
Só Você Me Satisfaz
Capítulo 3
Marina
Acordei com o humor de um urso saindo da hibernação, mal-humorada, cansada e com um relógio biológico mais perdido que cego em tiroteio. A noite anterior foi mais um fracasso, e, para ser sincera, eu não aguentava mais essa rotina de vibradores sem graça e orgasmos que nunca chegavam.
Depois de arrastar meu corpo até a cozinha e tomar um café forte o suficiente para acordar um defunto, percebi que precisava fazer algo a respeito. Não dava mais para continuar fingindo que estava tudo bem quando, na verdade, eu estava mais tensa que corda de violão. Então, marquei uma consulta com minha ginecologista, na esperança de que, por algum milagre, ela pudesse me ajudar a resolver essa seca pior que o sertão nordestino.
No consultório, enquanto esperava minha vez, me senti como uma figurante em uma novela mexicana, aguardando o momento de revelar um segredo escandaloso. As revistas antigas empilhadas na mesa de centro não ajudavam a aliviar a ansiedade, então acabei me perdendo em pensamentos sobre Ricardo. Cada maldito detalhe dele voltava como um filme que eu não conseguia pausar: seu sorriso, suas mãos, e, principalmente, o jeito como ele me fazia gozar. Aquilo era tortura psicológica, eu juro.
Finalmente, a doutora me chamou.
— Como você está, Marina? — ela perguntou, com aquele sorriso profissional que não revela nada.
— Ah, doutora, tirando o fato de que meu clitóris virou um bicho preguiça, estou ótima — respondi, tentando não soar tão amarga.
Ela riu, mas no fundo acho que não entendeu a gravidade do problema. Fez aquelas perguntas de praxe, e eu respondi tudo no piloto automático. No final, saí do consultório com uma lista de exames para fazer, como se algum raio-x fosse capaz de revelar o problema real: um ex-marido que fez o favor de estragar todos os outros homens para mim.
Mas eu não estava pronta para desistir. Na verdade, estava pronta para beber. Só que, como uma boa moça da alta sociedade, não ia me afogar no álcool em qualquer boteco por aí. Assim que cheguei em casa, abri uma garrafa do melhor vinho que encontrei na adega. Nada como um bom vinho para acompanhar uma crise existencial.
Subi para o meu quarto, o santuário onde eu podia ficar longe dos olhos julgadores dos empregados, e me tranquei. Desabei na cama, com a taça de vinho em mãos, e comecei a beber, tentando encontrar consolo no líquido rubi que escorria pela minha garganta. Mas nem o vinho conseguia adormecer as memórias.
Entre um gole e outro, as lembranças começaram a me atormentar. Não que eu quisesse esquecer, mas lembrar era quase um castigo. O toque do Ricardo, firme e seguro, era capaz de me fazer derreter na hora. Seus beijos... ah, seus beijos! Eram quentes, urgentes, o tipo de beijo que te faz esquecer até o próprio nome. E ele sabia exatamente como me tocar, como se o meu corpo tivesse sido feito só para ele. Droga, por que tinha que ser tão bom?
Comecei a rir de mim mesma, aquele riso triste e irônico, porque o que mais eu poderia fazer? Meu corpo estava preso numa armadilha que eu mesma criei, e o pior de tudo é que só o Ricardo tinha a chave. Eu estava me corroendo de desejo, mas esse desejo era como uma fome que só ele podia saciar.
— Claro, Marina — pensei em voz alta, enquanto enchia mais uma taça —, você está aqui, lamentando o pau de ouro do seu ex-marido, enquanto ele provavelmente está transando por aí como se o mundo fosse acabar amanhã.
Já um pouco zonza do vinho, comecei a imaginar o que faria para ter o Ricardo novamente, pelo menos por uma noite. Qualquer coisa. Sério, eu seria capaz de lavar, passar, cozinhar e até fazer cafuné, só para ter uma última vez com ele. E é claro que, no meio dessas fantasias, meus pensamentos foram direto para o que ele fazia de melhor. Como ele me chupava, com aquela dedicação toda, como se fosse o trabalho mais importante do mundo. Deus, ele era tão bom nisso que eu começava a me questionar se ele não tinha um curso superior na arte de fazer uma mulher gozar.
Com mais um gole, e já sentindo o vinho subir à cabeça, percebi o quão ridículo tudo isso era. Eu, uma mulher independente, de família rica, desesperada porque não conseguia gozar sem um homem específico. Mas era a verdade, e não havia vinho suficiente para mudar isso.
Entre suspiros e risadas solitárias, comecei a chorar. As lágrimas vieram do nada, misturadas com o riso, como se meu corpo não soubesse como reagir à montanha-russa de emoções. Chorei porque sentia falta dele, chorei porque o odiava por ter sido o único capaz de me satisfazer, e chorei porque, apesar de tudo, ainda queria desesperadamente ter aquele maldito pau delicioso dentro de mim, só mais uma vez.
No fundo, eu sabia que isso era insano, mas quem disse que o amor – ou o sexo, nesse caso – segue qualquer lógica? Eu estava presa em um ciclo que só terminaria quando eu decidisse. Mas, por enquanto, preferi me afundar mais um pouco no vinho, nas memórias e na frustração. Afinal, quem nunca, né?
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