
Sorte ou Destino
Capítulo 3
Cap. 3 a ilha
Pegamos um jato particular naquela mesma noite, viajamos quase que a noite toda, foram umas 8 horas e aterrissamos numa ilha no pacífico sul. Era um arquipélago, e fomos para uma ilha menor, a 1 hora da ilha que Kalil morava.
Ele foi me mostrando pela janela do avião, a maior era a capital, onde seus pais moravam, onde ele também morava. Era ocupada por cerca de 80.000 habitantes, e os outros quase 20.000 habitantes, viviam espalhados ao longo do arquipélago.
Fomos de lancha para uma das ilhas menores, e mesmo Kalil insistindo muito, aquela noite e toda viagem ao lado dele não me deixava avaliar todos os acontecimentos e eu precisava ficar sozinha.
Decidi ficar em um hotel, enquanto Kalil foi para sua casa de praia, a uns 3 km dali. Fiquei hospedada num quarto muito simples, bem no estilo havaiano, com uma cama encostada na parede, uma arara com cabides, o banheiro com uma ducha, pia e vaso sanitário, tudo muito rústico, mas aconchegante. E tinha tudo o que eu precisava naquele momento, banho e cama. Apesar de dormir no avião, não foi uma noite descansada.
Tomei uma ducha e fui na cozinha do hotel, lá e consegui um lanche, depois de comer voltei para o quarto e fiquei na cama o restante daquela tarde, acabei adormecendo. Acordei algumas horas mais tarde, e vi que já era noite. Aquele dia demorou a passar devido ao fuso horário. Saí para dar uma volta no pequeno vilarejo, tinham umas lojinhas de lembranças e alguns restaurantes, todos simples, mas aconchegantes. Me lembrei de Paraty, aquela cidade linda no Rio de Janeiro.
Jantei uma massa com frutos do mar, num restaurante muito pequeno e confortável. Tive um pouco de dificuldade de escolher o prato, por sorte uma das atendentes falava um pouco de inglês. Estava delicioso. Resolvi voltar para o hotel, já era tarde e eu não conhecia o lugar.
Fiquei algum tempo pensando em tudo, e percebi que Kalil não tinha mentido, compreendi a situação dele, um príncipe! Ainda não dava para acreditar, mas era verdade, e ele não podia mesmo sair se apresentando como tal, existem muitas mulheres interesseiras.
Quando acordei, já devia ser umas 7 da manhã. Resolvi sair do quarto, tomei um cafezinho na cozinha do hotel, e sai para caminhar na beira da praia. Eu não tinha roupas de banho, mas o vestidinho que eu trouxera na bolsa deu para sair as compras. Antes deveria ligar para minha secretária Dayana, e foi o que fiz. Pensei que tivesse sido noticia na televisão, mas não fui. Fiquei sabendo mais tarde que Kalil conseguiu omitir minha identidade e pagou para que as imagens com meu rosto não aparecessem.
Encontrei Kalil e fomos comprar roupas de banho. Estava um calor bom e o sol brilhava convidando a todos a um banho naquele mar cristalino.
Passamos em várias lojinhas, experimentei pelo menos uma dúzia de biquínis, mas fiquei só com 2. Um deles era tomara eu caia vermelho, e a parte de baixo um floral. O outro no mesmo modelo, mas na cor azul. Eles realçaram minha pele que estava muito branca. Como podia aquilo, eu morava numa cidade praiana, mas nunca tinha tempo de pegar um solzinho nas águas cristalinas das praias na minha própria cidade.
Após as compras, já vestida adequadamente, fomos tomar um sorvete e dar uns mergulhos. Aquele moreno era mesmo sedutor e havia me ajudado a esquecer o Albert quase que para sempre. O que meses depois vi que seria impossível, pois meu ex-marido era intrometido demais na minha vida.
As praias eram lindíssimas, uma areia branquinha, águas cristalinas. Bem parecidas com as da minha cidade, a diferença era que essa era uma ilha e tudo era mais rústico.
Foi um dia maravilhoso, Kalil falou sobre aquela ilha, sobre como amava ficar ali. Explicou sobre as fazendas de pérolas e como era realizado o cultivo de pérolas negras. Todo trabalho era manual, primeiramente com a escolha de ostras apropriadas da espécie Pinctada margaritifera.
- As ostras escolhidas precisam ser abertas e faz-se uma incisão com bisturi em sua carne, tudo com muito cuidado. É implantada uma conta esférica junto com um pequeno pedaço de tecido vivo da camada interior de uma concha doadora. Depois as ostras são colocadas na fazenda, na laguna e cuidamos delas tirando qualquer acúmulo de algas ou cracas. O que acontece é que o tecido vivo implantado envolve e reveste a conta, camada por camada, com uma substância perolada brilhante chamada nácar ou madrepérola. Se o implante não for rejeitado, a pérola será produzida dentro de um ano e meio a dois anos. Uma notável simbiose natural, com auxílio do homem.
Eu fiquei extasiada com as informações, achei tudo muito perfeito. Estar com Kalil foi perfeito. Só que eu insisti em ficar no hotel, pelo menos mais aquela noite. Na manhã seguinte fui acordada pela recepcionista, com outro buquê de flores- desta vez flores do campo – e outra mensagem:
“Arrume suas coisas, deixe na recepção e aguarde que em 30 minutos vou te buscar. Vamos tomar café da manhã próximo ao paraíso. ”
Com carinho, Kalil Mahad
Resmunguei um pouco, pois 30 minutos não era tempo suficiente para me arrumar, e as malas?! Quem ele pensava que era? Ah é mesmo, um príncipe. O príncipe Kalil Mahad, o homem lindo e sedutor, por quem eu estava encantada. Já tinha aceitado ir até ali, porque não aceitar o convite num todo. O que eu estava evitando, aquele homem era maravilhoso e ficar mais perto dele seria prazeroso.
Em 30 minutos eu estava pronta e Kalil chegou num jipe dirigido por um homem nativo, que devia ter uns 50 anos. Não rodamos muito, e logo entrávamos numa pequena aldeia mais ao norte da ilha, atravessamos uma ponte sobre um rio estreito e nos deparamos com uma casa – casa não, uma mansão – á beira mar. Parecia uma casa de filmes, com grandes janelões de vidro, portas duplas de correr no andar superior, que deduzi serem os quartos, uma piscina com um lindo jardim ao redor. Uma verdadeira casa de cinema.
No interior tudo era mais bonito ainda, entramos em uma grande sala com sofás brancos, uma TV de plasma em uma das paredes, na lateral a esquerda uma mesa rústica em madeira com cadeiras forradas em tecido floral. Ao fundo uma escada em meio círculo, ela era de madeira, que dava ao andar superior. Todo andar inferior era em tábua corrida. No final da parede a esquerda uma porta de correr estilo açougue dava para uma cozinha bem estruturada e para minha surpresa moderna, toda em cimento queimado e com aparelhos domésticos em aço.
- Kalil, que casa maravilhosa!
- Meu avô comprou alguns anos atrás, e a família vem conservando e modernizando. Mas eu não venho muito aqui, acho que 1 ou 2 vezes por ano.
- Um paraíso desses e você simplesmente não desfruta dele.
Kalil mostrou o andar superior, que era composto por 5 suítes, todas tinham uma varanda interligando-as, seguindo a parte superior da casa ao redor dela todo.
Me levou ao cômodo que eu ficaria, uma suíte ao lado da dele. A minha varanda dava para parte de trás da casa, e dava para ver a piscina e ao fundo o mar. Era aconchegante, uma cama enorme, o tecido da roupa de cama era digno da realeza – algodão egípcio, provavelmente – bordado com iniciais MM, que deveria ser do sobrenome Mahad. No banheiro havia uma bancada comprida com duas pias, em mármore carrara, com uma banheira moderna, toalhas felpudas também com as mesmas iniciais MM, estavam em um nicho inserido a parede lateral a pia.
Kalil bateu na porta depois de 20 minutos e me convidou para o café que foi servido à beira da piscina. Kalil começou a falar primeiro: - Perdoa-me Sarah por fazê-la passar por tantas coisas. Eu consegui com Jim que não publicassem sua imagem, mas a história ficou no ar.
Respondi com ternura: - eu sei que você tentou me proteger de todo aquele assédio e realmente é bom recomeçar. Vamos deixar o passado, somos Sarah e Kalil, amigos que viajam juntos para descansar e se conhecerem melhor.
- Ok menina, nada de falarmos do passado, tudo se inicia hoje.
Naquele instante descobri que a minha vida, a minha alma pertencia aquele “Deus” grego, e que a chave que ele me deu, já estava dando a primeira volta na tranca do coração de kalil Mahad.
Aquele dia passou rápido, com banhos de mar, muita alegria nas brincadeiras à beira da água, parecíamos crianças sorrindo, correndo. Realmente era um conto de fadas que estava acontecendo comigo. De vez em quando eu lembrava da minha realidade, aquela bem distante daquele paraíso, onde eu tinha um ex-marido que insistia em me atormentar, trabalho por realizar. Almoçamos na beira da piscina também, era lagosta com risoto de frutos do mar. Uma bela taça de vinho branco para acompanhar. Conversamos muito, ele se desculpou umas dezenas de vezes mais.
Já tinham passado 5 dias, logo o ano letivo estava tendo início e eu, a diretora, nem pensava em voltar ao trabalho. Como eu queria que aquele sonho não acabasse.
Liguei para Dayana, precisava pedir que ela tomasse conta de tudo por mim, eu não podia ir embora ainda. Kalil Mahad era um sonho e eu desejava ardentemente aproveitar cada segundo dele, antes de acordar.
Aquela noite foi difícil, eu sentia que algo me incomodava, era o calor, a ausência. Ausência? Sim, eu não queria aquela parede entre eu e o homem maravilhoso que havia conhecido. Mas eu não conseguia deixar nada acontecer entre nós. Ao mesmo tempo que eu evitava Kalil, buscava ardentemente um motivo para não me entregar aquela paixão.
Você pode gostar





