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Capa do romance Seu Coração Mudo, Sua Traição Ardente

Seu Coração Mudo, Sua Traição Ardente

Alina Ferraz era uma artista muda protegida por Breno Monteiro, seu grande amor. Tudo mudou quando ele ficou noivo da herdeira Kassandra e, para ganhar poder, castigou Alina publicamente por uma mentira. Presa por Breno em um quarto em chamas, ela sobreviveu a uma tentativa cruel de assassinato. Anos depois, Breno ressurge destruído pela culpa e implora por perdão após se vingar de Kassandra, mas Alina agora tem sua própria voz para confrontá-lo.
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Capítulo 2

A dor no meu peito era uma pulsação surda, um lembrete constante do peixe de madeira se quebrando no chão. Engoli a amargura, forçando-a para baixo, um nó se formando em minha garganta. Eu não choraria. Não na frente dele.

Alguns dias depois, Breno me trouxe um tablet. Era elegante, caro e estranho em minhas mãos ásperas. Na tela, uma série de vídeos era reproduzida: a boca de uma mulher, formando palavras meticulosamente, cada movimento exagerado, claro. Exercícios de leitura labial. Ele queria que eu aprendesse a falar. Ou melhor, a ler a fala.

Olhei para a tela, depois para ele, uma pergunta silenciosa pairando no ar. Por que agora? Por que essa urgência repentina de me "consertar"?

Ele evitou meu olhar, andando de um lado para o outro no pequeno apartamento. "Alina, eu... eu tenho que ir embora por um tempo. Um longo tempo." Ele parou, de costas para mim, olhando pela janela suja para a cidade pobre e extensa. "A trabalho. Por nós. Para finalmente nos tirar daqui."

O mundo girou. Meu estômago revirou. Ir embora? Sem mim? O pensamento foi um golpe súbito e dilacerante. Minha visão embaçou. Uma única lágrima escapou, traçando um caminho quente pelo meu rosto.

Estendi a mão, agarrando seu braço, meus dedos cravando no tecido caro de seu terno. Apertei, depois apontei para mim mesma, depois para a porta, depois para ele. Por favor. Leve-me com você. Meus olhos suplicavam, uma agonia silenciosa.

Ele puxou o braço, gentilmente, mas com firmeza. "Não, Alina. Você não pode vir." Sua voz era plana, desprovida do calor que eu lembrava. "É muito perigoso. E... você precisa se concentrar nisso." Ele gesticulou vagamente para o tablet. "Quando eu voltar, você estará diferente. Melhor."

"É para o seu próprio bem, Alina", ele acrescentou, sua voz suavizando apenas uma fração, um fantasma do antigo Breno. "Lembra como sempre sonhamos com uma vida além deste cais? Uma vida onde você não teria que lutar, onde estaria segura? É assim que chegaremos lá."

Ele estava usando nossos sonhos, nosso passado compartilhado, como uma arma contra mim. As palavras, destinadas a acalmar, pareceram uma traição. Baixei a mão, meus ombros caindo. A luta me deixou. Eu apenas assenti, um movimento pequeno e derrotado.

Dias se transformaram em semanas. Eu sentava em nosso apartamento frio e vazio, o tablet minha única companhia. Eu observava os lábios da mulher, imitando os movimentos em minha mente, os sons estranhos e silenciosos. Minha língua parecia pesada, sem uso. Lembrei-me de como era difícil aprender qualquer coisa nova quando criança, como meu mutismo tornava frustrante cada tentativa de comunicação. Como Breno sempre fora paciente, usando sinais e desenhos para preencher a lacuna. Agora, era apenas eu e a tela piscando.

Uma tarde, a porta rangeu ao abrir. Kassandra Medeiros estava lá, seus olhos me percorrendo, um sorriso de escárnio torcendo seus lábios perfeitos. "Ainda brincando com seus brinquedos, mudinha?" Sua voz era como gelo polido, afiada e cortante. "Breno me disse que você está aprendendo. Que gracinha."

Meu sangue gelou. Olhei para além dela, esperando, rezando, por Breno. Por sua presença familiar e protetora.

Ele saiu de trás dela, seu rosto indecifrável. Meu coração disparou. Ele estava aqui! Ele a impediria. Ele sempre impedia.

Mas ele não o fez. Ele apenas ficou lá, seu olhar distante.

Kassandra sorriu. "Você realmente é um fardo, não é? Uma âncora silenciosa o arrastando para baixo. Ele merece muito mais do que um brinquedo quebrado."

Minha respiração falhou. Olhei para Breno, meus olhos suplicando para que ele negasse, para que me defendesse.

Ele encontrou meu olhar por um segundo fugaz, depois desviou o olhar, sua mandíbula se contraindo. "Ela tem seus desafios, Kassandra", disse ele, sua voz baixa, quase se desculpando com ela. "Mas ela está... tentando."

Desafios? Tentando? As palavras me atingiram como um golpe físico. Ele me chamou de fardo, de desafio. Meu coração não apenas se partiu; ele se fraturou em mil cacos. Parecia que meu peito estava desabando, meus pulmões se recusando a puxar o ar. Lágrimas, quentes e incontroláveis, escorriam pelo meu rosto.

Agarrei o pingente de apito de prata que sempre usava no pescoço, aquele que Breno me dera anos atrás. Era uma coisa simples e barata, mas era nosso sinal. Um sopro agudo significava "perigo". Dois significavam "preciso de você". Três significavam "estou perdida". Levei-o aos lábios, soprando uma explosão desesperada e penetrante. Duas notas agudas. Preciso de você, Breno!

Ele não se moveu. Ele nem mesmo se encolheu. Ele apenas ficou lá, me observando chorar, seu rosto uma máscara de indiferença. Lembrei-me de sua promessa no dia em que me deu: "Sopre isso, Alina, e eu virei correndo, não importa o que aconteça."

Soprei de novo. Mais duas notas penetrantes. E de novo. E de novo. Desesperada, frenética, minha respiração irregular.

De repente, ele se moveu. Ele passou por Kassandra, seus olhos ardendo. Ele marchou em minha direção. Meu coração palpitou com uma esperança desesperada. Ele me ouviu! Ele se importava!

Ele parou na minha frente, seu peito arfando, mas seus olhos... não estavam cheios de preocupação. Estavam cheios de uma raiva fria e furiosa. Ele viu meu rosto manchado de lágrimas, o apito tremendo em minha mão, e sua expressão endureceu. "Qual é o seu problema, Alina?" ele exigiu, sua voz baixa e perigosa.

Kassandra riu, um som arrepiante. "Oh, ela está fazendo birra, é? Que... primitivo."

Algo se quebrou dentro de mim. Primitivo? Birra? Minhas mãos, geralmente tão hábeis com pincéis e carvão, se fecharam em punhos. Sem pensar, eu ataquei, minhas unhas arranhando a bochecha de Kassandra. Não foi um golpe forte, mas deixou uma linha vermelha tênue.

Kassandra gritou, agarrando o rosto. "Sua pequena besta miserável! Ela me arranhou! Breno, ela me atacou!"

Breno se virou, seu rosto contorcido de fúria. "Alina! O que você fez?" Ele agarrou meu braço, seus dedos cravando. "Peça desculpas a Kassandra. Agora." Sua voz era uma ordem áspera.

Olhei para ele, incapaz de falar, incapaz de me mover. Pedir desculpas? Pelo quê? Por me defender de suas palavras venenosas? Por ousar sentir algo?

Kassandra, sempre a atriz, tocou delicadamente sua bochecha, um brilho triunfante em seus olhos. "Oh, está tudo bem, Breno. Ela não sabe o que faz. Ela é apenas uma coisinha selvagem, não é?" Suas palavras estavam pingando falsa simpatia, destinadas a incitá-lo ainda mais.

A mandíbula de Breno se contraiu. "Peça desculpas, Alina!" ele sibilou, seu aperto se intensificando. Ele me empurrou. Com força. Minha cabeça estalou para trás, a dor explodindo em meu pescoço enquanto eu tropeçava, batendo o ombro contra a parede. Ele estava olhando para Kassandra, seus olhos cheios de preocupação, depois de volta para mim com desprezo absoluto. "Você é inútil, Alina. Um estorvo. Sempre foi."

Ele me empurrou de novo, desta vez com mais força. Minha visão turvou. Ele ainda estava olhando para Kassandra, ignorando minha dor, descartando toda a minha existência.

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