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Capa do romance Seu Sacrifício, Sua Fria Indiferença

Seu Sacrifício, Sua Fria Indiferença

Unida por obrigação a Dante Castilho, um magnata implacável, vi nosso ódio virar paixão. Tudo ruiu quando sua ex, Júlia, ressurgiu. Ele a escolheu, ignorando meu sofrimento e crendo em mentiras que custaram a vida do meu cão. Presa em uma mansão sob falsos pretextos, fugi de sua obsessão. No auge da perseguição, tentei o suicídio para me libertar, mas Dante colidiu seu carro contra um caminhão, sacrificando a própria vida para impedir o meu fim trágico.
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Capítulo 3

O baixo vibrava no meu peito, ressoando pelos meus ossos. O dançarino, Léo, estava rindo, seu braço casualmente em volta da minha cintura. O martíni tinha feito seu trabalho – amenizado as arestas da dor, silenciado os sussurros incessantes de traição. Meu celular vibrou de novo, um zumbido persistente contra minha pele. Olhei para ele. Dante. Revirei os olhos e ignorei novamente. Ele podia ligar o quanto quisesse. Eu não ia voltar. Nunca mais.

"Clara, seu celular", disse Léo, sua voz um murmúrio brincalhão. "Alguém está muito ansioso."

"Deixe estar", respondi, puxando-o para mais perto. "Eles vão superar."

Mas o telefone continuou a tocar. E então, uma mensagem de texto. Eu geralmente ignorava as mensagens de Dante, mas algo me compeliu a dar uma olhada. Era dele. E dizia: "Não se dê ao trabalho de mentir sobre sua localização. Consigo ouvir a música da sua cobertura. E sua risada."

Meu coração disparou, um pavor súbito e frio me invadindo. Não. Não podia ser. Virei-me, meu olhar varrendo o bar lotado. Meus olhos saltaram de rosto em rosto, procurando, temendo. E então eu o vi.

Ele estava parado na entrada, uma silhueta escura e formidável contra as luzes de neon da cidade. Seus olhos, frios e inabaláveis, encontraram os meus. Dante Castilho. Ele parecia um predador que acabara de encurralar sua presa. Minha respiração ficou presa na garganta. Como? Como ele sabia?

Ele começou a se mover, um passo lento e deliberado através da multidão de festeiros. Um silêncio caiu sobre a multidão enquanto ele passava, como uma onda de admiração silenciosa. As pessoas instintivamente abriram caminho, sentindo a aura perigosa que o cercava. Seu olhar nunca deixou o meu. Era um olhar sufocante e aterrorizante que prometia retribuição.

"Todos para fora", uma voz profunda bradou. Seu chefe de segurança, uma montanha de homem, já estava esvaziando o bar. "A festa acabou."

Meus amigos, que estavam rindo comigo momentos antes, trocaram olhares nervosos. Lia, sempre a corajosa, começou a protestar, mas um olhar da segurança de Dante a congelou. Eles se dispersaram, deixando-me de pé sozinha, exposta, no espaço subitamente cavernoso. Léo, abençoado seja seu coração inocente, tentou se manter firme, um olhar perplexo em seu rosto. "Ei, o que está acontecendo?"

Dante nos alcançou, seus olhos queimando nos meus. Ele nem sequer olhou para Léo. Ele simplesmente agarrou meu braço, seus dedos cravando na minha pele, um aperto possessivo que enviou um arrepio pela minha espinha. "Estamos de saída", ele afirmou, sua voz baixa e perigosa.

Puxei meu braço com força. "Eu não vou a lugar nenhum com você!", retruquei, meu desafio reacendendo. "Você não tem o direito!"

Seus olhos se estreitaram ainda mais. "Direito?", ele zombou, a palavra pingando desdém. "Você é minha esposa, Clara. E está fazendo um espetáculo de si mesma." Ele gesticulou vagamente para as garrafas vazias, os copos de shot descartados. "É assim que a liberdade se parece para você? Afogando suas mágoas em bebida barata e flertando com garotos que mal saíram da faculdade?"

Meu sangue ferveu. "E como se parece para você, Dante?", disparei, minha voz tremendo de raiva contida. "Correndo para confortar sua ex-namorada moribunda enquanto sua esposa é deixada para sangrar no saguão de um hotel? É assim que a lealdade se parece?"

Sua mandíbula se contraiu. Ele deu um passo mais perto, sua presença avassaladora. "Não me provoque, Clara", ele avisou, sua voz um rosnado baixo. "Você não quer ver o que acontece quando me provoca demais."

Recuei, mas meu orgulho não me deixou recuar. "Ou o quê?", desafiei, meu queixo erguido. "Você vai correr para a Júlia de novo? Essa é sua ameaça final?"

Ele me encarou, seus olhos indecifráveis, então de repente estendeu a mão, sua mão envolvendo meu rosto. Seu polegar roçou minha pele, um toque suave e terno que enviou sinais conflitantes através de mim. "Clara", ele murmurou, sua voz suavizando, "eu odeio te ver assim. Perdida. Machucada."

Seu toque, sua voz, eram uma isca perigosa. Uma parte traiçoeira de mim queria se inclinar para isso, deixá-lo acalmar a dor. Mas a imagem dele passando pelo meu quarto de hospital, dele segurando Júlia, brilhou em minha mente. Não. Eu não cairia nessa de novo. Bati em sua mão, meus olhos em chamas. "Não finja que se importa, Dante", cuspi. "Você perdeu esse direito quando a escolheu em vez de mim."

Sua expressão endureceu, a ternura desaparecendo, substituída por uma fúria fria. Ele não disse nada, apenas me encarou, seu olhar lentamente caindo para a pequena e ornamentada bolsa que eu segurava. "O que tem aí, Clara?", ele perguntou, sua voz enganosamente calma.

Meu coração martelou. Ele era muito esperto. Muito observador. Ele via tudo. "Nada", menti, segurando-a com mais força.

Ele simplesmente estendeu a mão. "Dê para mim." Não era um pedido. Era uma ordem.

Hesitei, então, com um olhar desafiador, tirei um envelope grosso. "Você quer saber o que tem aqui?", desafiei, minha voz tremendo um pouco. "Tudo bem. Aqui está. Seu bilhete para a verdadeira liberdade, Dante." Enfiei o envelope em sua mão. "Papéis do divórcio. Assinados. Tudo o que você precisa fazer é colocar sua gloriosa assinatura de Ceifador da Faria Lima na linha pontilhada."

Ele olhou para o envelope, depois para mim, um lampejo de surpresa em seus olhos. Uma risada sem humor escapou de seus lábios. "Papéis do divórcio? Este é seu último truque, Clara? Outra tentativa desesperada de me provocar?" Ele jogou o envelope em uma mesa próxima, com desdém. "Sabe, da última vez que você tentou se 'divorciar' de mim, acabou na minha cama, implorando para eu ficar." Ele se aproximou, seu corpo se agigantando sobre o meu. "E você vai de novo. Porque você é minha, Clara. Você sempre foi. E sempre será."

Meu sangue gelou com sua arrogância, sua certeza absoluta. Ele nem olhou para os papéis. Ele achou que era uma piada. Um jogo. Minha mandíbula se contraiu. Tudo bem. Deixe-o pensar isso. A verdade o atingiria com mais força.

"É mesmo?", murmurei, uma calma súbita e perigosa se instalando sobre mim. Entrei em seu espaço pessoal, minhas mãos se erguendo para envolver seu rosto. Seus olhos se arregalaram um pouco com a intimidade inesperada. Meus dedos se emaranharam em seu cabelo escuro, puxando-o para mais perto. Meus lábios encontraram os dele, suaves a princípio, depois se tornando mais insistentes. Senti sua surpresa, depois sua resposta relutante, seus braços circulando minha cintura, puxando-me com força contra ele. Seu beijo se aprofundou, faminto, possessivo, reivindicador.

Sua mente, eu sabia, estava em tumulto. Ele estava pensando em Júlia, em traição, na minha rebeldia selvagem. Mas meus lábios, meu corpo, estavam contando uma história diferente, uma história de rendição, de desejo. E naquele momento, tudo o que ele se importava era a paixão que eu estava derramando sobre ele.

Enquanto ele se perdia no beijo, sua atenção completamente em mim, minha mão se esticou, pegando o envelope da mesa. Meus dedos encontraram a caneta no bolso de seu paletó. Ainda o beijando, ainda derramando cada gota de desejo desesperado que eu sentia no abraço, movi minha mão para os papéis. A assinatura dele. Apenas uma. Ele estava distraído, totalmente consumido pelo momento. Um rabisco rápido e bagunçado. Feito.

Afastei-me, sem fôlego, meus olhos brilhando com um triunfo perigoso que ele ainda não entendia. Ele parecia atordoado, confuso, mas também inegavelmente excitado. "Clara", ele murmurou, sua voz grossa de desejo. "O que foi isso?"

Eu apenas sorri, um sorriso doce e inocente que escondia um punhal. "Considere meu presente de casamento", sussurrei, pressionando minha testa contra a dele. Meu coração estava batendo forte, não de paixão, mas da adrenalina da minha vitória. Acabou. Os papéis estavam assinados.

Ele riu, um ronronar baixo e satisfeito em seu peito. Ele nem percebeu que o envelope não estava mais na mesa. Ele não percebeu que eu o havia deslizado para minha própria bolsa. Ele apenas me puxou para mais perto, seus lábios encontrando meu pescoço, suas mãos percorrendo meu corpo. "Tudo bem, Clara Mendes", ele rosnou, sua voz áspera de fome. "Você quer jogar pesado? Vamos jogar pesado."

Ele me levantou em seus braços, carregando-me para fora do bar deserto, ignorando meus protestos meio-sérios. Ele me levou de volta para a mansão, não para o meu quarto, mas para o dele. Ele me jogou em sua cama enorme, seus olhos queimando com um fogo possessivo. "Você acha que pode simplesmente flertar com outros homens, desfilar por aí seminua, e então esperar que eu a deixe ir?", ele rosnou, arrancando a camisa. "Você é minha. E eu vou te lembrar disso todas as noites até você se lembrar."

As horas seguintes foram um borrão de paixão crua e punitiva. Ele me tomou com uma ferocidade que me deixou dolorida, tanto física quanto emocionalmente. Cada estocada era uma declaração de posse, cada beijo uma marca. "Minha", ele sussurrou de novo e de novo, sua voz rouca, seu corpo reivindicando o meu. "Diga, Clara. Diga que você é minha."

Engoli as palavras, as lágrimas. Eu não lhe daria essa satisfação. Não agora. Nunca mais. Fechei os olhos, deixando a sensação física me consumir, tentando bloquear a devastação emocional. Ele estava me punindo. Pela minha rebeldia. Pela minha suposta infidelidade. Por seus próprios sentimentos não resolvidos por Júlia. E eu o deixei. Porque na minha bolsa, os papéis do divórcio assinados eram uma promessa silenciosa da minha libertação iminente.

Assim que a intensidade atingiu seu auge, seu telefone tocou. Um toque frenético e urgente que ele usava apenas para emergências. Ele congelou, seu corpo tenso sobre o meu. Ele se afastou, pegando o telefone da mesa de cabeceira. Seus olhos, ainda nublados de paixão, clarearam instantaneamente, substituídos por um olhar de puro horror. "O quê?!", ele latiu para o telefone. "Onde? Ela está bem?"

Sua voz estava tensa, carregada de um medo que eu não ouvia desde o acidente de carro. Mas desta vez, não era por mim. Era por ela. Júlia.

"Não, não, não", ele murmurou, seu rosto pálido. Ele pulou da cama, vestindo-se em uma pressa frenética. "Estou a caminho. Não toque em nada." Ele olhou para mim, seus olhos arregalados e desorientados. "Clara, preciso ir. Júlia... ela está em apuros."

Meu coração, já entorpecido, apenas afundou mais. Claro. Ela estava sempre em apuros. Ele estava sempre correndo para ela. "Vá", eu disse, minha voz plana, desprovida de emoção. "Você sempre vai."

Ele hesitou, um lampejo de algo indecifrável em seus olhos, depois se virou e correu. A porta bateu atrás dele. Seu carro rugiu para fora da garagem, os pneus cantando. Ouvi as chamadas frenéticas de seus seguranças, a correria de outros veículos o seguindo.

Fiquei deitada por um longo tempo, o silêncio do quarto ensurdecedor após sua partida apressada. Meu corpo doía, mas era apenas um eco surdo comparado ao vazio interior. Levantei-me lentamente, vesti a camisa dele e caminhei até a janela. Lá fora, a noite estava escura, mas uma sirene fraca soava à distância. Júlia. Sempre Júlia.

Ouvi o motorista dele partir novamente. Dante, sempre correndo para o lado de Júlia. Meu estômago revirou. Senti uma dor aguda, uma onda de náusea. Tropecei para fora do quarto e para o banheiro, minha cabeça girando. Agarrei a porcelana fria do vaso sanitário, sentindo uma doença diferente de qualquer ressaca.

O carro ainda estava em alta velocidade, Dante dirigindo como um louco. Eu estava no banco do passageiro, minha cabeça latejando, o mundo lá fora um borrão de luzes piscantes e árvores escuras. Ele nem parecia me notar. Estava muito consumido por seu pânico, pela emergência que a envolvia. Encostei-me na janela, meu corpo doendo com a viagem brusca.

De repente, ele pisou no freio. O carro derrapou até parar em uma área desolada e coberta de mato. O ar estava denso com o cheiro de terra úmida e decomposição. "Dante, o que...?", comecei, mas ele já estava fora do carro, batendo a porta atrás de si.

Eu o segui, minhas pernas instáveis. Um armazém dilapidado se erguia à distância, suas janelas quebradas como olhos vazios. De dentro, ouvi gritos abafados. Os gritos de Júlia.

Dante arrombou as portas enferrujadas, gritando o nome dela. Eu o segui, meu coração batendo forte. Lá dentro, uma cena de puro caos. Homens, rudes e ameaçadores, seguravam Júlia. Ela estava desgrenhada, aterrorizada. E de pé entre eles, um homem que eu vagamente reconheci de algumas páginas de fofocas da sociedade - um ex-rival de negócios de Dante, desonrado, notório por seus negócios escusos.

"Castilho", o rival zombou, um sorriso grotesco em seu rosto. "Então você finalmente apareceu. E trouxe uma convidada." Seus olhos pousaram em mim, um brilho predatório neles.

Dante o ignorou, seu olhar fixo em Júlia. "Solte-a", ele rosnou, sua voz um ronronar baixo e perigoso. "Agora."

"Ah, mas isso seria fácil demais, não seria?", o rival riu. "Esta é Júlia, não é? Seu precioso 'amor platônico'. Aquela por quem você quase perdeu seu império, todos aqueles anos atrás." Seus olhos percorreram Júlia com uma possessividade arrepiante. "Ela é muito bonita, mesmo agora. Uma verdadeira beleza clássica. Assim como costumavam dizer."

O rosto de Dante era uma máscara de fúria fria. "Ela não significa nada para mim agora", ele cuspiu, sua voz desprovida de emoção. "Você pode ficar com ela."

Minha respiração falhou. Meu sangue gelou, de novo. Ele disse isso? Ele realmente quis dizer isso?

"Ah, é mesmo?", o rival zombou, incrédulo. "Depois de todo o trabalho que você teve para rastreá-la, para salvá-la de sua 'doença', você simplesmente a entrega?" Ele riu, um som áspero e irritante. "Você sempre gostou dela, Castilho. Todo mundo sabia. Ela era a única fraqueza do Ceifador da Faria Lima."

Dante apenas o encarou, seu olhar gelado. "Ela não passa de uma distração. Um fantasma do passado." Ele deu um passo à frente, então, para meu completo choque, ele estendeu a mão e me puxou bruscamente para si, envolvendo um braço possessivo em minha cintura. Meu corpo enrijeceu contra o dele. "Esta é minha esposa", ele declarou, sua voz ressoando com uma falsa convicção que irritou meus ouvidos. "Clara Mendes. A única mulher que significa algo para mim agora. Se você quer uma fraqueza, encontre uma aqui. Mas deixe minha ex-namorada fora disso."

Meu estômago despencou. Ele estava me usando. Como um escudo. Como uma distração. Ele estava me jogando na cova dos leões, sacrificando-me para protegê-la, para proteger sua própria reputação. Ele acabara de me chamar de sua esposa, não por amor, mas como um movimento calculado, uma tentativa desesperada de desviar a atenção de Júlia.

Minha cabeça girou. O quarto girou. A dor em meu coração era tão imensa, tão sufocante, que eu mal conseguia respirar. Ele me usou. Ele nunca me amou. Ele nunca amaria. Eu não era nada além de um peão em seu jogo distorcido, uma esposa conveniente para proteger seus verdadeiros sentimentos, sua verdadeira vulnerabilidade, do mundo. Uma traição profunda e lancinante me consumiu. Senti-me usada, barata, totalmente descartada. Então era isso. Toda a paixão, toda a indulgência, todos os sussurros de "Minha". Uma grande decepção. Uma mentira desesperada e devastadora.

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