando minha voz a permanecer firme. "Terminei. Estou a caminho do carro."

"Ótimo. Gisele e eu vamos comemorar a recuperação dela esta noite no Vértice", disse ele, nomeando o restaurante mais exclusivo da cidade. "Vou mandar o motorista te buscar. Esteja pronta às sete."

Não era um convite. Era uma convocação. Eu conhecia sua natureza possessiva; se eu recusasse, ele ficaria desconfiado. Sair de vez exigia que eu interpretasse esse papel um pouco mais.

"Estarei lá", eu disse, e desliguei.

Quando entrei na sala de jantar privativa do Vértice, eles já estavam lá. Emerson estava inclinado sobre a cadeira de rodas de Gisele, sussurrando algo em seu ouvido que a fez rir, um som prateado e tilintante que irritou meus nervos. Sua mão repousava no ombro dela, o polegar acariciando sua clavícula. Ele congelou quando me viu, puxando a mão para trás como se tivesse se queimado.

Gisele apenas sorriu, uma expressão felina de pura satisfação. "Oh, que bom, você está aqui. Estávamos com medo de que não houvesse comida suficiente."

Emerson gesticulou para o garçom. "Aline, peça o que quiser."

Balancei a cabeça, meu apetite havia sumido.

Ele não insistiu. Em vez disso, recitou uma lista de pratos para o garçom — coq au vin, lagosta thermidor, risoto de trufas. Cada um deles era o favorito de Gisele.

"Oh, Emerson, você se lembrou!", ela exclamou, batendo palmas como uma criança. "Você é o melhor."

Ele nunca se lembrou que eu era alérgica a frutos do mar. Ele nunca se lembrou que eu preferia uma massa simples a uma culinária francesa rica e complicada. Ele nunca se lembrou de mim. Ele só via ela.

Ele estava tão ocupado ajudando Gisele a cortar sua comida, tão absorto em cada palavra dela, que parecia ter esquecido que eu estava ali.

"Emerson", disse Gisele docemente, cutucando-o. "Você está ignorando nossa convidada. Aline não comeu nada."

Ele olhou para cima, como se surpreso ao me ver. Ele distraidamente pegou um grande pedaço de lagosta de seu próprio prato e o colocou no meu. "Aqui. Coma."

Eu encarei a carne rosa e branca da lagosta, um alimento que me cobriria de urticária e dificultaria minha respiração. Ele sabia. Eu havia lhe dito cem vezes. Tivemos até um susto em nossa lua de mel quando um prato foi contaminado. Ele me segurou, aterrorizado, enquanto eu ofegava por ar. Ele havia jurado que nunca, jamais esqueceria.

Ele havia esquecido.

Eu silenciosamente empurrei a lagosta para o lado do meu prato.

"O que há de errado?", perguntou Gisele, sua voz tingida de falsa preocupação. "Você não gosta? Emerson escolheu especialmente para você."

Emerson franziu a testa para mim. "Aline, não seja petulante. Gisele está tentando ser legal. O mínimo que você pode fazer é mostrar um pouco de educação."

Eu olhei para ele, meu coração uma coisa morta e fria no meu peito. "Sou alérgica", eu disse, minha voz mal um sussurro.

Ele congelou, o garfo a meio caminho da boca. Um lampejo de choque, depois constrangimento, cruzou seu rosto. "Ah. Certo. Eu..."

Gisele aproveitou o momento. "Alérgica? Aline, você tem que ser mais cuidadosa! E o bebê? Você não pode ser tão egoísta a ponto de arriscar sua saúde agora!"

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. Não esperei pelo pedido de desculpas de Emerson, por suas desculpas fracas. Peguei meu garfo, espetei deliberadamente o pedaço de lagosta e o levei à boca. Mastiguei devagar, mecanicamente, e engoli.

A comida tinha gosto de veneno.

De volta a casa, fui imediatamente ao banheiro e tomei dois comprimidos de anti-histamínico, minhas mãos tremendo. Apoiei-me no azulejo frio, esperando a coceira começar, o aperto no peito.

Alguns minutos depois, Emerson carregou Gisele pela porta da frente, os braços dela em volta do pescoço dele. Ele parou abruptamente quando me viu parada no corredor, meu rosto pálido.

"Você está bem?", ele perguntou, sua voz rígida.

Eu não respondi. Comecei a caminhar em direção ao nosso quarto, precisando escapar da visão deles.

Ao passar, ouvi Gisele sussurrar de brincadeira em seu ouvido: "Meu herói. Você tem que me carregar até o meu quarto."

E Emerson respondeu, com uma voz tão terna, tão cheia de adoração que fez meu estômago revirar: "Qualquer coisa por você, minha rainha."

Era uma voz que eu nunca tinha ouvido antes.

Fechei a porta do quarto atrás de mim, o som um baque surdo na casa silenciosa. Deslizei até o chão, minhas costas contra a madeira, e ouvi seus passos suaves se afastarem pelo corredor, o murmúrio de sua voz enquanto ele a acalmava.

A primeira pápula vermelha e irritada apareceu no meu pescoço, quente e coçando. Fechei os olhos, respirei fundo e tentei ignorar o fogo se espalhando pela minha pele.

Amanhã. Amanhã eu teria me livrado do bebê. Amanhã eu estaria um passo mais perto da liberdade.

Mas isso era uma mentira. Porque o bebê já tinha ido embora, arrancado de mim da maneira mais brutal imaginável, um segredo que eu era forçada a carregar sozinha. Esta criança, esta mentira, nunca deveria ter sido concebida em uma família construída sobre o engano.

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