
Sombrio Amor
Capítulo 3
Lyla havia escolhido um restaurante não muito ostentoso, mas bom o suficiente para comerem bem e terem privacidade. Faolán chegou lá alguns minutos antes dela. E quando ela desceu do carro, ele ficou deslumbrado.
- Fecha a boca! Não queremos parecer idiotas, pra ela!"- Lonn o lembrou e Faolán se endireitou.
- Senhorita Haynes - Ele disse, oferecendo a mão para ela. Lyla olhou para a mão dele e, só para evitar parecer estúpida, aceitou-a.
- Senhor McKay - O mesmo sentimento de antes tomou conta de ambos. Desta vez, ele foi muito mais galante e menos pateta. Lyla notou que Faolán tentava se exibir como o Alfa que era. Apesar de não ser um lobo, ela sentiu o cheiro de seus feromônios afetando-a, embora ela tentasse resistir.
"Esse cretino é realmente lindo!", ela pensou amargamente. O cheiro era atraente. Ele estava fazendo a boca dela aguar, porém, ela não queria mordê-lo. Não no sentido de machucar, pelo menos, mas de outra forma.
Ao perceber o que estava acontecendo com ela, Lyla tratou pensar em outras coisas, pois sabia que ele farejaria a sua excitação. Como uma forma de ser atraente fisicamente, de maneira completa, para as presas, ela ficava molhada lá.
- Muito obrigado por aceitar meu convite - Faolán ofereceu-lhe o braço, com um sorriso malicioso. Ele estava sentindo o quão afetada a ruiva estava com a presença dele. Ela poderia até tentar negar, mas não conseguia disfarçar que estava atraída por ele.
Eles foram levados a uma mesa no fundo do salão, num local mais recluso, para que ninguém pudesse ouvir o que falavam.
Enquanto caminhavam até a mesa, Faolán notou todos os olhos dos clientes presentes, nela - alguns deles querendo-a para si, e outros querendo ser como ela. De qualquer forma, eles a admiravam e Faolán a conduzia com orgulho e superproteção. Assim que chegaram à mesa, Lyla o mirou seriamente.
- Agora você pode começar a falar - Ela disse, mandona.
Faolán sorriu antes de dizer qualquer coisa. Ele estava tentando manter a calma, mas a visão daquela mulher era algo fora de sério, para ele.
A ruiva tinha ido para sua casa tomar banho e trocar de roupa. Faolán podia sentir o cheiro do sabonete e do hidratante na pele dela. Agora, ela usava um vestido verde simples que combinava perfeitamente com seu tom de pele e cabelo. Saltos bege, quase nenhuma maquiagem, exceto o batom vermelho sangue. Na maioria das mulheres, poderia parecer muito extravagante, cabelo ruivo alaranjado, com vestido verde e um batom mais que chamativo. Mas nela, estava perfeito. Tudo nela era perfeito.
- Certo. Posso te chamar de Lyla? - Ele perguntou com um sorriso no rosto. Lyla não gostou, mas queria acabar logo com aquilo e resolveu assentir. Faolán gentilmente puxou uma cadeira para ela sentar, o que ela fez. Ele foi para o outro lado e sentou-se de frente para ela - Você acredita em amor à primeira vista, Lyla?
Ela ponderou por dois segundos, antes de concordar com a cabeça.
- Claro, por que não? - Ela respondeu. Lyla havia amado loucamente um homem, séculos antes, e foi amor à primeira vista. No entanto, ele foi arrancado de sua vida. A lembrança daquilo a fez sentir um gosto amargo na boca.
- Você acreditaria em mim se eu dissesse que estou apaixonado por uma mulher, quando a vi apenas uma vez? - ele manteve contato visual com ela.
- Hmm - foi a resposta dela.
O garçom se aproximou, apresentando-se. Lyla pediu um dry martini, enquanto Faolán preferiu um licor de chocolate. Ela olhou para ele interrogativamente.
Cerca de 2 minutos depois, o garçom voltou com as bebidas.
- Eu amo esse licor - Ele afirmou, e ela achou fofo, mas depois voltou à sua expressão séria. Lyla não poderia ter tais pensamentos sobre o inimigo - Não estou dizendo isso para influenciar você a me dar seu território, mas estou realmente interessado em você.
- Eu duvido muito - Ela disse, depois de tomar um gole de sua taça.
- Estou falando sério. Quando você apareceu no café, fiquei completamente fascinado e nem sabia quem você era - Ele falou em um tom sedutor, o que a fez cair na gargalhada.
- Você não sabia quem eu era?! Não posso aceitar que um homem que dirige uma empresa vá falar de negócios com alguém, sem sequer verificar se é a pessoa certa. Se fosse antigamente, eu não ficaria surpresa; mas hoje em dia, com a internet disponível? Inconcebível! - Lyla disse, recostando-se na cadeira e olhando para ele com desdém.
Faolán sabia que havia errado. Lyla podia nem ser a CEO, mas ele abriu a boca e contou tudo a ela, como um idiota.
- Sim, fui descuidado. Minha cabeça está um pouco fora de órbita, esses dias. Mas garanto que não estou mentindo. E, pelo que posso perceber, com todo o respeito, você não é indiferente a mim - Ele disse, sorrindo.
- Eu não sou hipócrita, nem mentirosa. Então, sim, admito que você é muito bonito, charmoso, o tipo de homem que a maioria das mulheres nem tentaria resistir. Porém, eu, Sr. McKay, não faço parte desse seleto grupo das damas.
- E é isso que eu mais gosto em você. Você não é apenas bonita; você também é inteligente e tem uma personalidade forte, tudo que um Lun...- Ele parou, pigarreou, como se tivesse sido engasgado, e tomou um gole da água que o garçom lhes serviu como cortesia - ...um líder nato deve ter.
Lyla percebeu o que ele estava prestes a dizer. Luna. Isso confirmou as suspeitas dela. Ele a reconheceu como sua companheira. Era tentador usar isso para destruí-lo para sempre, mas ela sabia que as coisas poderiam dar errado. Se ela era sua companheira, isso significava que sua atração por ele era recíproca, e ela não poderia resistir a isso por muito tempo. Depois de tantos séculos de experiência, Lyla não correria tal risco.
- Falar docemente não vai me fazer desistir das terras. Agora, se é isso que você queria me dizer, podemos encerrar esta reunião agora mesmo - Ela disse, bebendo o que sobrou em seu copo de um só gole e puxando a carteira para pagar sua parte. Lonn, que estava apenas observando o tempo todo, começou a ficar inquieto. Lyla tirou uma nota de cem dólares da bolsa, colocou-a sobre a mesa, levantou-se e foi até a porta.
- Vai ficar aí como um idiota? CORRE ATRÁS DELA! - Lonn gritou, impaciente, fazendo Faolán sair do transe.
- Espere! Não vá! - Faolán a chamou, levantando-se. Ela não esperou, então ele foi atrás dela, alcançou-a, segurou-a pelo braço e a virou para ele. Lyla tentou se afastar, mas ele a puxou para mais perto de si.
- Me solta! - Ela comandou, entre os dentes. A última coisa que ela queria era atrair a atenção de outras pessoas, por isso, não podia simplesmente dar um empurrão mais forte naquele Alfa.
Faolán não disse nada, apenas colocou as mãos no rosto dela e baixou os lábios em direção aos dela, pegando-a de surpresa. Lyla tentou virar o rosto, mas o desejo que brotou no âmago dela foi muito mais forte e, logo, ela tinha os braços no pescoço dele, permitindo que Faolán explorasse sua boca.
A cada segundo, o vínculo entre eles ficava mais forte e a mente de Lyla já estava se esvaziando, focando exclusivamente no belo moreno de olhos verdes.
- Esses jovens não têm nenhum respeito! Eles poderiam pelo menos ir para suas casas, em vez de fazer essas safadezas no meio da rua! - Uma senhora idosa passou por eles e comentou em voz alta, para que ouvissem, o que despertou Lyla de seu "transe", fazendo-a empurrar Faolán.
- Chega! Não gosto de fazer isso em público - Ela quase nem reconheceu a própria voz, cheia de desejo.
- Ok, então vamos para o meu quarto - Ele disse, sem dar tempo a ela para recusá-lo. Lyla não ofereceu resistência, sentindo-se flutuando. Ela entrou no carro e, quando deu por si, Faolán já estava dirigindo.
"O que diabos?", ela se perguntou, confusa. O que ela faria? Lyla não queria que Faolán soubesse o que ela era. Não ainda, pelo menos.
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