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Capa do romance Shiva e o Desespero Congelado

Shiva e o Desespero Congelado

Ao descobrir sua sexualidade e os prazeres da carne, uma divindade vê sua existência sair do controle. Enquanto transita por novas realidades, ela enfrenta o desafio de dominar poderes instáveis que despertam a cada paixão avassaladora. Em meio a esse turbilhão de desejos e transformações, resta o grande dilema: existirá alguém capaz de subjugar seus instintos e dominá-la por completo? Uma jornada intensa sobre controle, poder e rendição absoluta.
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Capítulo 2

Dhavantari era alto se comparado com os outros, mas mais baixo que Shiva. Tinha seus músculos bem trabalhados, ombros largos, cintura fina, pernas grossas. Chegava a ser até um pouco desproporcional. Diferentemente de Shiva, que era a única que tinha um tom de pele azulado e prateado, ele fazia parte daqueles que tinha uma coloração mais esverdeada, indo para um tom de amarelo em algumas partes de seu corpo.

Dhavantari era muito inteligente. Não, os outros eram muito inteligentes, Dhavantari compreendia a essência das coisas, ia além de qualquer percepção muito além do superficial. Era um verdadeiro gênio.

Ele havia criado muitas coisas naquele planeta, do zero. Tinha teorizado as formas de construções para proteger os seres do clima e dar conforto, mais do que abrigos, lares. Também foi o responsável por descobrir como conseguir desenvolver roupas com elementos da natureza, misturas de composições de plantas, minerais, com tratamento de gases. Essas roupas serviam tanto como uma segunda pele, evitando cortes, machucados graves no caso de quedas de grandes alturas, quanto tinham efeito curativo, regenerativo e até mesmo alimentar, melhorando o metabolismo do corpo.

Mas certamente, sua maior descoberta tinha sido as relíquias. As quatro pedras de cores diferentes, em tons brilhantes de vermelho, azul, amarelo e verde, quando utilizadas em conjunto eram responsáveis pelos mais variados resultados, dependendo de como eram combinadas e de que forma. Ele batizou de relíquias de Shiva. A pedra vermelha sobreposta a amarela, quando apertadas com dois dedos uma contra outra, com força, podiam mostrar o interior do corpo de qualquer um e também demonstrar as variações de temperatura, além de atividades de células, identificando-as em suas atividades. Com esse recurso ele conseguia descobrir quase que qualquer coisa nos corpos de todos. Alguns o chamam de bruxo, expressão que tinha criado para alguém que conseguia usar algo que consideravam mágico, totalmente sem explicação. Os mais antigos como ele, da primeira geração pós Shiva, não acreditavam nas crendices, mas as gerações seguintes, que vieram alguns anos depois, desenvolveram mais costumes diferentes. Eles ainda conviviam com Shiva, mas não tão próximos e isso os fazia criarem histórias fantasiosas, mais criativas do que a realidade permitia acreditar. Foram eles que começaram a acreditar na existência de deuses invisíveis. Já os mais novos, as gerações mais recentes acreditavam que Shiva era a verdadeira deusa e que a primeira geração eram de segundos deuses. Dhavantari então era como uma espécie de deus para os mais novos e de demônio para os não tão jovens assim. Era o único que tinha essa dicotomia o que causava ainda mais fascínio a seu respeito.

Ainda assim, quando alguém tinha algum problema, normalmente era para ele que corriam, fosse de forma direta ou por intermédio de alguém.

- Não é comum te receber aqui mais, Shiva. Espero que as notícias não sejam ruins. Se minha experiência ainda pode dizer alguma coisa, tempo e distância normalmente só são superados por notícias ruins ou problemas. - Apesar de não parecer tão simpático, ele era amável, seu modo de falar só tinha um excesso de praticidade e senso de urgência por resolver logo as dificuldades que se apresentavam.

- Depois de mim, Dhavantari, considero a ti a pessoa mais importante desse planeta e cada vez mais minha importância se dá apenas muito mais pelo meu nome apenas do que pelas minhas atitudes. Nada mais justo do que eu fazer uma visita. - Shiva estava sentada em um rochedo, com as pernas cruzadas, deliciando-se com uma das frutas do Rentom, uma árvore gigantesca, a única em todo planeta que dava frutos diversos e únicos, cada um com uma forma e sabor diferente do outro. Era diante dela que o Dhavantari fazia sua morada.

- Minha Senhora, mãe de todos, peço então, humildemente, que venha novamente com novos assuntos outra hora. Estou com uma fila de compromissos para resolver. Nesse momento mesmo estou buscando como acabar com a chuva de gelo que começou ao norte e que tem afetado o fluxo de nossos rios, bem como as tão saborosas plantas aquáticas.

- Também não é assim, não é... Bom, na verdade eu tenho um assunto.

- Shiva, não consigo entender como você pode fazer voltas para falar sobre algo. Você é a unidade, é a soberana! Mande eu tirar minha própria vida e eu o farei! Não sei como, mas farei! Não faz sentido você não ser direta.

- Eu sei, Dhavantari, você já me disse isso, queria ser como você, mas é muito difícil para mim.

- Tá certo, podemos pensar em treinar isso com calma depois. Mas conte o que te aflige!

- Use as relíquias em mim, veja por favor, se tem algo errado.

Dhavantari fez como lhe foi solicitado, passou as pedras por todo corpo dela e conseguiu ir analisando o funcionamento e as respostas de cada estrutura.

- Aqui, nessa região... Existem leituras completamente diferentes de tudo que já vi. A temperatura está muito maior. Existem dilatações internas que aumentam e diminuem. Ninguém, nem do masculino, nem do feminino apresentaram alguma vez, em seus órgãos divergentes, esse tipo de leitura.

- O que isso significa?

- Significa que você está passando por uma mudança no seu corpo que é algo completamente novo e inédito.

- E o que seria isso? - Shiva gritou impaciente.

- É inédito, significa que eu nunca vi e sendo assim, eu não sei!

- Parvati teve uma resposta estranha em seu corpo também, nessa mesma região. Parecia que algo tinha ficado grande, de repente. Podia ser seu órgão?

- Não sei, precisamos chamar o rapaz e investigar. Você sentiu algo mais? Algo diferente? - Ele perguntou tentando achar mais evidências.

- Se eu pudesse chamar de algo, seria desejo. Um desejo incontrolável de algo que eu desconheço. Era uma vontade de agarrar ele, de tê-lo junto a mim de alguma forma. Como se eu quisesse que ele entrasse em meu corpo e me possuísse.

- Minha senhora, isso parece muito grave! Precisamos analisar esse rapaz imediatamente. Vou convocar os Primordiais para que consigam sua captura rápida. Você, não saia daqui!

Não era todo dia que Shiva recebia ordens daquela maneira, ainda assim, aquele lugar era muito aprazível, não seria ruim aguardar. Entrou em uma das fontes termais, inclinou seu pescoço e encostou sua nuca na parte de fora da água, para segurar seu corpo parado enquanto flutuava. Sentia um prazer com o movimento da água, que nunca tinha sentido antes.

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