
Seu Jogo Cruel, o Coração Dela Partido
Capítulo 3
Stella se aproximou, seus saltos clicando no pavimento. Ela pegou o arquivo que havia caído ao lado de Clara.
— Obrigada por entregar isso, Clara — disse ela, sua voz escorrendo uma doçura falsa. — É a escritura de uma villa na França. Um presentinho de casamento do Heitor para mim.
Heitor apareceu, correndo para o lado de Stella. Ele a abraçou, seu rosto cheio de preocupação.
— Você está bem, querida? Eles te assustaram? — ele perguntou, ignorando completamente Clara no chão.
— Estou bem, Heitor. Foi só um sustinho — disse Stella, aninhando-se nele.
Heitor beijou sua testa. — Vamos para casa. Vou pedir ao meu médico para te examinar.
Ele levou Stella embora sem um único olhar para trás, para Clara. Seus amigos o seguiram, ainda rindo.
Clara foi deixada sozinha na escuridão, o frio se infiltrando em seus ossos.
Ela lentamente se levantou. Seu passaporte e identidade estavam no chão, próximos. Ele havia cumprido sua promessa, da maneira mais cruel possível.
Ela os pegou e tirou o celular. Percorreu seus contatos até encontrar um número que não ligava há muito tempo. Um número que ela havia conseguido depois de uma aposta meio ano atrás.
O telefone tocou uma vez antes que uma voz profunda e calma atendesse. — Gael Oliveira.
Lágrimas escorreram pelo rosto de Clara. — Gael — ela engasgou. — Eu perdi a aposta. Estou pronta para ir embora.
— Vou cuidar do visto — disse ele, sua voz quente e firme. — Vou te buscar em uma semana.
Havia um som de sorriso em sua voz. — Eu sabia que você ligaria.
Depois que ela desligou, a secretária de Heitor, uma mulher chamada Sara, apareceu. Ela ajudou Clara a se levantar, seu rosto cheio de pena.
— O Sr. Albuquerque me pediu para levá-la para casa, Srta. Ribeiro — disse ela suavemente. Ela entregou a Clara um pão doce quente de uma padaria familiar. Era o favorito de Clara.
A visão daquilo, um pequeno símbolo de um amor que nunca foi real, a quebrou. As lágrimas que ela vinha segurando finalmente vieram, quentes e rápidas.
O estresse, a queda e o frio finalmente cobraram seu preço. Clara desmaiou, sua febre disparando. Ela acordou em uma cama de hospital.
Heitor estava sentado ao seu lado, descascando uma maçã com cuidado. Ele parecia o noivo perfeito e atencioso.
— Você acordou — disse ele, com a voz suave. Ele pegou a mão dela. — Você me assustou. Por que não me disse que estava doente?
Clara olhou para o rosto dele, o rosto bonito que ela tanto amara. Lembrou-se de todas as vezes que ele cuidou dela, de todos os grandes gestos. Uma vez, ela pensou que ele era seu anjo da guarda. Agora ela sabia que ele era seu demônio pessoal.
— O incidente desta manhã está em todas as notícias — disse ele, sua voz ficando séria. — Não diga nada à imprensa. Eu vou cuidar disso.
Ela viu um brilho de algo em seus olhos. Ele estava escondendo alguma coisa.
Quando ele saiu para falar com o médico, ela pegou o celular.
As manchetes eram brutais. "Noiva de Heitor Albuquerque em Falso Sequestro". Mas os artigos não eram sobre ela. Eram sobre Stella. A mídia estava pintando Stella como vítima de uma pegadinha cruel, e Clara como a outra mulher ciumenta e instável que poderia ter orquestrado tudo.
Então ela viu. Uma postagem da conta oficial de Heitor nas redes sociais.
"Stella é a mulher mais importante da minha vida. Não permitirei que ninguém a machuque. As pegadinhas foram longe demais. Eu a protegerei, sempre."
Abaixo, Stella havia respondido: "Algumas pessoas fazem qualquer coisa por atenção. Tão patético."
Os comentários eram uma enxurrada de ódio, todos dirigidos a Clara. "Interesseira." "Psicopata." "Deixe Heitor e Stella em paz."
Ele a havia jogado aos lobos para fazer Stella parecer uma santa. Ele a estava usando, uma última vez.
Heitor voltou para o quarto, um sorriso gentil no rosto.
— O médico disse que você só precisa de um pouco de descanso — disse ele. — O que você ia me dizer, lá na mansão, antes de... cair?
Ele ainda estava jogando o jogo.
— Nada — disse Clara, sua voz morta.
O telefone dele tocou. Era Stella. Ele virou de costas para ela para atender, sua voz baixando para um sussurro íntimo.
— Já estou indo, querida. — Ele desligou e se virou para Clara. — Fique aqui e melhore. A gala de caridade para o seu centro de artes é em três dias. Mandarei um carro te buscar.
Ele saiu do quarto sem olhar para trás.
Clara olhou para a maçã que ele havia descascado para ela. Ele até a cortara em pequenas formas de estrela, do jeito que ela gostava.
Então ela se lembrou. Ela era alérgica a maçãs. Era Stella quem as amava.
Mesmo neste pequeno gesto íntimo, ele as havia confundido. Ou talvez, ele nunca a tivesse visto de verdade.
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