
Sua Gaiola Dourada Me Matou
Capítulo 2
Julieta Castro POV:
Álvaro estava na sala de reuniões, a voz imponente ecoando pelas paredes da nossa mansão. O CEO carismático estava em seu elemento, fechando mais um negócio multimilionário. Eu sabia que ele não voltaria para me checar por horas.
Era a minha chance. A hora de usar o último favor que "O Oráculo" me devia. Meu coração batia forte, um ritmo irregular que eu não compreendia. Eu tinha que saber. Tinha que ver com meus próprios olhos.
Não era por ciúme mesquinho. Era para entender. Para desvendar a verdade por trás de sua possessividade, de seus medos. Para ver o que ele escondia.
Eu fechei os olhos, concentrando-me. A sensação era como um choque elétrico percorrendo cada nervo, um formigamento que anunciava a abertura de um portal.
De repente, eu estava lá. Não fisicamente, mas minha consciência pairava sobre a cena. Era o meu quarto. O nosso quarto.
Eu me vi deitada na cama, imóvel. Meus olhos estavam fechados, minha respiração lenta e profunda demais para ser um sono natural. Eu não estava acordada. Eu estava apagada.
Álvaro estava lá. E com ele, Sabina Leite. A estagiária ambiciosa, aquela que eu mesma havia recomendado para o programa da empresa.
Ele a beijava, os lábios vorazes, enquanto as mãos de Sabina exploravam seu corpo. Minha visão se focou neles, uma imagem tão nítida que doía.
Eles se moviam em minha cama, a cama que era nosso santuário, o palco da nossa intimidade. Sabina sorria, aquele sorriso vitorioso que eu já havia notado em seus lábios quando ela exibia um bracelete novo, um presente "inesperado".
Meu corpo estava ali, inerte, uma boneca abandonada. Eu era um objeto, uma peça de mobília ignorada. A visão me embrulhou o estômago. Eu me sentia como um brinquedo velho, jogado no canto.
As lembranças começaram a se encaixar, como peças de um quebra-cabeça macabro. A dor de cabeça ao acordar, a sonolência que persistia até o meio da manhã. Eu achava que era estresse, exaustão.
O cheiro. Um cheiro doce, quase floral, que eu sentia ao entrar no quarto algumas manhãs. Eu sempre atribuía ao perfume de Sabina, que por vezes ficava na mansão após alguma entrega de documentos tardia.
O "suplemento para estresse" que Álvaro me dava todas as noites. O mesmo que me fazia desmaiar em um sono profundo e sem sonhos. Aquele que ele insistia que eu tomasse, com um sorriso gentil e preocupado.
Não era um suplemento. Era um sedativo. Ele me drogava. Todas as noites. Para poder me trair, na minha própria cama, enquanto eu estava desacordada.
Meu mundo, aquele que eu havia construído com tanto esmero, desabou em um milésimo de segundo. Álvaro não me amava. Ele me controlava. Ele me usava. E ele me traía.
A confiança, essa base frágil que eu tanto lutei para solidificar, se estilhaçou em milhões de pedaços. Eu não podia mais me enganar. Não depois disso.
Eu percebi que não era apenas uma vítima. Eu era uma prisioneira, drogada e humilhada. Mas essa percepção, por mais dolorosa que fosse, era o primeiro passo para a liberdade.
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