
Silêncio
Capítulo 3
Apesar dos problemas anteriores, Jess estava dando um novo rumo em sua vida, ela decidiu que agora era hora de deixar tudo aquilo para trás e seguir em frente, como sempre fazia, exceto que agora com um diferencial: Ela iria dar duro para provar para si mesma e para Aiko que o valor de um herói está em suas atitudes e não em sua fraqueza.
O primeiro mês inteiro a garota teve a mesma rotina, acordava cedo, fazia os preparativos então ia para o parque, onde treinava tanto seu corpo quanto sua liberação de luz até o escurecer, onde voltava para casa exausta para dormir e repetir a mesma rotina no dia seguinte, o mês já havia fechado e alguns dias também já haviam se passado, normalmente as academias enviavam sua resposta antes do término do primeiro mês para que seus alunos tivessem um tempo adequada para se preparar e Jess não havia recebido até o momento resposta alguma das diversas academias que havia se inscrito, mas ela não deixaria isso abalar seus treinos que eram de total foco no momento. Ela batia com suas mãos numa placa de ferro de um brinquedo abandonado melhorando assim sua força e sua resistência até os cortes começarem a derramar sangue sendo este o seu marco para o fim do treino de mãos, então viria os de chute e assim por diante.
Uma dúvida que pode atingir meu caro leitor após a leitura destes versos, a condição genética que dava aos seres humanos a capacidade dos dons, também é responsável por um possível aumento dos atributos físicos tais como força, agilidade e etc. Não sendo algo comum a todos que possuem dons mas apenas aqueles que treinam a níveis sobre humanos sua parte física.
Seu treino foi intensificado hoje, faltando apenas um terço do dia, seu corpo não aguentava mais ficar em pé, fazendo Jess cair ao chão e ela se assustou quando sentiu uma mão em seu ombro virando seu corpo de barriga para cima, a pessoa que havia lhe virado pareceu tão surpreso quanto ela ao ver que a menina ainda tinha consciência mas a surpresa no rosto daquele rapaz durou apenas alguns segundos voltando a ter um semblante sério. Seus cabelos eram pretos assim como seus olhos que pareciam vazios, a pele pálida e fortes olheiras lhe davam a impressão de ser uma pessoa que vivia em eterna tristeza, suas roupas pareciam trapos sendo apenas um roupão marrom que ia até os pés com uma toca que ele não estava usando no momento, os vários remendos contavam a Jess que aquele roupão deveria ser extremamente velho. Ele a ajudou a se sentar dando a ela uma garrafa com um suco de cor amarela dentro, Jess segurou a garrafa com receio de tomar o líquido desta e mantendo olhos vigilantes no rapaz.
- É apenas um suco de laranja. Seu corpo precisa de eletrólitos no momento, não tenha receio em beber.
Ela tomou então um gole curto, apenas para dizer que havia tomado e então agradeceu ao rapaz. Ela notou que os olhos frios dele focavam suas mãos que com uma leve vergonha, Jess as escondeu pois não gostava que as pessoas vissem as marcas de seu esforço.
- Essas marcas, você treina bastante. Mas acredito que este não seja a melhor forma de se exercitar. Trabalhe primeiro sua mente, depois seu corpo e dom, você terá melhores resultados.
- Você... É um... Super herói?
Pelo modo que Jess falava, como se as palavras fossem estranhas a ela, o rapaz notou que havia algo de diferente nela, deduzindo que a mesma deveria ser surda.
- Herói?
A voz do rapaz soou fraca e distante, para Jess aquilo foi muito estranho, normalmente a palavra herói acendia um brilho nos olhos das pessoas, uma chama de esperança que era comum a todos até mesmo em Aiko, que Jess reparava em segredo, quando surgia algum assunto sobre super herói, ela via seus olhos se encherem com aquele ardor, mas este rapaz parecia ter apenas o frio dentro do seu corpo.
- Não sou um, nunca fui um. Você quer ser uma?
- Sim!
- Por que?
Está pergunta pegou ela de surpresa, afinal, todos queriam ser heróis, não havia um motivo claro e evidente, normalmente as pessoas simplesmente queriam, o que fez Jess pensar um pouco.
- As pessoas... Precisam de... Ajuda... E eu quero ser capaz de... Ajudar elas.
Ele a observou por um momento, fazendo até mesmo a garota se sentir desconfortável com aquele olhar questionador sobre ela.
- Você será uma grande super heroína. Aqueles que treinam apenas seu corpo e seus dons, tendem a alcançar a força, com a força vem a glória e reconhecimento e com estes vem a arrogância, a luxúria e o orgulho, o ideal é manchado quando fazer o bem não se torna a prioridade de um herói e atrelados a regras deixam de fazer aquilo que é preciso, mas aquele que a mente é polida não se deixa cair em tentações como estás, não desviando assim de seu caminho, quando estiver caindo, lembre-se do motivo pelo qual você luta e precisa vencer.
Ela ficou vidrada em seus lábios para não perder uma só palavra do que ele falava, por algum motivo ela sentia que mesmo não concordando com exatamente tudo que ele falava, havia muita sabedoria em suas palavras, uma sabedoria de alguém que parecia ter vivido muito apesar dele parecer não ser muito mais velho que ela. Jess agradeceu aos seus conselhos sentindo-se agora segura em tomar a bebida que ele havia lhe dado, ela queria lhe fazer algumas perguntas mas o rapaz disse que tinha de fazer algo muito importante no momento mas antes de sair ele lhe disse que se Jess seguisse o caminho de seus sonhos e se tornasse uma super heroína, provavelmente seus caminhos iriam se cruzar novamente, ela o observou sair do parque andando calmamente, enquanto Jess refletia sobre suas palavras, suas últimas palavras foi algo um tanto quanto estranho de se dizer. Após alguns minutos ela decidiu também ir para casa.
Deitada em sua cama as palavras daquele homem estranho vinham em sua mente, seu corpo apesar da aparência frágil provavelmente era capaz de lidar com um homem adulto comum sem problemas e suas rajadas de luz apesar de fracas eram capazes de ao menos derrubar uma pessoa o que é claro que para um super herói oficial, era apenas uma piada, ela se colocava em vários cenários cujo haveria de enfrentar um criminoso com algum dom e a resposta que ela tinha era sempre a mesma: Sua atual condição provavelmente ela seria derrotada com facilidade afinal seu dom servia mais como suporte do que para um confronto direto a resposta ficava cada vez mais clara em sua mente, ela só poderia ser aluna de alguma academia se fosse capaz de suprir as limitações do seu corpo usando sua mente.
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