
Sete anos uma tola, um dia uma rainha
Capítulo 3
"Senhorita Lloyd!", gritou o gerente da concessionária ao ver Elyse desabar no chão.
Antes que qualquer outra pessoa pudesse reagir, Colton já estava em ação — ele correu até ela, a pegou nos braços e a carregou para fora sem hesitar.
Um traço de escárnio se espalhou lentamente pelos lábios de Kristine.
Depois que Colton foi embora, ela não teve outra opção senão encontrar um táxi sozinha.
Infelizmente, conseguir um táxi perto dessa concessionária se mostrou praticamente impossível.
Usando seus saltos altos, Kristine caminhou por uma hora inteira antes de conseguir chamar um táxi.
Sentada no carro, ela olhou para seus pés doloridos e cheios de bolhas, soltando um suspiro silencioso de alívio. Pelo menos a dor estava nos seus pés, não no coração.
...
Desde o incidente na concessionária, vários dias se passaram sem que Kristine cruzasse com Colton, e não havia razão para ela entrar em contato ou perguntar sobre ele.
De qualquer forma, Elyse fez questão de contar cada detalhe.
"Às 9:05 desta manhã, Colton se sentou comigo e me deu sopa na boca. Ele foi tão atencioso."
"Às 18:23 desta noite, Colton descascou uma laranja só para mim. Ela está uma delícia. Quer um pedaço? Que pena que você nunca terá essa chance."
Abaixo da mensagem, Elyse anexou uma foto da laranja cuidadosamente descascada.
"Às 22:35, Colton está deitado ao meu lado e já dormindo."
Em seguida, veio uma foto mostrando Colton descansando na cama ao lado de Elyse, com o braço apoiando o próprio peso, inclinado para perto dela.
Kristine leu as mensagens rapidamente antes de colocar o celular de volta na sua bolsa. Talvez ela já tivesse ficado insensível, porque as atualizações constantes de Elyse sobre Colton eram como assistir a um drama ridículo.
Após abrir a porta do carro, ela saiu e foi direto para a K&C Entertainment, uma empresa que havia sido construída por ela e Colton juntos.
No início, acreditara que o negócio a uniria mais a ele, tornando mais difícil qualquer corte de laços.
Contudo, o que ela nunca esperou foi que isso acabaria se tornando a corrente que a aprisionaria.
"Você está planejando ir para Peudon?" Vance Bailey, o vice-presidente, olhou para Kristine com uma descrença evidente. "Colton sabe disso?"
Sem hesitar, Kristine respondeu: "Ainda não contei a ele. Preciso que mantenha isso em sigilo."
"Claro", disse Vance, acenando com a cabeça, embora a descrença ainda permanecesse no seu rosto. "Você não era completamente dedicada a Colton? Será que realmente é capaz de se afastar dele assim?"
Por sete longos anos, Kristine permaneceu ao lado de Colton, entregando os anos mais preciosos da sua vida sem reservas.
"Terminei com ele. Quando eu for embora, entregarei o trabalho restante relacionado à divisão de cotas da empresa a você. Detesto ter que te dar esse trabalho."
"Não precisa falar assim. Afinal, nos formamos na mesma universidade. Só consegui entrar na empresa porque você me indicou", respondeu Vance, abaixando a cabeça enquanto um leve olhar de satisfação passava pelos seus olhos.
Um sentimento silencioso de gratidão surgiu em Kristine enquanto ela olhava para Vance. Na verdade, embora a empresa estivesse registrada em seu nome, o fardo de mantê-la viva recaía sobre os ombros dele.
Sem os esforços dele para manter tudo em ordem, o negócio teria desmoronado há muito tempo.
Após dar uma última volta pelo escritório, Kristine decidiu ir embora.
Na entrada do prédio, Vance a acompanhou e ficou lá até que o carro dela desaparecesse de vista, só então, relutantemente, subiu de volta.
...
Enquanto dirigia, Kristine desbloqueou seu celular e marcou o penúltimo item da sua lista, que era a divisão de cotas da empresa.
Logo depois, sua atenção se voltou para a última tarefa que vinha em seguida — se mudar da casa de Colton em Crestwood.
Quando essa etapa fosse concluída, não haveria mais nada que a ligasse a ele.
Durante o resto do trajeto, o clima foi ficando cada vez mais sufocante e tenso.
Assim que chegou à casa de Colton, Kristine subiu direto para o segundo andar.
Quando ela entrou, os funcionários da casa agiram como se ela não existisse, e ninguém se aproximou para reconhecer sua presença, pois todos sabiam que Colton não a amava.
Desde o dia em que ela se mudou para lá, ele raramente voltava para casa.
Ao invés de ir para o quarto principal, Kristine foi para o quarto de hóspedes, já que ela e Colton estavam dormindo em quartos separados.
Dentro do armário havia fileiras de roupas de marcas de luxo conhecidas, cada peça dada a ela por Colton.
No entanto, para Kristine, nada disso tinha qualquer importância.
Lentamente, ela se agachou e arrastou sua mala de debaixo da cama.
Quando ela começou a colocar as coisas lá dentro, uma buzina de carro soou do lado de fora.
"Senhor Yates", vozes educadas ecoaram da entrada.
Colton havia voltado.
Imediatamente, Kristine empurrou a mala de volta para o lugar de onde a tirou, pois ainda não queria que ele soubesse de sua partida.
Kristine ergueu a cabeça e ali estava ele, na porta — alto, cansado, mas inegavelmente atraente sob a luz do corredor.
Por um momento, Kristine se esqueceu de respirar.
"O que está fazendo?", Colton perguntou, a encarando com um olhar penetrante.
Bloqueando a mala com o corpo, Kristine respondeu: "Estava procurando uma coisa."
Sem insistir, Colton entrou no quarto.
"Os últimos dias foram uma confusão. Falei com Bobby mais cedo. Estarei livre no dia dezenove, então vamos nos casar nesse dia."
Mais uma vez, ele falou como se estivesse tomando uma decisão, ao invés de abrir uma discussão.
Inclinando levemente a cabeça, Kristine respondeu: "O dia dezenove é meu aniversário."
Diante dessas palavras, um lampejo de surpresa cruzou os olhos de Colton antes de desaparecer.
"Já fiz planos para esse dia", ela continuou.
"Você não costuma comemorar seu aniversário, né?", ele perguntou.
Ele nunca havia comemorado essa data com ela — constatação que, embora implícita, persistia em na mente de Kristine.
"Então podemos escolher outra data." Após dizer isso, Colton ajeitou a gravata e foi para o banheiro.
Cerca de meia hora se passou antes de ele sair, com o calor do banho ainda o envolvendo, toalha enrolada na cintura e gotas de água traçando lentamente o caminho do peito ao abdômen definido.
Esses contornos, que outrora despertavam em Kristine algo feroz a ponto de fazê-la correr até ele, incapaz de resistir a tocá-lo, agora a deixavam indiferente.
Do outro lado do quarto, Colton a observava sentada com a cabeça baixa enquanto mexia no celular. Vendo isso, uma leve ruga apareceu entre suas sobrancelhas.
"Deveríamos dormir." Colton estendeu a mão e apagou as luzes.
Rodeada pela escuridão, Kristine se levantou. "Tenho que ir."
Uma carranca se formou no rosto de Colton enquanto ele observava a porta se abrir e depois se fechar.
Mais uma vez, a escuridão tomou conta do quarto.
Por um instante, o desconforto o dominou, mas ele o reprimiu e se convenceu de que tudo permaneceria sob controle.
...
Nos dias seguintes, Kristine não viu Colton nem de relance.
Pelo que Vance lhe disse, Colton provavelmente havia saído da cidade para uma viagem de negócios.
Nem Vance conseguiu entrar em contato com ele durante esse tempo.
Se isso tivesse acontecido antes, a notícia teria deixado Kristine arrasada. No entanto, dessa vez, foi como uma pequena bênção.
Como Colton estava ausente, ela finalmente tinha a oportunidade de ir à casa dele e pegar suas coisas em paz.
Na verdade, havia muito pouco lá que pertencia a ela. O que restou foram principalmente itens que ela havia comprado para Colton, incluindo relógios de casal, roupas, um urso de pelúcia e outras coisas do tipo.
Para Colton, tudo isso parecia imaturo, então ele jogou tudo no canto mais distante do armário.
Um por um, os itens foram para a mala, que encheu até o limite, antes que Kristine atravessasse a porta pela última vez.
Um funcionário da casa notou sua partida, mas presumiu que ela estava indo trabalhar e não parou para fazer perguntas.
Quando Kristine se deu conta, o dia dezenove havia chegado.
A essa altura, ela já havia resolvido tudo o que precisava da sua atenção, e tudo o que lhe restava fazer era esperar pelo dia vinte e finalmente deixar Gridron para trás.
À noite, Kristine foi sozinha a uma confeitaria da cidade, comprou um bolo pequeno e levou-o para um parque próximo, onde escolheu um canto tranquilo e o comeu lentamente.
A doçura permanecia na sua língua. Dessa vez, não havia necessidade de se preocupar com Colton indo embora no meio do caminho.
Recostando-se, ela ergueu o olhar para o céu escuro, e um leve sorriso apareceu nos seus lábios.
Justo nesse momento, uma explosão ecoou acima dela e o céu se encheu de fogos de artifício — cores deslumbrantes se espalhando em padrões vertiginosos.
Kristine ficou com a cabeça erguida por tanto tempo que seu pescoço começou a doer antes que a explosão final se dissolvesse no silêncio.
De repente, uma vibração quebrou a quietude.
Colocando a mão na sua bolsa, Kristine pegou seu celular e verificou a tela — uma mensagem de Colton.
"Gostou dos fogos de artifício? Feliz aniversário."
Lágrimas surpreenderam Kristine, turvando sua vista: nunca antes um parabéns dele, e agora, justo na despedida, o primeiro.
Após abrir a mensagem, Kristine mal havia terminado de digitar a palavra "obrigada" quando um novo alerta apareceu na sua tela — notificação de uma foto enviada por Elyse.
Com um leve toque, Kristine a abriu e viu uma imagem de uma fatia de bolo.
"Colton fez esse bolo para mim com as próprias mãos. Soube que hoje é seu aniversário, então pedi para ele fazer um só para mim. Vou comer bolo de aniversário, e você não. Que pena para a aniversariante!"
Enquanto lia a mensagem, as lágrimas que haviam inundado os olhos de Kristine desapareceram lentamente.
Indo para a conversa com Colton, ela digitou uma resposta curta: "Quero que faça um bolo para mim."
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