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Capa do romance Sob Contrato Debaixo de sua pele

Sob Contrato Debaixo de sua pele

Catalina Vega vê na vaga de assistente de Dante Moretti a salvação financeira de sua família. Contudo, ela ignora que sua contratação faz parte de uma vingança meticulosa. Dante quer destruir o clã Vega, mas o ódio inicial fraqueja diante de uma atração inesperada. Entre toques proibidos e beijos fatais, o desejo floresce em meio a um campo de batalha. Agora, segredos e traições ameaçam o laço que nasce enquanto o passado clama por um acerto de contas.
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Capítulo 2

O elevador parou no quadragésimo segundo andar e as portas abriram-se com um suave zumbido. Catalina respirou fundo, tentando acalmar o turbilhão no peito. Ela estava há três dias sem dormir bem desde a entrevista e, mesmo assim, não estava preparada para o que estava por vir.

Primeiro dia.

Primeiro emprego sério.

Primeiro passo dentro de um mundo que não lhe pertencia.

O andar inteiro era um espetáculo de luxo minimalista: mármore branco, vidros polidos, luz natural em abundância e um silêncio quase religioso. A cada passo que dava, Catalina sentia o peso dos olhares de quem a rodeava. Alguns funcionários sussurravam entre si, outros digitavam rapidamente, e todos a observavam com aquela mistura de curiosidade e julgamento reservada aos recém-chegados.

Ajustou a blusa branca que tinha passado a ferro três vezes naquela manhã e caminhou com determinação até a receção privada do CEO. A assistente de Dante Moretti, a mesma mulher implacável da entrevista, esperava-a atrás de uma secretária impecável.

- Senhorita Vega - disse sem levantar os olhos do computador -, o senhor Moretti não tolera a impontualidade. Chegou com... - olhou para o seu relógio dourado - três minutos de antecedência. Não é mau, mas também não é bom.

Catalina forçou um sorriso.

- Tentarei melhorar o recorde amanhã.

Por um instante, ela pensou ter visto uma sombra de aprovação nos lábios perfeitamente delineados da assistente. Mas desapareceu no segundo seguinte.

- Siga-me - ordenou.

A porta automática abriu-se, revelando o gabinete do CEO. Catalina parou na soleira, engolindo em seco.

O escritório era imenso, com janelas que ofereciam uma vista panorâmica da cidade. A secretária de Dante, de madeira preta e bordas afiadas, estava ao centro, ladeada por estantes cheias de livros e pastas perfeitamente alinhadas. Tudo era simétrico, calculado, quase intimidante.

E ali estava ele.

Dante Moretti estava de pé, de costas para ela, observando o horizonte com as mãos nos bolsos das calças. Vestia um fato cinzento escuro perfeitamente ajustado que realçava a firmeza dos seus ombros. A luz natural delineava o contorno do seu perfil, e Catalina não pôde evitar notar como ele era incrivelmente atraente... até que ele se virou.

O magnetismo que emanava era quase físico. Olhos cinzentos, frios como aço, lábios definidos e uma expressão que misturava poder, autoridade e algo mais difícil de decifrar.

- Senhorita Vega - disse com voz profunda, sem vestígio de cordialidade. - Chegou cedo. Surpreende-me.

Catalina piscou, confusa com o comentário.

- Pensei que a pontualidade era importante.

- É. Mas a antecipação excessiva revela ansiedade, e a ansiedade leva a erros.

Catalina apertou os lábios para não replicar, mas uma parte dela recusou-se a deixar passar.

- Talvez não se trate de ansiedade - respondeu com calma. - Talvez se trate de estar preparada.

Dante olhou para ela por uns segundos que pareceram eternos. Então, uma das suas sobrancelhas arqueou-se ligeiramente.

- Interessante. Não costumo gostar que me contradigam... e menos no primeiro dia.

- Eu não o contradisse - disse ela, levantando o queixo. - Apenas esclareci um ponto de vista diferente.

Dante sorriu, mas não era um sorriso amável; era perigoso, como o de um predador que descobre que a sua presa é mais desafiadora do que o esperado.

- Veremos quanto tempo lhe dura essa coragem - murmurou, enquanto a envolvia com o olhar. - Venha. Vou mostrar-lhe o que espero de si.

Catalina seguiu-o até uma mesa de reuniões onde havia três pastas fechadas. Ele pegou numa e deixou-a cair à sua frente com um baque seco.

- Preciso que aprenda o sistema de arquivo interno, os códigos de acesso e a base de dados corporativa. Tem até amanhã para memorizar tudo.

Catalina abriu a pasta e viu mais de duzentas páginas cheias de códigos, diagramas e gráficos.

- Amanhã? - perguntou, incrédula.

- Amanhã - repetiu Dante, sem um pingo de emoção. - Se não conseguir, saberei que me enganei ao contratá-la.

Catalina respirou fundo, tentando ocultar o tremor nas mãos. Não podia perder este emprego. Não agora.

- Eu farei - disse finalmente, com voz firme.

Dante observou-a, inclinando ligeiramente a cabeça, como se avaliasse algo além das suas palavras.

- Assim espero, senhorita Vega. Não gosto de perder tempo com pessoas medíocres.

Algo no tom seco da sua voz irritou-a. Ela não costumava deixar-se intimidar, mas havia algo na arrogância daquele homem que despertava o seu instinto de luta.

- Garanto-lhe que não sou medíocre - respondeu com segurança.

Pela primeira vez, Dante sorriu de verdade, embora não fosse um sorriso caloroso; tinha gume, como o gume de uma faca.

- Gosto que acredite nisso. Aqueles que confiam demasiado em si mesmos são os que se torna mais interessante... quebrar.

O silêncio tornou-se denso. Catalina sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Não soube se era medo ou... outra coisa.

Dante deu meia-volta e regressou à sua secretária, abrindo outra pasta.

- A assistente anterior durou duas semanas - disse, como se fosse um dado irrelevante. - Espero que não repita o erro dela.

- Que erro? - perguntou Catalina, embora parte dela preferisse não saber.

Ele levantou o olhar, cravando-o nos olhos dela.

- Acreditar que podia desafiar-me.

Catalina apertou os lábios. Não respondeu. Se o fizesse, sabia que perderia o controlo.

O resto da manhã decorreu numa tensão quase palpável. Dante dava ordens rápidas, precisas, sem explicar muito. Era um homem que esperava resultados imediatos e não tinha paciência para segundas oportunidades. Catalina, por sua vez, obrigou-se a manter a calma, a seguir cada instrução à risca.

Mas em mais do que uma ocasião, sentiu o olhar dele sobre ela. Não era apenas vigilância profissional; havia algo mais. Uma intensidade difícil de descrever, como se estivesse a tentar decifrá-la.

À hora do almoço, Catalina dirigiu-se à cafetaria da empresa, onde o murmúrio das conversas se apagou assim que cruzou a porta. Alguns funcionários sussurravam e outros observavam-na descaradamente. Conseguiu ouvir fragmentos de conversas:

- ... é a nova assistente do chefe...

- ... não vai durar nem uma semana...

- ... dizem que ninguém sobrevive a Moretti...

Catalina fingiu que não ouvia, mas por dentro sentia o peso das expectativas cair sobre ela.

Quando regressou ao escritório, Dante estava de pé junto à janela, a falar ao telefone em italiano. A sua voz era grave, firme, cortante. Ela não entendia as palavras, mas a intensidade no seu tom provocou-lhe um arrepio. Ao vê-la entrar, ele desligou de imediato.

- Preciso que prepare um relatório financeiro para a reunião de amanhã - ordenou. - Terá de ficar depois da hora.

Catalina assentiu, embora soubesse que isso significava chegar a casa perto da meia-noite.

Enquanto reunia os documentos, sentiu a presença dele demasiado perto. Dante inclinou-se ligeiramente na direção dela, apoiando uma mão na secretária, e a sua voz soou mais baixa, quase como um murmúrio.

- Vou dar-lhe um conselho, senhorita Vega. Neste escritório, não confie em ninguém. Nem sequer em mim.

O coração de Catalina deu um salto.

Quando saiu do gabinete naquela noite, exausta, ela entendeu que Dante Moretti não era um homem fácil de lidar. Não só porque era exigente, frio e impossível de agradar... mas porque havia algo nele que era perigosamente magnético.

E Catalina, embora não quisesse admitir, já estava presa na sua órbita.

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