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Capa do romance Sob a Lei do Predador

Sob a Lei do Predador

Jasmine viveu protegida até ser entregue a Cobra, o implacável chefe do Morro do Vidigal, como pagamento de uma dívida oculta. Criada em redomas, ela agora enfrenta a brutalidade de um homem que vê o afeto como fraqueza. Entre segredos de família e a guerra urbana, a pureza dela colide com a escuridão dele. Nesse jogo de dominação e perigo, ambos testam limites, decidindo se sucumbem ao ódio ou à paixão proibida que surge em meio ao rastro de destruição do crime.
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Capítulo 3

COBRA

Estava na minha sala, cheirando um pó e

aproveitando a brisa, quando os dois

viados entraram de volta na minha sala,

tirando a tranquilidade que eu tinha.

Cobra: Hoje vocês decidiram me tirar a

paz, caralho! Bando de arrombados do

carai!

DK: Você tá chapado em plena luz do dia,

Cobra. Essas coisas estão te fazendo

mal, tá ligado?

Cobra: Tô suave, são as únicas coisas

que me deixam em paz e me fazem

esquecer da merda que a vagabunda me

fez, tá ligado?

Terror: Pode crer, viemos lá da goma do

coroa que deve uma grana alta pra tu, se

pá.

Cobra: Dá o papo, porra.

DK: E aí que tá, não estivemos com o

coroa, e sim com a filha dele, que, por

sinal, é gostosinha. Bagulho doido, porra!

Nunca tinha visto a mina antes, mas

parece uma deusa de tão linda que a

mina é.

Cobra: Tá de caó com minha cara, né?

Vocês foram lá para ver a mina e não

cobraram o coroa, seus viados?

Terror: Sem neurose! E claro que fomos lá

cobrar o cara, mas a mina disse que ele

estava passando mal. Com certeza ele

estava bêbado e só isso que o

desgraçado do velho sabe fazer.

Cobra: Não importa! Eu metia o louco e

enfiava a arma na testa dele rapidinho, a

bebedeira passava. Estou vendo que eu

mesmo vou ter que ir atrás desse velho

desgraçado. Vocês estão muito fracos.

DK: Dê mais um tempo, Cobra. Talvez

eles não tenham o dinheiro; eles são

humildes, cara.

Bati na mesa com força.

Cobra: Tô nem aí se essa porra e humilde

caralho, quando pegar esse coroa

maldito safado, tá fudido na minha

mão,ta ligado?

Terror: Calma, cara! Ele tem uma filha

que parece ser órfã de mãe. Vamos

manter a calma; a garota estava

assustada. Não vamos chegar lá e ser

grossos com ela.

Cobra: De grosso aqui e só meu pau! Vou

chegar lá e meter um tiro na cara do

desgraçado e da puta da filha que me

deve há meses, morô.

Terror: Calma, pô, a gente resolve isso e,

se o velho, não passa a grana, você vai lá

e faz o que quiser com ele.

Eu me levanto da minha cadeira, pego

meu maço de maconha e acendo. Aquela

brisa me deixava loucão e fico frente a

frente com o Terror.

Cobra: Por que não posso ir na casa do

coroa? Vai dizer que já 'gamou' na mina e

quer proteger o pai, Terror?

Terror: Claro que não, tá doido? Eu só

achei a mina de responsa. Não sabe que

o pai dela deve uma grana pra você. A

mina tem cara de ser ingênua, tá ligado?

Cobra: Essas minas que têm cara de

ingênua são as piores. Elas fazem a gente

esquecer tudo, o bandido fica de quatro

por elas e depois vazam, tá ligado? Ou te

trocam por um vacilão, Zé ruela.

DK: Você não esquece essa porra

mesmo, né?

Cobra: Vou meter o pé, tem baile hoje à

noite. Quero comer carne nova. Essas

putas daqui já me cansaram e vou dar

meu papo,quero minha grana aqui até

amanhã, se não, eu que vou lá e cobrar o

velho, caralho, não vou querer saber se a

mina é linda ou tem cara de ingênua; eu

vou passar os dois. Pega a visão, porra!

Peguei minha moto e estava subindo

acelerado em direção à minha goma

quando, de repente, uma moça

atravessou a rua sem prestar atenção. Ao

frear a moto para não atropelá-la, ela se

assustou com barulho e deixou as

sacolas cair no chão.

Estacionei a moto e desci bastante puto

com pessoas que não prestam atenção

por onde andam. Fui em direção a porra

da garota que estava pegando seus

pertences do chão.

Cobra: Você não olha por onde anda, não

caralho? Eu podia ter te atropelado, sua

estupida!

Ao me aproximar dela, já estava bastante

agitado, e percebi que ela não me olhava.

— Me desculpe, estava distraída, moço.

Ajoelhei-me ao seu lado, segurei seu

braço, forçando-a se levantar e a olhar

para mim. Quando ela me encarou, fiquei

surpreso; a garota era extremamente

linda, quase parecia um anjo. No entanto,

não me deixei levar pela sua beleza.

Cobra: Na próxima vez, vou passar por

cima de você, garota.

— Me desculpe, por favor, você está

machucando meu braço.

Olhei em seus olhos, que já se

umedeciam com lágrimas, e a soltei,

saindo apressado em direção à minha

moto.

Cheguei na minha goma e fui direto tomar

um banho gelado.

Cobra: Que mulher era aquela?

Parecia um anjo, véi.

Depois do banho, percebi que já

estava anoitecendo, então me arrumei

para o baile, pronto para comer para

comer uma gatinha. Fui de moto e o baile

tava frenético, do jeito que papai gosta.

Subi para o meu camarote, fui pegar uma

cerveja e me sentei para observar o

movimento. Então, uma gostosa veio e se

sentou no meu colo, tentando me beijar,

mas eu a empurrei para o chão, pois não

curto essa porra de aproximação.

-Que loucura, Cobra, por que você fez

isso?

Cobra: Não gosto de ser beijado por

putas ta , ligado? Agora, vaza daqui

caralho.

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