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Capa do romance Seu Filho Secreto, Sua Vergonha Pública

Seu Filho Secreto, Sua Vergonha Pública

Alina Mendonça acreditava ter a vida ideal: uma carreira médica, pais afetuosos e o noivo perfeito, Ivan. Contudo, essa fachada desmorona ao flagrar Ivan com Kiara Rinaldi e o filho secreto do casal. Traída, ela descobre que sua própria família financia essa vida oculta e que seu noivado é apenas um golpe por influência. Agora, diante de um cenário de mentiras e humilhação, Alina decide que não será mais o joguete de ninguém e planeja sua vingança.
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Capítulo 3

A mensagem de Kiara foi uma declaração de guerra. Ela se achava intocável, escondida em sua gaiola dourada. Ela não sabia que eu tinha a chave.

Eu precisava entrar naquela casa mais uma vez, não apenas por evidências, mas para ver a verdade com meus próprios olhos, para ouvi-la de suas próprias bocas, sem filtros. O pen drive tinha o "o quê", mas eu precisava do "porquê".

Subornar um empregado era a escolha óbvia. Revisei os registros financeiros que havia copiado. A equipe da casa de Kiara era paga através da empresa de fachada, mas um nome se destacou — um serviço de limpeza que recebia uma taxa mensal surpreendentemente baixa e fixa. Uma empresa que provavelmente pagava mal seus funcionários. Encontrei o site deles e o nome da gerente. Alguns milhares de reais, transferidos de uma conta anônima, foi tudo o que precisei para conseguir um uniforme e um lugar na equipe de limpeza do dia seguinte para a mansão.

Na tarde seguinte, cheguei à entrada de serviço em uma van discreta com outras três mulheres. Eu usava um uniforme azul simples, um boné de beisebol puxado para baixo e uma máscara descartável. Mantive a cabeça baixa e a boca fechada.

A governanta, uma mulher de aparência cansada chamada Maria, nos deixou entrar. Ela mal olhou para mim.

"Quartos de cima e a suíte principal. Sejam rápidas. A Sra. Rinaldi não gosta de ser incomodada."

Fui designada para a suíte principal. O quarto era enorme, com uma vista deslumbrante da cidade. Mas eu não estava interessada na vista. Estava interessada na vida que eles construíram aqui. Na mesa de cabeceira havia um porta-retrato de prata. Tinha uma foto de Ivan e Kiara no dia do casamento deles. Eles não eram oficialmente casados, é claro — Ivan estava noivo de mim. Isso era uma mentira dentro de uma mentira, uma cerimônia só para eles, uma fantasia que viviam em segredo.

Andei pela casa, limpando mecanicamente, meus olhos examinando tudo. As paredes estavam cobertas de retratos de família. Léo em um pônei. Kiara e Ivan rindo em um barco. Meu pai, Ricardo Mendonça, um renomado arquiteto, havia projetado esta casa. Minha mãe, Eleonor Mendonça, uma filantropa da alta sociedade, a havia decorado. Seu gosto característico estava por toda parte.

Encontrei Maria na cozinha, limpando as bancadas. Mantive minha voz baixa e disfarçada.

"É uma casa linda. Eles parecem uma família muito feliz."

Maria suspirou, sem olhar para mim.

"Eles são. O Sr. Moraes adora aquele menino. E o Sr. Mendonça... ele está mais aqui do que em sua própria casa. Ensinou o pequeno Léo a desenhar. Diz que o menino tem o talento dele."

As palavras foram um golpe físico. Meu pai nunca se ofereceu para me ensinar nada. Eu implorei para que ele me ensinasse caligrafia, sua paixão, mas ele sempre dizia que estava muito ocupado. Ele não estava ocupado demais para Léo.

"E a Sra. Mendonça?", perguntei, minha voz tensa.

"Ah, ela mima a Kiara demais", disse Maria, balançando a cabeça. "Traz joias novas para ela toda semana. Diz que Kiara é a filha que ela sempre quis, tão espirituosa e forte."

A filha que ela sempre quis. Não eu. Não a filha de verdade que passou anos sonhando com o amor de uma mãe.

Meu estômago revirou. Eu tinha que sair dali. Quando me virei para sair da cozinha, ouvi o som de um carro na entrada. Um sedã preto elegante. O carro de Ivan.

"Eles chegaram cedo!", sussurrou Maria, seus olhos arregalados de pânico. "Rápido, se esconda! Na despensa! Eles não podem te ver aqui depois do horário."

Ela me empurrou para a despensa escura e estreita bem a tempo da porta dos fundos se abrir. Pressionei-me contra as prateleiras, meu coração batendo forte contra as costelas. Através da porta de ripas, eu podia vê-los. Ivan, Kiara e Léo.

Léo estava chorando.

"Mas eu queria o azul!"

"Eu sei, querido, eu sei", arrulhou Kiara, acariciando o cabelo dele. "O papai vai te dar o azul amanhã, não vai, papai?"

"Claro", disse Ivan. Ele se ajoelhou e olhou para Kiara, seu rosto marcado pela preocupação. "Mas você está bem? Parecia pálida na loja."

"Estou bem", disse Kiara, mas sua voz estava cansada. "Só cansada. É difícil, Ivan. Fingir o tempo todo. Esperar você finalmente se livrar dela."

Minha respiração ficou presa na garganta.

Ivan se levantou e puxou Kiara para seus braços. Ele beijou sua testa.

"Eu sei, meu amor. Sei que não é justo com você. Mas temos que ter cuidado. Só mais um pouco. Assim que a nova fusão for concluída, não precisarei mais das conexões da família dela. Vou terminar tudo. Eu prometo. Então poderemos ser uma família de verdade, abertamente."

"Você promete?", ela sussurrou.

"Eu prometo", disse ele, sua voz um voto baixo e íntimo. "Você e o Léo são meu mundo inteiro. A Alina... ela é só um meio para um fim. Um tapa-buraco."

Um tapa-buraco.

A palavra ecoou na despensa silenciosa. Era tudo o que eu era. Uma ferramenta que ele estava usando. Uma solução temporária até conseguir o que queria. O amor, o noivado, nossa vida inteira juntos — era uma transação comercial.

Fechei os olhos com força, lutando contra a bile que subia pela minha garganta. Eu tinha toda a prova que precisava. Tinha as fotos, os extratos bancários e, agora, a verdade crua e inegável de seus próprios lábios.

Esperei até que eles se mudassem para a sala de estar, suas risadas ecoando pelo corredor. Saí da despensa, acenei um agradecimento silencioso para uma Maria apavorada e saí pela porta de serviço sem olhar para trás.

Quando estava virando a esquina da casa, em direção à rua, Kiara saiu para o pátio para uma ligação. Ela me viu. Seus olhos se estreitaram, um lampejo de reconhecimento neles, mesmo com meu disfarce. Ela não sabia quem eu era, mas sabia que eu não pertencia ali.

"Ei, você!", ela gritou. "O que ainda está fazendo aqui?"

Eu não respondi. Apenas acelerei o passo, meu coração martelando. Não podia deixá-la ver meu rosto. Ainda não. O jogo não tinha acabado. Tinha apenas começado.

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