
Sua Decepção, o Destino Dela em Londres
Capítulo 3
Breno correu atrás de Daniela, sua voz um murmúrio desesperado enquanto a seguia para o elevador. As portas se fecharam, deixando Elisa sozinha na cobertura cavernosa.
Uma assistente de maquiagem correu com um lenço de papel.
— Senhorita Magalhães, você está sangrando.
Elisa a dispensou com um aceno. Caminhou até a janela e tocou a bochecha, seus dedos voltando vermelhos.
Ela pegou o celular. A tela ainda estava estilhaçada, mas funcionava. Abriu seu e-mail e encaminhou sua carta de demissão diretamente para o endereço pessoal de Breno.
O assunto era simples: Demissão.
O corpo era ainda mais simples: Eu me demito.
Menos de um minuto depois, uma notificação apareceu. E-mail lido. E então, outra. Uma mensagem automática do RH. Sua demissão foi processada. Seu último dia é hoje.
Ele deve ter aprovado do celular no elevador. Era tão fácil assim para ele deixá-la ir.
Ela tirou o vestido de seda e vestiu suas próprias roupas simples. Deixou o vestido amontoado no chão.
Foi ao escritório para pegar o resto de suas coisas. Era um sábado, mas o andar de design estava movimentado. Os sussurros começaram no momento em que ela entrou.
— É ela. A que o Breno largou.
— Ouvi dizer que a Daniela é a nova vice-presidente. Vai ficar com a sala da Elisa.
Ela se lembrou de todas as vezes que cobriu Breno, trabalhou até tarde para terminar suas propostas, sacrificou seus próprios projetos pelo "sonho compartilhado" deles. Não significava nada.
Ignorou os sorrisos de escárnio e foi para sua mesa. Sua placa de identificação já havia sumido.
Enquanto embalava sua última caixa, ela rolou o feed do Instagram. Uma nova postagem de Daniela.
Era uma foto da mão dela entrelaçada com a de Breno. A legenda dizia: "Ele disse que começou como um jogo, mas o coração dele sempre soube a verdade."
O Rolex era claramente visível no pulso de Breno.
A postagem havia sido curtida por metade de seus colegas.
Até a própria conta de Breno havia curtido.
Elisa sentiu uma estranha sensação de calma. Não havia mais esperança a ser esmagada. Havia apenas a verdade fria e dura.
Ela levou sua caixa para casa, para o apartamento agora vazio. Sentou-se no chão e comeu um copo de miojo. Breno sempre o chamava de "comida de pobre". Ele o jogaria fora se o encontrasse na despensa.
A chave girou na fechadura tarde da noite. Breno entrou, cheirando a uísque caro. Ele estava sorrindo.
Obviamente, ele havia se reconciliado com Daniela.
Ele tropeçou na mala dela perto da porta. Seu passaporte e a confirmação do voo caíram.
Ele os pegou, seu sorriso se transformando em um escárnio bêbado.
— Curitiba? Você vai mesmo fugir por causa de uma briguinha?
Ela não respondeu, apenas continuou a comer seu miojo.
Ele se aproximou e chutou o copo da mão dela. O caldo quente espirrou em sua calça jeans.
— Eu te disse, isso é um jogo — disse ele, a voz um pouco arrastada. — Eu precisava acalmá-la. Me dê um mês. Só mais um mês, e eu encontrarei uma nova maneira de arruiná-la. Eu prometo.
Elisa olhou para ele, o rosto impassível.
— Breno — disse ela, a voz firme e clara. — Nós terminamos.
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