Capa do romance SIMPLESMENTE JOHNNY- Entre o Amor e a Máfia

SIMPLESMENTE JOHNNY- Entre o Amor e a Máfia

9.6 / 10.0
Em SIMPLESMENTE JOHNNY- Entre o Amor e a Máfia, um encontro com um cliente misterioso revela segredos da máfia japonesa. Nesta mafia novel, a busca por sobrevivência e redenção transforma o desejo em obsessão. Leia este romance novel e descubra se o amor supera o perigo nesta mystery story.
Resumo de SIMPLESMENTE JOHNNY- Entre o Amor e a Máfia
Johnny é um homem enigmático que surge na vida dela como um cliente gentil, mas esconde um poder sombrio. O que parecia um romance intenso revela-se um perigo mortal quando ela descobre sua ligação com a máfia japonesa. Aterrorizada, ela tenta escapar, mas a obsessão dele não conhece limites. Em meio a fugas e segredos, o casal mergulha em um destino irreversível onde o amor e a morte caminham lado a lado. Será a paixão capaz de sobreviver ao submundo do crime?
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SIMPLESMENTE JOHNNY- Entre o Amor e a Máfia Capítulo 1

Atravessei a rua com o coração batendo na garganta.

Do outro lado da calçada, a fachada parecia me condenar, antes mesmo de decidir entrar. Discreta demais para um lugar que prometia tudo o que eu precisava naquela noite. Não havia letreiros chamativos, nem música escapando pela porta. Apenas sobriedade. Luxo contido. Um convite silencioso.

Na entrada, dois seguranças imóveis e uma mulher loira, alta, elegante demais para aquele horário, controlavam quem entrava e quem saía. O vestido justo desenhava o corpo dela com naturalidade. Segurança. Poder.

A coragem só veio empurrada pelas duas latas de cerveja que bebi no caminho, indo pra lá. Em um balcão de padaria, ainda tentando encontrar uma saída que não fosse ter que pedir ajuda para minha ex madrasta, não havia mais ninguém.

Não ficou mais ninguém!

Quarenta minutos a pé, porque naquele dia eu não tinha sequer o dinheiro da passagem, só tinha o cartão do ticket, onde eu poderia comprar um lanche, ou tomar as cervejas para uma decisão ainda maior e mais significativa.

Escolhi as duas cervejas.

À que ponto cheguei! Pensei, dando o último gole.

Quando parei diante dela, senti seu olhar me percorrer devagar, sem pressa, como mãos invisíveis avaliando cada detalhe.

— Você não tinha um sapato melhor, minha filha? — disse, num tom quase divertido, mas carregado de julgamento.

Minhas bochechas arderam.

— Vem. Vou arrumar alguma coisa pra você. Não tem problema.

Nossa ela era muito mais alta de perto, que mulher bonita pensei. Ela devia ter muitos "clientes", qualquer homem ficaria louco pra ficar com ela. Me senti a coisa, a mulher mais insignificante perto dela, o que eu estava fazendo ali?- me perguntei sem acreditar na minha própria presunção.

Assim que entrei, o impacto foi imediato.

O ar era denso, quente, carregado de perfume caro e expectativa. Um instrumental suave preenchia o ambiente, lento demais para ser ignorado. A iluminação baixa desenhava curvas, sombras, silhuetas femininas que se moviam com naturalidade provocante. Nada ali era vulgar, era sugestivo. Intencional.

Meu estômago contraiu. Pela vergonha com a qual eu caminhava acompanhando a loira, e agora a fome também dava sinal, estômago roncou.

Ali, ninguém estava escondido. Apenas escolhido.

No pequeno quarto aos fundos, o cheiro de perfume misturado a cigarro me envolveu como um aviso. Ela abriu um closet improvisado e me mostrou sapatos altos, elegantes, perigosos. Há muito tempo eu não calçava algo assim. Jorge e eu economizamos cada centavo para comprar nosso apartamento, iríamos financiar, tentando sair do aluguel, era nosso objetivo.

Jorge...

O nome veio como um peso no peito.

— Esse fica pra você. — Ela colocou o sapato na minha frente. — E se quiser um vestido, escolha. Essa blusinha… — puxou a manga da minha 3/4, rindo baixo — já viu dias melhores.

Ela estava certa, mas era o que de melhor eu tinha para vestir.

Se minha autoestima já estava baixa, ali ela se dissolveu por completo quando cheguei naquele lugar. Eu era analisada, medida, moldada e, ao mesmo tempo, preparada.

Ela, Mara, a loira recepcionista que estava me ajudando, explicou que as roupas eram das próprias meninas. O que não queriam mais, deixavam ali. Solidariedade. Emergência. Nenhuma rivalidade, garantiu. Clientes para todas.

Eu concordava sem compreender bem tudo aquilo, mas minha cabeça girava, pela cerveja, pelo medo, pela sensação inquietante de estar cruzando um limite que não teria volta.

— Você é educada. Bonitinha. — O olhar dela se fixou em mim. — Vai se dar bem. Só precisa se produzir um pouquinho mais, que você consegue trabalhar- concluiu ela.

Sorriu, como se aquilo fosse um detalhe.

Abandonada. Sem dinheiro. Aluguel atrasado. Três semanas procurando emprego.

O que mais poderia dar errado?

Jorge tinha ido embora sem aviso. Duas semanas de silêncio depois de brigas, cobranças, promessas vazias. Descobri pelo extrato da conta conjunta que ele levou tudo e deixou as contas atrasadas, aluguel, condomínio, água, luz, a conta da mercearia ... Foram 08 anos da minha vida descartados com um clique.

De volta ao salão, minhas pernas tremiam. Mulheres riam, bebiam, conversavam com homens que as observavam como quem escolhe um prato no cardápio. Do meu lado esquerdo vi um rapaz ousado, com as mãos das coxas de uma garota, ela sorria, outra o beijava.

Senti um calafrio repugnante, assustador.

A exposição daquelas mulheres, será que eu teria que ser assim tão "disponível" quanto elas? Eu não vou conseguir, pensei

Garçons passavam com taças brilhando sob a luz baixa.

Escolhi uma mesa perto da porta. Precisava de ar.

Não tive tempo.

— Bora, gata… — a voz veio grossa, quente demais. — Bora dar um rolê.

A mão fechou ao redor do meu braço. Não foi violenta. Foi possessiva. Os dedos apertaram devagar, como se testasse até onde podiam ir. Meu corpo reagiu antes da minha cabeça, um arrepio subindo pela espinha, misturado com medo… e algo mais que me envergonhou reconhecer.

O cheiro dele me invadiu: álcool, colônia forte, masculinidade exagerada.

— Você é linda — murmurou, perto demais do meu ouvido.

Meu estômago se revirou. Tentei recuar, mas minhas pernas não obedeceram.

— Ela está comigo.

A voz surgiu firme, cortando o ar como lâmina.

O aperto cessou. O calor também. Mas a marca invisível ficou. Era um homem oriental, jovem, alto , se colocou à minha frente. Postura reta. Olhar controlado. O outro não discutiu. Apenas se afastou.

— Venha — disse ele, pousando a mão leve nas minhas costas.

O toque foi diferente. Não exigiu. Conduziu.

— Um suco. Ou uma bebida, se preferir.

— O da casa — respondeu ao barman, sem me olhar.

Depois, virou-se para mim.

— Eu sou Jonny.

— Evelyn.

O nome saiu mais baixo do que eu pretendia.

Ele era bonito de um jeito incomum. Traços fortes, pele lisa, postura impecável. Havia algo nele que não pedia atenção, simplesmente tomava. A postura, impecável.

Por detrás dele, vi a recepcionista passar e fazer um gesto discreto de positivo.

Meu coração acelerou.

Positivo… como? O que ela queria dizer, que estava tudo ok? que era seguro sair com ele? Que era um bom cliente?

Discreto, direto.

Com as pontas do dedos tirou o cabelo que caia sobre os meus olhos e fez o contorno do meu rosto, até chegar nos meus lábios.

Ele era uma tentação, pensei comigo.... Era um homem diferente, não sei, mas era meu primeiro cliente ao que parece, e se fosse seria ótimo, maravilhoso se fosse com um homem carinhoso, ficaria tudo mais fácil, claro.

— Vamos? — perguntou.

- Sim.

Enquanto caminhávamos até a saída, senti olhares sobre mim. Talvez pelo vestido emprestado, simples demais. Talvez por ele. Talvez porque, sem perceber, eu já não era apenas uma espectadora daquele lugar.

Quando a porta se fechou atrás de nós, tive a certeza incômoda de que aquela noite não seria apenas sobre dinheiro.

Mas eu já tinha ido longe demais para voltar.

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