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Capa do romance SOB A PROTEÇÃO DO SULTÃO

SOB A PROTEÇÃO DO SULTÃO

Natalie cria Íris em segredo, escondendo do Príncipe Iman que ele é o pai da menina após uma noite de paixão. Seis anos depois, um reencontro reacende o desejo proibido. Embora Iman esteja prometido a outra, ele oferece um emprego a Natalie para mantê-la por perto. Entre mentiras do passado e a pressão familiar, o amor ressurge com força. Natalie teme revelar a verdade sobre a filha, enquanto Iman luta contra seu destino real para finalmente viver esse romance.
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Capítulo 3

Brutais. Impiedosos. Esperavam que Iman fosse assim também, mas hoje ele não deixaria aquela mulher morrer.

Os seis homens entraram no jipe, Nabih talvez com um pouco menos de pressa que os outros, e foram embora.

Iman observou o veículo tomar velocidade por um momento, e então concentrou-se no problema a ser resolvido. Procurando pelo hangar vazio, encontrou uma pilha de ferramentas num canto. Pegou um pé-de-cabra e, ao sair do hangar, parou, assombrado.

Uma nuvem negra pairava no horizonte, crescendo visivelmente à sua frente.

Tempestade de areia. E pela maneira como rapidamente cobria o céu, Iman soube que estaria ali em minutos.

Correndo para os destroços, ele encaixou a alavanca na abertura e começou a puxar.

— Temos que nos apressar — ele ordenou, a adrenalina correndo em suas veias. Conseguiu calçar a porta o suficiente para que ela passasse.

— Espere — ela resmungou, enquanto pegava algumas garrafas de água e um kit de primeiros socorros. Iman se inclinou para dentro e passou o braço em volta da cintura dela. — Eu posso andar!

— Pare de discutir comigo, mulher!

Segurando Natalie perto do peito, ele a arrastou para fora do avião e a pegou com facilidade em seus braços. Ela era pequena, com pouco mais de um metro e cinquenta sem o salto, e não devia pesar mais que cinquenta quilos. Alguns grãos de areia voaram ao redor deles, açoitando-o no rosto enquanto ele, protegendo-a, corria para o abrigo.

Quase não conseguiu fechar a porta do hangar, lutando contra o ataque do vento, antes que a visão do lado de fora das janelas escurecesse, engolfada pela areia. Atingindo o prédio, a tempestade gemia como mil feras, rondando furtivas.

— Uau — Natalie murmurou, levantando para olhar pela janela. — Nunca vi nada parecido com isso.

— Bem vinda ao deserto, Princesa. — Ele ergueu o braço dela, com gentileza, para examinar. — Você vai precisar de pontos, ou vai ficar com uma cicatriz.

— Não será a primeira — ela disse, dando de ombros. Abaixou-se e pegou uma caixinha. — Estou com o kit de primeiros socorros do avião. Também trouxe um pouco de água. Não sei quanto tempo a tempestade vai durar, mas tem comida e mais água ao nosso alcance. Onde está todo mundo?

Iman pegou-a nos braços novamente e a sentou na bancada.

— Me permita. Eles arranjaram um veículo e seguiram até a cidade mais próxima para buscar ajuda. Com sorte, não vão demorar mais do que algumas horas.

— Seguranças de meia-tigela — ela resmungou. Ele derramou antisséptico em uma gaze e delicadamente limpou o ferimento. Ela se encolheu, e ele teve que se segurar para não assoprar. — Largaram seu precioso príncipe pra trás.

— Foi uma ordem.

Ele não contou que tinha ficado por causa dela.

Mas percebeu que ela já sabia, ao ver os olhos dela buscando os seus.

Um silêncio constrangedor caiu sobre eles. Ele continuou limpando o ferimento e, ao final, cobriu o mais perfeitamente que pôde. Inspecionou seu trabalho e abaixou o braço dela.

— Então — ela disse —, esse título é só decorativo ou você efetivamente governa o seu pequeno reino?

— Meu pai é o Sheik. E eu, como filho mais velho, sou o Príncipe Herdeiro. Tenho dois irmãos mais novos, mas o reino será meu quando meu pai morrer ou se aposentar. A família real ainda tem influência política, mas Haamas também tem um primeiro-ministro. — Ele deu uma risadinha sem graça. — Um velho amigo da família.

— Que agradável. — Natalie segurou a borda da mesa e lentamente escorregou para o chão. — Pra falar a verdade, nunca tinha ouvido falar no seu país.

— Somos parte de um grupo de pequenos reinos independentes. — Ele franziu a testa. — Como está a sua cabeça? Está tonta? Ouvindo algum tipo de zumbido?

Um pequeno sorriso surgiu no rosto dela.

— Não acho que tenha tido uma concussão. — Ela inclinou a cabeça para o lado e estudou o rosto dele. — Essa habilidade social que você demonstrou como enfermeiro é um lado interessante seu. Cuidando de ferimentos, diagnosticando concussões...

Iman estava encantado com o sorriso dela. Ela tinha uma estrutura pequena e, em uma multidão, dificilmente seria notada. O cabelo loiro estava preso em um coque que estava se soltando, e o pouco de maquiagem tinha desaparecido debaixo de uma mancha de fuligem que ele estava desesperado para limpar; mas, quando ela sorria, seus olhos azuis se iluminavam. E ele nunca tinha visto algo tão lindo.

— Meus irmãos e eu éramos uns brutamontes quando estávamos juntos — ele explicou. — Lutamos muito, e não estou falando de rolar no chão de brincadeira. Era pra valer, surra de verdade, mas sabíamos que se nossos pais soubessem seria um inferno, então sempre cuidamos uns dos outros no final de cada luta. Pra esconder as evidências.

O vento uivava e colidia contra o hangar, e Iman se perguntava se o prédio aguentaria. As janelas estavam cobertas de areia e apenas uma lâmpada fraca e bruxuleante que pendia de uma viga iluminava o lugar. Natalie andou devagar pelo lugar, explorando, e ele parou um momento para admirar o corpo dela. Fora daquele blazer volumoso de comissária de bordo, seu quadril curvilíneo e cintura fina estavam evidentes. Os três primeiros botões da camisa dela estavam abertos, mostrando o início do decote, e a necessidade que ele sentia dela se entranhou mais fundo. Ele ainda conseguia sentir a maciez da sua pele e o leve perfume que remanescia em suas roupas.

— Parece brutal — ela comentou. — Você realmente não se dava bem com seus irmãos?

— Não era que a gente não se dava bem, era o fato de estarmos sempre juntos. Nós estudamos em casa — ele disse, ironicamente. — Em alguns aspectos, somos muito parecidos, em outros, somos diferentes demais. Bahir e Riyad tiveram mais liberdade que eu, e sempre senti um pouco de inveja disso.

— Típicos garotos — ela disse, baixinho. Começou a dizer outra coisa, mas parou. Ele seguiu o olhar dela até as janelas. Um raio de luz atravessou a barreira de areia e ele ouviu o arquejo de alívio dela. — Parece que a tempestade acabou. Você acha que o pessoal vai voltar logo?

— Provavelmente não — Iman respondeu.

— Por quê?

O sorriso dele não conseguia aliviar a expressão carregada.

— O veículo deles era conversível e eles saíram apenas alguns minutos antes da tempestade.

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