Capa do romance Seu Primeiro Amor, Meu Último Adeus

Seu Primeiro Amor, Meu Último Adeus

9.7 / 10.0
Após um grave acidente, a protagonista vê seu namorado, Adriano, ignorar seus ferimentos para socorrer Cássia, seu primeiro amor. Após cinco anos de negligência e submissão, ela percebe que era apenas uma substituta na vida dele. O encanto se quebra e a obsessão doentia desaparece, revelando um vazio emocional. Decidida a retomar sua identidade e fugir dessa trama tóxica, ela parte para o Rio de Janeiro em busca de Kael Campos, o amor de infância que abandonou.

Seu Primeiro Amor, Meu Último Adeus Capítulo 1

O mundo voltou em um borrão de metal retorcido e o som apavorante de pneus cantando no asfalto. Em um momento, estávamos dirigindo. No seguinte, um caminhão havia furado o sinal vermelho.

No banco do passageiro, com a cabeça latejando, observei meu namorado, Adriano, se apressar para confortar seu primeiro amor, Cássia, que chorava no banco de trás. Ele nem sequer olhou para mim, sua namorada de cinco anos, enquanto a ajudava a sair do carro destruído.

Os paramédicos chegaram. Em meio à névoa de dor, vi Adriano pairar sobre Cássia, recusando-se a deixá-la por um segundo. Era como se eu nem estivesse mais ali. Ele não se lembrava do meu aniversário, nunca soube minha comida favorita e nunca se importou que eu fosse alérgica às flores que comprava para mim, as mesmas que Cássia amava.

Eu tinha sido uma coadjuvante na história de amor deles, um tapa-buraco até que a verdadeira estrela de sua vida retornasse. Eu tinha sido obcecada por Adriano Paes, mas não era amor; era uma doença, um vínculo traumático que eu confundi com devoção.

Por que eu fiz isso? Por que deixei que ele me moldasse em alguém tão submissa, tão diferente de mim? Parecia que eu estava sendo controlada por alguma força invisível, uma trama que não era minha.

O feitiço se quebrou. A obsessão desapareceu. Tudo o que restou foi um sentimento frio e vazio e um desejo súbito e desesperado por outra pessoa: Kael Campos, meu amor de infância, o garoto que eu deixei para trás cinco anos atrás. Comprei a primeira passagem para o Rio de Janeiro.

Capítulo 1

O mundo voltou em um borrão de metal retorcido e o som apavorante de pneus cantando no asfalto. Em um momento, estávamos dirigindo. No seguinte, um caminhão havia furado o sinal vermelho.

Eu estava no banco do passageiro, minha cabeça latejando, uma dor aguda no braço. Adriano, no banco do motorista, já estava se movendo. Ele olhou para mim, então seus olhos se voltaram para o banco de trás.

Para Cássia Telles. Seu primeiro amor.

Ela estava chorando, um pequeno corte na testa.

"Helena, você está bem?", Adriano perguntou, a voz tensa.

Antes que eu pudesse responder, Cássia soltou um soluço. "Adriano... estou com medo."

Seu foco se desviou de mim. Era como se eu nem estivesse mais ali. Ele soltou o cinto de segurança, se arrastou para o banco de trás e acolheu uma Cássia chorosa em seus braços.

"Está tudo bem, Cássia. Eu estou aqui. Eu te peguei", ele murmurou, a voz mais suave do que eu jamais ouvira. Ele nem sequer olhou para mim, sua namorada de cinco anos, enquanto a ajudava a sair do carro destruído.

Os paramédicos chegaram. Eles me colocaram em uma maca. Em meio à névoa de dor, observei Adriano pairar sobre Cássia, recusando-se a deixá-la por um segundo.

E bem ali, com o cheiro de gasolina no ar e uma dor cegante no braço, senti uma estranha sensação de clareza. Foi como se um feitiço tivesse se quebrado. Por cinco anos, eu fui obcecada por Adriano Paes. Eu achava que era amor.

Não era. Era uma doença, um vínculo traumático que eu confundi com devoção. Ele não me amava. Nunca amou. Eu era apenas um tapa-buraco, uma substituta conveniente até que a verdadeira estrela de sua vida retornasse.

Eu era uma coadjuvante na história de amor deles.

O feitiço se quebrou. A obsessão desapareceu. Tudo o que restou foi um sentimento frio e vazio e um desejo súbito e desesperado por outra pessoa.

Kael Campos.

Meu amor de infância. O garoto que eu deixei para trás cinco anos atrás, logo depois que conheci Adriano.

Enquanto me levavam para a ambulância, peguei meu celular com a mão boa. Meus dedos voaram pela tela.

Comprei a primeira passagem para o Rio de Janeiro.

"Preciso ir. Agora", disse à minha assistente pelo telefone da minha cama de hospital algumas horas depois. Meu braço estava engessado, mas a dor não era nada comparada à urgência que eu sentia. "Não me importa quanto custe. Me coloque naquele avião."

"Por que agora? Qual é a pressa?", ela perguntou, confusa.

"Tenho que encontrar alguém", eu disse, minha voz tremendo. "Tenho que tê-lo de volta."

Desliguei antes que ela pudesse fazer mais perguntas.

Eu ia encontrar Kael.

Eu tinha que ir.

Lembrei-me de como eu era antes de Adriano. Vibrante. Confiante. A orgulhosa herdeira do império hoteleiro Barros. Então o conheci, e dobrei e quebrei partes de mim mesma para caber na caixinha que ele chamava de "a namorada perfeita".

Por que eu fiz isso? Por que deixei que ele me moldasse em alguém tão submissa, tão diferente de mim? Parecia que eu estava sendo controlada por alguma força invisível, uma trama que não era minha.

E Kael... ele era o completo oposto.

Ele era meu melhor amigo. Meu primeiro amor. Crescemos juntos.

Ele satisfazia todos os meus caprichos. Subia na árvore mais alta para pegar uma pipa para mim, entrava em um lago congelante para recuperar minha pulseira perdida e passava a noite toda me ajudando com um projeto que eu havia procrastinado.

Ele sabia que eu odiava gengibre, então o tirava de todos os pratos para mim. Ele sabia que eu amava observar as estrelas, então construiu um pequeno observatório no telhado dele só para nós.

Ele havia planejado se declarar para mim na noite da nossa formatura do ensino médio. Ele me contou mais tarde, sua voz cheia de uma dor que eu era cega demais para entender na época.

Mas essa foi a noite em que conheci Adriano Paes.

Foi em uma festa. Adriano entrou, e foi como se o mundo parasse. Ele era bonito, poderoso, o CEO de uma gigante da tecnologia. E por algum motivo, ele olhou para mim.

Algo dentro de mim mudou. Foi uma atração irracional e avassaladora. Parecia que eu não tinha escolha. Saí da festa com ele, deixando Kael esperando sob as estrelas com um anel que ele mesmo havia desenhado.

Abandonei Kael sem uma palavra.

Por cinco anos, corri atrás de Adriano, convencendo a mim mesma de que seus raros momentos de atenção eram prova de seu amor. Mas seu coração nunca esteve comigo. Estava sempre com Cássia Telles, a garota que o havia deixado por um homem mais rico anos atrás.

Ele nunca se lembrava do meu aniversário. Ele nunca soube minha comida favorita. Ele nunca se importou que eu fosse alérgica às flores que comprava para mim, as mesmas que Cássia amava.

Uma vez, Kael voltou. Ele me encontrou chorando na chuva depois de outra briga com Adriano. Ele segurou um guarda-chuva sobre minha cabeça, seus olhos cheios de mágoa e preocupação.

"Deixe-o, Helena", ele implorou, a voz suave. "Ele não te merece. Apenas me dê uma chance."

Por um momento fugaz, eu fui eu mesma novamente. Eu vi a verdade. Eu concordei. Prometi que deixaria Adriano.

Mas no dia seguinte, Adriano apareceu com alguma desculpa esfarrapada, um pedido de desculpas sem entusiasmo, e eu caí de volta no velho padrão. Era como se eu não pudesse evitar.

Kael viu tudo acontecer. A esperança em seus olhos morreu, substituída por uma decepção profunda e final. Ele partiu para o Rio de Janeiro na semana seguinte e cortou todo o contato. Ele se foi.

Agora, depois deste acidente de carro, depois de ver Adriano escolher Cássia sem um segundo de hesitação, a névoa finalmente se dissipou. Eu vi tudo claramente.

Eu não estava apaixonada por Adriano. Eu era apenas uma personagem interpretando um papel. Uma coadjuvante trágica e tola.

E no momento em que percebi isso, o "amor" que eu sentia por ele evaporou. Desapareceu. Simples assim.

Em seu lugar, uma onda avassaladora de amor e arrependimento por Kael me inundou. O amor verdadeiro. Aquele que eu havia suprimido por cinco longos anos.

Lembrei-me de sua bondade, sua força silenciosa, seu apoio inabalável. A maneira como ele me olhava, como se eu fosse a única pessoa no mundo.

Ele era o cara certo. Ele sempre tinha sido o cara certo.

"Kael", sussurrei para o quarto de hospital vazio, minha voz embargada pelas lágrimas. "Estou indo te buscar. Desta vez, farei o que for preciso."

Assim que recebi alta, fui direto para minha cobertura. A primeira coisa que fiz foi ir ao meu closet. Peguei o vestido vermelho vivo que Adriano odiava, aquele que ele dizia ser muito chamativo, muito ousado.

Eu o vesti.

Por cinco anos, eu me vesti com cores pálidas e discretas para agradá-lo. Mantive meu cabelo comprido porque ele gostava assim. Eu me tornei um fantasma de mim mesma.

Não mais.

Olhei para mim no espelho. O vestido vermelho parecia uma declaração de guerra. Parecia comigo.

O mordomo, que estava com minha família há anos, me viu. "Senhorita Barros", disse ele, um pequeno sorriso de aprovação no rosto. "Você parece... você mesma de novo."

Eu sorri, um sorriso de verdade pela primeira vez em anos. Girei, o tecido rodopiando ao meu redor. Era bom. Era libertador.

Eu estava indo para a porta, minha mala pronta, quando Adriano e Cássia entraram. Eles tinham acabado de vir de uma consulta de acompanhamento. Cássia estava apoiada nele, parecendo frágil e adorável.

Os olhos de Adriano se estreitaram quando ele viu meu vestido. Ele não gostou. Ele nunca gostou.

"Que colar lindo, Helena", disse Cássia, sua voz doce como mel. Seus olhos estavam fixos na peça simples e elegante em volta do meu pescoço. "Adriano, não é lindo?"

Adriano olhou para ele, depois para mim. "Tire. Dê para a Cássia." Não foi um pedido. Foi uma ordem.

O gerente da loja, que havia entregue o colar apenas uma hora antes, deu um passo à frente, nervoso. "Sr. Paes, me desculpe, mas essa peça é única. Já foi comprada pela Senhorita Barros."

Adriano nem olhou para ele. Seu olhar frio estava fixo em mim. "Eu disse, dê para ela. Você sabe que a Cássia gosta dessas coisas." Era o tom que ele sempre usava comigo, aquele que esperava obediência absoluta.

Por cinco anos, eu o teria tirado sem pensar duas vezes. Eu teria feito qualquer coisa para evitar seu descontentamento.

Mas eu não era mais aquela pessoa.

Olhei-o diretamente nos olhos.

"Não."

Adriano congelou. Ele parecia genuinamente chocado, como se a palavra fosse estranha para ele, especialmente vindo dos meus lábios.

"O que você disse?"

Mantive-me firme, com o queixo erguido. O vestido vermelho parecia uma armadura.

"Eu disse não."

Ele me encarou, um olhar estranho em seus olhos. Era como se ele estivesse me vendo pela primeira vez. E ele não reconhecia em nada a pessoa à sua frente.

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